Na busca de uma compreensão acerca das respostas das organizações frente às pressões institucionais, Oliver (1991) propõe que o comportamento das organizações pode variar desde uma conformidade passiva até uma resistência ativa em resposta às pressões institucionais, o que vai depender da natureza e do contexto das próprias pressões. Essas tipologias são utilizadas para compreender as respostas não só da organização, mas também a sincronia ou reação existente nas respostas dos stakeholders frente ao ambiente institucional (GOODSTEIN, 1994; MCKAY, 2001; CLEMENS e DOUGLAS, 2005).
A autora analisou as respostas estratégicas dadas pelas organizações às pressões ambientais, criando uma tipificação dessas respostas, conforme quadro a seguir:
ESTRATÉGIAS POSICIONAMENTO TÁTICAS EXEMPLOS
Aquiescência Aceitação
Hábito Seguir normas invisíveis, dadas como certas.
Imitação Imitar modelos institucionais. Conformidade Obedecer às regras e aceitar as
normas. Compromisso Tentativa negociada de
diminuir efeitos
Equilíbrio Balancear (equilibrar) as expectativas dos públicos múltiplos.
Pacificação Acomodar e aplacar os elementos institucionais.
Barganha Negociar com os stakeholders institucionais. ...continua... Pressões políticas Pressões instrumentais Pressões sociais Pressões para entropia Dissipação ou rejeição Pressões para a inércia Processo de desinstitucionalização Erosão ou descontinuidade
ESTRATÉGIAS POSICIONAMENTO TÁTICAS EXEMPLOS
Evasão Tentativa dissimulada de impedir efeitos
Ocultação Disfarçar a não conformidade. Absorção Afrouxar as conexões institucionais.
Fuga Mudar objetivos, atividades ou domínios.
Desafio Recusa explícita e contestação das regras
e exigências
Recusa Ignorar normas ou valores explícitos. Desafio Contestar regras e exigências.
Ataque Violar/agredir as fontes de pressões institucionais.
Manipulação Ações de impedimento
Cooptação Importar pessoas influentes. Influência Moldar valores e critérios.
Controle Dominar os processos e o público institucional.
QUADRO 2.6: Respostas estratégicas às pressões institucionais
Fonte: Oliver (1991, pág. 152).
Lawrence (1999), por sua vez, além das ações reativas às pressões institucionais, analisou a maneira pela qual as pressões são criadas no ambiente, denominando-a estratégia institucional. A estratégia institucional, então, requer habilidade para articular e defender novas práticas como legítimas ou desejáveis, desconsiderando a possibilidade de aprovar práticas já legitimadas, uma vez que as regras de pertencimento e os padrões de práticas que estruturam os campos organizacionais favorecem somente algumas posições estratégicas enquanto penalizam outras. Para o autor, geralmente são penalizados os atores menos favorecidos pela estrutura (LAWRENCE, 1999).
Dessa forma, a conformidade da organização às pressões institucionais é limitada por algumas características intraorganizacionais, como a aceitação e a habilidade de se comportar conforme esperado, ou seja, pelo ceticismo frente à instituição, seus interesses políticos e controle organizacional. Outro fator que também exerce influência sobre as respostas organizacionais são os antecedentes das respostas identificadas por Oliver (1991) (QUADRO 2.7). Para a autora, as respostas podem ser classificadas a partir de algumas perguntas. São elas: Por que as pressões são exercidas? Quem as exerce? Quais são elas? De que forma as pressões são exercidas? E onde ocorrem?
ANTECEDENTES
INSTITUCIONAIS CARACTERÍSTICAS
Causa Conjunto de expectativas ou objetivos pretendidos. As causas podem ser divididas em duas categorias: sociais e econômicas.
Constituintes Relacionados às leis, regulamentos, normas e expectativas que recaem sobre as organizações.
Conteúdo Consistência com que as pressões institucionais são exercidas e relacionadas aos objetivos organizacionais e à possível perda de poder.
Controle Meios pelos quais as pressões são impostas às organizações pelo contexto. Pode acontecer de duas maneiras: a coerção legal e a difusão voluntária. Contexto Ambiente no qual as pressões são exercidas. Pode ser via incerteza e/ou
interconectividade.
QUADRO 2.7: Antecedentes institucionais
Fonte: Oliver (1991).
Assim, a primeira questão a ser levada em consideração deve ser a causa. Segundo a autora, refere-se ao aspecto racional e está relacionada ao conjunto de expectativas ou aos objetivos pretendidos pela organização. As causas podem ser divididas em duas categorias: sociais e econômicas. Dessa forma, presume-se que quanto menor a pressão social por legitimidade e/ou menor o ganho econômico percebido, maior será a probabilidade de a organização apresentar resistência às pressões institucionais (OLIVER, 1991). A autora não considerou causas ambientais que também podem afetar a busca por legitimidade.
Outra questão a ser levada em consideração pelas empresas, segundo Oliver (1991), são os constituintes, que incluem naturalmente o Estado, os grupos de interesses, as profissões e o público em geral, os quais impõem uma variedade de leis, regulamentos e expectativas sobre as ações das organizações. Presume-se que quanto maior a multiplicidade e/ou menor a dependência dos constituintes externos, maior será a probabilidade de a organização apresentar resistência às pressões institucionais.
A terceira questão a ser notada diz respeito à consistência das pressões institucionais com os objetivos organizacionais e a potencial perda de poder da decisão. Calcula-se que quanto menor a consistência das pressões com os objetivos organizacionais e/ou quanto maior a perda de liberdade imposta à organização, maior a probabilidade de a organização apresentar resistência às pressões institucionais (OLIVER, 1991).
A próxima questão descreve os meios pelos quais as pressões são impostas às organizações, podendo ser exercidas através de dois processos distintos: coerção legal e difusão voluntária. Julga-se que quanto menor o grau de coerção legal e/ou quanto menor o grau de difusão voluntária, maior a probabilidade de a organização apresentar resistência às pressões institucionais (OLIVER, 1991).
A última questão considerada por Oliver (1991) trata do contexto ambiental dentro do qual as pressões são exercidas, o que corresponde à incerteza e à interconectividade.
A incerteza diz respeito ao grau de precisão com que se pode prever ou antecipar acontecimentos futuros. Já a interconectividade se refere à densidade de relações interorganizacionais entre participantes de um determinado campo organizacional. Calcula-se que quanto menor o grau de incerteza e/ou quanto menor o grau de interconectividade vigente no ambiente, maior será a probabilidade de a organização apresentar resistência às pressões do ambiente institucional. Neste ponto, Meyer e Rowan (1983) afirmam que quanto maior a densidade das redes, maior será o número de mitos racionalizados que tendem a ser copiados pelas organizações do mesmo campo organizacional.
Pode-se concluir, sob a luz do novo institucionalismo, que a instituição, ao se configurar, passa por vários estágios de institucionalização, podendo, ainda, vir a sofrer questionamentos e ser submetida ao processo de desinstitucionalização e/ou reinstitucionalização, conforme esquematizado na figura 2.10.
FIGURA 2.10: Processo de institucionalização até sua desinstitucionalização e/ou reinstitucionalização
Fonte: Elaborado pela autora.
Assim, deve-se considerar os processos de desinstitucionalizaçao e reinstitucionalizaçao como passível de fazer parte do processo de institucionalização de formas e práticas organizacionais.
PROCESSO DE INSTITUCIONALIZAÇÃO
•Inicial •Intermediário •Institucionalizado
DiMaggio e Powell (1983); Berger e Luckmann (1985/1999); Giddens (1989); Zucker (1991); Jepperso (1991); Oliver (1991/1992); Meyer e Rowan (1991); Scott (1995); Selznick (1996); Tolbert e Zucker (1999); Burns e Scapens (2000); Frumkin e Kaplan (2000).
PROCESSO DE
DESINSTITUCIONALIZAÇÃO Jepperson (1991); Oliver (1991/1992); Fonseca (2003); Scott (2008).
PROCESSO DE
REINSTITUCIONALIZAÇÃO Jepperson (1991); Scott (2008).
F e e d b a c k