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Os dados relativos ao emprego formal em Araxá podem ser analisados por meio da performance dos setores de atividades econômicas predominantes, dos últimos anos. A análise parte do período compreendido de 2003 a 2007. A População Economicamente Ativa (PEA)27 de Araxá está distribuída nas atividades econômicas, sendo que as que mais se destacaram28 em Araxá, estão ligadas à mineração, ao turismo, à agropecuária, ao comércio e serviços.

Os setores em que há maior movimentação de trabalhadores em Araxá são os de serviços, seguido do comércio. No período escolhido como referência (2003 a 2007), segundo os indicadores do mercado de trabalho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) a movimentação de empregados, naquele período nas atividades de serviços foi de 14.434 admitidos e de 13.185 desligados. Já no comércio foram 13.600 admitidos e 12.233 desligados. Depois segue a construção civil que empregou 8.474 e demitiu 8.439 trabalhadores.

26 Segundo Pochmann (2007, p. 183), essa é uma nova concepção para o desenvolvimento local: “Trata- se de um programa cujo objetivo é promover o desenvolvimento local sustentável através da criação de espaços de discussão e articulação entre o poder público e atores da sociedade civil. Isto é, da institucionalização de fóruns de discussão capaz de estudar, propor e ajudar na implementação de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento local e para o combate a exclusão social.”

27O último senso de 2000 do IBGE constatou o número da PEA em Araxá: do masculino de 23167 e do feminino, 16012. A PEA ocupada pelos indicadores masculinos era de 20344 e quanto aos femininos, de 13152. Já a PEA ocupada de jovens de 16 a 24 anos foram: do sexo masculino de 4353 e feminino de 2834. Dados elaborados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Disponível em: http://perfildomunicipio.caged.gov.br/ Acesso em: 21/09/2009.

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Fonte de Pesquisa: Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável de Araxá (IPDSA) – Dimensão Econômica /2008.

Em questão do desemprego29 no município, segundo informações da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Parcerias da Prefeitura de Araxá, na indústria da transformação, em 2005, houve a falência de uma empresa de laticínios e as conseqüências disto foram a demissão de 350 trabalhadores diretos, o desligamento de 120 prestadores de serviços e de 1.280 desligamentos de fornecedores, os proprietários rurais. Em 2007, houve também a falência de uma rede de supermercados, e, da mesma forma, as outras empresas do grupo econômico, como os de serviços de engenharia. Isto resultou em números aproximados de 400 desempregados diretos dos supermercados e, em 150 desligados das outras empresas do grupo.

A movimentação de empregados nas principais atividades econômicas por setor em Araxá, dentre as já citadas, e outras como o extrativismo mineral, a agropecuária e os serviços de utilidade pública, no geral não apresentaram uma conjuntura favorável de empregos, observada pela variação de emprego, em saldos baixos ou negativos, como o caso da agropecuária que empregou 3.880 trabalhadores e desligou 3.986, obtendo um saldo de 106 (negativo) entre admitidos e desligados.

Em relação aos indicadores do mercado de trabalho do município versus Unidade da Federação, registraram-se as seguintes movimentações totais do período de 2003 a 2007: no município, o número de admissões atingiu 49.658, enquanto as demissões totalizaram 45.853. De forma que, o saldo foi de 3.805, que representa 7,66% da movimentação de trabalhadores entre os admitidos e desligados do período em questão. Já o Estado de Minas Gerais obteve um resultado mais favorável de emprego, um saldo de 727.004, representando 9,28% ou a variação absoluta de 7.834.088 admissões contra 7.107.084 demissões30.

Em seguida, a Tabela 1 demonstra o desenvolvimento do emprego formal do período em análise.

29

Dados do CAGED revelam as ocupações que mais desligaram no período de 2003 a 2007, são as seguintes: vendedor de comércio varejista, auxiliar de escritório, faxineiro, servente de obras, trabalhador agropecuário, trabalhador da cultura de café e pedreiro. As ocupações em evidência estão descritas por ordem de pior desempenho.

Tabela 1 – Evolução do emprego formal – município de

Araxá, 2003-2007.

Em porcentagem

Ano Admissão Desligamentos Saldo Variação de empregos 2003 7.712 6.820 892 6,73 2004 10.637 8.806 1.831 12,76 2005 10.291 9.986 305 1,85 2006 10.321 10.426 -105 -0,63 2007 10.697 9.815 882 5,34

Fonte de dados: IPDSA - Dimensão Econômica/2008 - Tabela adaptada pela autora.

A tabela demonstra que a variação do saldo de empregos de índices mais baixos fica mais evidente nos anos de 2005 e 2006, podendo ser associado ao desemprego originado do fechamento de empresas e de outros possíveis fatores. Neste caso, a performance negativa do emprego do ano de 2006 pode ser um reflexo dos acontecimentos do ano anterior. Já 2007 aponta para a estabilidade, embora não se possa afirmar que no ano seguinte se manteve o crescimento de emprego, por causa de fatores como o enunciado: desemprego ocasionado pela falência de empresas da cidade.

Em relação ao primeiro emprego31 as admissões verificadas nas vinte

maiores ocupações32 do período (janeiro de 2003 a dezembro de 2007) representaram um percentual de 11,20% em relação aos 26.823 empregados do referido período,

31

É bom salientar que o primeiro emprego normalmente destina-se às pessoas da faixa etária jovem que ingressam no mercado formal de trabalho, ou seja, com carteira assinada, o que inclui todas as formas de contrato, segundo informações dos agentes do MTE. Mas, as estatísticas do CAGED não fazem restrições de idades, com exceção, a observância do artigo 227 da Constituição Federal, parágrafo 3º, inciso I. 32São as maiores ocupações (ou as que mais empregaram) do município de Araxá, divulgadas pelo MTE: servente de obras, vendedor de comércio varejista, faxineiro (desativado), auxiliar de escritório, pedreiro, trabalhador agropecuário, trabalhador da cultura de café, instalador de linhas elétricas de alta e baixa tensão, motorista de caminhão, mecânico de manutenção de máquinas, operador de caixa, recepcionista, trabalhador volante da agricultura, mecânico de manutenção de equipamentos de mineração, alimentador de linha de produção, motorista de furgão ou veículo similar, frentista, soldador, cozinheiro, contínuo.

enquanto na movimentação do período o percentual foi de 12,05% em relação ao total de admissões e desligamentos.

Analisando os indicadores de gênero do ano de 2007, a partir da consulta ao CAGED do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) constata-se que em todas as atividades33 que foram referência para a comparação dos percentuais de empregos formais por gênero do ano de 2007 foram admitidos 12657 homens e 8035 mulheres. Destes totais gerais, foi possível verificar o emprego de um percentual de 22,83% de jovens do sexo masculino e de 21,14% do sexo feminino, na faixa etária de 16 a 24 anos. Embora a diferença de gênero no percentual de empregos dos jovens no município se mostra ínfima, a nível nacional esta diferença situa-se em patamares bem mais elevados. Os homens estão em vantagem em relação ao emprego formal, o que também se verifica na faixa etária jovem. Como referências para a análise foram escolhidas dentre as principais atividades econômicas por setor as que mais empregaram, indústria da transformação, comércio e serviços com critério gênero, da faixa etária de até 17 anos, no período de 2003 a 2007. Nessas atividades foi possível constatar que os jovens do sexo masculino têm 63,05% dos empregos enquanto as mulheres jovens têm 36,94%34.

Por fim, os percentuais dos empregos formais de gênero do ano de 2007, verificados no município de Araxá, confirmam uma tendência geral no mundo do trabalho: as atividades que corroboram o atrativo de emprego para homens ligados a setores como da Indústria de Transformação e da Construção Civil, em contraste com o emprego de mulheres nestas atividades, que apresentou um índice bem inferior aos estatisticamente apresentados em relação aos dos homens que atuaram nos setores que foram referenciais para a análise. Os últimos dados do CAGED/MTE citados no site se referem ao ano de 2008.

33Citam-se as atividades econômicas classificadas por setor pelo IBGE que são base para levantamento estatístico de emprego formal: Extrativismo Mineral, Indústria de Transformação, Serviços Industriais de Utilidade Pública, Construção Civil, Comércio, Serviços, Administração Pública e Agropecuária. Merece ressaltar que, o setor de Serviços Industriais de Utilidade Pública teve um percentual ínfimo, ou 0 (zero) de empregados no ano de referência, que empregou apenas 36 trabalhadores masculinos.

34Dados elaborados pela autora a partir de consulta a tabelas do Anuário Estatístico da Relação Anual das Informações Sociais (RAIS), no site do CAGED. Disponível em http://anuariorais.caged.gov.br/.

Por meio de indicadores do MTE podem ser notadas as ocupações de maiores saldos e o movimento de trabalhadores, nas admissões e desligamentos do período. Percebe-se também a diferença em gênero, quanto as oportunidade de emprego que tendem a favorecer aos homens.

Os percentuais correspondentes aos saldos de emprego indicam até que ponto o mercado local consegue manter ou aumentar os postos de trabalhos para absorver os desocupados, o que nota uma conjuntura um pouco desfavorável no período analisado. Enfim, das análises do emprego formal e do desemprego foi possível analisar como se configuram e estruturam as forças produtivas locais.

A seguir, serão traçados as políticas e os indicadores de exclusão e inclusão da educação do município, onde se buscará perceber a maior evidência destes indicadores na faixa etária jovem.