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Nye utfordringer for forskning (New challenges for research)

In document Nordisk blikk på samfunnssikkerhet (sider 39-49)

Esta pesquisa abordou como tema principal os artifícios retóricos como forma de sedução nas crônicas humorísticas: “A Momolândia”, de Max Nunes (1996) e a “A Idade da Pedra”, de Carlos Eduardo Novaes (1995). Investigamos as diferentes técnicas e recursos que os retores empregaram em seus discursos a fim de seduzir o auditório e provocar-lhes aceitação. Nosso estudo levou em conta que não há dissociação entre a subjetividade expressa nos discursos analisados e a objetividade das teorias apresentadas.

Consideramos como questionamentos:

- Há técnicas específicas para provocar o humor na crônica?

- A argumentação e o humor podem ser explorados simultaneamente em um discurso?

A fim de responder se há técnicas especificas com o objetivo de provocar o humor na crônica, fizemos um levantamento dos principais artifícios explorados por Max Nunes e Carlos Eduardo Novaes nas crônicas “A Momolândia” e “A Idade da pedra” e obtivemos o seguinte quadro:

MAX NUNES CARLOS EDUARDO NOVAES

Espaço retórico: gênero, raciocínio e estilo.

Gênero: epidítico Gênero: epidítico

Gênero deliberativo

Raciocínio dialético Raciocínio dialético

Raciocínio apodítico Raciocínio apodítico

Raciocínio sofístico

Estilo simples, claro e agradável Estilo simples, claro e agradável

Subjetivo Subjetivo

Sistema retórico Provas extrínsecas Provas éticas, patéticas e

extrínsecas.

Lugar: contrário Lugar: qualidade, juventude,

Figuras Metáfora Metáfora Antítese Antítese Alusão Alusão Ironia Ironia Repetição Repetição Epíteto Hipérbole

Operadores Que levam a conclusões

contrárias

Que levam a conclusões contrárias

Que introduzem conteúdo pressuposto

Que introduzem conteúdo pressuposto

Que somam argumentos da mesma classe

Que indicam uma justificativa ou explicação

Que introduzem uma conclusão Que indicam uma condição

Argumentos Quase lógicos:

Contraditórios Incompatibilidade Ridículo Definição (normativa) Definição (descritiva) Quase lógicos: Sacrifício Incompatibilidade Ridículo

Baseados na estrutura do real : Sucessão

Autoridade

Baseados na estrutura do real: Pragmático

Essência

Nexos simbólicos

Fundam a estrutura do real: Exemplo

Comparação

Quadro 2 – demonstrativo de técnicas Fonte: o autor

A conclusão a que chegamos após identificar os artifícios retóricos é de que, embora tenhamos autores com estilos diferentes e com crônicas escritas em épocas distintas, é possível verificar a predominância de técnicas semelhantes com pequenas variações devido aos temas desenvolvidos.

Há, nas crônicas analisadas, uma ocorrência maior de figuras como a metáfora e a ironia, figuras de escolha e de comunhão, que aproximam orador e auditório, pois levam à reflexão e permitem associações de termos semelhantes os quais pertençam ao universo do auditório. Há também a presença do gênero epidítico, pelo próprio estilo atraente; dos raciocínios dialéticos e apodíticos, que partem de premissas prováveis ou verdadeiras e, nesse sentido, também aproximam o orador do auditório; de provas extrínsecas usadas para assegurar a veracidade dos fatos abordados; de operadores que apontam conclusões contrárias e ratificam as antíteses apresentadas: Momolândia / Brasil e Fase adulta / juventude, e de argumentos de incompatibilidade, do ridículo, apresentados pela própria ironia, e de dissociação, prestígio do professor e incoerências entre fala e ação no texto de Carlos Eduardo Novaes.

Quanto às técnicas próprias do humor: a incongruência e o caráter transgressor foram utilizados pelos dois cronistas. E podemos inferir que os artifícios

HUMOR Incongruência Incongruência

Caráter transgressor Caráter transgressor

Duplo sentido ou jogo de palavras – polissemia e ambiguidade

Inversão Por meio de neologismos /

abreviação Inconsciente e inesperado: Conhecimento cultural Inesperado Jogo linguístico Inferências Recorrência à memória

retóricos que surpreendem o auditório por apresentar dados não esperados, ou com sentidos contrários àqueles previstos, corroboram mais para o humor. Por isso, há uma incidência maior deles nesse gênero.

A articulação intra e entre as partes do discurso, inventio, dispositio, elocutio e actio, é a principal responsável na persuasão dos diferentes auditórios. Pois, no momento em que o orador se propõe a elaborar seu discurso, ele o faz como se montasse um grande quebra cabeça. O orador parte da intencionalidade presente em todo discurso e articula adequadamente as informações destinadas a um auditório.

Pudemos observar que os oradores ponderaram os diferentes artifícios dispostos e escolheram os que mais os aproximariam do auditório. Embora os dois textos tivessem o mesmo gênero literário, crônica humorística, tinham um auditório diferente, provavelmente, com faixas etárias distintas, por isso, os retores, tiveram o discernimento, na inventio, de identificar o gênero adequado, encontrar os tipos de argumentos, apontar as provas a serem usadas e os lugares onde se encontrariam esses argumentos. Depois lançaram mão dos artifícios selecionados, para organizá- los em quatro partes: exórdio, narração, confirmação e peroração. Essa estrutura ratifica a teoria vista no capítulo I.

Outro objetivo que tínhamos com este estudo era responder à indagação quanto à exploração simultânea da argumentação e do humor em um único discurso. Pudemos constatar que o gênero crônica humorística não se limita a fazer humor com fim em si mesmo, nem tem o propósito de apenas argumentar. Tem, sim, um caráter transgressor, busca denunciar a realidade por meio da comicidade. O humor e argumentação se fundem em um único discurso e dizimam seus limites

Nesse gênero, a argumentação está centrada principalmente no próprio discurso, o que corrobora a identificação das críticas subliminares presentes e provoca no auditório um posicionamento, mesmo que esse seja o próprio riso. Pudemos constatar, nas duas crônicas analisadas, que a proposta da crônica humorística é gerar o riso e provocar uma reflexão ou discussão sobre o tema, por isso não apresenta uma solução para o problema desenvolvido.

Diante dos estudos feitos, depreendemos que a análise retórica contribui para uma melhor compreensão dos propósitos do texto e do orador diante dos problemas

abordados no discurso e permite entender o processo de sedução no qual o auditório é envolvido por meio do logos.

In document Nordisk blikk på samfunnssikkerhet (sider 39-49)