3.2 Skattemetoden (søskenfaktor)
3.2.2 Odel og åsete
“A forma como os humanos se vestem durante toda a história da humanidade está atrelada ao seu comportamento através do tempo. Ou seja, é possível identificar em uma pessoa o seu modo de vida e em qual tempo e espaço está inserido através da forma como se veste”.
(Sossoloti) A relação entre moda, categorias etárias (infância e idade adulta) e gênero não apenas é positiva, quando pensada em termos socioculturais e de consumo, como tem se constituído em objeto do “fazer acadêmico”. No entanto, nesta relação a velhice inexiste ou aparece “camuflada”. O que prevalece é a condição social e o contexto histórico-social. Às idosas das classes economicamente privilegiadas são feitas “adaptações” mais próprias à idade. Para as que não dispõem de recursos, resta lançar mãos do que têm às
mãos e de disposições culturais, especialmente as étnicas. 48
Assim, trata-se de uma relação positiva tão somente para os que têm posses.
Vieira entende que
[...] a moda constitui-se como uma realidade dinâmica, transforma-se com e no tempo, inserida na cultura e realizada através de sujeitos históricos: profissionais da moda, produtores e consumidores. Portanto, é necessário que o profissional da moda, inserido em seu tempo, compreenda os conflitos e possibilidades de transformação do público alvo. Nesse sentido, ao criar ou produzir produtos de moda também é preciso lançar um olhar crítico sobre preconceitos, tabus, sanções impostas aos idosos.49
48 Por disposições étnicas entendemos matrizes radicadas nas culturas de origem. Assim, o uso de lenços para cobris os “cabelos brancos” era muito comum entre as idosas portuguesas ou descendentes de portugueses, o mesmo ocorrendo com idosas italianas. O uso de um amplo “avental” para cobrir a roupa também era um expediente muito utilizado entre idosas descendentes de europeus.
49 In: www.fazendogenero.ufsc.br/7/.../Francine_de_Souza_Vieira_45.pdf. Acessado em 23 de fevereiro
de 2012
No entanto, o envelhecimento populacional e o fato de idosos de diferentes condições sociais assumirem a condição de um “novo e promissor” nicho de mercado têm contribuído para que a velhice seja introduzida na pauta dos criadores de moda.
A matéria “Mercado de moda ainda não está totalmente preparado para atender os idosos”, veiculada pela Rede Bandeirantes de televisão, em 15 de Fevereiro de 2011, afirma:
Atualmente, muitos idosos têm estilos de vida compatível ao das pessoas mais jovens. Entretanto, essa população ainda enfrenta alguns desafios, como comprar roupas confortáveis e bonitas. Apesar de o mercado não estar preparado para o aumento da estimativa de vida no país, há lojas que já começam a pensar nesse público. [...] Apesar da disposição, não são todas as pessoas que conseguem atingir a terceira idade sem enfrentar dificuldades. Quando o físico é motivo de desconforto, a roupa,
sem dúvida, tem que ser confortável. 50
Na busca virtual realizada localizamos um blog bastante sobre a relação entre moda e velhice. Apesar de extensa, permitimo-nos reproduzi-la na íntegra:
Em Moda pode-se quase tudo. A diversidade surpreendente de estilos é um convite para a reinvenção. Mas, você já reparou que apesar da Moda possuir um discurso de que é acessível a todos - ela é vendida para poucos? A lógica da Moda é lançar a cada nova estação modelos novos releituras de antigos, padronagens, etc. Essa rapidez chega a nos chocar, pois usamos uma determinada tendência, muita vezes, menos de seis meses. Há quem acredite que a Moda não seja pensada para idosos justamente por isso. Por serem mais velhos, ligarem menos para as coisas, seriam mais resistentes a mudanças tão súbitas de estilo, cores e etc. Eles não veriam tanto sentido em adquirir peças-desejo a cada nova estação. Em contrapartida, os jovens (por sua aceleração natural) e os adultos teriam maior paciência e gosto por essa busca. É bem provável que um jovem extremamente ousado em suas vestimentas, opte
gradativamente por algo mais "tradicional" com o passar dos anos, mostrando um aparente desinteresse com a Moda e suas facetas e se tornando mais seletivo. E aqueles idosos que não acompanham essa inclinação são muitas vezes vistos
comooutsiders. Pensemos: o conformismo, desânimo ou mesmo
a resistência a mudanças dos mais velhos em relação as tendências é fruto não do avanço de suas idades (o famoso "Ah... isso não é mais para mim!"). Trata-se, antes de tudo, de um discurso que constrói e legitima os papéis, as ações que se espera dos grupos etários. Espera-se que a terceira idade não
tenha mais esse furor pelo mundofashion, pois já viveram muito
e ganharam "sabedoria". Uma mulher de 30, por exemplo, já atingiu a maturidade. Sua vida pessoal e profissional já está mais estável. Nessa idade muitas já estão casadas e são mães. Aqui há uma busca pela elegância e não por modismos. Invés de ousar em decotes, transparências e comprimentos curtos, prefere peças de qualidade e durabilidade, com um bom caimento, em tecido mais nobre. Essa mesma mulher pode até mostrar o colo, os ombros e braços, mas sabe que é melhor deixar a barriga coberta, pois "já não tem mais idade para isso". Bem diferente de uma menina de 15 ou de 22 anos que experimenta tudo que vê pela frente (e corre grandes ricos de errar), a mulher mais madura já sabe o que lhe cai bem, o que usar ou não. Pensemos, então, na mulher de 40, 50... 80! Mas percebam que essa pretensa maturidade (e eu não discordo dela, afinal tenho mãe e avó e conheço pessoas de idade que são bons exemplos do que escrevo), na verdade, é apenas reflexo de um discurso que ratifica como cada faixa etária deve enxergar a outra, como devem se comportar - e como devem se vestir. Por uma observação cotidiana, sabemos (e sentimos!) que o passar dos anos nos dá mais vivência e as experiências nos calejam. A roupagem (sem trocadilhos, rs) que damos a essa sabedoria é que faz com que enxerguemos os idosos como aqueles que colocam em suspenso esse gosto pela mudança rápida e súbita (e muitas vezes desnecessária). É essa leitura que temos desse grupo etário que legitimou esse suposto desinteresse dos mais velhos por Moda. Essa maturidade não é vendida. A ideia de roupas para esses grupos, embora vejamos nas passarelas muitos modelos usáveis para essas gerações, não é vendável. As propagandas, os cartazes e desfiles estão abarrotados de modelos extremamente jovens. Elas são maquiadas até a exaustão para parecerem mais maduras, mais velhas, mais jovens, mais austeras, mais... mais... Mas são jovens! Por que não colocar nas passarelas, campanhas e etc., modelos de meia-
idade? Homens com 60 anos em campanhas daLouis
Vuittonficaram absolutamente perfeitos! (isso abre uma
fora esses exemplos muito específicos, será que a idade só fica
bem em comerciais de cremes rejuvenescedores?51
Não há como ignorar os desafios colocados pela ação do tempo e transformações corporais ligadas aos anos que se acumulam. São transformações que não permanecem no impensado; pelo contrário. Elas emergem aqui e acolá, tanto no ato de vestir-se para o dia-a-dia, como para ocasiões excepcionais. Mesmo que “silenciadas”, servem de “guia” das decisões a serem tomadas.
Aos 69 anos, a atriz Marília Pera não só confirma seu estatuto de idosa, como revela os cuidados que agora tem com a indumentária:
Nunca fui um símbolo de beleza. Sabe que estou descobrindo até um espaço, um lugar que dá para você ser velha? No Brasil, começa agora a existir esse espaço para você ser respeitada e ser mais velha. Qualquer coisa, eu falo: ‘sou idosa, aqui eu tenho direitos’. Você tem muitos direitos. Isso é uma coisa boa que está acontecendo no país. Já existem leis que protegem o idoso. [...] Não condeno nada. Só pretendo ficar magra. Quando você fica magra, qualquer roupa cai bem. Mas eu não usaria uma roupa mais juvenil, com muito decote, braço de fora... Não aprovo tanto a exposição. [...] eu sou dama antiga, né? Gosto mais das saias. E prefiro a cintura ajustada, mas não uso calça comprida, pois tenho as pernas finas. [...] Ultimamente, não faço nada. Nem ao dermatologista eu vou. Por quê? Por que eu já estou instalada na velhice. Tudo que implica sofrimento, eu não faço. Não tiro nem a sobrancelha mais. 52
Aos 66 anos, Helô Pinheiro, a então “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim,
só decidiu assumir seus 66 anos – “uma mentirinha não fazia mal a ninguém”, comenta – por sugestão do genro, o empresário Roberto Justus. “Tenho medo da velhice, envelhecer é triste. Além do mais, a gente murcha e fica mal na fita”, diz ela, bem-humorada. “Repare uma fruta fresca e uma já passada.
É ruim, hein? Vamos combinar!”.53
51 In: besuigeneris.blogspot.com/2011/01/moda-e-velhice.html. Acessado em 27 de fevereiro de 2012 52
Finalizamos este item recuperando a história de vida da modelo norte-
americana Cindy, 60 anos. Tendo iniciado sua carreira aos 49 anos54, explica
seu sucesso pelo fato de nunca ter se utilizado de expedientes para “disfarçar” a idade.
Uma senhora americana de 60 anos está fazendo sucesso por ser super-natural em assumir sua idade, sua pele e seus cabelos brancos, sem botóx e sem tintura em seus cabelos, ela vem sendo requisitada como modelo em campanhas publicitárias e editoriais de moda, ela que já foi maquiadora de modelos e celebridades no passado, hoje está se tornando uma celebridade da moda. [...]A vida de modelo começou aos 49 anos, quando ela foi abordada na rua por um fotógrafo que a convidou para estrelar um anúncio da Dolce & Gabbana. [...].“Foi no mesmo dia em que eu havia cortado o que sobrava da tintura que cobria o meu cabelo branco”, contou Cindy à BBC Brasil por telefone. “Depois fui chamada novamente por uma revista. Decidi ir à Ford Models.” [...] Gente por isso que eu digo mesmo chegando aos 100 anos, temos que nos mostrar bonitas e seguras, pois a qualquer momento podemos ser clicadas por aí, e acredito mais, quanto mais natural
54
formos, quanto mais assumir a idade natural formos, quanto mais assumir a idade melhor ainda. 55
Os depoimentos acima, somados à história de Cindy e ao “vazio” do mercado da moda para idosos responderam, entre outros, pelas entrevistas realizadas e norteadas pelos objetivos da investigação, como poderá ser visto nos capítulos que se seguem.
55
CAPÍTULO IV
DOS OBJETIVOS