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Resumo

Neste trabalho avaliou-se o potencial do componente principal sintético do feromônio sexual, 5,9 dimetil-pentadecano, para o controle de Leucoptera coffeella através da técnica de confusão sexual de machos. A eficiência da técnica de confusão sexual de macho de L. coffeella foi avaliada pelo monitoramento da população com armadilhas tipo Delta, com septos de borracha contendo 0,5 mg de feromônio sexual sintético, bem como pela amostragem de folhas minadas e folhas com ovos, para registrar o dano no campo de café de 3/8/2004 a 16/2/2005 em Patrocínio, Triângulo Mineiro. Os liberadores PB-rope usados para saturar o ambiente com feromônio sexual sintético consistem de um tubo afilado de polietileno contendo 200 mg de 5,9- dimetilpentadecano, fabricados pela Shin-Etsu Chemical Co. Ltda (Tókio, Japão). Foram usados em uma razão de 606 liberadores/ha em áreas tratadas para a confusão sexual. Os tratamentos estudados foram: (A) Confusão sexual- Saturação da área com feromônio sexual sintético e (B) branco- sem aplicação do feromônio sexual sintético. A área experimental constituiu-se de duas áreas (A e B) de 2,4 ha cada, separadas por uma distância de 200 m. Cada área foi subdividida em duas sub-áreas (A1, A2 e B1, B2) de 1,2 ha separadas por uma distância de 10 m. Neste trabalho, o número de machos capturados nas armadilhas de feromônio nas áreas tratadas foi reduzido em relação às áreas controles, mas, o dano deste inseto à lavoura não mostrou diferença entre as áreas tratadas e áreas controles. Nos dois tratamentos houve redução no número de folhas minadas e ovos amostrados durante o experimento. Neste caso, não foi possível quantificar a eficiência da técnica porque os mesmos níveis de folhas minadas e ovos foram encontrados na área tratada e controle.

Introdução

Os feromônios sexuais são substâncias químicas que mediam a comunicação entre os sexos de uma mesma espécie (Karlson & Luscher 1959). Normalmente, em Lepidoptera, essas substâncias são liberadas pela fêmea em pequenas quantidades e atraem o macho a longas distâncias (Cardé & Minks 1995).

A liberação de elevadas doses de feromônio sexual sintético no ambiente para a confusão sexual provoca modificações no comportamento de acasalamento da espécie-alvo e a interrupção da comunicação olfativa entre os parceiros sexuais, reduzindo a probabilidade de encontros e acasalamentos. Como conseqüência, são obtidas reduções nas populações da praga e, portanto, nos seus danos ao longo das gerações (Cardé & Minks 1995).

O processo da confusão sexual em machos ainda não está completamente esclarecido, podendo ser induzido por vários mecanismos, como a adaptação sensorial e habituação do sistema nervoso central dos machos, a camuflagem da pluma de feromônio natural, a formação de falsas trilhas de feromônio, a modificação no ritmo diário de atração (Bartell 1982, Renou 1991, Cardé & Minks 1995). A atuação de cada mecanismo e sua eficiência na confusão sexual de macho da espécie-alvo depende basicamente da composição do feromônio sexual sintético utilizado, da dose aplicada e da taxa de liberação na atmosfera, além do padrão de distribuição dos liberadores no campo (Cardé et al. 1993, Sanders 1995).

O controle direto de insetos-praga pela técnica de confusão sexual de macho tem apresentado resultados satisfatórios em alguns casos. A mariposa das frutas, Grapholita molesta é controlada pela técnica de confusão sexual na França, Espanha, Itália, Austrália, Brasil (Cardé & Minks 1995), e Austrália (Il’ichev et al. 2004). Populações da praga lagarta rosada do algodoeiro, Pectinophora gossypiella tem sido reduzida com sucesso com a técnica de confusão sexual de machos nos Estados Unidos (Stanten et al. 1987) e estudos com essa praga também estão sendo feitos na Grécia (Lykouressis 2005).

Existem também casos onde a técnica de confusão sexual de machos não obteve o êxito esperado, como por exemplo, para Lobesia botrana (Lepidoptera : Tortricidae) em vinhedos da Sardenha (Nannini & Delrio 1993) e para Tuta absoluta na cultura do tomate no Brasil (Michereff Filho et al. 2000) por diversas razões.

Leucoptera coffeella é considerada uma das principais pragas desta cultura no Brasil, mais

cafezais e aos prejuízos econômicos causados (Reis & Souza 1996). L. coffeella freqüentemente alcança os níveis de dano em várias regiões do País, dependendo da época do ano, da variedade de café e dos tratos culturais e fitotécnicos utilizados nesta cultura. O controle químico, através de inseticidas, tem sido a forma de controle mais utilizada para impedir o ataque deste inseto. Devido a isto, as aplicações de agrotóxicos contra esta praga vêm aumentando, causando poluição ao meio ambiente, onerando o custo de produção, diminuindo os inimigos naturais e causando o surgimento de populações resistentes (Fragoso et al. 2002, 2003, Guedes & Oliveira 2002). A melhoria da qualidade do processo produtivo, com conseqüente diminuição dos custos de produção e da poluição agrícola exige, atualmente, o desenvolvimento de novas técnicas de manejo das pragas que atacam esta cultura.

O feromônio sexual de L. coffeella, 5,9-dimetil-pentadecano (Francke et al. 1998), pode ser empregado tanto para monitorar a densidade populacional de L. coffeella como para controlá- lo. O feromônio sintético 5,9-dimetil-pentadecano é utilizado com sucesso para o monitoramento desta praga (Lima 2001, Bacca 2006).

A técnica de confusão sexual foi testada anteriormente para o bicho mineiro sem sucesso, principalmente por ter sido usada quando a população de adultos no campo era alta (Ambrogio 2004), fato este que também gerou insucesso em outro estudo (Charmillot & Vickers 1991).

Este trabalho teve como objetivo testar a técnica de confusão sexual de machos em condições de baixa população de adultos em campo. Para isto testou-se as hipóteses: (i) de que nas áreas saturadas com feromônio sexual sintético provoca desorientação nos machos de L.

coffeella e (ii) que a confusão sexual leva a redução das injúrias causadas ao cafeeiro por L. coffeella.

Materiais e Métodos