• No results found

Nytteeffekt og næringstunge eksportveger

IV. Drift- og vedlikehold

8. Nytteeffekt og næringstunge eksportveger

LAGOA DA PRATA

As áreas de cultivo de eucalipto da CENIBRA são designadas de projetos silviculturais. Esses locais geralmente recebem uma denominação levando em consideração uma característica regional ou local. O povoado do Brejão é considerado, para a empresa, uma área de parceria agrícola localizada na área de cultivo do projeto “Lagoa da Prata”, que faz referência a um lago homônimo nas proximidades do povoado, na porção sudeste do território santanense onde a topografia mais suave proporciona o desenvolvimento da atividade. A área total do projeto Lagoa da Prata é de 1.135,55ha e nesse território inserem-se aceiros, estradas, áreas de preservação permanente, reserva legal, áreas efetivas de cultivo, dentre outras.

A figura 3.3 apresenta o mapa de uso e ocupação projeto Lagoa da Prata onde está localizado o povoado do Brejão. Na tabela 3.1 contém os percentuais de uso das diferentes classes identificadas no referido mapa. Como pode se observar, mais da metade da área total (56,47%) é utilizada para o plantio comercial de eucalipto. Nos talhões de Eucalyptus spp. do projeto Lagoa da Prata destinados a produção de celulose é utilizada a espécie de clone híbrido E. Urograndis (resultado do cruzamento genético entre E.urophylla x E.grandis) com espaçamento médio de 3,3m x 3,0m entre os indivíduos. O objetivo para a empresa investir em materiais híbridos é de produzir madeira de maior densidade, melhorar a resistência a algumas doenças e à capacidade de brotação dos clones comerciais.

O plantio dos 641,25ha do projeto Lagoa da Prata ocorreu da seguinte forma: 528,40ha no ano de 2004; 60,00ha no ano de 2005; e 52,85ha no ano de 2007 (Cenibra, 2010). Os aceiros que são planejados visando evitar a propagação de incêndios florestais e as estradas para a manutenção da floresta de eucalipto perfazem juntas apenas 4,77% da área total do projeto Lagoa da Prata. Segundo relatos dos moradores do povoado e após sucessivos trabalhos de campo na região, não foi verificado no projeto Lagoa da Prata nenhum caso de incêndios florestais nos eucaliptais ou nas áreas de preservação permanente e reserva legal. A empresa de celulose mantém de modo permanente um programa de monitoramento voluntário através da Prevenção e Controle de Incêndios Florestais, com a participação direta dos proprietários de terras das áreas

63

limítrofes, visando à redução da ocorrência de incêndios florestais que possam provocar danos ao patrimônio florestal e ecológico da empresa (Cenibra, 2013).

Figura 3.3 - Mapa de uso e ocupação solo no projeto silvicultural Lagoa da Prata. Fonte: Adaptado de CENIBRA, 2010.

Tabela 3.1 - Distribuição das áreas ocupadas pelo projeto Lagoa da Prata, Santana do Paraíso/MG.

Uso do Solo Área (ha) Percentual (%)

Aceiros Estradas Área de Plantio Efetivo

Pesquisa

Área de Preservação Permanente Reserva Legal Outros Usos TOTAL 1,16 52,99 641,25 0 95,28 211,86 133 1.135,54 0,10 4,67 56,47 0 8,39 18,66 11,71 100,00 Fonte: CENIBRA, 2010.

64

As áreas de preservação permanente (8,39%) e de reserva legal (18,66%) perfazem juntas 307,14ha e, no mapa de uso e ocupação do solo (figura 3.3), tais áreas foram classificadas como Floresta Nativa, Preservação, Nativa e Áreas de Recomposição Florestal. Nesses ambientes destinados à preservação ambiental, os fragmentos florestais encontram-se em diversos estágios de sucessão ecológica e, em muitas ocasiões, não há conectividade entre eles, dificultando, assim, os fluxos gênicos de fauna e flora (figura 3.4a).

A reserva legal não atinge o percentual mínimo de 20% exigido pela Lei nº 4.771 de 1965 que instituiu o Código Florestal Brasileiro. O restante da reserva legal é compensado em outros projetos silviculturais da empresa, conforme previsto no § 4º do art. 16 da lei supracitada (Cenibra, 2010).

Na tipologia “outros usos” estão computados os recursos hídricos superficiais (as lagoas de barragem natural; os cursos d’água e nascentes) que totalizam cerca de 59,26ha e a área de parceria agrícola do povoado do Brejão com aproximadamente 73,74ha destinada ao estabelecimento de pequenas propriedades e plantio de culturas agrícolas diversas como: milho, feijão, arroz e frutas cítricas. No projeto Lagoa da Prata não há nenhum talhão experimental destinado a pesquisas científicas.

As práticas conservacionistas adotadas pela empresa seguem a proposta do cultivo mínimo, sendo o preparo do solo minimalista, revolvendo-o apenas em caso de forte compactação. O plantio da floresta de eucalipto é realizado seguindo as curvas de nível, ou seja, perpendicular à linha da declividade. Esse método conservacionista auxilia na infiltração de água da chuva e melhora o enraizamento, bem como evita o carreamento de sedimentos através da erosão laminar. Ainda, como forma de proteger o solo principalmente após o corte raso da floresta de eucalipto, é realizada a manutenção da cobertura morta com as cascas das galhadas e resíduos oriundos da colheita sobre o solo (figura 3.4b), uma vez que neste período fica por cerca de seis meses exposto às intempéries, ocorrendo maior vulnerabilidade aos processos erosivos (Cenibra, 2012).

O sistema de manejo no projeto Lagoa da Prata não envolve a queima dos restos culturais. Para Guerra (1995), o plantio contínuo do eucalipto na bacia do rio Piracicaba na década de 1990 ainda fazia uso rotineiro do fogo como forma de manejo em algumas áreas de cultivo. Da Silva et al. (2011), em pesquisas na região de Belo Oriente e Guanhães (ambas no médio rio Doce), também identificaram a prática da queima em plantios de eucaliptos e quantificaram os efeito negativos da queimada em áreas de

65

Latossolo e concluíram que a prática diminui consideravelmente a proteção do solo contra a erosão hídrica.

a

b

Figura 3.4 - Características silviculturais do Projeto Lagoa da Prata: (a) As áreas de cultivo de eucalipto e os fragmentos florestais que formam as APP’s e a Reserva Legal; (b) Manutenção da cobertura morta sobre o solo. (Acervo fotográfico do autor)

O suprimento de 100% da madeira de eucalipto efetivado pela CENIBRA é realizado com o sistema de corte raso da floresta em rotações médias de 7 anos, com posterior reforma ou condução das brotações das cepas de eucalipto recém-cortadas. A colheita das áreas é feita de maneira semimecanizada. Nesse método, o corte é realizado com o uso de motosserras. O baldeio é realizado com o uso de trator guincho e o empilhamento é realizado através de gruas. A madeira colhida é baldeada para caminhões do tipo rodotrem e transportada para a unidade industrial, em Belo Oriente (Cenibra, 2012).

O processo de produção industrial adotado pela empresa de celulose demonstra claramente como é a relação de trabalho e seu processo produtivo. Dentre os diversos processos industriais, desde a plantação das florestas renováveis até o produto final, a empresa controla toda a cadeia produtiva e, para isso, são contratadas inúmeras empresas terceirizadas. Recentemente, a CENIBRA divulgou que primarizará as suas atividades florestais, contemplando principalmente as atividades de plantio e colheita que serão 100% mecanizadas, aumentando, assim, o quadro de empregados diretos.

66