Atualmente, verifica-se que os padrões de conforto da sociedade têm evoluído simultaneamente com a crescente necessidade de eficiência energética e redução do consumo de energia. Para tal, várias estratégias têm sido implementadas no setor de construção até aos dias de hoje, destacando-se como fundamental a reabilitação de edifícios existentes com aplicação de técnicas construtivas eficientes e amigas do ambiente. Nesta linha de pensamento, o alcance do conforto sustentável desejado a nível térmico, poderá passar pela introdução de tecnologias solares passivas com equipamentos de climatização eficientes e equipamentos de aquecimento provenientes de fontes renováveis (coletores solares térmicos), reabilitação térmica de vãos envidraçados (isolamento térmico e redução de infiltrações de ar não controlado), reabilitação energética das instalações (melhoria da eficiência dos sistemas e equipamentos energéticos) e ainda pela aplicação de materiais de isolamento na sua envolvente (fachadas, pavimentos e
coberturas). A título de exemplo, encontra-se representado na Figura 17, várias camadas constituintes de uma parede dupla.
Figura 17 - Isolamento em parede dupla (Oliveira, 2011)
Do ponto de vista térmico, a combinação destas medidas permite obter maior eficácia na intervenção, com uma significativa melhoria da qualidade aos edifícios, possibilitando também a redução de necessidades energéticas e o aumento do conforto interior.
Atualmente existe no mercado uma grande variedade de isolantes térmicos com diferentes formas de aplicação e podendo ser classificados quanto ao modo de produção, estrutura, apresentação ou natureza das matérias-primas. Estes são identificados por diferentes siglas, como apresentado no ITE 50 (Santos & Matias, 2006):
EPS – Poliestireno expandido moldado;
XPS – Poliestireno expandido extrudido;
PUR – Espuma rígida de poliuretano;
MW – Lã mineral (lã de rocha ou lã de vidro);
ICB – Aglomerado de cortiça expandida;
PEF – Espuma de polietileno expandido extrudido (grânulos leves ou fibras soltas);
FEF – Espuma elastomérica flexível;
É ainda de referir que, a posição de aplicação de isolamentos entre as várias camadas dos elementos construtivos depende de diversas condicionantes associadas.
No que refere ao isolamento acústico, o objetivo principal passa pela atenuação de sons aéreos e de sons de percussão. O ruído é considerado um som indesejável, cuja fonte poderá ser externa (tráfego automóvel, ferroviário e aéreo e as atividades laborais e/ou lúdicas) ou interna (equipamentos mecânicos e a vizinhança como outras habitações, cafés, restaurantes, discotecas ou estacionamentos) (Araújo, 2008).
Relativamente à transmissão de sons aéreos, estratégias consideradas pelo seu ramo como mais eficazes para aumentar o isolamento aos mesmos, passam pela duplicação dos elementos de separação (duplicar os panos de parede), o aumento da massa, e aplicação de técnicas de isolamento em vãos (caixilharia metálica com vidro duplo e colocação de material absorvente sonoro na caixa de ar) (Araújo, 2008).
As instâncias normativas atuais acerca do conforto acústico, apenas serão satisfeitas recorrendo a sistemas de atenuação da transmissão de sons de percussão. Assim, os seus principais sistemas atenuadores passam pelos revestimentos de piso resilientes (alcatifa) e os revestimentos de piso flutuante sobre apoios resilientes, separado dos elementos verticais da envolvente (Araújo, 2008).
Todas estas estratégias, cuja intenção passa pelo alcance do conforto térmico e acústico, não esquecendo a proteção e preservação ambiental, dá-nos a compreender que “ A nossa maior
riqueza é o sol, vento e a água” (Pimenta, 2013), pelo que a Natureza nos oferece diariamente
recursos implantados em técnicas sustentáveis, servindo esta como exemplo do mesmo.
2.5.1. Conforto térmico e acústico
Reconhecido como um conceito não exato, por conforto térmico entende-se uma “condição
que expressa a satisfação do indivíduo com o ambiente térmico envolvente”(Nogueira et al.,
2012). Deste modo, conforto térmico é uma característica apresentada pelo meio ambiente e pelas edificações, que indica a satisfação do ser humano com o ambiente térmico em que o mesmo se encontra.
Conforto térmico é assim uma característica que afeta diretamente o desempenho das atividades físicas diárias de cada indivíduo, influenciando, de uma forma ou de outra, a saúde humana.
Neste sentido, pode afirmar-se “condições climáticas urbanas inadequadas significam perda
da qualidade de vida para parte da população, enquanto que, conduzem ao aporte de energia para o condicionamento térmico das edificações” (Nogueira et al., 2012).
O conforto térmico (Figura 18) e sua resposta ao “stress térmico” depende de diversos fatores, desde a temperatura e velocidade do ar, humidade, ao estado metal do ser humano, hábitos diários, atividade física, roupa vestida e aclimatação. Desta forma, o tipo de conforto eleito por cada pessoa varia consoante o clima particular de um ambiente local (Silva, 2006).
Figura 18 - Conforto térmico (Watanabe, 2000)
Nas últimas décadas, inúmeros trabalhos foram desenvolvidos com o intuito de avaliar o conforto dos ambientes e de obter um ambiente interior dos edifícios termicamente confortável para os seus ocupantes. Para tal, é fundamental a implementação de normas e índices de conforto térmico, estabelecidos no sentido de definir condições confortáveis:
EN ISO 7726:2001, define as grandezas e os instrumentos a utilizar nas medições;
EN ISO 7730:2005, estabelece um critério objetivo de avaliação de conforto térmico;
EN ISO 7243:1989, define nível de desconforto do ambiente (aplica-se quando não é possível aplicar a ISO 7730);
EN 15251:2007, Indoor environmental input parameters for design and assessment of energy performance of buildings addressing indoor air quality, thermal environment, lighting and acoustics;
ASHRAE 55:2010, Thermal Environmental Conditions for Human Occupancy;
DL118/2013 de 20 de Agosto – Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios
Contudo, atualmente as normas não existem apenas para definir condições de conforto, mas sim para otimizar os consumos energéticos ao máximo. Este fato deve-se aos evidentes problemas ambientais, gerados principalmente pelo preocupante excesso de utilização de equipamentos climatização. Os mesmos são irredutivelmente responsáveis pelo desmedido aumento do consumo energético, contribuindo para o excesso das emissões de CO2 e o consequente aquecimento global. “A solução passa por um bom design climático, utilizando
dados realísticos de conforto térmico” (Silva, 2006).
A reabilitação de edifícios é um excelente contributo na melhoria do seu comportamento acústico, pelo que, tal como o térmico, também o conforto acústico é considerado subjetivo. Porém, a qualidade mínima estabelecida, referentemente a elementos construtivos por índices de isolamento sonoro – sons de sons de condução aérea e a sons de percussão (D2m, nT, W, DnT, W e L’nT, W) e por níveis de ruído em espaços interiores de edifícios, encontram-se definidos através do nível de avaliação (LAR), no Regulamento dos Requisitos Acústicos dos Edifícios (RRAE) e no Regulamento Geral do Ruído (RGR) (Silva, 2009). Para que sejam evidentes as condições mínimas de conforto acústico, é imposto o cumprimento destas mesmas exigências (Silva, 2009).