2. Literature Study
2.2. Chemical composition of oat grain
2.2.2. Oat β-glucans
Os profissionais também pontuam que o trabalho do ACS no Núcleo de Saúde da Família envolve participar das reuniões de discussão de casos em equipe, mas pontuam como objetivos dessa participação aprender a discutir casos e a expressar opiniões e compartilhar casos “mais sérios” (sic).
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“eu acho que tem um monte de coisas que o agente faz com a equipe. Eu acho que as reuniões que a gente tem, por exemplo, pra discutir família é... eu acho que é um trabalho que ele faz não só com a equipe, mas com estudantes também, né. E é um trabalho de aprendizagem, eu acho que é um trabalho de... de cuidado com a família, é um trabalho de aprender a discutir as coisas, né, a conversar, a se comunicar, (...) eu acho que o mais importante mesmo é essa coisa das reuniões, né, de participar das reuniões, de aprender a se colocar nas reuniões, mesmo as administrativas, né, que são coisas, assim, não só de discussão de famílias” (Enfermeira - C)
“é, discussão de família, aonde normalmente eles trazem os casos... é, porque, assim, elas acabam tomando pra elas, né, porque elas vivem nas casas, né, eu acho que é um trabalho muito complicado, mexe muito com o psicológico das pessoas, então elas tomam pra elas. E aí tem as reuniões de equipe que são as discussões de famílias e aí elas passam os casos mais sérios, né, tem algumas exceções também que elas já chegam e não dá pra esperar as reuniões de família e elas já chamam alguém pra conversar: ou o médico, ou a X. (enfermeira) ou eu mesmo pra tá passando essa demanda pra ver no que a gente pode tá ajudando. E tem as reuniões administrativas na sexta-feira que daí a gente fala mais da parte burocrática do serviço mesmo, onde elas sempre tão juntas e a opinião é sempre muito válida. É isso.” (Auxiliar de Enfermagem - C)
A participação do ACS nas reuniões em equipe é descrita, segundo os profissionais, como forma de ajuda ao próprio ACS por constituir-se em momentos de aprendizagem do ACS: aprende a expor os casos dos usuários, a discutir as informações captadas, a se comunicar e a se colocar. Os ACSs são descritos, neste relato, como destituídos de saber e, consequentemente, devem aprender com os demais profissionais da equipe.
Os profissionais também descrevem como sendo de ajuda ao ACS a possibilidade dos mesmos relatarem os sentimentos suscitados pelo contato com determinadas vivências/realidades dos usuários e assumirem para si a responsabilidade de resolver todos os problemas dos usuários.
Apesar de pontuarem a participação do ACS nas reuniões de equipe, o médico descreve como negativo o fato do ACS questionar, em tais reuniões, os demais profissionais da equipe a respeito de informações de pacientes encaminhados para serviços ambulatoriais ou hospitalares.
“É... o que eu sinto um pouco de dificuldade às vezes é quando eles trazem para discussão alguns pacientes e... por exemplo, querem saber de algum acompanhamento de determinada doença fora do serviço, entendeu? Tem muitas vezes, assim, que realmente no período de trabalho fica difícil parar pra ligar pro serviço e perguntar ‘não, o que que tá acontecendo com tal paciente?’ (risos) e às vezes a gente vê até residentes aí que ficam até com um pouco de raiva e falam ‘nossa, mas que curiosidade? Será que quer saber mesmo ou é só curiosidade?’ eu imagino que não seja isso, mas, às vezes são
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coisas que podem ajudar em condutas e às vezes não faria diferença, né, por exemplo, o paciente tá internado e tá entubado, eu vou ligar lá pra perguntar o que, né? Tá internado, tá lá sob os cuidados do hospital, né, que que vai acrescentar eu ligar lá e saber como é que ele tá? Ele tá lá internado sobre os cuidados, né. E aí acho que atrapalha esse tipo de cobrança, né, vamos dizer assim.” (Médico - C)
O médico descreve que há um questionamento, por parte dos residentes em Medicina, em relação ao motivo do ACS buscar informações sobre os usuários, ressaltando a possibilidade de ser mera curiosidade. Parece que a tentativa de construção de uma rede de cuidados através da referência e contrarreferência baseada na construção do vínculo e responsabilização pelo cuidado é percebida pelo profissional como cobrança em relação ao trabalho que ele realiza. Sendo assim, a corresponsabilização perde seu sentido, uma vez que o médico considera que se o usuário está sob os cuidados de outro serviço, não há o que se possa fazer. Além disso, essa busca de informações é vista como mais um trabalho imposto pelos ACSs ao médico.
Cabe ressaltar, ainda, que o envolvimento do ACS com o usuário parece ser diferente do envolvimento dos demais profissionais, uma vez que o mesmo realiza visitas constantes nas residências, conhece os demais membros da família e, consequentemente, estabelece relações mais próximas com a comunidade, podendo assim se preocupar com os usuários, de forma diversa dos demais profissionais.
O fato do ACS passar a maior parte do seu tempo de trabalho realizando visitas domiciliares o coloca em contato direto e diário com a comunidade, o que pode fazer com que a comunidade recorra constantemente a ele em busca de informações, ou seja, ao invés de irem ao Núcleo de Saúde da Família para obtê-las, os usuários as solicitam ao ACS quando encontram o mesmo na rua durante a realização das visitas domiciliares.
Por outro lado, existe a preocupação da coordenadora da unidade em obter, numa reunião de discussão de casos, algumas informações a respeito de pacientes internados, visando preparar o ACS para receber esse usuário quando o mesmo retornar da internação.
A coordenadora do Núcleo perguntou se algum residente iria estar no Hospital das Clínicas e os dois residentes presentes na reunião responderam que não, informando o nome de outros dois residentes que estariam. A coordenadora disse que poderia pedir para tais residentes irem ver o bebê internado e se informar sobre tudo para passar as informações para a equipe ir se preparando para quando a mãe voltar com o bebê para casa. Acrescenta que principalmente ACS1 tem que se preparar para isso. A enfermeira disse que nem sabe se a mãe e o bebê vão voltar para a área porque ela estava ficando na casa da mãe. A coordenadora afirmou que seria importante a equipe tentar saber sobre o que está de fato acontecendo
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com o bebê, não só através das informações fornecidas pela avó. A enfermeira enfatizou que mesmo ela não morando aqui, provavelmente irá trazer o bebê para eles verem porque o vínculo que ela e a mãe dela tem com o Núcleo é muito forte. (observação participante; reunião de discussão de casos; 25/08/09; Núcleo C)
Nesse sentido, a coordenadora entende que a informação obtida acerca de usuários em acompanhamento em outro serviço e repassada pela equipe ao ACS tem como objetivo constituir-se em formas de construção de um cuidado ao usuário e possibilita a capacitação/preparação do ACS para receber a família usuária após uma internação.