2. TAX HAVENS
2.1.1 The OECD Definiton of a Tax Haven
Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos. Pitágoras
As crianças possuem um grande potencial de aprendizagem, sendo a infância, um tempo marcado pela imaginação onírica, que guia a fase mais importante da vida humana. Daí o papel fundamental do adulto em propiciar encantamento a esta “terra fértil”, rica em possibilidades de imaginação, tendo como uma de suas estratégias as mais belas histórias que foram sendo armazenadas culturalmente em livros de fábulas, contos, lendas e até mesmo, os textos infantis modernos que tanto podem divertir como instruir as crianças.
A escola tem o compromisso de oferecer este acervo de cultura, contida nos livros, que a nossa sociedade trouxe e de que nossas crianças muitas vezes são privadas pela falta de oportunidades das famílias, tanto por escassez de tempo típica da sociedade moderna ou mesmo por motivos econômicos.
Necessitamos de pessoas criativas, que saibam fantasiar, amar e valorizar as crianças como seres realmente aprendentes. Precisamos de suporte para ampliar o contexto cultural. Será que nossa escola pode ajudar nesse processo? Há a necessidade de oferecer à infância o melhor, de solidificar as estruturas da base educacional, a fim de torná-la mais apaixonante e sem dúvida com menos injustiça social. A infância sem o passaporte dos livros se torna sombria, triste e com certeza a afetividade tende a regredir, pois as máquinas, a tecnologia torna os contatos mais distantes, mais frios, nas relações interpessoais.
O ambiente escolar deve evidenciar situações significativas dentro de sala de aula, proporcionando a chamada melhoria cultural e educacional, oferecendo o direito à cidadania a estas crianças e se buscou neste estudo verificar como estão os momentos de leitura oferecidos às crianças da Rede, a partir do seu repertório em leitura.
Os últimos entrevistados foram as crianças, determinadas por suas professoras tendo como critério para escolha desses sujeitos, as mais desinibidas dentro da vivência escolar. A pesquisadora procurou manter uma conversa com elas, num contato informal, sem um questionário pré-estabelecido, procurando analisar o seu repertório de leituras. Foram
entrevistadas também três crianças, uma de cada escola (A, B e C) e aqui estão algumas características que valem ser destacadas:
CRIANÇAS IDADE FASE ESCOLA SEXO
A 4 I A Masculino
B 4 I B Feminino
C 5 II C Feminino
Quadro 4 - Caracterização dos sujeitos (Crianças)
A criança “A” é bastante falante e extrovertida, logo já foi dizendo que gostava da escola. A pesquisadora alimentou o diálogo e indagou do que mais ela gostava de fazer e respondeu:
_ Gosto de brincar de carrinho e também gosto das histórias que a professora conta de lobo mau.
A pesquisadora propôs que ela falasse quais as histórias que já foram trabalhadas, que a professora já contou e ela se posicionou:
_ Gostei da lenda do lobisomem, do curupira e do saci, também gosto do Peter Pan, por causa da terra do nunca.
Perguntado se a professora contava história todos os dias, afirmou que sim, na roda. Observamos que era uma rotina de trabalho, apontado pelo comportamento da criança em relação à leitura e também pela observação da pesquisadora em sala de aula. As crianças daquela sala, apresentavam uma boa autonomia em relação ao momento de leitura, percebido pela familiaridade dos pequenos com aquela situação ou momento de aula. Outros comentários da criança e da pesquisadora que devem ser analisados no que se refere às histórias:
PESQUISADORA CRIANÇA “A”
Você se lembra de alguma história que sua professora contou e que gosta mais de ouvir?
Minha professora contou pra nós, a lenda do saci.
Quem é o saci? É um menino negrinho que tem um gorro e
gosta de fazer muita “arte”.
Você se lembra de alguma arte, que ele faz? Ele gosta de amarrar o rabo do cavalo e também de colocar muito sal na comida. Você se lembra de mais alguma coisa da
lenda? Não, só sei que ele mora lá no Sítio do Pica Pau Amarelo.
A criança já possui várias ideias importantes sobre os personagens e com certeza essas podem ser levadas para as produções nos momentos de escrita coletiva, por exemplo. É fundamental que a criança possua um repertório significativo de leituras que vá além do desenvolvimento da imaginação, mas que possa ser aproveitada na vida social, na conquista da competência para escrita.
A criança “B” possuía a mesma idade da criança “A”, uma de suas características mais marcante é que era muito falante e não teve dificuldade em se colocar e se expressar sobre as questões que foram apresentadas, porém, a pesquisadora percebeu que seu repertório de histórias era confuso e muitas vezes não expressou a história de forma convencional:
PESQUISADORA CRIANÇA “B”
Você gosta de histórias? É, gosto de histórias e ver os livros, as
figuras.
Quais as histórias que você gosta? Do Pinóquio e da Branca de Neve Conte para mim, como é a história do
Pinóquio.
É aquele que se mentir o nariz fica grande e não fica mais pequeno.
E a história da Branca de Neve? A bruxa coloca ela dentro do caldeirão e faz sopa e depois chupa todos os ossos.
Quadro 6 - Diálogo entre pesquisadora e Criança “B” sobre histórias preferidas
Percebemos com a apresentação desses relatos que a criança ainda não sabe caracterizar como são os personagens de suas histórias preferidas, portanto, isso leva a crer que ainda há a necessidade de uma leitura mais sistematizada, que interaja com as crianças na construção da caracterização dos personagens prototípicos. A solução pode ser incorporar na rotina diária a leitura de um repertório variado de textos, com discussão entre as crianças de toda a leitura trabalhada, além de habituá-las a estes momentos.
“B” possui uma imaginação fértil, pois, foi capaz de inventar uma afirmação bastante interessante sobre a apresentação da História da Branca de Neve, porém falta entender que cada história possui certos personagens com uma caracterização própria, não tendo em sua mente como é esse personagem nos livros. Enfim, a professora precisa contar as histórias e proporcionar interações entre as crianças a fim de construir esses elementos importantes para a efetivação do letramento. Vale ressaltar que para isso a escola precisa de oferecer livros, para que a qualidade desses momentos de recontos não fique comprometida.
A criança “C” se apresentou um pouco tímida, porém logo foi se socializando e fez questão de mostrar o seu caderno. Percebi que havia várias atividades de reescrita e preparação do jornal que estavam fazendo na sala. Havia textos de parlendas produzidos por ela e textos coletivos feitos pelo grupo. A criança já se encontrava no nível alfabético, tendo ainda pela frente que encontrar desafios a fim de aprimorar sua escrita no aspecto ortográfico.
A pesquisadora perguntou sobre o boneco de pano que a professora disse ter na sala a fim de aprimorar a leitura das crianças e ela realizou alguns comentários importantes:
PESQUISADORA CRIANÇA “C”
Você já levou o “Senhor Jornal” para casa? Gosto de levar para contar histórias. Minha mãe conta histórias para nós dois e ele brinca comigo. Eu já contei histórias para ele e depois eu conto para a professora. Quais as histórias que você mais gosta? Gosto muito da história dos três porquinhos. Quantas vezes a professora já leu esta
história para você?
Eu acho que duas. Você sabe contar um pouquinho dessa
história?
São 3 porquinhos que queriam construir uma casinha. Dois irmãos era mais preguiçoso e construiu uma casinha de palha e de madeira. O outro construiu uma casinha de tijolo, essa era forte!
Um dia apareceu um lobo que queria comer os porquinhos e sobrou a casinha de madeira. Ela foi para os ares. O porquinho saiu correndo e foi para a outra casinha que também caiu e só não caiu a casinha de tijolo.
O lobo comeu os porquinhos? Não, eles se esconderam na casinha de tijolo e o lobo tentou entrar pela chaminé e queimou o bumbum e nunca mais voltou.
Quadro 7 - Diálogo entre pesquisadora e Criança “C” sobre histórias preferidas
A pesquisadora percebeu que a criança possuía um discurso significativo sobre a história, não tendo muitos vícios de linguagem, como “aí”. Possui características importantes de coerência, percebendo o começo, meio e fim da história, características indispensáveis para o letramento, afinal interpreta o texto e sabe as características essenciais do clássico. Ela comentou durante a conversa que gosta de levar livros para casa e também gosta que a professora conte histórias.
Esta pesquisadora não ficou instigando em demasia as crianças, pois a conversa foi durante as aulas e com certeza quando os pequenos ficam afastados por muito tempo da sala, perdem todo um contexto de aprendizagem. Mas, as contribuições foram bastante importantes para evidenciar algumas conclusões construídas pela autora. Quanto mais leituras o professor realiza para suas crianças, maior o repertório de ideias na oralidade e com certeza na produção escrita, se estiver sendo trabalhada concomitantemente.
Diante das três crianças, a “B” apresentou menos repertório, pois com certeza a professora não contou várias vezes este conto, afinal a criança não conseguiu visualizar convencionalmente os contos propostos a serem contados. Já a criança “A” caracterizou bem quem era o Saci, assim como o reconto da criança “C”, foi bem elaborado. Diante disso, é fundamental construir uma rotina de leitura na intenção de construção de leitores e escritores competentes dentro da Educação Infantil.