WCAG 2.1 (fremtidig)
9. WEB-APPLIKASJON
9.2 M OBIL
“Educar e educar-se na prática da liberdade é tarefa das pessoas humildes, que se sabem inconclusas, sabem que pouco sabem e que, em diálogo com aquelas pessoas que pensam que nada sabem, podem saber mais”.
(Paulo Freire)
Neste capítulo, apresentaremos algumas considerações referentes ao desenvolvimento desta investigação, que teve o intuito de refletir e dialogar, com as mulheres participantes desta pesquisa, sobre o processo de incubação da Madeirarte, buscando os elementos transformadores, reveladores de distintos processos educativos construídos por mulheres no trabalho autogestionário, bem como buscando os elementos que se apresentam como obstáculos na prática cotidiana do trabalho das marceneiras, e que possibilitaram indicações para a sua superação e melhoria do trabalho realizado. Destacamos que foram inúmeros os aprendizados no encontro de minha trajetória, enquanto mulher e pesquisadora no e com o mundo, com as participantes, que puderam refletir sobre a prática social que desenvolvem, buscando melhorias para potencializá-la, e, também, relacionar esta prática às transformações que conquistam em suas vidas, enquanto mulheres marceneiras num assentamento rural. Nesse processo investigativo, acreditamos poder ter contribuído com outras práticas de incubação e apoiar iniciativas solidárias desenvolvidas por mulheres. Mulheres que se tornam protagonistas de suas vidas, mostrando que é preciso denunciar os processos de exclusão em que vivemos, mas também anunciar possibilidades de transformações históricas, o que muitas mulheres estão fazendo ao se engajarem em distintos movimentos de luta e ao buscarem mudanças cotidianas na organização de suas vidas. Assim, o caminho que percorremos buscou responder a seguinte questão de pesquisa:
Como as mulheres que vivenciam a prática da incubação da Marcenaria Coletiva Autogestionária do assentamento Pirituba II, a Madeirarte, analisam esse processo, com destaque para os elementos transformadores e os que se apresentam como obstáculos na consecução dos objetivos do grupo incubado, tendo em vista as relações de gênero?
Após a realização da investigação, apoiadas nas bases teóricas da aprendizagem dialógica e metodológicas, da perspectiva comunicativa crítica, acreditamos ter conseguido responder esta questão, desde o caminho teórico percorrido em cada um dos capítulos, à trajetória metodológica
desta pesquisa em cada encontro com as marceneiras, até as análises intersubjetivamente com elas construídas. Assim, sabemos que as respostas que traçamos não se esgotam em si mesmas, mas fazem parte de um processo que vem sendo construído diariamente pelas marceneiras, na Madeirarte e em suas vidas, bem como de um processo de pesquisa, apoiado em teorias e conceitos que vem sendo investigados pela comunidade científica internacional e que contribuem para novos aportes à construção do conhecimento.
Vale destacar que esta investigação foi desenvolvida em meio a um processo intenso de relações com a orientadora, estudos no Niase, discussões na linha de pesquisa “Práticas Sociais e Processos Educativos” e em meio à realidade das atividades da Madeirarte. Porém, o processo de escrita não acompanha o ritmo de nossos estudos, bem como a constante realidade da marcenaria, e, por isso, algumas questões não puderam aqui ser contempladas, o que aumentou a minha compreensão sobre a vida e a escrita enquanto processos, nos quais em cada novo caminhar estão implicados novos olhares e conhecimentos. Com isso, aponto o quanto esta dissertação se faz na incompletude, sendo apenas uma parte da colcha de retalhos que construímos no Niase, na Madeirarte, na linha de pesquisa “Práticas Sociais e Processos Educativos” e que confecciono diariamente em minha vida nas diferentes interações que dela fazem parte.
No decorrer deste trabalho, relacionando as elaborações teóricas às análises realizadas, pudemos, em nosso primeiro capítulo, refletir sobre a realidade da economia solidária e dos empreendimentos solidários autogestionários, na busca por relações humanas de trabalho a todas e todos que se arriscam nesta economia.
Assim, discutimos primeiramente sobre a realidade social de exclusão em que vivemos. Realidade marcada por um capitalismo desumano que impõe um mundo de competições e desigualdades, à medida que os meios de produção e de distribuição tornam-se capital e se concentram nas mãos duma minoria, enquanto uma maioria se limita à posse de suas capacidades individuais de trabalho. Agravando as desigualdades sociais, temos a sociedade da informação, a qual exige seleção e processamento da informação transformada em conhecimento, sendo a informação tida como um produto no mercado capitalista.
Tal sociedade prioriza certas habilidades e conhecimentos, desvalorizando outros. Aqueles de “habilidades desvalorizadas” serão excluídos do mundo do trabalho, do estudo e serão oprimidos pelas classes dominantes (CREA, 1998, p.14). Enquanto para esta última, a elite detentora do poder e da moeda conhecimento, a desmobilização dos movimentos sociais e
educação bancária é a saída, pois assim continuam impedindo o controle da informação para seguir dominando, decidindo quem pode usar a informação e a serviço do que utilizá-la, bem como tentando impossibilitar a organização dos oprimidos em direção à sua libertação.
Em contrapartida, e seguindo a capacidade do ser humano de transformação à medida que não aceitam as injustiças e não se entregam ao fatalismo, historicamente vimos que a economia solidária se apresenta como uma forma de reação às crises apresentadas pelo capitalismo e suas conseqüentes desigualdades, para a construção de um modo de produção que contempla a solidariedade, por representar a união de trabalhadoras/es contra a exploração e como reação ao desemprego, buscando formas alternativas de construir o trabalho relacionando-o à possibilidade de melhores condições de vida.
Como vimos, a economia solidária não pretende ser uma “mera resposta às incapacidades do capitalismo”, mas, em termos ideais, espera ser uma alternativa superior ao capitalismo, principalmente porque, ao apresentar uma outra proposta de organização, rompe com os valores do mesmo, visando então a geração de renda não apenas para acúmulo dos trabalhadores, mas como uma relação para além do dinheiro e do poder, uma relação em que a geração de renda é fundamental para a sobrevivência, mas que a forma de organização para conquista desta renda seja de solidariedade, autonomia, seja pautada numa pedagogia dialógica para a superação de exclusões. Quando dizemos alternativa superior ao capitalismo, citamos Singer para ilustrar:
Superior não em termos econômicos estritos, ou seja, que apenas as empresas solidárias regularmente superariam suas congêneres capitalistas, oferecendo aos mercados produtos ou serviços melhores em termos de preços e/ou qualidade. A economia solidária foi concebida para ser uma alternativa superior por proporcionar às pessoas que a adotam, enquanto produtoras, poupadoras, consumidoras, etc., uma vida melhor (SINGER, 2002. p. 114).
Ao longo desta dissertação e das análises realizadas, observamos que, na medida em que conseguimos uma ruptura com as formas egoístas de agir, ser e pensar, imbricadas na ideologia competitiva do capitalismo, começamos a valorizar outras formas de vida, desde um abraço, um sorriso, a capacidade de amar, ao direito a condições dignas de existência, a luta pela igualdade de direitos, de gênero, respeito às diferenças, o que exige a educação em intersubjetividade: “nenhum de nós se humaniza sozinho; necessita da presença dos outros, que com suas peculiaridades, oferecem testemunho vivo de nosso inacabamento” (OLIVEIRA, 2001, p. 22).
Nesse sentido, fica claro que a economia precisa ir além do aspecto econômico, tendo sua centralidade no social e na intersubjetividade, visando elevar àqueles historicamente excluídos do
mundo do trabalho e dos direitos sociais, pessoas e coletividades, da posição de objetos à condição de sujeitos, capazes de pensar, analisar e transformar a realidade em que vivem.
Faz-se necessário destacar também nestas considerações, a especificidade do empreendimento pesquisado ser formado por mulheres, o que levou-nos às discussões em torno das relações de gênero em nossa sociedade, podendo notar que existe uma ideologia machista dominante, configurada de variadas formas nas distintas culturas, e que se coloca como obstáculo para a busca de relações igualitárias de gênero. Discussões tecidas, no segundo capítulo desta dissertação.
A ideologia machista citada, tentamos mostrar ao descrever a socialização das mulheres em nossa sociedade, a qual ainda confere mais poder ao homem, gerando prejuízos para o desenvolvimento humano especialmente das mulheres. Pudemos observar também a configuração desigual do mundo do trabalho, fragilizando as mulheres, relacionando-as ao trabalho invisível e reprodutivo, ao trabalho guardado e de cuidado, o que dificulta o trabalho produtivo intensamente realizado pelas mulheres.
Nesse contexto, salientamos ainda as desigualdades sociais existentes entre as mulheres, permitindo, por exemplo, que algumas mulheres privilegiadas socialmente superem muitos obstáculos, enquanto outras mulheres sofrem de maneira acentuada as exclusões impostas pela sociedade capitalista, com bases no patriarcado.
Nessa direção, a partir das contribuições de Lídia Puigvert, vimos que a repercussão do feminismo dependerá de sua capacidade para oferecer ferramentas de transformação das estruturas sociais aos movimentos e grupos de mulheres. Por este motivo, é que as discussões apresentam maiores potencialidades pautadas pelo diálogo, permitindo maior aproximação das lutas feministas e da realidade em que vivem as mulheres, a partir de suas necessidades e da forma como querem viver as suas vidas e desenvolver os seus trabalhos. Isto, porém, desde que possam refletir sobre tal realidade e diante das oportunidades de escolha que possuem, podendo assumir a diferença, o que nos indica o princípio de igualdade de diferenças apontado pela aprendizagem dialógica. Por isso, reafirmamos a utilidade prática do feminismo dialógico nesta pesquisa.
Ao propor a igualdade de condições e o direito à diferença, o que encontramos nas teorias do feminismo dialógico e também da economia solidária, busca-se superar a sociedade hierárquica, sexista e racista, propondo uma sociedade marcada por relações democráticas, onde
as diferenças entre os indivíduos possam acontecer sem gerar desigualdades. São, portanto, propostas que consideram que as pessoas são diferentes e devem ter espaço para o exercício de suas diferenças: “um sistema social está profundamente doente quando um camponês trabalha a terra pensando que, se ele é camponês, é porque não era inteligente o bastante para tornar-se professor” (MELLO, 2005, p. 49), ou ainda quando as mulheres sentem-se desvalorizadas diante de outras mulheres e dos homens, achando que não possuem capacidades para o desenvolvimento de determinadas atividades.
A partir destas reflexões, observamos que denúncias foram refletidas nesta dissertação, ao mesmo tempo em que anúncios puderam ser contemplados. Vimos que o processo de reflexão, educação, diálogo, solidariedade entre mulheres e novas formas de organização das relações no trabalho e das relações cotidianas, podem se colocar como elementos transformadores, na luta por mudanças em nossas vidas diárias, como também nos contextos e finalmente nas estruturas.
No sentido do anúncio, pudemos analisar como a economia solidária tem se apresentado como oportunidade às mulheres, vislumbrando novas possibilidades para as mulheres trabalhadoras. Na busca das mulheres por soluções, diante de uma história de discriminação, a economia solidária pode ser um caminho, na medida em que acolhe diferentes mulheres, mesmo àquelas que não tiveram oportunidades de estudo e/ou que não apresentam experiências anteriores no denominado mercado de trabalho, como é o caso das mulheres marceneiras participantes desta investigação.
Observamos que, mesmo nos empreendimentos de economia solidária, faz-se necessário refletir profundamente sobre as relações de gênero, visto que por si só o empreendimento não garante relações mais igualitárias entre homens e mulheres. No entanto, apresenta-se como uma possibilidade de superar as diferenças de gênero, por se tratar de uma organização que prima pela solidariedade e cooperação entre seus membros, que prima pela democracia e divisão igualitária das tarefas, das perdas e dos ganhos do empreendimento e, ainda, onde o cuidado com o outro não se coloca apenas como preocupação da mulher, mas como uma luta diária das pessoas envolvidas nos empreendimentos solidários (ANGELIN & BERNARDI, 2007).
Portanto, acreditamos que discussões em torno das relações de gênero a partir do feminismo dialógico, somadas às oportunidades que se apresentam pelo movimento de economia solidária, podem contribuir para o diálogo sobre o processo histórico de dominação em que
vivem as mulheres, de forma a poderem transformar e/ou criar novas práticas sociais capazes de amenizar as desigualdades de gênero e as desigualdades entre as mulheres.
As análises apresentadas nesta investigação exemplificam tal afirmação, uma vez que retratamos um contexto de assentamento rural, em que mulheres com mais de 40 anos de idade, com baixa escolaridade, percebem-se diante da possibilidade de gerarem renda num trabalho distinto do realizado, doméstico e na roça, ampliando o processo de luta que já vinham construindo em suas vidas e superando dificuldades históricas da socialização feminina.
Destacamos as transformações das relações de gênero que cotidianamente são construídas dentro e fora da marcenaria. As marceneiras apontaram que, no contexto de suas vidas, tentaram estudar, ou buscar outros trabalhos, além das atividades rurais, mas sempre foram impedidas, porque estes eram trabalhos para homens e não para mulheres. A partir da inserção na marcenaria pudemos observar quantas oportunidades se estenderam às mulheres, as quais atualmente podem ser protagonistas de suas vidas, controlar o dinheiro que recebem e decidir os seus destinos, contribuir nas despesas de suas casas, dividir as tarefas domésticas, bem como aprender novas habilidades que pareciam impossíveis. As mulheres passaram a ser valorizadas pelo fruto do trabalho que realizam e, para elas, tal valorização é o principal resultado da Madeirarte.
Na medida em que puderam se abrir a novos aprendizados, essas mulheres conquistaram uma visão crítica em relação ao papel da mulher na sociedade, o que possibilitou a conquista de autonomia de mulheres, além das mudanças em seus lares, desde a relação com os maridos à educação das pessoas mais próximas que convivem com as marceneiras, bem como mudança de muitas relações no próprio assentamento.
As marceneiras sabem que ainda são muitas as desigualdades a serem enfrentadas, mas estão contribuindo nesta luta a partir da iniciativa de trabalharem na marcenaria. À luz de Puigvert (2001-a), compreendemos a tentativa de buscarmos caminhos de superação das relações de opressão sofridas pelas mulheres, bem como na relação de opressão entre as mulheres, o que pode ser pensado a partir da ação coordenada das mulheres, sem discriminações, em espaços em que o diálogo seja igualitário e não silencie vozes. Assim, temos aqui a necessidade de incorporar as vozes das mulheres marceneiras nos discursos feministas, seguindo as possibilidades que estão conquistando a partir do trabalho realizado na Madeirarte.
Tais considerações em torno das relações de gênero foram possíveis tendo como pano de fundo o diálogo, mais precisamente a aprendizagem dialógica, que corresponde às discussões
tecidas em nosso terceiro capítulo, ao contemplar-mos os referenciais teórico-metodológicos que orientaram esta dissertação.
Seguindo Freire (2000), ao citarmos a educação dialógica, indicamos um processo que permita a emancipação dos educandos e educandas, educação que é práxis e nunca ação isolada de detentores do conhecimento que levam saber aos que nada sabem. A educação exige consciência, compreensão de que somos seres de finitude, em constante aprendizado e por isso podemos lutar na busca de ser-mais. Educação que exige o sonho e a utopia, que exige amor, fé, humildade, esperança e confiança, na luta constante com os oprimidos pela sua libertação. Citando o autor, podemos refletir em indicações para as metodologias de incubação:
Se de meu projeto de ação política, por exemplo, excluo a ação educativa, porque só depois da transformação é que posso me preocupar com educação, inviabilizo o projeto. Se por outro enfatizo apenas a educação com programas de natureza técnica e/ou espiritual e moral não mobilizo e organizo forças políticas indispensáveis à mudança, o projeto se perde em blá-blá-blá e vira puro assistencialismo. Vale dizer: não importa se o projeto é de alfabetização de adultos, se de educação sanitária, se de cooperativismo, se de evangelização, a prática educativa será tão mais eficaz quanto, possibilitando aos educandos o acesso a conhecimentos fundamentais ao campo em que se formam, os desafie a construir uma concepção crítica de sua presença no mundo (2000, p. 92).
Diante destas reflexões, acreditamos que a economia solidária apresenta maior potencialidade se pensada não somente tendo a solidariedade como instrumento de emancipação, mas também a partir de uma práxis pautada em relações dialógicas, o que foi indicado pelas marceneiras ao dizerem da necessidade de diálogo para a construção de acordos e consensos no processo de incubação.
Isso porque, ao falarmos nesta economia, na perspectiva da autogestão, é preciso partir dos conhecimentos das e dos trabalhadores, que estão lutando para construir um caminho na produção e reprodução da vida. Jamais podemos pensar que esses trabalhadores/as são vazios de conteúdo, muito pelo contrário, são pessoas repletas de experiência e história de vida, seres de relações que apresentam muitas experiências de trabalho. Precisamente por isso, é preciso compreender: para quê essas pessoas desejam educar-se? Por quê estão envolvidas em projetos como os de economia solidária? Partindo do seu saber acumulado e de suas aspirações, “não a um desejo abstrato de saber, mas pretensões concretas de como trabalhar melhor”, como conseguir geração de renda para si e sua família (ARRUDA, 2005, p. 32).
Dessa forma, como vimos à luz de Barcelos & Noelle (2008), compreendemos que a educação para esta economia pressupõe: uma formação técnica que possibilite que o trabalhador seja autogestor no trabalho e capaz de desenvolver o trabalho com qualidade; uma formação
social e política, que permita sua inserção na luta por melhores condições de trabalho e criação de sentido na atividade escolhida e; uma formação cultural, ao abarcar elementos da educação para a solidariedade.
A esta formação, incluímos o diálogo e as habilidades comunicativas, as quais correspondem ao processo educativo que se dá na relação entre as pessoas, ao aprendizado que só é possível pela interação e comunicação, na troca de diferentes habilidades e conhecimentos que cada pessoa apresenta.
Nas análises realizadas em nosso quarto capítulo, as marceneiras citaram dois aspectos fundamentais nesse sentido: a necessidade de instrumentalização para a organização, gestão e administração da marcenaria, bem como para as atividades técnicas no trabalho cotidiano, e superação do sentimento de incapacidade para o desenvolvimento de algumas atividades. Tal sentimento, refletiram, pode ser superado coletivamente e à medida que possam ensiná-las da forma que conseguem aprender. Para tanto, vemos a necessidade do domínio de algumas habilidades, tanto pelas equipes de incubação, quanto pelos membros dos empreendimentos solidários. Destacamos, nessa direção, os princípios de inteligência cultural e dimensão instrumental, inscritos no conceito da aprendizagem dialógica.
O primeiro, nos possibilita compreender que todas as pessoas possuem as mesmas capacidades para participar de um diálogo e para aprender, porém que cada pessoa demonstra seus aprendizados em ambientes distintos. O segundo, nos possibilita compreender os conhecimentos e habilidades que se consideram necessários possuir, aprendizados estes definidos com as pessoas participantes da formação de um empreendimento solidário, mas que são fundamentais para a conquista da autogestão. Sem o domínio dos conhecimentos necessários não há a possibilidade de autonomia por parte das/os trabalhadoras/es64.
Segundo Kruppa (2005) qualquer trabalhador/a está habilitado/a a capacitar–se para o uso dos recursos exigidos num empreendimento, visto que é possível valorizar e articular os saberes do senso comum com a apropriação do conhecimento das ciências, principalmente porque “todos os seres humanos têm o direito de deles se apropriarem para tornar sua vida mais produtiva e digna” (p. 9-10). Temos, assim, o direito ao aprendizado instrumental como um direito humano.
64 Ao citarmos os conhecimentos referimo-nos as habilidades instrumentais necessárias a formação de um
empreendimento, tais como administração e gestão, realização de orçamentos, formação técnica específica referente a atividade produtiva, entre outros.
Consideramos importante compreender, ainda, a educação na economia solidária como educação de pessoas adultas. Segundo Ireland et al (2005, p. 95) a “educação como direito