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Ocean fisheries

In document EEA Environmental Monograph No. 3 (sider 67-71)

A narrativa estudada nesta pesquisa, intitulada O amor é surdo, é parte de um corpus maior de narrativas que vem sendo construído pelo grupo de estudos do gesto e de línguas

78 Cf. capítulo 3 desta dissertação sobre a intensa interação entre elementos linguísticos e elementos

gestuais, realizados com diferentes partes do corpo, na construção do discurso sinalizado.

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O ELAN foi desenvolvido pelo Instituto Max Planck de Psicolinguística e encontra-se disponível em: http://www.lat-mpi.eu/tools/elan/

60 sinalizadas do Laboratório de Linguagem, Interação e Cognição (LLIC), dentro do qual esta pesquisa se insere.

A escolha do grupo de pesquisa de, inicialmente, compor um corpus de narrativas sinalizadas, está relacionada a alguns fatores. O primeiro deles é a limitação encontrada em análises baseadas em frases eliciadas e descontextualizadas (McCleary & Viotti 2007). Especificamente, para os objetivos desta pesquisa, o estudo de frases eliciadas seria ineficaz, visto que o objetivo geral é o estudo da distribuição de nominais como fenômeno discursivo. Além disso, esse tipo de dado, embora tenha a vantagem de uma maior garantia de que aparecerá aquilo que o pesquisador espera, pode enviesar os resultados, deixando de lado aspectos do discurso que têm se mostrado relevantes para o estudo aqui proposto.

A conversação espontânea, por outro lado, acrescentaria uma maior complexidade à gravação, já que envolveria a presença de, pelo menos, dois interlocutores. Além disso, haveria a necessidade de um estudo mais aprofundado de fenômenos específicos da troca conversacional, como troca e sobreposição de turnos, que estão fora do escopo deste trabalho80.

Além dessas questões, uma outra razão para a escolha de narrativas é que elas têm sido usadas para o estudo de diferentes aspectos linguísticos, em diversas línguas. Chafe (1980), por exemplo, propõe o uso de narrativas eliciadas para estudos translinguísticos81. No estudo de línguas sinalizadas, muitos pesquisadores têm optado pelo uso de narrativas como corpus (cf. McCleary & Viotti 2010, 2011; Moreira 2007; Kibrik & Prozorova 2007; entre outros).

Particularmente com relação a esta pesquisa, que se propõe a investigar a introdução e retomada de personagens em discurso, o estudo de narrativas eliciadas garante que várias personagens aparecerão e serão retomadas posteriormente. Embora, a princípio, o estudo de uma única narrativa possa parecer limitado, como o objetivo deste trabalho é um mapeamento inicial da distribuição de formas nominais, e não o levantamento de padrões gerais de configuração anafórica (cf. seção 2.3), essa questão não se coloca como primordial no momento.

80 Um estudo baseado em conversação foi realizado no LLIC por Leite (2008). 81

Fazem parte do corpus do LLIC algumas narrativas sinalizadas, chamadas narrativas da pera, produzidas a partir do filme intitulado História da pera, produzido por Chafe (1980). Esse filme, especificamente, tem servido para a eliciação de dados para pesquisa em diferentes línguas.

61 A produção da narrativa estudada nesta pesquisa foi estimulada pelo conto de fadas original, também intitulado O amor é surdo, criado por Sylvia Lia Grespan Neves. A criação desse conto de fadas foi parte da pesquisa de Moreira (2007), com o intuito de produzir uma história com várias personagens para o estudo da dêixis de pessoa em libras. Trata-se de uma história infantil, com muitas personagens fantásticas e uma estrutura narrativa que apresenta eventos encadeados e narrados em ordem cronológica.

A narrativa tem início com o nascimento de um bebê surdo, que é abandonado pela mãe em um rio e é encontrado por outra mulher, que vivia no campo. Aos cuidados dessa mulher, o bebê – uma menina – cresce, ajudando a mãe nos trabalhos do campo. Um dia, já moça, a camponesa vai à feira, na cidade, levar produtos para vender. No caminho, ela tropeça e derruba o cesto que carregava. Um príncipe, que passava em uma carruagem, vê a cena e resolve ajudá-la. Quando se aproxima dela, o príncipe fica encantado com sua beleza, mas descobre que ela é surda. O príncipe oferece uma carona a ela que, após hesitar, muito tímida, aceita a oferta. Apaixonado, o príncipe fica pensando de que forma poderia se comunicar com ela. Ao chegar perto de seu destino, a camponesa vai embora muito rápido, deixando-o pensativo e curioso. No castelo, o príncipe fala de sua paixão pela moça surda para sua mãe, mas a rainha não aceita que o filho venha a se casar com uma surda. Uma empregada, ouvindo a história, resolve ajudá-lo, sugerindo que ele procure uma fada que vive em um castelo. O príncipe vai até o castelo e pede para que a fada transforme todas as pessoas do reino em surdas. A fada faz, então, uma proposta: se o príncipe conseguir libertar seu marido aprisionado por uma terrível bruxa, ela faz o encanto. O príncipe procura a bruxa, consegue convencê-la a libertar o marido da fada, e a fada retribui o favor, transformando todos do reino em surdos. O príncipe, então, reencontra a camponesa, eles ficam juntos e dão uma grande festa. Durante a festa, a mãe biológica, que é rainha de outro reino e tinha recebido um convite, aparece, pedindo desculpas por tê-la abandonado. A moça desculpa a mãe, elas se abraçam e assim termina a história82.

A narrativa utilizada nesta pesquisa foi eliciada a partir do conto de fadas sinalizado por Sylvia Lia. Seguindo o procedimento usado na gravação das narrativas da pera83, descrito em McCleary & Viotti (2007), o colaborador surdo, Celso Badin, foi convidado a assistir ao conto de fadas sinalizado por Sylvia Lia, e, em seguida, relatar a história a um usuário de libras

82

O texto completo em português, transcrito a partir da versão em libras, pode ser lido no anexo desta dissertação.

62 que não conhecia o enredo84. Na próxima seção, descrevo o procedimento utilizado para a filmagem da narrativa.

In document EEA Environmental Monograph No. 3 (sider 67-71)