• No results found

Intensjon, gamblingatferd og spilleavhengighet

3. Metode

3.3. Måling av begreper og variabler

3.3.6. Intensjon, gamblingatferd og spilleavhengighet

A paisagem, pelo exposto, quando analisada pela Geomorfologia, se conforma como uma realidade? Isto é, trata-se de um objeto que existe fora dos homens, “em seu estado natural”, (ente real, segundo JOLIVET, 1969), independe do observador, ou é uma mera imagem, um conceito mental, que se estrutura a partir da subjetividade? Em outras palavras: a realidade, enquanto ente independente, a qual, a partir de seu acesso, elaboram-se explicações cognitivas como petições de obediência (MATURAMA, 2001), ou seja, "é assim, independente de ti", deve ser aceita, ou se trata de uma construção imaginária, um conjunto, imbuído de valores fundamentalmente e ao imediato quando da apreensão de todo observador, compreendida e materializada em última análise, através de determinados signos linguísticos, conformando, portanto, nada mais do que uma extensão idiossincrática?

Ao que se propõe a ciência geomorfológica – o estudo da morfogênese das paisagens e sua evolução morfodinâmica, ao longo do tempo – grandes desafios se apresentam e são postos ao olhar do pesquisador, uma vez que identificar, no estado atual da arte, na maioria das vezes precário (SAADI, 1998), o limiar das verdadeiras influências dos processos sobre as formas, não se apresenta e tampouco se configura como tarefa simples e óbvia. A análise geomorfológica se apresenta, muitas vezes, de forma subjetiva, ou seja, a aplicação das teorias e métodos de análise na percepção da paisagem possibilitam vários enfoques, ora mais sensíveis à interpretação de determinados elementos, ora a outros, os quais, em conjunto, conformam uma totalidade, que é indispensável para a formação de uma identidade a qual o pesquisador sente e percebe determinada realidade. Os variados níveis de importância que o pesquisador dá aos distintos signos pertencentes e estruturadores de uma paisagem se traduzem, inevitavelmente, nos métodos analíticos por ele escolhido e, sua percepção e compreensão a respeito de como esses signos se combinam e se relacionam são materializados, em última análise, pelos meios gráficos utilizados, bem como a forma com que essas informações são disponibilizadas e apresentadas ao leitor.

64

De acordo com Merleau-Ponty30 (1964) apud Castro (1995), a própria escolha da escala de análise, como recorte da realidade, quando da aproximação na interpretação e percepção do objeto, já obedece e reproduz os valores e fatores acima expostos. A realidade percebida e concebida se desdobra sobre e de acordo com determinado ponto de vista, seja ele físico (distância do observador do objeto, ângulo de visão) seja ele semântico, emotivo (afeição ou repúdio por uma forma de relevo, uma realidade), técnico (falta de instrumentos, acuidade e materiais), ou ainda, conforme assinala Bourdieu (2008), semiológica (acentuação ou repúdio na percepção de terminado traço, signo) e esses estão, portanto, intrinsecamente relacionados com o conhecimento, experiência que o indivíduo compartilha e experimenta com o espaço vivido, espaço concebido.

A visão da realidade como objeto ou paisagem in situ (PARTOUNE, 2004) remete ao simbolismo da paisagem vista, isto é, captada pela retina, através observação imparcial. Tal postura é denominada por Thémines31 (2001) apud Partoune (2004) como realista: o conhecimento poder-se-ia aproximar da realidade das coisas, sobre as leis da gênese das paisagens. Para tanto, o olhar deveria se livrar de toda subjetividade, baseando-se no princípio sobre o qual se deve obrigatoriamente ocorrer a separação entre o observador e o mundo em torno dele. O trabalho científico, nesse caso, teria como objetivo produzir uma explicação da paisagem (PARTOUNE, 2004).

Contudo, o desenvolvimento dos estudos geomorfológicos experimentou, historicamente, dois enfoques principais, com abordagens distintas, contudo com objetivos convergentes. Tanto os pertencentes à perspectiva histórica de Davis (1899) quanto os alinhados à linha processual, preconizados por Gilbert (1887), empreenderam esforços na tentativa de um entendimento dos ambientes e paisagens atuais, não prescindindo, para isto, uma análise das transformações ambientais pretéritas. Sendo assim, as orientações dos estudos possuem invariavelmente, em menor ou maior escala, uma abordagem interpretativa, catapultando a realidade observada para um viés subjetivo de percepção. Mesmo esse não estando enraizado em valores

30

Merleau-Ponty, M. (1964). Fenomenologia da percepção (C. A. R. Moura, Tradução.). São Paulo: Martins Fontes. (Originalmente publicado em francês, 1945).

31

THÉMINES, J.F. 1. Quel paysage enseigner en classe de 6e? in Enseigner le paysage? Leroux A. (coord.), Actes d’un séminaire IUFM de Caen – 17-24. 2001.

65

culturais ou sociais, ele estará baseado em análises de instrumentos e técnicas específicas, que já emanam expectativas inatas e critérios de seleção.

Por conseguinte, a transmissão de ideias se dá, invariavelmente, no universo do discurso e ele é, senão, o próprio universo do homem, do qual não é possível fugir: o discurso plasma a alma porque persuade, e persuade porque alavanca as faltas, as necessidades, as próprias opiniões enraizadas no passado, no presente e, inclusive, nas expectativas construídas para o futuro. Logo, não é possível fugir desse efeito, quer sejam os próprios atores do discurso ou seus ouvintes, porque ele (discurso) é, justamente, a dimensão mais propriamente humana: aquilo que é verdadeiramente ser homem (CASSERTANO, 2010).

A paisagem surge na análise geomorfológica, portanto, como uma representação mental, isto é, ela é recebida pelo olho e é construída através de um processo intelectual, cognitivo, ou seja, uma abstração que mobiliza os valores culturais e os processos, envoltos em um ponto de vista. Esse está, fundamentalmente, localizado em determinado recorte espacial e temporal de apreensão, via processos, na construção da imagem mental. A representação é, necessariamente, incorporada em um indivíduo socialmente e culturalmente situado (BOURDIEU, 2008), materializado, em última análise, pela linguagem e meios gráficos utilizados pelo pesquisador quando da disseminação de sua pesquisa. O trabalho científico assume, assim, um papel o qual visa produzir

uma interpretação da paisagem (PARTOUNE, 2004).

Portanto, a produção de ideias e, consequentemente, do conhecimento, tem um caráter social: eles são representações da vida do ser humano, num dado momento de sua história. O conhecimento não é fruto da atividade isolada do homem; ao contrário, tem um caráter coletivo, já que ele vive em sociedade, e é a partir desta vida que as ideias são criadas (MOROZ & GIANFALDONI, 2006). Entre o fato e teoria se interpõem relações muitas vezes dialéticas, jamais dicotômicas. O pesquisador não pode simplesmente se opor a um lado da investigação, ou seja, a teoria e o “observável” devem caminhar juntos. Deve-se sempre ponderar que os fenômenos observados não são dados unanimes, já que o fato alçado, só é alçado à condição de objeto, segundo a voz de um sujeito socialmente contextualizado.

66

Desconsiderando o caráter subjetivo no fazer ciência, confundem-se, com frequência, verdade e cientificidade. Tidas, por vezes, como sinônimos, as teorias científicas são consideradas verdadeiras, já que elas, enquanto tal, são consideradas correspondentes à realidade existente por si só, independentemente da subjetividade do pesquisador. Mas o que a história dos debates sobre a natureza da ciência expõe é um divórcio entre essas duas questões. Muitos dos que se debruçaram a respeito da historia da ciência, segundo Coelho (2000), renunciaram à pretensão de que seja possível estabelecer a verdade de uma teoria científica, não deixando, por isso, de definir, caracterizar e atribuir à ciência, o estatuto de conhecimento legítimo.

Mesmo as metáforas tendo seus limites, apenas através delas é possível salientar a fundamental importância e primazia da influencia, ora mais latente, ora mais destacada, que as “lentes” e os “filtros” induzem e conferem na percepção e apreensão de uma realidade pelo observador. A paisagem, assim, presta-se perfeitamente à descoberta da relatividade de qualquer definição e interpretação (PARTOUNE, 2004). Ela, ao mesmo tempo em que nos convida a questionar as condições as quais levaram à sua estruturação, nos desafia igualmente a refletir acerca da abordagem conceitual e metodológica por nós utilizados, quando de sua análise.

67

5. NADA É, SENÃO SIGNIFICAÇÕES – Diferentes concepções

na análise e interpretação do relevo.

The very foundation of our science is only an inference; for the whole of it rests on the unprovable assumption that, all through the inferred lapse of time which the inferred performance of inferred geological processes involves, they have been going on in a manner consistent with the laws of nature as we know them now32 (…) (DAVIS, 1926, p. 465 – 466).

If we wish really to understand the natural world, surely those of its phenomena which are not immediately detectable by our limited senses must be detected in some way or other; and the way usually employed is- theorizing33 (DAVIS, 1922, p. 198).

Contra a concepção sistemática, dogmática e positivista vinculada a diversas expressões de cientificismo, a ciência atual concebe-se a si mesma sob moldes bem diferentes (JANEIRA, 1972). O indutivismo ingênuo, envolto de um ilusório espírito observacional desnudo e alheio aos preceitos teóricos, propõe laços intersubjetivos pautados em um contato (sujeito e objeto) mediado por relações de objetividade e racionalidade, que, a partir do trato direto, erigem-se construções arquetípicas e ideais, a fim de modelarem a composição do mundo. Constrói-se uma base de vigilância constante, de uma retificação incessante, a fim de edificar seus próprios objetos, seja por uma via imediata (observação), ou, em última análise,por uma relação mediata, com o intuito, senão, de instituir e selecionar os verdadeiros, válidos e imparciais métodos e fatos científicos.

Contudo, Von Engelhardt & Zimmerman (1988) sublinham que:

Observation and experiments are planned within the framework of theoretical preconceptions, questions, or expectations; they are carried out using methods based on theories, and their results are expressed in

32

O principal alicerce da nossa ciência é apenas uma inferência: pois toda ela se baseia em suposições improváveis que, dentro e durante todo um inferido lapso de tempo, inferidas atuações sobre processos geológicos supostamente envolvidos, foram se desdobrando e atuando sob uma maneira, cujos quais os entendemos e os assimilamos em referência de como conhecemos e de como concebemos, hodiernamente, as leis da natureza.

33

Se quisermos realmente entender o mundo natural, certamente devemos procurar compreender igualmente os seus fenômenos, mesmos aqueles que não são imediatamente percebidos pelos nossos limitados órgãos e sentidos. Assim, os fenômenos obscurecidos devem ser, de forma ou outra, detectados, percebidos. E a maneira mais usualmente utilizada para alcançá-los é a teorização.

68 terminologies and nomenclatures which in turn rest on a theoretical foundation34. (p. 99).

Mesmo concebendo possíveis avanços científicos à meras serendipidades (BAKER & TWIDALE, 1991), aqueles que reconhecem a hierarquia teórica do fazer investigativo não abalam o proselitismo da ciência. Sendo a própria natureza da observação um primeiro desdobramento de um nível, mesmo que reduzido, mas imbuído de certa carga teorética, entrecortada de preceitos de cunho especulativo e expectativas inatas, ela absorve e processa seletivos sinais do real. Tanto a seleção quanto o processamento são guiados por atividades cognitivas estruturadas a partir do engendramento de ideias. Essas se referem a processos interpretativos do investigador que ocorrem, obrigatoriamente, dentro de um contexto social, cultural e histórico (BOURDIEU, 2008), o qual determina, a partir de um lapso de tempo e espaço, um singular e, por vezes, preciso paradigma de conhecimento. Assim, a observação não está divorciada desse conhecimento e apenas adquire significação quando é posta em contraposição a um escopo teórico. A interdependência entre o conhecimento e o mundo é uma interdependência tendente a um ajustamento e a uma adequação entre as categorias subjetivas e as categorias objetivas, na certeza de que aquelas se diferenciam dos objetos reais (JANEIRA, 1972). Nas palavras de Rhoads & Thorn (1993):

Science is first and foremost a cognitive activity in which theory attempts to bridge the gap between the world as it is and the world as we understand it35 (p. 303).

5.1. O papel da teoria no fazer científico: criação do homem ou