Del II Innsats for eit trygt samfunn
6.5 Ny nasjonal tobakksstrategi
Um instrumento de colheita de dados traduz-se numa ferramenta utilizada pelo investigador com a finalidade de recolher informação fidedigna e válida para a elaboração de um trabalho. Os dados foram recolhidos por meio da aplicação de um protocolo de autorresposta composto por três escalas de medida validadas para a população portuguesa:
- Questionário Sociodemográfico e Informação Clínica;
- Medida de Adesão aos Tratamentos (MAT) de Delgado e Lima (2001);
- Illness Perception Questionnaire-Brief (IPQ-B) de Weinman e Petrie (2004); versão portuguesa McIntyre, Araújo-Soares e Trovisqueira (2007);
- Questionário das Crenças acerca da Medicação, adaptado por Pereira, Pedras e Machado (2013).
2.4.1. Questionário Sociodemográfico
O Questionário Sociodemográfico é constituído por 18 questões de resposta rápida relativas aos dados sociodemográficos. Neste são avaliadas algumas variáveis como a idade, o sexo, o local de residência, o nível de escolaridade do inquirido, a sua situação profissional, o seu estatuto socioeconómico, se tem filhos e quantos tem bem como algumas questões referentes à condição clínica em que se encontra. Estas últimas remetem para o tempo de diagnóstico de hipertensão arterial, a existência de mais alguma patologia, os antecedentes familiares que, como se sabe, exercem forte impacto no aparecimento desta condição, se existe algum tipo de controlo da doença e com que frequência.
Por outro lado, procurou-se aprofundar melhor a informação relativa à hipertensão arterial, em particular. Na ficha clínica são explorados aspetos relativos à terapêutica da doença, nomeadamente, a medição regular da pressão arterial, a prática de exercício físico, alterações ao nível alimentar, redução do consumo de álcool, tabaco e sal.
2.4.2. Medida de Adesão aos Tratamentos (MAT)
Quanto à Medida de Adesão aos Tratamentos (MAT), esta foi construída por Delgado e Lima, em 2001, num estudo que envolveu 167 participantes diagnosticados com hipertensão arterial e que tinha como objetivo avaliar os fatores associados ao comportamento de não-adesão ao tratamento (Delgado & Lima, 2001). Este instrumento foi desenvolvido a partir da medida de adesão de Morisky e colaboradores (1986) que consistia numa forma indireta de avaliar a adesão, contendo quatro itens com respostas de tipo dicotómico. Delgado e Lima acrescentaram três itens aos quatro que já existiam na versão original e um item adaptado de Ramalhinho (1994, citado por Delgado & Lima, 2001). Deste modo, trata-se de um questionário de sete itens que avalia os comportamentos do sujeito relativamente ao uso diário dos
53 medicamentos, sendo que as respostas são obtidas através de uma escala de Likert de seis pontos que varia de 1 (sempre), indicando menor adesão, e 6 (nunca), apontando para uma maior adesão (Carvalho, Dantas, Pelegrino, & Corbi, 2010). O índice de adesão ao tratamento é conseguido através do somatório de todos os itens do instrumento, dividido pelo número de itens do mesmo. Assim, valores mais elevados refletem maior grau de adesão.
Os últimos três itens acrescentados pelos autores permitem verificar a possibilidade de não adesão, algo que não era possível identificar apenas com os quatro itens originais. Se o item 5 explora aspetos relacionados à não-adesão por excesso na toma (“Alguma vez tomou mais um ou vários comprimidos para a sua doença, por sua iniciativa, após se ter sentido pior?”), já o item 6 faz alusão a eventuais dificuldades económicas, que podem ser, igualmente, um entrave à adesão terapêutica (“ Alguma vez interrompeu a terapêutica para a sua doença por ter deixado acabar os medicamentos?”). Por fim, o item 7 convida o indivíduo a refletir acerca de outros motivos pelos quais deixa de tomar a medicação, funcionando como uma pergunta aberta (Dias, 2014).
Relativamente às caraterísticas psicométricas deste instrumento, diversos estudos demonstraram uma boa consistência interna, traduzida por um valor de alfa de Cronbach de .74, apresentando, ainda, elevados níveis de correlações de validade concorrente (Delgado & Lima, 2001).
2.4.3. Illness Perception Questionnaire–Brief (IPQ-B)
Relativamente ao IPQ-B, este instrumento foi adaptado para a população portuguesa por Trovisqueira e McIntyre (2007), tendo sido desenvolvido inicialmente por Broadbent, Petrie, Main e Weinman em 2004. É um instrumento composto por oito itens, pontuados numa escala de Likert de 0 a 10, que avalia as representações cognitivas e emocionais associadas à doença. Estas cognições abrangem cinco itens: Consequências, através do item 1 (“Qual o grau em que a sua doença afeta a sua vida?”); duração, no item 2 (“Quanto tempo pensa que vai durar a sua doença?”); o controlo pessoal, presente no item 3 (“Qual o grau de controlo que sente sobre a sua doença?”); controlo por meio do tratamento, no item 4 (“Até que ponto pensa que o seu tratamento pode ajudar a sua doença?”) e identidade da doença, no item 5 (“Qual o grau em que sente sintomas da sua doença?”). As representações emocionais, como a preocupação e emoção, são avaliadas no item 6 e 8, respetivamente. Já o grau de compreensão com a patologia é evidente no item 7 (“Até que ponto sente que compreende a sua doença?”). Por último, a avaliação das representações das causas é feita através de uma pergunta aberta, permitindo ao doente referir, por ordem decrescente, quais os três motivos mais importantes que ele acredita terem causado a doença (Nogueira, Seidl, & Tróccoli, 2016).
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2.4.4. Questionário de Crenças acerca da Medicação
Por fim, no que concerne ao Questionário de Crenças acerca da Medicação, a sua versão original é da autoria Horne et al. (1999), sendo desenvolvido a fim de avaliar as crenças que os indivíduos possuem sobre a medicação. A versão original é constituída por duas partes: Parte I - Crenças Gerais Sobre a Medicação, abrangendo oito itens, e a Parte II - Crenças Específicas Sobre a Medicação, incluindo dez itens (Pereira et al., 2013). De salientar que, embora o questionário original faça uma separação entre as duas partes, optamos por fazer uma compilação de todos os itens, devidamente identificados.
A primeira parte, composta por oito itens, analisa as crenças gerais acerca dos medicamentos, já a segunda avalia as crenças específicas em relação aos fármacos prescritos ao doente, integrando 10 itens. A parte I integra dois fatores de quatro itens. O primeiro fator, Escala Efeitos Nocivos, avalia crenças relacionadas com eventuais efeitos nocivos, aditivos e tóxicos dos medicamentos, sendo composta pelos itens 2 (“Pessoas que tomam medicamentos deveriam parar o seu tratamento durante um certo tempo de vez em quando”), 3 (“Muitos medicamentos provocam dependência”), 5 (“Os medicamentos fazem mais mal que bem”) e 6 (“Todos os medicamentos são tóxicos”). O segundo fator, Escala de Uso Excessivo, avalia a crença da medicação estar a ser utilizada em demasia pelos médicos.
A segunda parte é constituída por dois fatores de cinco itens. O primeiro fator, relativo à Escala Necessidades Específicas, examina as crenças acerca da necessidade da medicação que lhes foi recomendada, e é formada pelos itens 9 (“Neste momento a minha saúde depende de medicamentos”), 11 (“A minha vida seria impossível sem medicamentos”), 12 (“Sem medicamentos eu estaria muito doente”), 15 (“A minha saúde no futuro irá depender de medicamentos”) e 18 (“Os meus medicamentos impedem-me de piorar”).
O segundo fator, referente à Escala de Preocupações Especificas, avalia as crenças acerca dos perigos de dependência ou os efeitos secundários a longo prazo, e é composta pelos itens 10 (“Ter que tomar medicamentos preocupa-me”), 13 (“Às vezes eu preocupo-me com os efeitos que os meus medicamentos me podem provocar se eu os tomar durante muito tempo”), 16 (“Os meus medicamentos desorganizam a minha vida”) e 9 (“Às vezes eu preocupo-me com a possibilidade de ficar muito dependente dos meus medicamentos” (Pereira, Pedras & Machado, 2016).
É utilizada uma escala de tipo Likert de 1 a 5 pontos, sendo que 1 corresponde a “Discordo Totalmente” e 5 a “Concordo Totalmente”. O total na Escala de Efeitos Nocivos varia de 4 a 20 pontos, assim como a Escala de Uso Excessivo. Já as Escalas de Necessidades Especificas e a Escala de Preocupações Especificas variam entre 5 a 25 pontos. Uma pontuação mais elevada na Escala das Crenças Gerais reflete crenças mais desfavoráveis acerca da medicação, assim
55 como ocorre na Escala das Crenças Específicas, que aponta para crenças de maior necessidade e preocupação com a mediação