1. INTRODUCCIÓN
1.2 Objetivos
1.2.2 Objetivos específicos
2.1. Coesão e Hierarquia na Representação de Típica (RT) de Joana
Joana representa sua família da mesma forma que Carlos, em um quadrado 2x2, ao lado do marido e do filho, mas na diagonal de Carla, o que mantém a coesão alta tanto entre ela e o marido quanto entre os filhos, interferindo somente na coesão dos filhos com os pais. De acordo com ela, Afonso é quem possui maior poder no grupo, ela se representa com um cilindro médio e aos filhos com cilindros pequenos.
Hierarquia Alta Hierarquia Média Hierarquia Baixa Homem Mulher Homem Afetado Aborto Espontâneo Ausência de Hierarquia Coesão Alta Coesão Média Coesão Baixa Hierarquia Alta Hierarquia Média Hierarquia Baixa Homem Mulher Homem Afetado Aborto Espontâneo Ausência de Hierarquia Coesão Alta Coesão Média Coesão Baixa 34 Afonso 32 Joana 1 3 Carlos 5 Carla
Figura 20. Genograma da família Joana/Afonso resultado da percepção de Joana sobre a disposição da coesão e hierarquia entre os membros, na representação da família típica.
De acordo com a figura acima, Joana distribui o poder no subsistema parental, porém no fraternal, iguala os filhos com uma hierarquia baixa (azul claro). A proximidade é alta nas díades, Joana-Carlos e Afonso-Carla, (o inverso da coesão feita por Carlos na RI), assim como no subsistema fraternal, e média nas díades Joana-Carla, Afonso-Carlos, refletindo a reciprocidade das fronteiras segundo Nichols e Schwartz (2007). De acordo com os registros dos DC´s, observou-se que Joana preferiu abster-se de representar escores de poder diferentes entre os filhos,
por identificar a hierarquia, como sinal de preferência por um deles, essa ausência de poder no subsistema fraternal conferiu a este uma estrutura desequilibrada.
Embora Joana não represente a hierarquia do subsistema fraternal, em sua fala pode-se identificar a distribuição de poder entre Carlos e Carla:
“As vezes a gente conversa como seria, porque eu acho assim, como a gente fala, o Carlos ia apanhar muito dos dois, (risos), os dois iam pegar ele e iam meter a porrada nele, porque essa daqui faz isso, ela desse tamaninho, ela pega ele, acho que devido ele ser grande ele não vai querer se trocar com ela (Carlos fala: - eu vou!) aí ela dale nele que só, aí a gente fica imaginando, as vezes, pensa os dois juntos! Iam pegar o Carlos, enquanto um segurava o outro batia (risos)”
De acordo com Hastings (2003), algumas variáveis como idade, ordem de nascimento, sexo dos irmãos, qualidade da vida familiar, por exemplo, podem interferir na interação entre eles, além das necessidades especiais da criança. Nesse caso, a diferença de sete anos de idade, entre Carlos e sua irmã, implica em fases do desenvolvimento distintas e a necessidade de os pais estabelecerem interações que respeitem essas fases, sobretudo, identificando as demandas de cada um como peculiar de seu desenvolvimento e não indicativo de privilégios ou exclusão.
2.2. Coesão e Hierarquia na Representação Ideal (RI) de Joana
Na representação da família idealizada, Joana inclui a gestação de gêmeos que foi interrompida devido a um aborto espontâneo. Ela mantém a coesão da representação anterior, somente incluindo os gêmeos em quadrados adjacentes, separados da díade parental, pela díade Carlos-Carla. Na representação de poder, ela não caracteriza o grupo, a partir dessa variável.
Hierarquia Alta Hierarquia Média Hierarquia Baixa Homem Mulher Homem Afetado Aborto Espontâneo Ausência de Hierarquia Coesão Alta Coesão Média Coesão Baixa 34 Afonso 32 Joana 1 3 Carlos 5 Carla
Figura 21. Genograma da família Joana/Afonso resultado da percepção de Joana sobre a disposição da coesão e hierarquia entre os membros, na representação da família ideal.
Essa ausência de hierarquia, exposta por Joana desequilibra as relações dos subsistemas, parental e fraternal e consequentemente do sistema familiar. Percebe- se que Joana avalia a existência de poder como um fator negativo de diferenciação no grupo, visto que, ao ser questionada sobre a estrutura familiar ideal, ela não estabelece diferenças de poder entre os membros, ao contrário do que fez na família típica, demonstrando essa discrepância, no escore de hierarquia, entre a RT e a RI, citada por Gehring e Marti (1993). Sendo assim, a distribuição de poder antes de ser um fator de dominação e imposição de regras, é, de acordo com a concepção estrutural sistêmica, uma característica necessária à delimitação de papéis e funções no grupo familiar (S. Minuchin, 1980/1990). Ressalta-se que algo semelhante ocorreu na percepção de Rose (família focal 1) na RI, ao dispor todos da família com hierarquia baixa, conferindo ao sistema uma descaracterização de funções.
2.3. Coesão e Hierarquia na Representação de Conflito (RC) de Joana
Nessa representação, Joana altera a configuração de proximidade ao relatar alguns conflitos com Carlos. Ela se posiciona ao lado do marido, com Carlos, a um quadrado de distância deles, na horizontal. A hierarquia é maior na figura de Joana, com o maior cilindro, seguido do marido com um cilindro médio e, por último, o filho sem representação de poder.
Hierarquia Alta Hierarquia Média Hierarquia Baixa Homem Mulher Homem Afetado Aborto Espontâneo Ausência de Hierarquia Coesão Alta Coesão Média Coesão Baixa 34 Afonso 32 Joana 1 3 Carlos 5 Carla
Figura 22. Genograma da família Joana/Afonso resultado da percepção de Joana sobre a disposição da coesão e hierarquia entre os membros, na representação da família em situação de conflito.
Na representação de conflito, Joana fala do conflito relatado por Carlos, abordando sua preocupação por ele passar muito tempo na rua, sem muitos detalhes, detendo-se mais nos conflitos em que Carlos pegou dinheiro da sua bolsa para pagar por acesso a internet. Nessas circunstâncias, ela detém o domínio do grupo. A baixa coesão na relação dos pais com Carlos, não interfere no escore final dos sistemas familiar e parental, ambos ficam com uma estrutura relacional equilibrada, pela distribuição de poder e alto grau de coesão na díade Joana-Afonso. Nessa representação a hierarquia dos pais se sobrepôs a de Carlos, conforme o
padrão observado na literatura (S. Minuchin 1980/1990; Gehring, Marti & Sidler, 1994).