3. Metode
3.3 Innsamling av data
3.3.2 Observasjon
“Diante do labirinto, figura do conhecimento, há os que fazem da experiência a investigação, enquanto outros passam por ele como errância.”
3.1 - A ruptura da POT e GRH na passagem da Modernidade Simples para Reflexiva: o “homem que escolhe” e as novas formas de pensar a organização
O avanço das idéias iluministas trouxe novos significados à razão, liberdade e ao método na construção do conhecimento, firmando a base do pensamento moderno. Kant (2008:46) aponta o Iluminismo como gênese do indutor filosófico de transformações necessárias na construção do saber, tornando o homem o grande foco das questões, na medida em que era preciso se libertar da idéia “do sujeito girar em torno do objeto e interrogar-se sobre o caso inverso, em que o objeto gira em torno do sujeito.”
A modernidade em seus avanços e retrocessos, entre o progresso propagado e aquilo que de fato a sociedade colheu (Beck, 1986; Lyotard, 2009), firma a idéia do homem moderno como o “homem que escolhe” - “Homo Eligens”, como define Arendt (2010). Ao fazê-lo se redescobre em sua condição de decidir, diante do enfraquecimento das amarras da tradição e do peso institucional que limitava as opções por formas alternativas de pensar e viver diferentes estilos de vida. A abertura das instituições a novas formas de fazer as coisas foi, ao mesmo tempo, a possibilidade de interagir com a diversidade de pensamento presente dentro e fora da organização e, conseqüentemente, expandir os canais que dão vozes aos atores, sejam eles clientes ou colaboradores internos. A condição de escolha do homem afeta as organizações na alta modernidade que passam a lidar com a diversidade e o processo crítico em sua condição de ação (Giddens, 1979).
Com o desenvolvimento da modernidade, em sua etapa radicalizada, entra em crise regras preordenadas e modelos universalmente aprovados que sejam inflexíveis e fora do alcance da subjetividade, pois tudo passa a ser passível de exame pela escolha e a crítica (Bauman, 2007). Ao mesmo tempo, a escolha dá também a condição de ser ou não escolhido pelo outro, diante de um mundo célere onde a ameaça de “ser deixado para trás”, “estar defasado” ou, de forma ainda mais dramática, ser excluído por não acompanhar o ritmo frenético de mudanças é ainda mais presente (Sennett, 2008). A perda de referenciais e garantias, parte delas
propiciada pela tradição e os sistemas de segurança advindos dela, se tornou um problema a ser gerenciado pelo indivíduo diante das demandas apresentadas pelas organizações.
O mundo e as relações entre os sujeitos sofreram mudanças profundas em períodos cada vez mais curtos ao longo da modernidade. Isso se torna visível nas mais variadas formas de relações, como as familiares, profissionais e educacionais. O surgimento de variados estilos de vida é resultado de discursos que se desmontam, diante das fissuras existentes e identificadas pela interpretação que os atores são capazes de fazer, sendo reconstruídas sob novas formas, menos idealizadas do que os modelos que nascem no limiar da modernidade60. As
organizações também são desconstruídas em seus discursos e formas de ser na medida em que faz parte da rotina dos atores a interpretação crítica de si mesmo, dos outros e das estruturas que os envolvem. A realidade não é simplesmente aceita, mas interpretada à luz das experiências múltiplas cercadas de desconstruções e alternativas que enriquecem o campo de estudos das ciências humanas e a distancia da visão linear positivista.
Ao colocar o tema da liberdade na ordem do dia, a modernidade em seus primórdios abre a condição para que a escolha tenha o status de direito básico do homem, movido pela razão e sentido que o indivíduo é capaz de dar para as suas escolhas, como fio de Ariadne em meio a múltiplas possibilidades. Escolha e existência passam, com a modernidade, a caminharem juntas. Existir é, ao pensar sobre a própria existência, escolher os rumos que o homem dará para si, onde não há poder ou força maior do que aquela que domina a subjetividade e construção de sentido que o sujeito é capaz de elaborar para si (González Rey, 2004; Davel e Vergara, 2009). Para Schlette (2005:147), “o Iluminismo designa uma forma de autocompreensão do homem no mundo que indica uma nova consciência e, ao 60O filme “Desconstruindo Harry”, de Woody Allen, representa o sentido da modernização reflexiva onde a personalidade do principal personagem vai se “desmontando ou fragmentando” na medida em que aparecem suas ambigüidades e contradições, que aponta uma vivência que, longe de ser uma totalidade idealizada, é reconstruída a partir do enfrentamento que é capaz de fazer consigo mesmo. O mesmo acontece com os diversos estágios da modernidade que vai se fragmentado, sendo reconstruídos sob novas bases.
mesmo tempo, elevadas expectativas, provocando mudanças sociais, culturais, políticas e filosóficas.” Mas que mudanças foram essas que redefiniram o sentido de escolher como algo atrelado a existência, alterando a compreensão dos indivíduos sobre si e reconfiguração das organizações, tornando o terreno fértil para o desenvolvimento da POT? Quais os efeitos da passagem da modernidade simples para reflexiva?
Entre essas mudanças, encontra-se, no campo filosófico, a capacidade do homem de buscar uma autocompreensão do seu papel frente à natureza, adquirindo, assim, a condição de ser responsável sobre si, sem uma força externa a ele, baseada na tradição, que define como se deve pensar e agir. A confiança do indivíduo em sua capacidade transformadora não pode ser mais controlada por códigos normativos fixos. A confiança tem que ser construída baseada em um sistema de auto-revelação reflexiva, nas dimensões da confiança em si mesmo, no outro e no ambiente que o envolve a partir das experiências vividas pelo próprio sujeito. Isso porque há um impulso para a auto-realização, ao tempo em que ganha força a idéia de que a preocupação com a auto-satisfação, pauta presente na ordem do dia, depende mais do próprio sujeito e menos das estruturas.
No desenrolar da modernidade, entender o sujeito e suas interações com o meio social foi assumindo importância na medida em que a própria modernidade era confrontada com os ideais que proclamara, frente aos resultados gerados. Com o tempo, nenhuma força totalitária que se apresentasse como mola do progresso, justificaria a supressão da liberdade do indivíduo e sua condição de tomar posição. Idéia que não poderia deixar de estar presente nas relações humanas dentro das organizações com o avanço do Estado democrático, do fortalecimento das instituições públicas e da sociedade organizada (Rousseau, 1997).
Ao dar contornos filosóficos à condição de escolha do homem, o Iluminismo planta a raiz da modernidade. A ampliação do direito ao voto e da manifestação política, por exemplo, acarreta transformações na legislação e normas em relação aos direitos e deveres dos trabalhadores. Sobre ele é edificado o que Castell
(1998:417) denomina “a civilização do trabalho” ou “sociedade salarial” como rede de proteção, com a presença do Estado, e de troca da força de trabalho por salário em que “os assalariados dependuram sua identidade, sublinhando diferenças em relação ao escalão inferior e aspirando ao estrato superior.” Ter um emprego passou a significar algo além da sobrevivência, mas auto-estima, status social e elemento estruturador na condição psicológica do indivíduo e na estruturação de laços sociais (Sennett, 2006). A entrada da mulher no mercado de trabalho é um dos exemplos, no que diz respeito ao gênero, sobre como sua situação social muda e que desencadeia várias outras mudanças nas relações e instituições sociais. O assalariado é um escolhido pelo sistema capitalista que incorpora ao se mostrar capaz de trocar a sua força de trabalho por salário (Castel, 1998). A organização o escolhe e nessa escolha se estabelece, por contrato, uma troca de equivalência. Trata-se de uma relação de escolhas que vai ganhando os mais variados contornos ao longo do tempo, interferindo principalmente no vínculo das empresas com os profissionais e dos profissionais com as empresas.
Entre as contradições da modernidade, ao tempo em que se assiste a ampliação dos esforços na eficiência da produção industrial e do Estado liberal, cresce uma concepção autoritária do controle social, sem espaço para entender a subjetividade humana presente no mundo do trabalho. Para Zarifian (2009:24), “os enunciados dos trabalhadores passam a traduzir uma visão empírica do trabalho, expressão de um savoir-faire espontâneo, não sistematizado e, portanto, não científico, do qual o taylorismo pretende descartar porque não comporta em si.” As condições dos trabalhadores e as tensões no mundo do trabalho, com a aceleração da produção capitalista, marcará a gênese para a POT se firmar, ao longo do tempo, como disciplina autônoma, sem perder de vista o seu caráter multidisciplinar, diante do significado que o trabalho passa a ter para o indivíduo e o meio social.
Quanto mais claro fica o poder de escolha que o trabalhador apresenta e seus efeitos sobre a produtividade, mesmo que limitado pelas estruturas e formas de poder existentes no interior das fábricas, maior a demanda pelo conhecimento que a POT é capaz de gerar no processo de organização do trabalho. A maior
autonomia dos trabalhadores frente à estrutura, abre os campos de pesquisa da POT como resultado da ampliação da compreensão da relação das interfaces entre o trabalho institucionalizado, a sociedade e o indivíduo (Malvezzi, 2007). Isso porque ao longo da modernidade, uma série de crises afeta o processo de organização do trabalho. A POT se fortaleceu como recurso para entender a dinâmica dessas crises, na estruturação de formas de lidar com elas que, por sua vez, trouxeram avanços nas práticas de GRH.
O Iluminismo trouxe as bases que marcariam para sempre o dínamo reflexivo da modernidade. O Iluminismo deu arcabouço filosófico a alguns sinais de mudanças já presentes no Renascimento, e que se tornaram ainda mais expostos nas reformas protestantes, do século XVI, que, dois séculos mais tarde, sobre efeito das “Luzes”, sacralizou a consciência e dessacralizou o mundo (Alves, 1982). A “sacralização da consciência” fez do contraditório algo para sempre presente nas entranhas da modernidade. O espaço para o contraditório move a dinâmica da tensão entre ruptura x continuidade, em que a reflexividade, na modernidade radicalizada, produz novos significados e, ao mesmo tempo, acelera choques fundamentais, tornando a modernidade, em sua face mais radical, conforme destaca Bauman(1997:216), “terra da incompletude, móvel e líquida”.
Com o tempo o capitalismo foi passando por diversas etapas e se apropriando do conhecimento com ponto fundamental do desenvolvimento. A construção do conhecimento, ao tempo em que se fortalece no caráter energizando das equipes e no resultado provocado por maior autonomia, gera transformações que alteraram de forma significativa as estruturas de poder dentro das organizações ou o espaço de manifestação dos atores, assim como o papel da GRH.
Na alta modernidade não apenas a escolha tornou-se obrigatória, exigência do poder de criação que se tornou vital de forma crescente, diante da exposição ao contraditório e àquilo que é diferente, como a consciência dessas escolhas também. Isso alterou o espaço que os agentes sociais passaram a exercer e das diversas formas de manifestação, dentro e fora dos muros das organizações. Fenômeno este
que foi ainda mais acentuado com a difusão das novas tecnologias da informação expresso, por exemplo, na eclosão das redes sociais. O intenso processo de negociação vivido na alta modernidade, como ocorre no mundo do trabalho, é um dos sinais mais evidentes da reflexividade, tornando o auto-monitoramento da ação e a avaliação dos seus impactos algo que merece atenção constante das organizações.
A crítica, como marca da modernidade, faz da POT fonte de conhecimento que confronta, no âmbito das práticas de GRH, modelos que atenuam o poder da subjetividade humana e imaginam poder subjugá-la, mesmo diante das demandas por inovação e novas formas de fazer as coisas. Isso insere a disciplina no centro de transformações importantes ocorridas no mundo do trabalho, que demonstra uma potencialidade que necessita ser melhor explorada frente ao pragmatismo perigoso de demandas por resultados de curto prazo. Forças distintas operam no interior das organizações, algumas voltadas para o ganho imediato a qualquer custo, enquanto outras demonstram o valor da gestão baseado em resultados sustentáveis que opera em várias dimensões como cadeia de valor para a organização (“ethics is
good business”). Conforme destaca Arendt (1983:258), “entregues a si mesmos, os
negócios humanos só podem seguir a lei da mortalidade. Fluindo na direção da morte, a vida do homem arrastaria consigo, inevitavelmente, todas as coisas para a ruína e destruição, se não fosse à faculdade humana de interrompê-las e iniciar algo novo, faculdade inerente a ação humana como perene advertência de que os homens, embora devam morrer, não nascem para morrer, mas para transformar.”
A idéia proposta por Arendt (1983) torna possível pensar o papel da POT diante do labirinto organizacional que se encontram as organizações no contexto da alta modernidade. Está ela a serviço de Teseu ou do Minotauro? Ou de ambos, ao mesmo tempo, como a servir a dois senhores através de sua técnica sem o senso de causalidade entre um princípio e outro, como fez Dédalo, atendendo demandas independentes do valor que trazia consigo? Segundo Dejours (1992:15), “quando a burguesia perde sua credibilidade e sua imagem de cunho humanista, devido ao seu comportamento em relação à classe operária, apela-se para especialistas e
cientistas, mais respeitáveis e neutros do que os patrões.” Dejours (1992) suscita reflexões sobre o papel que o psicólogo desempenhará no interior das organizações. A evolução da disciplina, desde sua gênese na passagem do século XIX para o século XX, mostra a tensão entre a relação com o poder institucional, firmado nos interesses da produção, e as questões humanas que afetam aos trabalhadores, diante das condições que lhe são dadas e da forma como são compreendidos.
O desenvolvimento da POT, como campo de construção do conhecimento, aponta momentos de sujeição às estruturas de produção, mas que, uma vez dentro das organizações, permite firmar bases teóricas que auxiliam a passagem da clássica administração de recursos humanos para a GRH (Legge, 2005), operando mudanças que demonstram algum domínio sobre as regras do jogo, capaz de gerar ganhos para o processo de emancipação e autonomia do sujeito. É na passagem da modernidade simples (industrial) para a reflexiva (pós-industrial) que a POT adquire maior autonomia em relação à GRH, contribuindo de forma mais crítica, como resultado das crises que geraram estágios mais avançados de organização da produção e maior nível de emancipação do sujeito.
Apesar da contribuição dos paradigmas tayloristas e fordistas aos modelos gerenciais e organizacionais, o fim da primeira metade do século XX assiste a transformação das organizações em se adaptarem às mudanças políticas, econômicas e culturais. Entre as várias mudanças ocorridas, Lash (1995) ressalta, como um dos fenômenos sociais, a constituição de um novo perfil de consumidor, mais exigente e demandando produtos e serviços mais personalizados. Segundo Lash (1995:127), “o avanço dos meios de comunicação, do emergir de novos padrões na sociedade do consumo e, posteriormente, das tecnologias de informação provocaram mudanças nas organizações com mais ênfase no treinamento e o acesso a fluxos de informação que pressupõe uma expansão da nova classe trabalhadora ‘reflexiva’ em relação ao clássico proletariado taylorista”.
Se modernidade simples significa menor autonomia e subjugação do trabalhador, tratado pela gestão como extensão da máquina, a modernização reflexiva indica o seu fortalecimento (empowerment) como sujeito (Lash, 1995). É nesse contexto que a POT amplia seu espaço de atuação em função da maior abertura para aplicação de novos conhecimentos relacionados ao processo de gestão, principalmente diante de um padrão de conexões que envolvem as organizações de forma muito mais intensa e que caracterizam diferentes estágios da modernidade. A tarefa de determinar rumos para as crises vividas no mundo do trabalho faz emergir análises e interpretações freqüentes acerca do contexto, como marca da reflexividade. Essas crises fortalecem o papel da POT na busca pelo entendimento da sua dinâmica e como enfrentá-las, resultado da possibilidade de maior liberdade de ação em relação ao modelo que antes existia. A ruptura demanda análise diante da necessidade de revisitar o passado frente ao embate provocado por novas dinâmicas introduzidas na vida organizacional. As alternativas se ampliam e, com elas, os choques entre o modelo de outrora e o novo que busca dar um sentido e tomar às rédeas de um “mundo em descontrole” (Giddens, 2010).
Segundo Beck, Giddens e Lash (1997) três movimentos de destaque deram outros contornos a modernidade, iniciando a passagem da sua forma simples (industrial) para reflexiva (pós-industrial e potencializada pelo avanço das tecnologias da informação e do fenômeno da globalização), levando a maior autonomia da POT sobre a GRH. Esses movimentos marcaram o amadurecimento da POT, diante das construções teóricas e metodológicas que suscitaram na abrangência da disciplina. Como a experiência do trabalho se tornou mais complexa, a ruptura entre POT e a GRH reflete ambigüidades e incertezas produzidas por novos problemas que envolvem as pessoas e as demandas da produção. Enquanto a Administração demanda da GRH respostas de desenvolvimento do potencial das pessoas como diferencial em um contexto de alta competitividade, o poder de expressão do trabalhador no contexto organizacional e seu desdobramento na malha de conseqüências geradas pela atitude que profissionais e empresas constroem entre si estimula visão autônoma e crítica da POT.
O primeiro movimento apontado por Beck, Giddens e Lash (1997) foi marcado pelos poderes crescentes dos atores sociais em relação à estrutura. A POT desempenhou papel importante pelas mudanças que foi capaz de propor de maior espaço para emancipação do sujeito frente às questões regulatórias presentes nas organizações. Entre elas a compreensão de que o indivíduo não possuía apenas uma força motora, mas coletiva e da necessidade de maior abertura para participação dos trabalhadores no processo de organização do trabalho. Isso diante da necessária ampliação do olhar sobre o sujeito como ser coletivo, onde os fatores psicológicos e subjetivos não podem ficar submetidos à visão do ser humano apenas em sua dimensão fisiológica.
A compreensão do ser, em sua complexidade, ganha relevância na medida em que a tecnologia é compreendida como resultado intelectual da ação humana, e não a serviço de extrair do indivíduo o máximo que o movimento mecânico e sua coordenação motora, sincronizada com a máquina, são capazes de gerar. Saber gerir o trabalho deve demandar maior atenção das organizações do que simplesmente operar máquinas ou submeter o profissional à aplicação de ferramentas, da área de GRH, que subjugue a subjetividade e descarte a condição crítica do sujeito. Nesse sentido, a demanda pelo trabalho intelectual é a base para a reflexividade que, por sua vez, não se limita a determinadas esferas da atividade produtiva, mas ganha dimensões amplas que exigem revisões dos modelos de gestão.
A condição cognitiva potencializada pelo acesso a novas informações é o segundo ponto destacado por Beck, Giddens e Lash (1997) como efeito do desenvolvimento do processo produtivo na modernidade, que marca sua passagem de simples para reflexiva. Este fenômeno, de caráter cognitivo, é provocado pela releitura que o indivíduo e a sociedade passam a fazer de si mesmos na medida em que o trabalho é compreendido como uma ação reflexiva. A POT desenvolve seu escopo teórico fazendo a passagem do foco na eficácia do desempenho para a necessária condição de compreensão do profissional como sujeito, uma vez que
este se via limitado pelas condições impostas pelo modelo de organização do trabalho. Ao dar ênfase ao processo emancipatório do sujeito, frente às condições de trabalho, e a forma de compreensão do ser humano no contexto da produção, a POT acentuou o seu caráter crítico sobre as formas de produção que negavam a subjetividade ou não davam a devida ênfase ao desenvolvimento das potencialidades do sujeito. Este foi um marco importante na passagem da modernidade simples para reflexiva,pela forma como as organizações passaram a entender a si mesmas e os modelos que implementam como resultado de um conhecimento que necessita ser socialmente construído e não como uma verdade objetiva e externa as especificidades que possui como meio de relacionamento social (Johnson, 1997).
Por fim, o terceiro movimento se destaca pela forte individualização que firmou a condição dos indivíduos escreverem suas próprias biográficas e se