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3.2 Problemstilling - informasjonsgrunnlag

3.2.2 Observasjoner og analyse

A par do estudo histórico, bibliográfico e iconográfico, desenvolvido com a finalidade de criar uma cronologia cromática dos edifícios do Terreiro do Paço o Grupo de Análise Cromática desenvolveu também uma análise in situ que permitiu formular algumas soluções cromáticas.

A partir de um percurso pedonal feito ao longo de todo o conjunto edificado do Terreiro do Paço, observaram-se os edifícios (nas suas características morfológicas, materiais e linguísticas) e a envolvente, analisando-se e estudando-se cromaticamente todo o conjunto. No Anexo III do presente trabalho encontra-se o “Estudo e Projecto de Cor” produzido nesse âmbito. Seguidamente expõem-se as principais questões que foram identificadas a partir da análise realizada, bem como as propostas apresentadas como possíveis soluções.

a) Análises

Com a análise realizada aos edifícios do Terreiro do Paço, identificaram-se três elementos como sendo os principais na caracterização e definição cromática do conjunto: a textura e a cor das fachadas; a grande área revestida com elementos pétreos (lioz); as cor das telhas da cobertura. Percebeu-se também que as cores da envolvente possuem um papel importante porque, quer se trate de elementos naturais ou construídos, estes podem favorecer ou condicionar a percepção cromática do conjunto.

Para que se pudesse identificar a cor que actualmente reveste as fachadas do conjunto, procedeu-se a uma análise cromática através de colorímetro e do registo de notações NCS. A cor actual, da tinta envelhecida e suja, corresponde à notação NCS S

2040-Y10R; a cor da tinta actual, após se ter limpo a superfície, corresponde à notação NCS

S 2050-Y10R, o que representa uma maior intensidade cromática.

Percebeu-se que, entre os edifícios do conjunto monumental e os adjacentes existe uma clara hierarquia que é definida por elementos como: o tipo de cunhal (no primeiro caso de pilastra dupla, no segundo caso de pilastra simples), a escala dos vãos (maior no primeiro caso, menor no segundo) e a dimensão do pé-direito (superior no primeiro caso, inferior no segundo). No entanto esta hierarquia é contrariada pelo facto de os edifícios envolventes possuírem a mesma cor que os edifícios do conjunto, criando-se uma uniformidade cromática entre edifícios de características diferentes (fig. 4.19).

131 No que diz respeito às fachadas voltadas para a Praça verificou-se que estas possuem uma expressiva monumentalidade, tanto ao nível da sua morfologia como dos elementos linguísticos e arquitectónicos. Neste perímetro edificado salienta-se a presença do Arco da Rua Augusta como um importante eixo de composição da Praça e dos edifícios. No entanto, os limites do conjunto edificado não estão claramente definidos – tanto porque o plano de fachada se desenvolve continuamente com edifícios da mesma cota, como porque os edifícios adjacentes possuem a mesma cor –, restringindo-se a elementos como as arcadas do piso térreo e as pilastras duplas nos cunhais.

Face à escala monumental de todo o conjunto edificado, as galerias em arcada conferem uma escala mais humana ao espaço. Nestas galerias, apesar de a cor predominante ser a cor natural do lioz, a cor das abóbadas assemelha-se à da pedra, unificando este espaço e favorecendo a existência de jogos de luz e sombra.

Na Ala Poente do conjunto, verificou-se que o edifício da Porta do Arsenal/Tribunal da Relação constitui um corpo saliente que (embora sendo autónomo e simétrico) não está numa posição geométrica face à Praça do Município. Além disso, por se salientar, este corpo edificado torna a Rua do Arsenal mais estreita.

Nos edifícios voltados para a Praça do Comércio verifica-se uma falta de homogeneidade cromática nas coberturas, contribuindo para que os limites do conjunto sejam menos claros e contrariando a sua unidade (fig. 4.20). Ainda em relação às coberturas, identificou-se a existência de um guarda-fogo (no edifício voltado para a Praça, da Ala Nascente) que se destaca como um elemento de excepção na continuidade cromática da cobertura (fig. 4.20).

Figura 4.19: Entrada para a Rua da Alfândega

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Em função das análises realizadas e questões apontadas, ao longo de todo o conjunto edificado do Terreiro do Paço identificaram-se diferentes elementos morfológicos e funcionais, podendo estes corresponder a diferentes opções cromáticas. Destacam-se também alguns pontos de inflexão na morfologia do conjunto que podem corresponder a eventuais pontos de alteração de cor.

Com a análise realizada identificaram-se as principais características do conjunto edificado: possui um dos lados abertos para o rio; a luz predominante é vinda de sul; os elementos arquitectónicos obedecem a um ritmo; todo o conjunto possui uma escala monumental; nas fachadas existe uma grande área revestida a pedra; os torreões existentes nos limites da praça enquadram-na e acentuam os seus limites; destaca-se uma diversidade morfológica a par de uma uniformidade arquitectónica e linguística do conjunto.

Tendo em conta que a grande área revestida a lioz possui uma importância determinante na imagem e na definição cromática do conjunto arquitectónico, a opção cromática para as fachadas adquire uma maior importância e comprometimento. Qualquer que seja a cor aplicada nas fachadas deste conjunto será sempre condicionada pela cor do lioz, do rio e da envolvente, relacionando-se com estes três elementos numa harmonia que se poderá definir por contraste ou adjacência. Em função das opções cromáticas e das harmonias estabelecidas, o conjunto monumental poderá ser cromaticamente diversificado (através de harmonias por contraste) ou homogéneo (através de harmonias por adjacência). Também como forma de análise manipulou-se digitalmente uma imagem de modo a simular as cores que revestiram as fachadas do conjunto monumental. Partiu-se de uma fotografia actual do Terreiro do Paço (fig. 4.21) que revela o amarelo-ocre aplicado em 1994, próximo da cor original. Sobre esta imagem simularam-se três cores diferentes: (i) o tom avermelhado, que provavelmente revestiu o conjunto edificado no final do século XIX (fig. 4.22); (ii) o verde-água que coloriu as fachadas entre 1950 e 1975 (fig. 4.23); (iii) o rosa-velho existente entre 1975 e 1994 (fig. 4.24).

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Figura 4.21: Entrada na Praça do Comércio pela Rua da Prata – cor actual

(fonte: João Pernão, Estudo e Projecto de Cor)

Figura 4.22: Entrada na Praça do Comércio pela Rua da Prata – tom avermelhado (fonte: João Pernão, Estudo e Projecto de Cor)

Figura 4.23: Entrada na Praça do Comércio pela Rua da Prata – verde-água

(fonte: João Pernão, Estudo e Projecto de Cor)

Figura 4.24: Entrada na Praça do Comércio pela Rua da Prata – rosa-velho

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b) Ensaios de soluções cromáticas

De acordo com as análises realizadas e as questões consequentemente identificadas, desenvolveram-se alguns ensaios de soluções cromáticas através da simulação digital de imagens, contribuindo para a decisão final. Ensaiou-se então:

a) a pintura da área entre as pilastras duplas com uma cor idêntica ao lioz, acentuando-se o cunhal e tornando-o mais sólido e unitário (fig. 4.25);

b) a pintura dos edifícios adjacentes ao conjunto edificado do Terreiro do Paço com uma cor diferente do amarelo-ocre, acentuando-se o conjunto monumental e enfatizando-se a homogeneidade e uniformidade dos vários edifícios (fig. 4.26);

c) a pintura do edifício da Porta do Arsenal/Tribunal da Relação com uma cor diferente do amarelo-ocre, acentuando-se o protagonismo e destacamento do mesmo (fig. 4.27);

d) a homogeneização cromática e morfológica das coberturas do edifício da Porta do Arsenal/Tribunal da Relação, criando-se um conjunto unitário e contínuo e clarificando-se a hierarquia do edificado (fig. 4.28);

e) a pintura das fachadas das galerias em arcada com cor semelhante à do lioz, homogeneizando-se todo o piso térreo (fig. 4.29);

f) a pavimentação da Rua do Arsenal (junto à Praça do Município) com calçada ou lajetas de pedra, para que o espaço envolvente ao edifício da Porta do Arsenal/Tribunal da Relação adquira mais qualidade devido à adjacência cromática entre o pavimento e o edificado (fig. 4.30);

g) a transição do amarelo-ocre para rosa-velho em paralelo com a alteração geométrica do edifício, tornando o corpo edificado mais coerente e homogéneo (fig. 4.31);

h) a pintura do elemento de entrada, do alçado sul da Ala Nascente, com uma cor semelhante à do lioz, realçando este corpo e tornando-o mais evidente no alçado (fig. 4.32).

i) a homogeneização cromática das coberturas dos edifícios voltados para a Praça do Comércio, tornando-se o conjunto arquitectónico mais unitário (fig. 4.33);

j) a pintura do guarda-fogo (do edifício da Ala Nascente voltado para a Praça) com uma cor idêntica à das telhas, dissimulando este elemento e tornando-o menos evidente no meio da cobertura (fig. 4.33);

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Figura 4.25: Cruzamento da Av. Infante D. Henrique com o Campo das Cebolas – existente e simulação (fonte: João Pernão, Estudo e Projecto de Cor)

Figura 4.26: Rua da Alfândega – existente e simulação (fonte: João Pernão, Estudo e Projecto de Cor)

Figura 4.27: Praça do Município, acentuação do edifício de entrada através da cor – existente e simulação (fonte: João Pernão, Estudo e Projecto de Cor)

Figura 4.28: Praça do Município, homogeneização cromática das coberturas – existente e simulação (fonte: João Pernão, Estudo e Projecto de Cor)

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Figura 4.29: Galerias em arcada no cruzamento com a Rua do Ouro – existente e simulação

(fonte: João Pernão, Estudo e

Projecto de Cor)

Figura 4.31: Largo do Corpo Santo – existente esimulação (fonte: João Pernão, Estudo e

Projecto de Cor)

Figura 4.30: Rua do Arsenal, simulação de pavimento em material pétreo – existente e simulação

(fonte: João Pernão, Estudo e

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Figura 4.32: Fachada Sul da Ala Nascente – existente e simulação (fonte: João Pernão, Estudo e Projecto de Cor)

Figura 4.33: Vista actual sobre a Praça do Comércio / Terreiro do Paço – existente esimulação (fonte: João Pernão, Estudo e Projecto de Cor)

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