Neste tópico, apresentamos a interpretação dos resultados da pesquisa aplicada à Direção da Biblioteca Universitária da UFSC. As questões aplicadas são semelhantes às dos outros públicos envolvidos na pesquisa e estão pautadas, da mesma forma, no perfil e formação dos entrevistados, além das concepções em relação ao trabalho do profissional de biblioteconomia, contudo, não serão utilizados gráficos ou expostas distribuições de ocorrências em forma de tabela, visto que este público é representado, apenas, por um indivíduo.
Biblioteca Universitária Organização que aprende Capacitação/ Aprendizagem contínua Information Literacy Conhecimento Habilidade Atitude Produção do Conhecimento Busca da informação Uso eficiente da informação Aprendizado contínuo Desenvolvimento de competências 153
Quanto ao perfil do pesquisado, observou-se que é do sexo feminino, possui idade acima de 50 (cinquenta) anos, tem formação acadêmica em nível de especialização e terminou a graduação há mais de 20 (vinte) anos. O pesquisado afirmou ter publicado trabalho científico e este ocorreu em anais de congressos da área de biblioteconomia. Quanto a eventos da área, o pesquisado informou que não participou nos últimos dois anos.
No que tange à formação do entrevistado, questionado sobre a satisfação com o curso que frequentou, o critério escolhido foi bom. O pesquisado justificou a opção, apontando que, no referido curso de graduação que frequentou, todos os aspectos da biblioteconomia foram abordados de forma a possibilitar o início de uma atividade profissional. Quando questionado sobre o currículo do referido curso em relação às exigências do mercado, o entrevistado afirmou que o currículo o preparou em parte para a prática profissional; resgatou que a disciplina de Administração de Bibliotecas deveria ter mais horas/aula e dar um enfoque maior na gestão de pessoal e financeira.
Segundo a direção da BU, a questão de alocar o bibliotecário conforme seu perfil profissional foi respeitado na ocasião da lotação, no entanto, o pesquisado não informou se participou de treinamento específico para desempenhar sua função atual. Em relação a outros treinamentos, apontou ter participado de capacitações relacionadas à liderança, desenvolvimento de competências, qualidade no atendimento do usuário e treinamentos técnicos. Em relação a participação em cursos de aperfeiçoamento e atualização, o pesquisado afirmou que realizou de dois a três cursos, nos últimos 2 (dois) anos.
Quando questionado sobre a maneira que utiliza para adquirir novos conhecimentos, o entrevistado afirmou que participa de cursos de especialização, conferências/palestras, simpósios/seminários, além de cursos de línguas estrangeiras. Salientou, ainda, a experiência profissional, em sua opinião, é o que mais contribui para a aquisição do conhecimento.
Trabalhar em equipe, domínio das novas tecnologias, capacidade de comunicação interpessoal, conhecimento na língua estrangeira, atitude proativa, criatividade, aprendizado 154
contínuo, flexibilidade, compartilhamento e cooperação, experiência na área, tomar decisão compartilhada, experiência continuada e capacidade de liderança foram as opções citadas, pelo entrevistado, quando questionado em relação aos atributos essenciais para que o bibliotecário desempenhe suas funções. Estes atributos são coerentes com o nível de trabalho que o entrevistado apontou, como ideal – o nível tutor conselheiro. O tutor conselheiro é aquele que está atento ao usuário e ao seu processo de aprendizado na busca e uso da informação, segundo uma visão holística.
Em relação à competência, a representante da direção da BU considera o conhecimento a dimensão mais importante. Recordando o que diz Leme (2005), a competência é resultante dos fatores: conhecimento é o saber; habilidade é o saber fazer, é utilização do conhecimento no dia-a-dia; já a atitude é o querer fazer, isto é, o que leva a praticar habilidade sobre determinado conhecimento; portanto a visão é de que não há competência na ausência de um dos três elementos.
Dentro do conceito do nível tutor conselheiro do profissional bibliotecário, o conhecimento e habilidades são citados como fundamentais nas situações de aprendizado que buscam a informação.
Segundo o pesquisado, existe uma preocupação com o desenvolvimento das competências dos bibliotecários no local de trabalho, por parte da direção da BU. Reforçando esta opinião, descreve que a instituição promove este desenvolvimento estimulando e dando condições para participação em eventos e cursos da área e afins. Em relação a um sistema de avaliação de competências para os bibliotecários, a representante da direção informou que a BU não possui tal prática, mas que a avaliação ocorre informalmente, de “maneira empírica”.
Diversas são as necessidades e expectativas informacionais dos usuários frequentadores da BU, segundo o entrevistado, e estão de acordo com a área de conhecimento e momento em que o usuário se encontra no curso. Para atender as necessidades e expectativas dos usuários, além da graduação, o bibliotecário precisa ter boa vontade e desejo de ser útil, segundo o representante da direção da BU.
Questionado sobre o programa utilizado pela BU, para 155
gerenciamento de suas funções, o entrevistado apontou os softwares para reservas, empréstimo/devolução, processamento técnico, consultas, acesso ao usuário, sugestões, aquisições, atividades administrativas, relatórios, controle de visitas, intercâmbio de obras e inventário.
Quanto ao nível dos recursos tecnológicos disponíveis na BU, o pesquisado informou que são bons. Os sistemas tecnológicos existentes, segundo o entrevistado, são autoatendimento e o sistema eletrônico de segurança do acervo. Estes resultados são coerentes com as atividades que são incluídas no software utilizado na BU, ou seja, de cunho meramente operacionais e que não vislumbram uma visão mais holística para o uso da informação na biblioteca.
O entrevistado afirmou que a BU é uma organização que aprende, pois está sempre se renovando além de ser flexível, habituada a mudança; integrar ensino/aprendizagem/informação; promover o desenvolvimento do indivíduo na busca de sua competência informacional; liberdade de investigação e o acesso democrático à informação, em conjunto com a responsabilidade cidadã; atendimento a todos os indivíduos, sem exceção, tratando todos com igualdade, disponibilizando recursos informacionais e humanos; olhar para o passado com respeito e, para o futuro, com paixão; respeito à diversidade, buscando valorizar as trocas culturais são critérios que caracterizam a instituição como uma organização que aprende. Observa-se, novamente, que a figura do profissional bibliotecário no nível tutor conselheiro está presente.
Para a Direção da biblioteca, o que caracteriza a gestão do conhecimento na BU, é a postura de ensinar e treinar estudantes e professores, focar na informação literária, bem como, organizar, preservar e compartilhar seus próprios recursos informacionais, além de proporcionar novas opções de organização, recuperação, preservação e armazenagem da informação. Este resultado não é coerente com a concepção ideal para a instituição biblioteca e para o profissional bibliotecário, apontada pelo pesquisado que é a da ênfase no conhecimento.
A ênfase no conhecimento traz os conceitos da sociedade do conhecimento; acesso e processos; obtenção do saber; 156
usuários/indivíduos; visão cognitiva; escola em processo; biblioteca como espaço de aprendizado; bibliotecário como mediador de processos. A caracterização da gestão do conhecimento na BU, apontada pela Direção, enquadra-se de forma mais adequada à ênfase na informação, que traz os conceitos sociedade da informação; acumulação do saber; sistemas de informação/tecnologia; habilidades; visão tecnocrática; escola tradicional; biblioteca como suporte; bibliotecário como intermediário. Cabe destacar que os conceitos da Information Literacy, apontam, como sendo ideal, ênfase no aprendizado, com a visão da sociedade de aprendizagem; acesso, processos e relações; fenômeno do saber, aprendizes/sujeitos; habilidades, conhecimentos e valores; visão sistêmica; escola aprendente e espaço de expressão; bibliotecário como sujeito e agente educacional (DUDZIAK, 2001).
Sobre a diferença entre a busca da informação e a produção do conhecimento, o entrevistado apontou que na busca pela informação o usuário absorve ou não um conhecimento já produzido e na produção do conhecimento o usuário é o próprio produtor do conhecimento; os dois termos estão intimamente ligados, salienta. Já, em relação à diferença entre produção e gestão do conhecimento, o representante da direção da BU explica que o primeiro termo está expresso em palavras e números, enquanto o segundo termo está ligado a forma como as organizações tem seus processos e atividades documentados.
A fim de tecer conclusões acerca das diferentes visões dos 3 (três) públicos pesquisados – direção e bibliotecários da BU e alunos do curso de graduação em biblioteconomia da UFSC - e contribuir para o alcance dos objetivos do estudo,são descritas comparações entre os resultados encontrados.
3.7.2 Análise dos dados segundo questionários aplicados