Conforme mostrado na Figura 3.3, a litologia dominante na área é um metamorfito de alto grau, com foliação bem pronunciada e genericamente denominada como anfibólio- gnaisse. A orientação geral das camadas de rocha é NE-SW, com mergulho sub-vertical, em torno de 800 para SE. Foram feitas análises petrográficas, a partir de amostras
coletadas em afloramentos e em testemunhos de sondagens, que mostraram que os litotipos locais são constituídos essencialmente de quartzo, feldspato e piroxênio, ocorrendo ainda anfibólio (hornblenda), biotita e, em menor percentagem, minerais acessórios.
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A região do empreendimento pode ser subdividida basicamente nas áreas situadas á montante e à jusante da ponte existente sobre o Rio Pomba, caracterizadas por feições topográficas e geológicas distintas (Figura 3.3). Na região à montante da ponte, ocorrem grandes afloramentos rochosos junto às margens do rio e tipificados por vários sistemas de fraturas (sub-verticais paralelas, oblíquas e perpendiculares aos planos de foliação, sendo observadas também fraturas sub – horizontais). Na área, são observadas várias inflexões do curso d’água devido à necessidade do mesmo contornar uma estrutura rochosa monolítica situada na ombreira esquerda. A ombreira esquerda apresenta-se mais íngreme do que a direita, expondo muitos blocos de rocha e a cobertura em solo mostra-se irregular e menos espessa do que na margem oposta.
Na ombreira direita, os afloramentos estão limitados à zona da margem do rio, sendo as zonas mais elevadas caracterizadas por uma espessa cobertura de solos coluvionares e residuais. As sondagens executadas nesta área revelaram a presença de camadas de solo e rochas muito alteradas, com até 33 metros de espessura, crescente com as elevações.
Cerca de uma centena de metros a jusante da ponte, quando o rio Pomba inflete para NE, o vale fluvial passa a correr fortemente encaixado e a declividade do talvegue se acentua. A ombreira esquerda torna-se, neste trecho, ainda mais íngreme. A ombreira direita, com menor declividade, exibe grande quantidade de blocos de rocha em superfície, invariavelmente resultando de mecanismos de transporte, visto que os afloramentos in situ limitam-se ao fundo do vale.
O rio corre aqui em regime turbulento e o talvegue exibe grande quantidade de blocos de rocha de dimensões variadas, alguns deles com dimensões de dezenas de metros. A maioria dos blocos foi gerada por simples destaque ao longo de planos verticais, alinhados no sentido montante/jusante (plano da foliação geral do gnaisse) e posterior basculamento ou tombamento em direção à calha do rio. Cerca de 1.000 metros após a última inflexão, ao final de um trecho em que o leito do rio encachoeirado (Figura 3.3) apresenta um desnível natural da ordem de 15 metros, ocorre um alargamento da calha fluvial, formando um bolsão com largura da ordem de 60 – 70m, em que as águas perdem bruscamente velocidade e o fluxo deixa de ser turbulento.
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Ao longo da encosta que margeia o rio pelo lado esquerdo, observa-se uma grande quantidade de blocos soltos de rocha, alternadamente a áreas de afloramento rochoso a meia encosta, na forma de paredes sub-verticais e também áreas de ocorrência de solos. Junto à margem do rio, acumulam-se blocos de dimensões variadas, formando uma massa de tálus.
No trecho final da corredeira, onde se inicia o alargamento da calha do rio, percebe-se a existência de alguns afloramentos de rocha junto à margem esquerda. Foram executadas nesta área duas sondagens rotativas e uma à percussão. Uma delas (SRPO-03) confirmou a existência de um espesso pacote de solo coluvionar, misturado a blocos de rocha, seguido por uma camada de solo residual, alcançando-se a rocha alterada a cerca de 15 metros de profundidade e o maciço são acerca de 19m. Ao longo da encosta da margem esquerda, os trechos em solo alternam-se com afloramentos rochosos e com a presença de blocos. A sondagem rotativa SRPO-02, executada verticalmente à cota aproximada de 370 m, atingiu a rocha sã em torno de 4,5 m de profundidade.
A cobertura em solo é generalizada e espessa ao longo das elevações circunvizinhas ao sítio do empreendimento, especialmente ao longo da ombreira direita e à montante da ponte. Nesta elevação, foram investigadas as condições do solo como material de empréstimo, tendo-se concluído pela existência de grandes volumes de material adequado a um núcleo de barragem.
A encosta direita da área à jusante da ponte foi também objeto de investigações gerais, tendo sido identificadas e definidas duas áreas de empréstimo de grandes dimensões. Em todos os casos, os solos são coluvionares nos primeiros metros, seguidos por solos residuais maduros a maiores profundidades. Estes dois tipos de solos são avermelhados e possuem boas características geotécnicas, sendo adequados como materiais de núcleo, pela baixa permeabilidade indicada pelos ensaios de laboratório realizados.
A presença freqüente de paredões de rocha nas vizinhanças do sítio do empreendimento, tanto para montante quanto para jusante, indica uma boa possibilidade de exploração de pedreiras na área. Em princípio, não parece haver qualquer tipo de restrição ao emprego
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das rochas locais, de origem metamórfica, como agregado para concreto ou material de enrocamento.
Por situar-se em área de rochas metamórficas (gnáissicas), o leito do rio Pomba é propício à acumulação de sedimentos arenosos de granulometria variada. Ao longo do rio, de fato, podem ser encontradas diversas cavas de exploração de areia por dragagem. Trata-se, sempre, de areias quartzosas sub-angulares, de faixa granulométrica ampla, adequadas ao emprego como materiais de construção.