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A unidade curricular Estágio com Relatório representou para a estudante um desafio relevante, representando o culminar de um percurso académico trabalhoso, mas enriquecedor e gratificante. A dinâmica permanente entre os saberes apreendidos, as competências adquiridas e as novas experiências vivenciadas, geraram uma constante reflexão sobre o percurso de aprendizagem, transformando o seu conhecimento e o seu desempenho profissional futuro num saber especializado.

A experiência de parto representa um momento único e marcante em que a mulher vivencia um elevado número de emoções. A qualidade dessa experiência constitui um factor determinante para o bem-estar físico, mental e social materno. Um dos grandes desafios da Saúde Materna na actualidade passa por proporcionar um parto seguro e satisfatório, minimizando o sofrimento da grávida, valorizando a sua individualidade, o seu contexto sociocultural tornando a vivência do TP numa experiência de crescimento e de realização para a mulher e família. Desse modo, para que a grávida tenha uma percepção positiva e satisfatória do parto, será necessário ter em conta vários aspectos que se relacionam com as condições físicas e de acolhimento na maternidade, com a qualidade dos cuidados prestados pelos profissionais desde o período pré-natal até ao parto e com as expectativas e preparação da grávida/família (autoconfiança, autocontrolo e receios).

O acompanhamento proporcionado á grávida/ família, inicia-se nos Cuidados de Saúde Primários, onde cabe ao EESMO, desempenhar um papel de facilitador, trabalhando em parceria com as famílias, capacitando-as, dando espaço para a sua reflexão e tomada de decisão, utilizando estratégias inovadoras, onde a difusão de informação e formação de opinião favoreçam o empoderamento da mulher.

No âmbito da sua autonomia, como futura EESMO em CSP, a estudante considera que a aquisição de novas competências contribuiu para a melhoria dos cuidados, sensibilizando-a, no sentido de estabelecer protocolos de articulação com os diversos níveis de cuidados, de forma a desenvolver estratégias que privilegiem determinadas práticas que são benéficas ao parto normal.

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Com o presente trabalho a estudante pretendeu desenvolver uma aprendizagem assente no efeito das intervenções do EESMO facilitadoras da liberdade de movimento e de posição durante o TP. Entenda-se que esta prática estimula o parto normal, contribui para a inovação dos cuidados em obstetrícia e favorecem um papel mais activo e participativo da parturiente. Após a revisão da literatura e através da análise dos artigos seleccionados, observou-se que estes são concordantes relativamente aos benefícios da liberdade de movimento e posições. Foi encontrada a resposta à questão inicial formulada para a elaboração deste trabalho, na qual se observa que o efeito das intervenções do EESMO na liberdade de movimento e posições durante o TP contribui para diminuir o tempo do mesmo, melhorando a contractilidade uterina e promovendo o fluxo materno/placenta/feto durante mais tempo. Simultaneamente estas práticas favorecem o conforto, permitindo à parturiente lidar melhor com a dor, diminuindo ainda o risco de lesão do períneo e necessidade de episiotomia, proporcionando-lhe uma melhor cooperação em todo o processo do parto.

No entanto, a estudante constatou que no hospital onde decorreu o seu estágio, ainda se encontra um número muito limitado de mulheres que procuram a liberdade de movimento ou posições diferentes, aceitando assim, passivamente o que se encontra instituído. Um dos contributos que poderá promover a mudança dessa prática, passa pelo desempenho do EESMO no acompanhamento da mulher ao longo da sua gravidez, apoiando-a na construção de um plano de parto exequível de forma a possibilitar à equipa de saúde presente na sala de partos compreender e responder positivamente às expectativas da parturiente. Saliente-se, a importância da competência relacional para a qual a estudante se sentiu muito sensibilizada, considerando-a como fundamental na interacção e assistência à parturiente e família, promovendo a confiança, a segurança e a habilidade para lidar com os momentos do trabalho de parto, garantindo o respeito pela autonomia da mulher, o que vai ao encontro do critério de competência H3.3.1. ”concebe, planeia, implementa e avalia medidas de suporte emocional e psicológico à parturiente e à mulher em trabalho de parto e convivente significativo” (OE, 2010, p.3).

As modernas unidades de bloco de partos apresentam-se sofisticadamente equipadas para apoiar as situações de alto risco ou de complicações no parto, mas as políticas, cultura organizacional, protocolos, e infra-estruturas físicas ainda não são ideais para

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promover o parto normal. A par dessas barreiras, deparamo-nos com instituições e peritos da área obstétrica que consideram o parto como um acontecimento onde a intervenção médica é necessária para se alcançar um bom resultado. A mudança deste conceito só poderá acontecer mediante o esforço de todos os profissionais de saúde envolvidos neste processo, capacitados para ensinar, orientar, preparar e acompanhar a grávida nessa trajectória de mudança das práticas, favorecendo a sua autonomia e competência.

É necessário implementar novas estratégias que incentivem o uso de posições verticais durante o primeiro e segundo estádio do trabalho de parto - repensar e projectar instalações e equipamentos adequados que favoreçam o movimento e posições verticais, com a presença contínua de acompanhante, assim como o envolvimento mais activo por parte dos profissionais. Para isso é necessário mobilizar recursos, como a melhoria da comunicação e do trabalho conjunto das equipas multidisciplinares, o reconhecimento de possíveis barreiras aos cuidados de saúde personalizados e de qualidade, a formação contínua dos enfermeiros, a utilização de indicadores na avaliação dos cuidados de enfermagem, a adequação do número de enfermeiros, face às necessidades dos cuidados de enfermagem para que estes possam acompanhar a parturiente de forma contínua e integral.

Existe um longo trabalho a fazer, não apenas no domínio da prática, mas também no domínio da investigação, que permita encontrar estratégias que avaliem os efeitos reais da deambulação, movimento e posição materna no momento do nascimento, contribuindo para a melhoria da qualidade dos cuidados e para implementar recomendações baseadas na evidência científica, ultrapassando a prática de medidas rotineiras, onde é privilegiada a técnica e esquecida a individualidade de cada um. Analisando a experiência em estágio e as notas de campo, constata-se que as grávidas portuguesas não assumem um papel activo, como era desejado, na escolha relativa à condução do seu trabalho de parto, nomeadamente na elaboração de um plano de parto. Caberá aos profissionais na área da Obstetrícia em geral e à estudante como futura EESMO em particular, um trabalho intenso no empoderamento da mulher e no desempenho do seu papel social no contexto do nascimento.

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Como prevê a Associação dos Enfermeiros Obstetras no documento “Maximizando os

ganhos em saúde com práticas de qualidade…” (elaborado como contributo para o Plano Nacional de Saúde de 2011-2016), os enfermeiros especialistas encontram-se numa posição única para reintroduzir as práticas de cuidados que apoiam o processo fisiológico para o parto normal.

Por último, a elaboração deste relatório criou momentos de alguma complexidade, relacionados com o desenvolvimento dos seus conteúdos, no entanto permitiu à autora analisar e reflectir de forma global sobre todo o percurso e desempenho realizado ao longo do estágio, tomar consciência das suas limitações e potencialidades,e como os diversos momentos de aprendizagem contribuíram para um profundo crescimento pessoal, aperfeiçoamento e aquisição de competências como futura Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia, suscitando a motivação e o desejo de poder desenvolver novos projectos, que visem a melhoria dos cuidados na instituição onde presta cuidados com é referido no critério de avaliação B1.1.1. “participa na definição de metas para a melhoria da qualidade dos cuidados ao nível organizacional” (RCCEE, p.6). Acrescente-se que os momentos de acompanhamento tutorial constituíram uma oportunidade única de interacção e partilha de saberes que contribuíram para potenciar as suas capacidades, mobilizando o desenvolvimento de competências de pesquisa e investigação, mas também de competência oral e escrita enriquecendo a sua formação pessoal. Ainda a partilha de conhecimentos e experiências vividas (colegas de curso, profissionais, professores e utentes), ofereceu um novo horizonte de visão, transformando o saber especializado num instrumento que será uma ferramenta impulsionadora de cuidados de saúde que caminhem para a excelência.

Por tudo o que foi exposto a autora considera que os objectivos propostos no início deste relatório foram alcançados, reconhecendo que as competências adquiridas permitirão contribuir para os desafios e tomada de decisões que se colocarem na melhoria dos cuidados à mulher/família, na unidade de Cuidados de Saúde Primários onde desempenha funções, tendo como princípio o respeito pelos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.

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