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2.22 Nye OUS
O segundo objetivo desta dissertação foca-se na atratividade da cidade a nível turístico, ou seja, tentar perceber de que forma é que será possível atrair mais turistas a Chaves. O turismo tem crescido imenso ao longo dos últimos tempos em Portugal, o que não se verifica somente na capital, nem no grande Porto, mas também em Chaves.
“Tivemos um último ano (2017) que foi um dos melhores no turismo para a região, dito pelos próprios hoteleiros, que não têm memória de um ano tão bom nas vendas como no ano passado, que também vem um bocadinho de Portugal estar na moda e toda a gente vem para Portugal.” – Ana Coelho
Contudo, apesar de se verificar um aumento do número de turistas ao longo dos últimos anos, falta melhorar muita coisa na cidade para que esta consiga cativar mais os turistas. Mas, para isso, é importante perceber o que está a falhar na cidade e trabalhar para corrigir esses erros e aperfeiçoar, de modo a satisfazer a necessidade dos visitantes. Posteriormente, é crucial publicitar a cidade.
“Uma pessoa se quer trazer gente a uma determinada região primeiro tem que a organizar. E depois de organizar a tem que se dar a conhecer se não as pessoas não a descobrem. (…) Eu não concordo que as termas tenham ganham o prémio das melhoras termas da Europa e a única coisa que aconteceu foi aparecer uma coisa nova no Facebook. Acho que não é a forma de se divulgar uma coisa tão importante para a cidade, e um prémio tão importante a nível europeu. Eu acho que esse prémio deveria ter um reflexo direto e um impacto pelo menos aqui em Portugal, e até na própria europa, uma boa publicidade na televisão, nos media. Dar-se a conhecer uma vez que ganhamos o prémio.” – João Guedes
“Estamos a comunicar mal o que temos, estamos a vender mal o pouco que temos. (…) A nível turístico não tem sido feito grande esforço por isso não nos podemos queixar de a cidade não ter turistas. Neste momento a cidade de Chaves só pode agradecer aos turistas que tem porque nenhuns foram ganhos, foram consequências. Nenhum turista vem para aqui por efeito de alguma iniciativa / atividade. Posso quase garantir-te que ninguém faz isso! Se quiseres podes perguntar a turistas porque vieram? Como souberam? Que de certeza não foi pela comunicação turística da cidade.” – Marta Costa
O sistema turístico presente na cidade de Chaves é ainda considerado como sendo muito primitivo e baseado numa oferta turística bastante limitada, sendo ainda gerido de uma forma desorganizada, por funcionários que não possuem a devida formação, nem os conhecimentos básicos, não há roteiros definidos nem sequer os monumentos estão devidamente identificados. A antiga Aquae Flaviae é uma das cidades do interior norte mais conhecidas e com um património cultural riquíssimo que não está a ser devidamente explorada. Ou seja, o principal problema aqui presente, ainda mais do que a dificuldade de atrair pessoas a visitar a cidade de Chaves é conseguir cativá-las para elas voltarem e que permaneçam na cidade por um período de tempo mais longo, podendo assim obter um maior benefício económico.
“Notou-se claramente este ano (2017) um aumento de espanhóis a visitar a cidade. Mas também há aí um pequeno pormenor. Há muitos espanhóis a visitar a cidade de Chaves, mas poucos são os que ficam cá a dormir.” – João Guedes
“A cidade é pequena, facilmente se vê isso. Se nós não criarmos mecanismos diferenciados e fixadores de turistas, e não lhe criarmos uma apetência e uma memória que os faça dizer: “eu vou a Chaves agora, mas vou lá voltar por isto ou por aquele (com os argumentos que nós considerarmos mais válidos), não será fácil… Eu acho que é por aí que temos que trabalhar.” – Filipa Leite
Um dos temas mais criticado, ao longo da realização das entrevistas, foi o facto da inexistência de um posto de turismo, uma vez que o antigo edifício foi demolido para a construção de um jardim no local onde se encontrava, sendo que, passados seis meses, ainda não se sabe onde se vai posicionar o novo posto. Contudo, de qualquer das formas o antigo posto de turismo não possuía as devidas condições para bem receber. A informação disponível sobre a cidade era muito rudimentar e os funcionários não possuíam a devida formação.
“Temos que começar por ter um posto de turismo com mais visibilidade e mais dinâmica do que aquele que temos. Tem que se melhorar a ligação entre os operadores, os hotéis, os restaurantes…e aquilo que é possível visitar” – Ana Coelho
“Temos um posto de turismo que, apesar de agora estar em obras, se calhar sempre foi mal aproveitado. Não havia dinamização nem nada do género. Depois
mais aproveitamento disso nos postos de turismo e tudo mais. Haver gente responsável mesmo por dinamizar a parte dos museus e tudo mais.” – Tânia Ramos Por outro lado, a inexistência de roteiros devidamente marcados e sinalizados é um erro crasso apontado ao município. É incrível a quantidade de castelos, muralhas e castros que é possível visitar no concelho e que não são devidamente divulgados. Na cidade existem vestígios de várias épocas, de vários estilos e a criação de roteiros ajudaria imenso a divulgar a região e a cativar as pessoas a voltar e a fazer mais roteiros, porque se vierem simplesmente para visitar o centro histórico, uma tarde é suficiente. Nem sequer os prende para ficarem pelo menos uma noite alojados, ou voltarem sequer.
“Não existe nada oficial, nenhuma rota, com exceção da rota termal, não existe nada criado oficialmente com o que tens para fazer em Chaves, mesmo o posto de turismo, que agora ninguém sabe a sua localização, vais lá e também não está lá ninguém que sabe falar inglês ou francês. Para além da comunicação há uma coisa que está a falhar redondamente. Não há ninguém minimamente preocupado, atento, capaz de dizer quais os fatores responsáveis pela vinda de pessoas a Chaves, quais são os nossos pontos fortes, quais os pontos onde devemos apostar e não viver de ideias perfeitas que tem 20 ou 30 anos.” – Marta Costa
Outro assunto polémico é relativo ao facto de os museus, geridos pela autarquia, praticarem geralmente o mesmo horário que as repartições públicas, de segunda a sexta. Para além de limitar o horário de visita aos visitantes, até os próprios habitantes acabam por, na sua maioria, não conhecer o interior destes espaços, uma vez que não o podem fazer fora do horário laboral.
“Há muitas pessoas que vêm até cá e dizem: “olhe o que é que eu posso fazer aqui em Chaves?” e eu respondo que não sei. Porque não sei! Vou mandá-los para onde? Pergunto: “olhe já foi ao castelo?” e respondem: “Ah já, mas a porta estava fechada os museus estavam fechados…” – Jorge Fernandes
No que toca aos produtos e serviços que a cidade oferece a nível turístico, quando questionados sobre isso, os entrevistados transmitiram opiniões similares relativamente ao mau aproveitamento da água quente. O turismo termal é um setor importantíssimo para a região devido às caraterísticas únicas que esta água possui. Em termos turísticos, é fundamental que os agentes turísticos se concentrem nos nossos recursos e na forma
“Há um produto que poderia ser melhor desenvolvido que para mim tem a ver com a água, a água quente, por exemplo a nível de spas, e quando falo de spas falo de spas para toda a gente, não é só aquele spa de qualidade alta. Acho que a água quente não está a ser bem aproveitada nem bem divulgada e para mim é dos recursos que devia ser mais aproveitado. Um turista que venha a Chaves, à cidade bdas águas quentes, onde é que a encontra? (…) Aliás, podíamos ter cá o turismo de relaxamento por exemplo, o turismo de wellness. E temos todas as condições para isso!” – Jorge Leite
“A água está a ser muito mal explorada. E a água quente em Chaves não está a ser aproveitada nem em termos termais uma vez que não são um spa verdadeiro como a nossa geração conhece. (…) mas para mim os recursos estão todos muito mal aproveitados. A água fria, a água quente, o rio… nós não conseguimos aproveitar o rio porque está no estado em que está (poluído). (…) o problema é de aproveitamento! Nós não conseguimos por os miúdos no verão a fazer canoagem no rio (…) temos água quente, não temos uma piscina em condições! Ou seja, nós podíamos aproveitá-la para ter piscinas como tem em Ourense. Eles têm piscinas ao ar livre! (….) Não aproveitamos a gastronomia! (…) Não aproveitamos a natureza!” – Jorge Fernandes
“Mas há mais produtos que podiam ter sido mais dinamizados que eles deixaram fugir como o folar, antigamente havia aqui a feira do folar e agora a mais conhecida é em Valpaços! O presunto de Chaves que era conhecido também acho que deixaram um bocadinho morrer (…) Nós se calhar deveríamos dinamizar mais as termas, é o nosso ex-libris daqui de Chaves. Se calhar aproveitar um bocadinho a parte de turismo e tudo mais e ir além-fronteiras para dinamizar a parte das termas e a água em si.” – Tânia Ramos
Dentre todos os produtos que têm vindo a ser explorados e aqueles que realmente poderiam ser explorados, há um que tem gerado imensa polémica, que é o Museu das Termas Romanas. No decurso de umas escavações, para a realização de um parque de estacionamento, foi encontrado, em 2006, soterrado e mantido em perfeito estado devido à ocorrência de um sismo ocorrido no século IV, um balneário termal da época dos romanos. Com data prevista de abertura inicialmente para 2015, o edifício permanece fechado devido a uma falha de projeto pois não foram tidas em conta as altas temperaturas
“Em relação às termas nós vamos beneficiar muito mais quando tivermos o museu romano aberto pois temos ali um património ímpar a nível nacional e internacional. Aliás internacionalmente é dos patrimónios, das termas romanas melhor conservadas que nós temos na Europa e de maneira que vai ser um tipo de património, um monumento que vai atrair muita gente a Chaves. Desde historiadores, a estudantes, a curiosos, a amantes da história… vai atrair muita gente a Chaves!” – Jorge Leite
“É assim, neste momento, como é de conhecimento público, temos um equipamento que vai trazer, julgo eu, uma mais valia no futuro que é o balneário termal das termas romanas que está, portanto, como toda a gente conhece, e que se já tivesse sido concluído de certeza que seria um salto qualitativo para que as termas conseguissem acolher mais turistas. Será certamente pelas caraterísticas únicas e singulares que lhe estão associadas, um produto diferente. Um produto turístico diferente do que se conhece no território nacional e mesmo em Espanha porque há poucos balneários com aquele estado de conservação e com aquele potencial de promoção.” – Filipa Leite
Quando, finalmente, se concluírem as obras, surgirá assim em Chaves o primeiro museu termal romano de Portugal, e, simultaneamente, as maiores termas romanas da Península Ibérica, um museu muito valioso e que atrairá certamente imensa gente à cidade.
O grande desafio de qualquer cidade a nível turístico deverá focar-se em tirar maior partido de todos os produtos e serviços, sempre de forma sustentável. Mas, para tal, é fundamental tornar a cidade limpa e acessível, permitindo que todos os visitantes utilizem e usufruam dos seus equipamentos e serviços de igual forma, incluindo as infraestruturas de transporte. Posto isto, é deveras importante recolher informação sobre o tipo de oferta existente no destino, sendo, por isso, crucial possuir um gabinete de informação turística, preferencialmente numa zona central, devidamente equipado para que possa ser possível informar todos os visitantes sobre a acessibilidade de equipamentos, transportes e serviços. De igual modo, o site oficial deve ser acessível e possuir igualmente toda essa informação devidamente organizada. Por outras palavras, é fundamental, após ter uma cidade devidamente limpa e organizada, publicitar para fora o que existe dentro da cidade.
má. Essa imagem é formada através da construção mental das impressões retiradas de grande quantidade de informação. É importante relembrar que o destino final não se limita ao que existe, mas também àquilo que se pensa poder existir, ou seja, mais do que o próprio local em si, antes de qualquer viajante se deslocar para um determinado local, ele já tem definido qual o local que vai visitar e qual a razão que o leva a deslocar-se. É por essa razão que é tão importante criar uma imagem bem definida do destino turístico. Posteriormente, quando o turista chega ao destino, a qualidade do serviço prestado deve ser excelente.
Há elementos intangíveis que enriquecem imenso o destino, mas que não fáceis de publicitar como a gastronomia ou o património histórico. Como exemplo podemos referir a amabilidade das pessoas, a simpatia, a disponibilidade e a capacidade de bem receber.
“E passa por muitas outras coisas, como as pessoas, o “bem receber” as pessoas, a comida, a paisagem (que por vezes não damos o devido valor por estarmos habituados a observá-la). E são esses fatores que são mais difíceis de vender pois não se conseguem por num panfleto turístico, a boa receção das pessoas ou a simpatia são um aspeto que os turistas têm salientado.” – Marta Costa
Concluindo, independentemente do tipo de turista que procura esta pequena cidade de Trás-os-Montes, deve ser possível oferecer as condições básicas necessárias para a realização deste fenómeno tão importante para a região que é o turismo.
“Na minha perspetiva o fim último será sempre tornar o destino mais apetecível, mais reconhecido, mais diferenciador e que sobretudo aumentam os fluxos turísticos” – Filipa Leite
“Eu acho que se a câmara, e eu acho que não precisamos e ir muito mais longe, se a câmara cumprir com aquilo que deveria ter sido comprido sempre que era limpeza, termos os museus abertos ao fim de semana, criarmos eventos para as pessoas vierem cá, a coisa vai começando a rolar! (…) Mas eu acho que se da parte da câmara eles fizerem o que lhe compete desde a limpeza, tudo organizadinho, tudo bonito, aproveitar a parte das termas, criar eventos cá, fazer cá concertos em condições.” – Jorge Fernandes
6.5 Síntese e conclusão
Este capítulo teve como principal objetivo analisar a situação em que a cidade de Chaves se encontra a nível turístico. Numa primeira fase foi apresentada a opinião que os entrevistados têm relativamente às caraterísticas positivas que melhor definem a cidade, bem como o feedback dos visitantes. Posteriormente, através das qualidades que a cidade tem e dos produtos que possui, foram identificados os tipos de turismo que podem ser realizados na cidade.
Na secção seguinte, foi salientada a importância que o turismo tem para uma cidade como Chaves, onde a indústria é praticamente inexistente, bem como a importância que os eventos têm para a atração de visitantes durante a sua realização e quais os aspetos menos positivos que os eventos que se realizam na cidade de Chaves possuem.
Por fim, salientou-se a importância de corrigir os constrangimentos que se verificam na cidade, para a poder tornar mais atrativa a nível turístico, identificando qual deverá ser o principal desafio de uma cidade para que possa gozar dessa atratividade.