Na atualidade, em IP, a avaliação é preconizada como um processo flexível de tomada de decisões no qual membros da família e profissionais analisam continuamente os resultados e, em conjunto, determinam as alterações e medidas a implementar para dar resposta às preocupações e prioridades da família (Grisham-Brown & Pretti- Frontczak, 2011). A avaliação em IP deverá, assim, decorrer nos contextos naturais da criança e da família, com pessoas que sejam familiares à criança e com recurso aos materiais existentes nesses contextos, focando as competências funcionais necessárias nos mesmos (Bagnato, 2007; Grisham-Brown & Pretti-Frontczak, 2011; Serrano & Pereira, 2011).
Tendo por base uma abordagem centrada na família a etapa de avaliação do desenvolvimento da criança terá como objetivo focar a informação pretendida pelos membros da família, partindo das preocupações e prioridades por eles apresentadas. E, por outro lado, partilhar com os pais os dados obtidos acerca da sua criança, das suas preocupações iniciais ou de outras alterações que os profissionais possam identificar, o que possibilitará a tomada de decisões informadas e contribuirá para o desenvolvimento de um PIIP adequado (P. J. McWilliam, 2003c).
As abordagens atuais de avaliação em IP deverão, de acordo com Bagnato (2007), ter subjacente um conjunto de caraterísticas que possibilitam assegurar a qualidade no apoio às famílias, designadamente:
a) Utilidade: A avaliação deverá permitir o acesso a informação útil relativa à criança e à família, nomeadamente, para a deteção, elegibilidade, desenvolvimento e monitorização dos planos de intervenção, bem como, para documentar a qualidade do programa;
b) Consensualidade: As metodologias, estilos, instrumentos e materiais de avaliação deverão ser estabelecidos por mútuo acordo entre família e profissionais;
c) Autenticidade: Para que seja possível obter informações acerca das reais competências e necessidades da criança, bem como, das preocupações e prioridades da família a avaliação deverá ocorrer nos contextos naturais de vida da criança e da família;
d) Colaboração: O momento de avaliação deverá assentar na colaboração e no trabalho em equipa entre os membros da família e os profissionais, sendo que os primeiros deverão ser parceiros ativos em todo o processo;
e) Convergência: As informações deverão ser recolhidas junto dos membros da família e educadores, entre outros, já que a partir dessa convergência é possível obter um conhecimento mais aprofundado e mais adequado de cada família e da sua criança;
f) Equidade: As diferenças individuais deverão estar espelhadas e salvaguardadas na avaliação, nomeadamente, no que concerne à adequação das instruções e material utilizado, atendendo, entre outros aspetos, às caraterísticas sensoriais, afetivas, culturais, para que a criança e a respetiva família possam demonstrar as suas competências;
g) Flexibilidade: Os instrumentos e materiais utilizados no momento de avaliação deverão ser adequados e selecionados em função das preocupações e prioridades da família, bem como, do desenvolvimento da criança;
h) Congruência: Os instrumentos selecionados pela família e profissionais deverão ter em consideração e ser congruentes com a faixa etária, estilos de funcionamento e interesses da criança.
As caraterísticas supramencionadas são consentâneas com a proposta atual da DEC (2014) para a avaliação em IP, como pode ser constatado no Quadro 2.
Quadro 2
Práticas Recomendadas para o Processo de Avaliação (DEC, 2014)
O processo de avaliação deverá ser determinado juntamente com a família e em função das suas preferências, preocupações e prioridades.
A recolha de informação acerca das competências da criança deverá ser realizada através da utilização de vários métodos e fontes de informação, efetivando-se nas atividades diárias, rotinas e contextos naturais da família e da criança.
42 Quadro 2
Práticas Recomendadas para o Processo de Avaliação (DEC, 2014) (continuação)
Os materiais e estratégias a utilizar deverão ser apropriados às caraterísticas da criança (designadamente, à faixa etária, nível de desenvolvimento, aspetos culturais, sociais, linguísticos, sensoriais, entre outros) e deverão permitir avaliar todas as áreas do desenvolvimento.
Os resultados da avaliação deverão ser apresentados de modo compreensível e útil para os membros da família.
As práticas recomendadas e baseadas na evidência realçam a extrema importância da participação ativa dos membros da família na planificação e condução da avaliação, bem como, na etapa de partilha de resultados (Bagnato, 2007; Bruder, 2012; DEC, 2014; Grisham-Brown & Pretti-Frontczak, 2011). Como tal, os profissionais deverão procurar facilitar o envolvimento da família no processo de avaliação, promovendo e assegurando oportunidades para que os seus membros colaborem ativamente nos diversos momentos. Assim e relativamente à planificação da avaliação, dever-se-á discutir previamente com as famílias as respetivas preferências acerca do momento de avaliação, determinar em consenso as situações, processo, métodos e instrumentos a utilizar. Nesta fase, é, igualmente, importante solicitar à família informação relativa aos interesses e competências da sua criança (Bagnato, 2007; Crais, 2003). No momento de condução de avaliação, os membros da família deverão ter a oportunidade de colaborarem e participarem do modo que pretenderem, devendo, para tal, ser-lhes proporcionada opção de escolha relativamente ao papel que desejam assumir (assistente, facilitador, observador) (Serrano & Pereira, 2011). De realçar que os instrumentos utilizados neste processo de avaliação deverão contemplar a participação ativa e interativa de famílias e profissionais e, simultaneamente dar enfoque à funcionalidade, possibilitando o desenvolvimento de uma visão partilhada e uma perspetiva mais real do comportamento e desenvolvimento da criança e da sua família. A colaboração da família é, igualmente, preciosa na interpretação dos resultados da avaliação, contribuindo para maximizar a precisão e validade preditiva dos mesmos (Crais, 2003; Bagnato, 2007).
A avaliação em IP é assim um processo complexo que exige, para além da imprescindível participação da família, um conjunto de saberes de áreas disciplinares
distintas expresso num modelo transdisciplinar (King et al., 2009). Num modelo transdisciplinar, a avaliação do desenvolvimento da criança será efetuada, conjuntamente, pelos diversos elementos da equipa, com a participação ativa da família em todo o processo e privilegiando métodos e procedimentos que perturbem o menos possível a atividade e relações da criança (Franco, 2007). King et al. (2009) destacam como benefícios da avaliação transdisciplinar, operacionalizada através do modelo de avaliação em arena, o facto de esta objetivar a partilha de papéis, a comunicação, a interação e colaboração entre os membros da equipa.
Bagnato (2007) realça que a avaliação em IP deverá possibilitar de um modo articulado, multidimensional e sequencial o processo de desenvolvimento das competências da criança para que possa ser delineado um PIIP adequado.