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O modelo de previsão da frequência de acidentes do HSM para trechos viários em rodovias rurais de pista dupla foi, em grande parte, embasado nos trabalhos de Lord et al. (2008), Harkey et al. (2008) e Elvik & Vaa (2004). Destes trabalhos foram derivadas as Funções de Desempenho de Segurança (SPFs) assim como os Fatores de Modificação de Acidentes (CMFs).

As SPFs de rodovias de pista dupla do Manual HSM estão documentadas na pesquisa de Lord

et al. (2008), assim como o CMF em função da largura do acostamento externo em RPD com

divisão central. A extensa pesquisa de Lord et al. (2008), realizada nos Estados Unidos, foi motivada pela necessidade de se abordar a segurança viária de forma mais quantitativa e pela escassez de estudos do desempenho da segurança especificamente em rodovias de pista dupla. O trabalho apresenta um amplo estudo, em diferentes estados, com o objetivo de desenvolver modelos preditivos de acidentes em trechos e interseções em RPDs. Inicialmente foram consultados os Departamentos de Transportes (DOTs) estaduais nos EUA a fim de investigar se os mesmos faziam uso de modelos estatísticos para prever o desempenho de segurança em RPDs e com o intuito de conhecer as principais variáveis utilizadas em modelos já constituídos. Ainda, buscou-se determinar a disponibilidade de bases de dados das diferentes variáveis, assim como histórico de acidentes e volume de tráfego, nos diferentes estados. Dos departamentos consultados, em apenas dois haviam modelos preditivos já estabelecidos.

Em sequência, foram recolhidos dados em diferentes estados norte-americanos (Califórnia, Minnesota, Texas e Washington), a partir dos quais foram desenvolvidos modelos estatísticos de previsão de acidentes (SPFs) e Fatores de Modificação de Acidentes (CMFs). No desenvolvimento de modelos preditivos, três diferentes classes de modelos foram estimadas: modelos de base (baseline models), modelos gerais de volume médio diário de tráfego (general Average Daily Traffic models) e modelos com co-variáveis (models with covariates). Dos modelos apresentados no estudo para trechos em RPD, foram incluídos no Manual HSM as Funções de Desempenho de Segurança baseadas em modelos de base. As SPFs foram desenvolvidas a partir de dados históricos de acidentes recolhidos ao longo de vários anos e em locais com características semelhantes e que cobrem uma ampla gama de VMDAs. Os coeficientes dos modelos foram estimados usando métodos de regressão binomial negativa. Para a avaliação do desempenho dos modelos foram exploradas diferentes medidas de qualidade de ajuste.

Em uma outra iniciativa, Harkey et al. (2008), em conjunto com os Departamento de Transportes (DOTs) estaduais nos Estados Unidos, definiram uma lista de diferentes CMFs prioritários a serem incluídos naquele estudo. Os CMFs indicados estavam divididos em quatro diferentes grupos: relacionados às interseções, relacionados aos trechos viários, relacionados aos Sistemas Inteligentes de transportes (ITS) e outros. Destes CMFs, alguns já estavam estabelecidos em estudos anteriores.

Os CMFs foram verificados, modificados ou desenvolvidos a partir de quatro tipos básicos de análises: avaliação antes e depois pelo método empírico de Bayes (EB); reanálise dos dados de estudos existentes; discussão de CMFs mais críticos por um grupo de especialistas; e desenvolvimento de CMFs a partir de um estudo transversal.

Conforme detalhado em Harkey et al. (2008), a avaliação a partir de um estudo antes e depois, ou seja, que relaciona os índices de segurança anteriores e posteriores à alguma alteração geométrica ou operacional isolada, é o método preferível no desenvolvimento de novos CMFs. Nesse tipo de avaliação, o método EB é aplicado buscando compensar questões como a variação esperada nos índices de acidentes ao longo do tempo (regressão à média) e as mudanças no volume de tráfego. No entanto, para alguns elementos, este tipo de análise não pode ser facilmente realizada. A largura de um canteiro central, por exemplo, que muito

dificilmente sofre alterações em uma rodovia já instalada sem que haja outras mudanças significativas na seção transversal da rodovia. Nesse caso exemplificado, a alternativa mais viável é a aplicação de um estudo transversal que, por meio de modelos de regressão binomial negativa, busca prever a segurança com base em diferentes larguras de canteiro central, volumes de tráfego, entre outros fatores.

Em uma outra abordagem, a discussão de CMFs mais críticas por um grupo de especialistas está relacionada à revisão de CMFs já existentes. Foram realizadas revisões na literatura relacionada que embasaram as decisões consensuais dos profissionais selecionados, assegurando um maior nível de certeza (Harkey et al., 2008).

Para cada CMF desenvolvido ou revisado na pesquisa estão indicados o nível de certeza de previsão relacionado, a metodologia empregada, uma descrição dos locais utilizados no estudo e ainda comentários suplementares, descrevendo os resultados do estudo e a sua aplicabilidade.

Ao todo cinco CMFs do Manual HSM para trechos de RPDs foram embasados no trabalho de Harkey et al. (2008), sendo eles: CMF da largura da faixa de rolamento para RPD com e sem divisão central; CMF da largura e tipo de acostamento em RPD sem divisão central; CMF da inclinação do talude lateral em RPD sem divisão central; e CMF da largura do canteiro central.

Especificamente, todos os CMFs de trechos em RPD incorporados no HSM indicam um nível de certeza da previsão classificado como médio/ alto e, com relação ao tipo de análise executada, foram obtidos a partir de análises por grupo de especialistas e, no caso da CMF para largura do canteiro central, foi aplicado um estudo transversal (Harkey et al., 2008). Por fim, o CMF que representa a presença ou ausência de iluminação em trechos de RPD está documentado na publicação de Elvik & Vaa (2004).

2.5. REVISÃO DE TRANSFERÊNCIAS DE MODELOS PREDITIVOS DO HSM