• No results found

Nye virkemidler i naturmangfoldloven

Del 1: Naturfaglig utredning

2.2 Nye virkemidler i naturmangfoldloven

É da natureza humana estabelecer vínculos com os seus semelhantes, compartilhando objetivos e ações na busca de apoio e ajuda. Durante toda a sua existência, o Homem organizou-se e organiza-se socialmente formando uma rede de laços (ou relações) interpessoais, constituindo famílias, grupos e comunidades, que formam a sua rede de apoio social.

O conceito de rede de apoio social, suporte social ou rede social, pode ser entendido como um sistema composto por pessoas, funções e situações, que oferece apoio ao indivíduo, nas suas diferentes necessidades (Dessen & Braz, 2000)

.

Rodriguez e Cohen (1998; como citados em Siqueira, 2008) concebem a existência de diferentes tipos de apoio que alguém pode receber da sua rede de apoio social, apontando o suporte emocional, o instrumental e o informacional como os mais amplamente estudados. Siqueira (2008) considera que estes recursos disponibilizados pela rede social constituem duas categorias de suporte, sendo uma de cunho eminentemente afetivo (suporte emocional) e a outra de caráter prático (suporte instrumental e informacional), por reunir doações de caráter utilitário e objetivo.

O suporte afetivo, representa o suporte emocional, e refere-se ao que as pessoas fazem ou dizem a alguém (dar conselhos, ouvir os seus problemas, mostrar-se empático e confiável) e é percebido como expressão de carinho, cuidados e preocupação por parte de alguém a outrem durante as relações sociais. Comporta os apoios que levam o indivíduo a acreditar ser possível encontrar, entre as pessoas de sua rede social, alento para reagir e superar dificuldades, ou para dividir e compartilhar alegrias advindas das realizações, conquistas e sucessos pessoais. O suporte prático, por seu turno, representa segurança e tranquilidade para o indivíduo ao acreditar que existem, entre os integrantes de sua rede social, pessoas com disposição para suprir alguma necessidade de ordem prática, seja instrumental, seja informacional. O suporte

instrumental compreende as ajudas tangíveis ou práticas que outros (pessoas ou instituições)

podem prover a alguém (cuidados com crianças, provisões de transporte, empréstimos de dinheiro, ajudas com tarefas diárias, disponibilização de materiais equipamentos). Por seu lado o suporte informacional, inclui receber de outras pessoas noções indispensáveis para que o indivíduo possa orientar as suas ações para dar solução a um problema, ou tomar uma decisão. As redes de apoio social são multidimensionais, e incorporam os membros da rede social do indivíduo, os tipos de apoio, o apoio em geral percebido e a satisfação com o apoio disponível e recebido, sendo este fundamental para a adaptação à parentalidade (Canavarro & Pedrosa, 2005). A família, mas também os amigos e vizinhos dos novos pais formam uma dimensão importante da sua rede social de apoio, proporcionando um suporte assistencial com a qual os pais podem contar (Lowdermilk, Perry, & Bobak, 2002). Representam um papel importante no

processo de adaptação ao RN, como um novo elemento do agregado familiar pelo suporte instrumental, informativo e emocional que compreende (Warren, 2005).

O nascimento de um filho é um fator gerador de stress, exigindo aos pais adaptações, de forma a responder às necessidades do bebé e o apoio emocional recebido pelas mães “parece ser fundamental para a sua segurança no cuidar ao recém-nascido” (Moreira & Melo, 2005). Dado que a família nuclear constitui a rede social natural e básica, uma família que funcione como suporte social terá maior capacidade para enfrentar situações de stress20 (Campos, 2007).

Canavarro e Pedrosa (2005) apontam oapoio emocional com origem em alguém próximo como o mais significativo, sendo o cônjuge e a família alargada as fontes de apoio mais importantes, contudo, também os apoios instrumental e informacional estão associados à adaptação à parentalidade, manifestando-se por informações, conselhos, ajuda financeira ou nas tarefas domésticas assim como nos cuidados ao bebé ou a outros filhos.

O novo membro da família fomenta uma aproximação das rotinas da tríade às da família de origem (Canavarro & Pedrosa, 2005), tanto pela quantidade e diversidade de tarefas e cuidados a prestar, como pela verificação de situações inesperadas para as quais os novos pais ainda não têm resposta. Assim, o apoio emocional e instrumental e prestado pelos avós, é um fator protetor de adaptação à parentalidade, quando ministrado e negociado adequadamente e com sensibilidade, na transição de ambos os pais à parentalidade21.

No contexto social atual, esta aproximação dos pais aos avós nem sempre é possível uma vez que na maior parte das vezes o casal vive só, a vários quilómetros da sua família de origem, sem ter apoio nesta fase de transição para a parentalidade (Bayle, 2006). Nestas circunstâncias, os amigos e vizinhos (em especial se já têm filhos) passam a constituir o apoio social dos novos pais, ao compartilharem as suas experiências e ajudarem nesta etapa (Mendes, 2009). No caso do aleitamento materno o suporte pode advir também da família e amigos, uma vez que o apoio da comunidade é bom em lugares onde existe uma tradição de amamentação forte e os membros da família vivem perto, contudo, podem levantar-se problemas dado que algumas ideias tradicionais podem estar erradas, exigindo recurso a outras estratégias.

20 A importância da família em situações de stress, é corroborada por Aragão, Vieira, Alves e Santos (2009), que

na sua revisão de literatura sobre suporte social e stress encontraram vários estudos que mostram evidências de que o suporte social esteja entre os fatores de redução de impacto de eventos stressantes, reportando-se nomeadamente a Pietrukowicz (2001) que demonstra a importância do suporte social, e a relação deste constructo com o bem estar físico e psicológico; Rigotto (2006) que o relaciona com o autoconceito e auto estima; Seidl et al (2005) em relação à qualidade de vida e Valla (2006) com o processo saúde-doença.

21 Este apoio pode ter aspetos negativos quando prestado em excesso, pela dependência que cria se fornecido

com sensibilidade e pela confusão de limites entre gerações que pode originar quando prestado de forma intrusiva, resultando num mal-estar e conflito. Assim, é fundamental negociar um novo equilíbrio entre apoio e a autonomia, no relacionamento de ambas as gerações (Canavarro & Pedrosa, 2005). O grau de envolvimento dos avós nos cuidados ao neto depende de vários fatores como o desejo de se envolverem, a sua proximidade, as suas expectativas étnicas e culturais face ao seu novo papel.

Os Grupos de Apoio Mútuo [GAM] 22 são uma dessas estratégias, e uma das recomendações da

OMS e UNICEF (1993) 23, uma vez que constituem um meio de contacto importante para as mães

socialmente isoladas e uma fonte de apoio para desenvolver a sua confiança relativamente ao aleitamento materno, reduzindo as suas preocupações, fornecendo ajuda extra à mãe através de mulheres como ela e que os serviços de saúde não podem dar. Para além do apoio emocional os GAM podem também proporcionar apoio informacional quer sobre o aleitamento materno, quer sobre os cuidados ao bebé e criança, pelo que exige colaboração e supervisão de agentes credenciados, de forma a corrigir ideias erradas e sugerir soluções.

A internet veio revolucionar o conceito de GAM, encontrando-se facilmente blogs e grupos de discussão on-line que abordam os temas do aleitamento materno e dos cuidados ao bebé, constituindo verdadeiros “grupos de apoio virtuais”. Tal como para os “grupos de apoio presenciais”, deveria existir a intervenção de um elemento capacitado para controlar a disseminação de mitos e ideias erradas, o que nem sempre parece acontecer, pelo que o recurso a esta estratégia deveria obrigar a uma análise crítica e seleção criteriosa dos conteúdos. Os GAM abrem o horizonte da rede de apoio social dos pais para além dos membros mais próximos (familiares e amigos), mas não a limita nem encerra, uma vez que a rede de apoio social inclui também fontes de suporte existentes na comunidade, e aos quais os pais podem recorrer. Esses apoios pelas suas caraterísticas não serão elegíveis como melhor fonte de suporte emocional, contudo poderão facultar vertentes do suporte instrumental e informacional fundamentais na adaptação à parentalidade e que nem sempre a rede mais restrita e privada providencia.

No suporte instrumental incluem-se a acessibilidade creches, a serviços de transporte e mobilidade, a acessibilidade a instrumentos e equipamentos vários, nomeadamente os que promovem a iniciação ou manutenção do aleitamento materno. Como referido e descrito anteriormente, a maior parte das condicionantes a esta prática poderia ser contornada pela utilização de equipamentos de apoio ao aleitamento materno, uma vez que a utilização de bombas de extração de leite (manuais ou elétricas) podem prover um auxílio importante,

22 Os GAM pretendem ser uma resposta desenvolvida através de pequenos grupos para interajuda, organizados

e integrados por pessoas que passam ou passaram pela mesma situação/problema, com vista a encontrar soluções pela partilha de experiências e troca de informação (Segurança Social, 2015).Estes grupos são estruturas relativamente pequenas (6 a 15 elementos) constituídas por pessoas que partilham um problema ou situação e se reúnem para a resolução de umadificuldade ou satisfação de uma necessidade. Um dos objectivos- chave é a partilha de sentimentos, ideias, opiniões e experiências. São promotores da autoestima, autoconfiança e estabilidade emocional, fomentando a intercomunicação e o estabelecimento de relações de suporte positivas. Os GAM são orientados por um conjunto de princípios e valores que assentam no respeito pela diversidade das pessoas, das capacidades individuais e na identificação de problemas comuns e criação de recursos adequados.

23 Em 1989, a OMS e a UNICEF lançaram uma declaração conjunta onde recomendam os “Dez Passos para o

sucesso do aleitamento materno” e que são a base para a “Iniciativa Hospital Amigo do Bebé”. Os primeiros nove passos respeitam a práticas dentro das maternidades durante o internamento, o décimo recomenda “Estimular o estabelecimento de grupos de apoio à amamentação, para onde as mães deverão ser encaminhadas por ocasião da alta hospitalar ou do ambulatório” (OMS & UNICEF, 1993, p.36). Estes grupos de apoio podem ser iniciados por um trabalhador de saúde, por um grupo de mulheres já existente ou ainda por um grupo de mães que se conhecem na consulta pré-natal ou maternidade e querem continuar a encontrar-se e entreajudar-se.

garantindo a ingestão de leite materno através de biberão ou sonda em bebés com dificuldades na amamentação, quer pelas suas próprias caraterísticas, quer pela anatomia da mama. A extração pode ser útil também para prevenir o ingurgitamento e desconforto mamário assim como libertar ductos bloqueados, ou aumentar a produção de leite. No caso das mães que regressem ao trabalho, o aleitamento materno pode ser mantido pela mesma estratégia. Outros problemas e dificuldades podem ser debelados com a utilização de distintos auxiliares específicos para condições também elas específicas, nomeadamente mamilos de silicone para ajudar a amamentação no caso de mamilos rasos/invertidos, ou na presença de fissuras e dor. Apesar da sua inegável utilidade, o preço de alguns equipamentos não é convidativo, especialmente no que concerne a bombas de extração de leite, exigindo às famílias um esforço económico significativo para a sua aquisição.

Noutra vertente, também as empresas podem constituir importantes suportes instrumentais, não só pelo cumprimento da legislação que protege os direitos da maternidade, como também criando condições para as mães poderem extrair e conservar leite durante o tempo que permanecem no local de trabalho, ou ausentarem-se para amamentar os seus filhos. De igual modo, a flexibilidade de horário laboral constitui também um importante apoio, de forma a assegurar os cuidados à criança, promovendo desta forma a adaptação à parentalidade. Já no que diz respeito ao suporte informacional, é indubitável a importância assumida pelas informações veiculadas pelos serviços e profissionais de saúde, em etapas como a gravidez, hospitalização e regresso a casa, uma vez que estas etapas implicam interiorização e aquisição de aprendizagens para os novos pais. Com a diminuição do tempo de hospitalização há uma maior necessidade de se apoiarem nos recursos da comunidade para satisfazer as suas necessidades de informação, sendo os profissionais mais diretamente relacionados com estas práticas, os enfermeiros. O apoio informacional destes profissionais oferece aos novos pais um serviço comunitário, proporcionando apoio, encorajamento e noções básicas relacionadas com a educação parental (Perry, 2008) e com o aleitamento materno. Pode ser disponibilizado presencialmente ou por via telefónica através de linhas de apoio com caráter interativo, dirigidas para a orientação e avaliação de enfermagem, respondendo a questões imediatas, relativas a necessidades específicas.

Seja presencial, ou telefónico, o suporte informacional fornecido por profissionais estabelece a ponte entre os serviços de internamento, ambulatório e domiciliário, esclarecendo e aconselhando mediante estratégias de educação para a saúde. A educação para a saúde combina experiências de aprendizagem delineadas para promover ações voluntárias que conduzam à saúde do indivíduo e à adoção de estilos de vida saudáveis (Candeias, 1997), comportando “(…) toda a actividade intencional conducente a aprendizagens relacionadas com saúde e doença [...], produzindo mudanças no conhecimento e compreensão e nas formas de pensar. Pode influenciar ou clarificar valores, pode proporcionar mudanças de convicções e atitudes; pode facilitar a aquisição de competências; pode ainda conduzir a mudanças de

comportamentos e de estilos de vida” (Tones & Tilford, 1994, p.14). A educação para a saúde permite avaliar as reais necessidades de apoio à família e planear as intervenções mais adequadas a cada situação, através da interação, orientação e promoção da autonomia, desenvolvendo um trabalho de parceria por via do ensino, instrução, treino e supervisão dos cuidados ao bebé e aleitamento materno, até que esta adquira autonomia e sinta segurança. Cabe ao enfermeiro identificar e antecipar as necessidades dos pais nesta fase de adaptação, desempenhando com competência as funções de cuidador e educador no sentido de desenvolver a autonomia dos pais, no desempenho do seu novo papel (Bobak, Lowdermilk, & Jensen, 1999). As abordagens e as estratégias utilizadas visam fortalecer o autoconceito dos pais, ajudando- os a ficar mais confiantes e mais à vontade com as suas habilidades e competências como mãe/pai nos cuidados ao bebé, uma vez que a autoestima e segurança crescem com a competência e vice-versa. Este apoio profissional torna-se fundamental, tendo em conta que quando os pais se sentem competentes no seu papel, são capazes de o desempenhar melhor. Apesar de ser uma área privilegiada da enfermagem, pode também ser facultado por outros profissionais, desde que devidamente credenciados e capacitados para dar apoio, nomeadamente por certificação como Conselheiros em Aleitamento Materno [CAM].

Do exposto emerge a importância da rede de apoio social dos indivíduos na adaptação à parentalidade e no aleitamento materno. Áreas estas que têm assumido importância crescente conduzindo ao desenvolvimento de iniciativas de apoio a nível nacional e internacional.

1.2.4. Iniciativas nacionais e internacionais de apoio nos