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Objectives and analytical concepts

Para refletirmos sobre a relação entre arte e público, lembramos o período das coleções de curiosidades, em que o acesso era restrito, passando para os séculos XIX e XX, com a “segunda geração dos museus”, na qual, de acordo com Marandino (2009, p. 33), “iniciou-se uma tentativa de diálogo com o público”. Porém, apenas mais recentemente, observamos a intensificação na busca da aproximação dos espaços expositivos com o público.

Dentro das transformações da sociedade mundial, os espaços expositivos sofrem atualizações. Sendo assim, o termo acessibilidade cultural, segundo Wilder

(2009, p. 25), “faz parte dos estudos de formação de novos públicos”, no sentido de “inclusão cultural”.

Para complementar as concepções atuais sobre o tema, damos a conhecer o ponto de vista de Silva (2009). A autora considera que se deve repensar o papel desses espaços expositivos, oportunizando “o desenvolvimento de novas estratégias de relacionamento com os públicos e com as coleções, repensando e re- equacionando os espaços e as formas para esse encontro”. (SILVA, 2009, p. 122).

Porém, ressaltamos alguns fatos que contribuíram para esse “repensar”, como as pesquisas que surgem na década de 1960, pois algumas delas buscavam conhecer o perfil dos frequentadores dos museus, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa.

A publicação de Pierre Bourdieu e Alain Darbel, em 1966, apresenta resultados de uma pesquisa feita na Europa e denuncia que os museus, que deveriam ser espaços de democratização do acesso às artes, ao contrário, contribuem para agravar a separação entre dominantes e dominados. Nos dados dessa pesquisa, identificamos detalhadamente que público era esse que frequentava os museus, revelando as desigualdades sociais. Na conclusão, os autores destacam que “a entrada franca é também entrada facultativa, reservada àqueles que, dotados da faculdade de se apropriaram das obras”. (BOURDIEU; DARBEL, 2007, p. 169). Com base nessa e em outras pesquisas, as gestões dos museus iniciam um trabalho focando as necessidades pedagógicas dos públicos.

Um dado que consideramos importante é que, ao final dos anos de 1980, foi cogitado o fechamento de alguns espaços expositivos devido à falta de público e fomento. A respeito desse fato, Wilder (2009, p. 102) destaca que houve uma forte influência dos organismos internacionais e das pesquisas, como citamos acima, para que as mudanças na relação entre museu e público fossem se estruturando, com o objetivo de “aumentar o número de visitantes, tornar visitas a museus mais populares, ou seja, trazer novos grupos sociais para dentro dos museus”.

Para Mendonça (2010, p. 46), a instituição museológica teria entrado numa “crise física e ideológica, principalmente, a partir dos anos 60 e foi nessa época que os museus e as instituições afins se envolveram na difusão da arte para as periferias, na tentativa de ampliar seu público e o ‘entendimento’ das produções”.

Almeida (2008, p. 57) ainda destaca que “a valorização das ações educativas foi cada vez mais se intensificando, tornando-se indispensáveis para a sobrevivência dos museus e para a sua popularização”.

Batista (2008, p. 20) também acompanha esse pensamento, ao afirmar que “muito recentemente, os museus adotaram uma política de exposições bastante agressiva como forma de captação de recursos financeiros e até de sobrevivência”, tornando-se dependentes dos patrocinadores, os quais exigem dos espaços uma estatística elevada de público.

Dessa forma, os espaços expositivos investiram nos programas educativos ou também, como são conhecidos, nos “serviços educativos” (COELHO, 2004; COUTINHO, 2010), oferecendo atividades para diversos públicos, entre eles leigos, educadores e especialistas. Algumas ações oferecidas pelos programas educativos fazem parte desse investimento, como: material didático, mídias, transporte, seminários, projeções de filmes e vídeos, bibliotecas multimídias, espaço para realizar atividades específicas com o público (denominadas como salas de arte), oficinas e laboratórios.

Além dessas atividades, destacam-se os encontros, que são organizados, em geral, mensalmente, tendo como público-alvo: educadores de espaços formais, ligados a escolas e instituições oficiais de ensino de qualquer nível; e educadores de espaços não formais, associados, por exemplo, ao Terceiro Setor, esclarecido por Carvalho (2008, p. 25), que “inclui as ONGs, os movimentos sociais, organizações voluntárias e, mais recentemente, a participação da filantropia empresarial”. Geralmente, os educadores do Terceiro Setor são conhecidos como educadores sociais. Quanto à temática do encontro, em sua maioria, está associada à exposição que ocorre paralelamente ou pode anteceder alguma exposição. Essas são apenas algumas das ações que começaram a fazer parte dos Programas Educativos dos espaços expositivos, localizados principalmente nas cidades de grande e médio porte.

Entretanto, retomando a fala de Coelho (2004), Almeida (2008), Batista (2008), Wilder (2009) e Mendonça (2010), acreditamos que, ao promoverem visitas das escolas aos espaços expositivos, os educadores colaboram para as estatísticas desses espaços. Porém, se a maioria dos educandos não tem acesso a eles, se não for com a mediação da escola, como fazer? Entendemos que seja proporcionando

esse acesso, mas refletindo junto com os educandos acerca do nosso papel dentro desse contexto, de que objetos ali estão expostos, da própria mediação cultural, das visualidades desses espaços, de qual discurso ali circula, dos materiais, enfim colaborando para formação de sujeitos críticos e também com o próprio espaço expositivo.

Nesse sentido, concordamos com Franz (2007, p. 1186), que assegura que as ações dos programas educativos dos espaços expositivos são importantes quando comprometidas com um “projeto didático com formação de mediadores, preparação de materiais e, geralmente, com amplo apoio à formação de professores”. Isso contribui para que as visitas às exposições façam parte de um “planejamento cuidadoso de complexos processos de estudo e pesquisa”, envolvendo “públicos de todas as idades, mediadores, artistas e outros especialistas da área de Artes Visuais”.

5.2 EDUCANDOS E EDUCADORES DAS ESCOLAS PÚBLICAS DO MUNICÍPIO