6 Erosjon og sedimenttransport
6.2.2 Observasjoner under befaring
A percepção sobre essa “crise de projeto” e suas consequências tem estimulado a construção de novas abordagens teóricas que redefinem o sentido de desenvolvimento. Com isso, passamos a viver uma época de transição onde ainda prevalece o modelo tradicional de desenvolvimento (podemos chamá-lo de capitalismo financeiro?), mas também onde começam a se delinear novos modelos, orientados por novas e mais amplas bases ontológicas e epistemológicas.
Deheinzelin (2009), em uma perspectiva kuhniana, diz que nós evoluímos em saltos e, não por acaso, estamos no meio de um deles. Um salto enorme que marca a transição de
séculos (milênios?) em que a centralidade da vida esteve organizada em torno do material, tangível, para uma época em que o intangível desempenha um papel cada vez mais central. Deheinzelin (2009) e Salm (1991) dizem que este é um momento de crise em que se esgotam recursos como terra, petróleo, ouro etc., uma vez que são finitos e isso é diretamente proporcional à valorização do potencial que os recursos intangíveis oferecem. Tecnologia, criatividade, cultura, inovação são recursos infinitos e podem ser o caminho para modelos sociais mais inclusivos, baseados, sobretudo, na cooperação. Eles têm enorme potencial para delinear aquilo que a primeira autora chama de “economia da abundância”, porque se baseia em recursos infinitos e elásticos e não mais na escassez.
Para Dowbor (1991, p.12), o debate ainda está muito centrado na “propriedade dos meios de produção porque ainda temos dificuldade de assimilar o imenso deslocamento dos grandes eixos produtivos tradicionais para a área social e de serviços em geral.”. Nesses campos não são os meios de produção tradicionais que determinam quem terá o controle e o acesso do mercado. A informação, a inserção nas redes interativas e a gestão democrática são mais importantes que o título de propriedade.
Isso se coaduna com a transição paradigmática apontada por Dowbor (2001) onde passamos gradualmente de uma pirâmide vertical e autoritária herdada do direito romano e retransmitida pela estrutura da igreja tradicional para o conceito de redes interativas de uma sociedade muito mais horizontal.
Esse salto paradigmático percebido por Deheinzelin (2009) e Dowbor (2001), no dizer de Guerreiro Ramos (1989), Salm (1993), e Gunderson e Holling (2002), é fruto de limites que o presente está impondo sobre o futuro. Esses limites estão moldando novos valores e crenças sobre os quais estão se construindo os paradigmas que marcam os novos tempos.
A ação humana baseada no paradigma econômico47 está sendo confinada por múltiplas restrições, entre elas: os limites ecológicos ao crescimento material, a relação predadora do homem com meio ambiente (VIEIRA, 2009), a persistente assimetria aguda entre Norte-Sul, os altos índices de exclusão social, miséria e criminalidade, a explosão
47 Paradigma Econômico: conjunto de valores e crenças que valorizam o mercado como centro da vida e
cuja racionalidade economicista invade as demais esferas da vida. A partir da Revolução Industrial alguns cientistas como Polanyi (2001) e Guerreiro Ramos (1989) observam um processo de descolamento do mercado (dimensão econômica) em relação à esfera social, cultural etc.. O mercado passa a ser uma dimensão isolada e se destacar hierarquicamente em relação às demais esferas. Ver: RAMOS, Alberto Guerreiro. A Nova Ciência das Organizações. São Paulo: FGV, 1989.
demográfica, a ineficiência e excessiva burocratização do Estado e o sistema financeiro baseado na especulação e negligência (HENDERSON, 2006).
A construção de novos estilos de desenvolvimento que levem em conta os limites apresentados, passa pela assimilação de alguns pressupostos pelo conjunto da sociedade. A maior parte deles já emerge como valores (quem sabe como virtudes da pós-modernidade?) e vem ampliando seus espaços. Entre eles: (i) a consciência e engajamento político maior na produção e proteção dos espaços de vida e em prol da aplicação do conhecimento na solução dos problemas humanos; (ii) visão institucional menos centrada em pirâmides de autoridades e com mais espaço para as redes, além de espaços de construção de agendas e elaboração de consensos; (iii) um modelo de homem e um estilo de vida multidimensional, (iv)capazes de se adaptar a uma co-evolução com a natureza e, por fim, (v) o desenvolvimento da consciência de que o objetivo do desenvolvimento não é a reprodução do mercado ou de qualquer outra esfera isoladamente, mas sim, a qualidade de vida e a felicidade humana (DOWBOR, 2001, DEHEINZELIN, 2009; VIEIRA, 2010).
Morin (2002) diz que a humanidade sofre de um subdesenvolvimento psíquico, moral e afetivo. As pessoas têm dificuldades de encontrar respostas às suas necessidades de comunicação humana, amor e comunidade dentro da lógica da “vida cronometrada pelo tempo de produção [...] e reduzida em sua complexidade ética, estética e efetiva” (MORIN, 2007). Para Dowbor (2001), a mesma opção que centra nossa ação no modo de produção e não no modo de vida, impõe uma racionalidade que isola nossas dimensões afetivas, artísticas, espirituais do processo de construção da sociedade. A centralidade no modo de produção, ao invés do “modo de vida” deforma e desarticula, nos estimula a negligenciar, oprimir as nossas dimensões humanas.
Novos modelos são necessários e estão sendo delineados e propagados por meio, sobretudo, de experiências locais. A preocupação com a multidimensionalidade, a sustentabilidade e o resgate das dimensões humana e comunitária tem aparecido em grande parte delas, buscando contrapesar as deficiências e clivagens presentes nos modelos tradicionais.
Conforme mostra Kanashiro (2010) a temática da sustentabilidade e dos novos modelos de desenvolvimento tem marcado a produção científica nas mais distintas tradições teóricas e disciplinares, das ciências sociais às exatas. Também tornou-se recorrente no discurso político e corporativo. No entanto, a dimensão da prática ainda se ressente de metas e normas mais claras. Como veremos na próxima sessão, modelos de desenvolvimento sustentável desdobrados em estratégias de ação realistas já existem. O
Ecodesenvolvimento trazido por Sachs (2000) é um destes modelos. A dimensão técnica da sustentabilidade dos territórios avança com rapidez, já ocupando patamares avançados. Resta a dimensão política, a dimensão da ação, da articulação e da convergência de interesses como o principal desafio neste campo.
2.2 RUMO AO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: UMA VISÃO