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Ny 420 kV kraftledning Adamselv – Lakselv - Skaidi

In document 5 Kulturminner og kulturmiljø (sider 42-49)

Kulturmiljø 17 - Solbakken

5.4.2 Ny 420 kV kraftledning Adamselv – Lakselv - Skaidi

Patrícia Roque Martins (FLUP/ CITCEM)

Resumo:

Este artigo tem como objetivo analisar o modo como os museus em Portugal podem desenvolver atividades de interação comunicativa para a comunidade surda, como também procura refletir sobre o modo como os museus podem alargar a sua função social, contribuindo para a formação identitária desta comunidade, através das suas coleções. Para tal utiliza-se um estudo de caso desenvolvido no Museu Calouste Gulben- kian em 2013, em Lisboa, com um grupo de pessoas surdas, ouvintes e estudantes de LGP, realizado no âm- bito de uma tese de doutoramento sobre a acessibilidade e inclusão social de pessoas com deficiência em museus

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Se, por um lado, as pessoas ouvintes tendem a considerar as pessoas surdas como sendo pessoas

deficientes, fruto da sua deficiência auditiva, e se, por outro, as pessoas da comunidade Surda procuram dis- tanciar-se do paradigma da deficiência, fruto da sua cultura, identidade e língua própria, quais serão os mai- ores desafios dos museus no seu relacionamento com esta comunidade? Que papel podem ter os museus de arte no maior envolvimento do público surdo? Como é que a falta do sentido auditivo pode afetar a ex- periência de uma visita a um museu de arte? São as barreiras culturais que impedem esse envolvimento ou são as questões de acesso comunicativo e de recursos disponíveis? Efetivamente, este artigo procura escla- recer estas questões, reforçando o contributo dos museus para o reconhecimento da comunidade surda através da promoção de espaços de participação bilingue.

Palavras-chave: Comunidade Surda; Língua Gestual; Museus Inclusivos; Educação em Museus; Acessibilida- des;

Abstract:

This article aims to analyse the way how museums in Portugal can develop activities of communicative inter- action for the deaf community, as well as seeks to reflect on the way how museums can promote its social function, contributing to the identity development of this community through their collection. For that, a case study was developed at the Calouste Gulbenkian Museum in Lisbon in 2013, with a group of deaf peo- ple, hearing people and LGP students, carried out as part of a doctoral thesis on the accessibility and social inclusion of people with disabilities. If, on the one hand, hearing people tend to regard deaf people as disa- bled people as a result of their hearing impairment, and if, on the other hand, people of the deaf commu- nity seek to distance themselves from the paradigm of disability as a result of their culture, identity and lan- guage, what will be the greatest challenge for the museum’s relationship with this community? What role can art museums play in the greater involvement of the deaf public? How can the lack of the hearing sense can affect the experience of a visit to an art museum? Are the cultural barriers that block their involvement or is this a question of communicative access and available resources? In fact, this article seeks to clarify these issues, reinforcing the contribution of museums to the recognition of the deaf community through the promotion of spaces for bilingual participation.

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Introdução

No mundo dos museus são diversos os museus de arte que têm desenvolvido atividades educativas e equi- pamentos de interação comunicativa em língua gestual, com o objetivo de alcançar a comunidade Surda. As suas coleções são apresentadas através de visitas guiadas ou por meio de outros recursos disponíveis ao público Surdo - como sistemas de ampliação sonora para as pessoas com dificuldades auditivas ou guias- multimédia com interpretações em língua gestual, selecionando-se, neste caso, as peças da coleção de maior destaque. O caso do The Whitney Museum of American Art, em Nova Iorque, tornou-se exemplar no desenvolvimento de programas para a comunidade Surda em American Sign Language (ASL), pela particula- ridade de serem guiados por pessoas da comunidade surda. Outro caso representativo é o do The British Museum, em Londres, ao apresentar vídeos em British Sign Language (BSL) em torno de aproximadamente 200 obras da sua coleção, através de guias-multimédia. Em Portugal, desde 1997 que a Língua Gestual Por- tuguesa (LGP) está reconhecida como língua oficial portuguesa pela Constituição da República Portuguesa. Não obstante, passadas quase duas décadas, ainda são poucos os museus do país que usam a LGP para co- municar e apresentar as suas coleções ao público surdo. Algumas propostas de interação comunicativa são singulares no panorama museal português, como o caso do Museu da Comunidade e Concelhia da Batalha e o Museu Nacional do Azulejo, que apresentam o museu e a sua coleção em LGP através de áudio-guias. O Centro Cultural Casapiano, ao longo do seu circuito tem expositores de ecrã táctil, permitindo ao público surdo selecionar conteúdos em LGP relacionados com as obras da exposição. O Museu de Arte Contempo- rânea de Serralves oferece mensalmente visitas em LGP dirigidas especificamente à comunidade surda. Neste sentido este artigo tem como principal objetivo compreender que relações podem ser praticadas en- tre os museus e as pessoas da comunidade surda, e quais os reflexos que podem ser encontrados no uso da língua gestual para a comunidade surda em contexto museal. Igualmente, irá explorar o modo como uma coleção de artes visuais pode ser significativa para a comunidade surda, devido ao facto de as pessoas surdas terem uma cultura visual extremamente forte, algo que é, claramente, evidente na forma como as línguas gestuais são eminentemente visuais. Na verdade, e ao contrário de algumas deficiências sensoriais como a cegueira, a incapacidade auditiva das pessoas surdas não as impede, à partida, de percecionar a es- tética visual de uma obra de arte. No seu dia-a-dia, o seu sentido visual e a sua capacidade expressiva assu-

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mem extrema importância para interagir com o mundo ao seu redor. Efetivamente, este artigo vai ser de- senvolvido em torno destas problemáticas, tendo como base questões relativas à língua, identidade e inclu- são. Como também irá reforçar a importância da realização de vistas guiadas em línguas gestuais e o re- curso a mediadores surdos, não só para o maior envolvimento do público surdo, como, também, para o maior crescimento de espaços de participação bilingue que levem ao reconhecimento social da comunidade surda, enquanto minoria cultural e linguística.

Enquadramento Teórico-Científico

O Bilinguismo e a Identidade Surda

Pertencer à comunidade surda significa ter dois nomes próprios: o primeiro, o oficial, dado pelos pais da pessoa surda à nascença; e o segundo, o gestual, dado pela comunidade surda no momento em que a pes- soa surda é reconhecida enquanto membro integrante desta comunidade. Ambos permanecem consigo du- rante toda a sua vida. O nome gestual baseia-se num pormenor físico, um tique, uma característica pessoal que a destaca em relação às outras pessoas. A criação de um nome próprio em língua gestual, é a forma prática das pessoas surdas comunicarem umas com as outras, através de um único gesto, em vez de sole- trarem individualmente algumas das letras do abecedário das línguas orais que compõem o seu nome ofi- cial. Algo que acontece com todos os nomes próprios que não tem gesto atribuído na língua gestual, como, por exemplo, o nome de uma determinada cidade para a qual ainda não foi criado um gesto próprio. Esta informação parece ser um pequeno pormenor, mas na verdade, é muito importante para compreender que a língua da comunidade surda é um sistema independente das línguas orais, com um código estruturado, regras e gramática próprias. Esta ideia é reforçada pela existência de uma grande variedade de línguas ges- tuais, tal como acontece com as línguas orais, determinadas por fatores geográficos e culturais que influen- ciaram a mudança histórica do gesto. Ao ser uma linguagem capaz de expressar pensamentos abstratos, e não sendo uma representação visual do seu referente, explica a razão pela qual cada país tem a sua própria língua gestual. Também a “teoria do bilinguismo” defende que a língua gestual é a língua materna das pes- soas surdas, adquirida natural e espontaneamente. A segunda língua das pessoas surdas é a língua oral do país onde vive, aprendida para a sua integração social após a aquisição prévia da língua gestual. De acordo com esta ideia, a aquisição das línguas orais não é desenvolvida naturalmente e espontaneamente como

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acontece com as pessoas ouvintes. Basicamente, quando as pessoas surdas se têm que regular pelo sistema de comunicação das línguas orais, como por exemplo, através da leitura de textos escritos, terão que reor- ganizar o seu sistema de pensamento de acordo com um novo código e uma nova lógica, suscitando novas abordagens às suas capacidades psicolinguísticas (Gomes, 2012). Neste sentido, o uso das línguas gestuais promove a perspetiva multicultural das pessoas surdas, ou seja, a visão comunitária daquilo que é ser-se surdo enquanto membro de uma minoria cultural e linguística, ao mesmo tempo que estará a apoiar um discurso de rutura com a visão médica da deficiência no seu significado patológico. De facto, distinção das duas perspetivas - médica e sócio antropológica- tornou-se crucial para valorizar a identidade surda, na qual o papel da língua oral ou gestual é predominante. Por conseguinte, a opção pelo uso da língua das pessoas ouvintes ou das pessoas surdas é fundamental para a reflexão identitária, estando agregada a uma perspe- tiva política. Assim, a escolha pela oralidade refere-se à mesmidade e a escolha pelo gesto refere-se à diver- sidade. Na sua tese de doutoramento, Gomes (2012) considerou que é o facto de as pessoas surdas terem uma língua em comum e uma forma diferente de apreender o mundo, que lhes permite encontrarem seme- lhanças entre si, mais do que o facto de terem uma deficiência no sentido auditivo. Como tal, mais facil- mente uma pessoa surda se identifica com outra pessoa surda de um outro país, pela partilha de experiên- cias comuns, pelo uso de uma língua gestual e pela luta dos mesmos direitos de cidadania, do que com uma pessoa ouvinte do seu país. Neste sentido, a perspetiva renovada ao redor da questão surda não está somente ligada à língua, enquanto sistema de comunicação, mas também enquanto tema relativo à identi- dade e cultura. É a efetivação desta visão que oferece uma novas perspetivas à comunidade surda, nomea- damente, no que se refere a um novo exercício de cidadania. Silverman (2010), o autor dedicado ao estudo da função social dos museus, argumenta que todo o ser humano procura a sua identidade - a sua definição do eu, que revela a si próprio e aos outros o seu lugar no mundo social. Não obstante, o autor considera que nem todos os indivíduos têm a sua identidade garantida, podendo estar comprometida em algumas circunstâncias. É o caso de indivíduos que estão rodeados por outros indivíduos que são diferentes e se tor- nam minorias, lidando permanentemente com problemas de filiação e de pertença. Muitas situações podem levar a isso, como permanentes bloqueios ao desenvolvimento de autoestimas positivas, sustentadas em es- tereótipos negativos e na falta de oportunidades. Para a comunidade surda esta situação pode ser extrema-

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mente reforçada ao ser privada de se expressar através da sua língua materna, isto é, a língua gestual. As- sim, e de acordo com esta perspetiva, se compreende a pertinência da promoção das línguas gestuais no contexto dos museus. A promoção das línguas gestuais na prática museal, quer por meio de visitas guiadas ou de vídeos com informações sobre o museu e a sua coleção em língua gestual, estará a apoiar o desen- volvimento da identidade surda. Neste sentido, a instituição museu poderá ter um papel crucial na distinção entre duas perspetivas – a médica e a sócio antropológica, na qual o uso da língua oral ou gestual é signifi- cativo. Claramente que, os museus que optem pelo uso das línguas gestuais estarão a apoiar a identidade surda, assumindo um discurso de rutura com a visão médica da deficiência no seu significado patológico, para promover a perspetiva multicultural e comunitária apoiada na identidade surda, enquanto minoria cul- tural e linguística. Para o trabalho do museu este é um campo essencial a ser explorado com vista à promo- ção e à afirmação identitária das minorias sociais. Assim sendo, a questão da identidade é uma das premis- sas fundamentais ao seu papel social e inclusivo.

Metodologia

No âmbito de uma investigação para uma tese de doutoramento dedicada ao estudo da inclusão e acessibi- lidades em museu de arte (Martins, 2014), e para refletir sobre as relações possíveis entre os museus de arte e as pessoas surdas, foi desenvolvido um estudo de caso no Museu Calouste Gulbenkian com uma coleção de obras de arte internacional desde o Antigo Egipto até a início do século XX, de diversas origens e perío- dos cronológicos. Este estudo de caso contou com a participação de um técnico do serviço educativo desse museu, um representante da Associação Portuguesa de Surdos (APS) e uma pessoa da comunidade surda, António Júlio Cabral. O objetivo do estudo de caso, seria a realização de uma visita guiada – mediada em língua gestual pelo António e interpretada para a língua oral pelo representante da APS. Com esta ideia, procurou-se contrariar a prática comum de comunicar com as pessoas surdas em língua oral com recurso a um intérprete de língua gestual, para promover a língua gestual através da representação e do empodera- mento de uma pessoa surda no contexto daquela visita. Neste sentido, a metodologia utilizada identificou- se com aquela que é praticada nas visitas guiadas para os públicos surdos no Whitney Museum of American Art. Como ainda, se teve em conta a percentagem estatística que revela que cerca de 90a a 95% das pessoas

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surdas são membros de famílias ouvintes. Neste sentido, a presença de um intérprete de voz seria impor- tante para não excluir as pessoas ouvintes, que possivelmente assistissem à visita juntamente com as pes- soas surdas. A escolha das obras que fizeram parte do circuito da visita foi combinada entre o mediador e o técnico do serviço educativo. Neste sentido, António sugeriu que a visita fosse dedicada à arte oriental e clássica, tendo como tema: “os Surdos viajam no tempo no Museu Calouste Gulbenkian”. Para justificar a sua escolha disse:

“(…) a comunidade surda tem de saber o que acontece com o sofrimento de surdos na Época Romana. Os romanos herdaram dos gregos o amor pela perfeição física, os recém-nascidos que apresentavam imperfeições evidentes eram sacrificados ou atirados no Rio Tigre (…)” (in- terpretação de voz de Mariana Monteiro).

O técnico do serviço educativo prestou apoiou à organização da visita, tratando de questões logísticas e for- necendo alguns textos de apoio sobre o museu e sobre as peças da coleção que pudessem ser úteis à sua realização. A APS disponibilizou-se para promover o evento através dos seus meios de comunicação com os seus associados, considerando-se que poderia facilmente captar membros da comunidade surda que esti- vessem interessados em participar na visita. O dia escolhido para a realização da visita foi o Dia Nacional da Língua Gestual – dia 15 de Novembro de 2013- como forma de enaltecer a importância da Língua Gestual e a cultura surda. No final da visita, foram entregues questionários aos participantes do estudo de caso, os visitantes e o mediador, para recolha de dados relacionados com a qualidade da visita e da sua organização.

Resultados e discussão

O dia da visita: “Os Surdos viajam no tempo no Museu Calouste Gulbenkian”

Na data agendada, à entrada do Museu Calouste Gulbenkian encontravam-se doze pessoas com o objetivo de assistir à visita guiada em LGP. O mediador António, demonstrava-se bastante entusiasmado pela sua relevante participação naquele evento. A visita teve início na sala do Antigo Egipto, prevendo-se continuar pela sala de Arte Greco-Romana, seguindo-se a sala do Século XVIII e terminando na sala de René Lalique (dos finais do século XIX e princípios do século XX). Durante a visita, António não se dedicou exclusivamente a abordar as peças da coleção que faziam parte do circuito da visita e apresenta-las aos visitantes. À medida que os visitantes iam percorrendo a salas do Museu Calouste Gulbenkian, o mediador foi introduzindo im- portantes factos que faziam parte da herança histórica da cultura surda, relacionando-os com os períodos

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cronológicos de cada uma das salas. Assim, logo na primeira sala mencionou:

“Ontem foi dia internacional das línguas gestuais. E quem me ensinou foi o professor Paulo de Carvalho que é professor no Instituto Jacob Rodrigues Pereira (…) e ele explicou-me que na altura do Antigo Egito os surdos eram muito respeitados (…) os faraós tinham muito res- peito por eles. Era como se um surdo fosse um mensageiro de e para deus. Então toda a in- formação que o surdo passava para o faraó, o faraó pensava que era vindo e deus. E então quando passava às pessoas elas acreditavam que eram vindos de deus. Os surdos eram muito bem tratados e muitíssimo respeitados” (interpretação oral de Mariana Monteiro).

Depois, passando para a sala da Arte Greco-Romana disse:

“Aqui os surdos tinham uma vida horrível. Politicamente os gregos, achavam que todos os bebés que tinham deficiências eram todos deitados fora, não tinham direitos, não podiam herdar nada e os pais não queriam saber. Então, os romanos e os gregos o que é que fa- ziam? Pegavam nos bebés, e os deitavam ao rio como se fosse lixo. Havia um surdo que es- capou, (…) e ele teve sorte porque o pai dele era uma pessoa importante - era um cônsul, e conhecia o Imperador César Augusto e pediu-lhe por favor para salvar o filho, porque ele ti- nha muito jeito para pintar. E então, ele escapou” (interpretação oral de Mariana Monteiro).

Na sala de Arte do século XVIII, abordou os aspetos relacionados com a história da educação dos surdos e com o desenvolvimento das línguas gestuais ocorridos durante aquele período, levando à emancipação das pessoas surdas:

“Uma historiazinha muito boa só de surdos: em França fundou-se a primeira escola só de sur- dos pela primeira vez (…) onde nasceu a língua gestual, onde se formaram os primeiros pro- fessores surdos, onde se publicaram os primeiros dicionários de língua gestual. E na França, neste tempo, o primeiro professor de surdos foi o abade L’Epée, ele lutou muito pela integra- ção dos surdos e criou esta primeira escola de surdos” (interpretação oral de Mariana Mon- teiro).

Fig. 1. Visita ao Museu Calouste Gulbenkian na Sala do Século XVIII.

Descrição da Imagem: A fotografia apresenta um momento da visita guiada ao Museu Calouste Gulbenkian na Sala do Século XVIII. O mediador surdo, António, encontra-se à esquerda, apontado com uma mão para

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uma pintura em exposição, e com a outra mão comunica em língua gestual. À direita, encontra-se o grupo de visitantes que participou na visita, estando ao centro o intérprete de língua oral, observando a pintura e a explicação do mediador.

No final da visita, despedindo-se dos visitantes com bastante orgulho disse: “Vocês são as primeiras pessoas a usufruir de uma visita guiada por um surdo” (interpretação oral de Mariana Monteiro). Também a técnica do serviço educativo disse: “Só queria acrescentar que quando quiserem uma visita guiada pelo António, podem marcar. O António fala comigo. Também pode ser às exposições temporárias”. Com esta visita, ficou demonstrada a relação existente entre as línguas gestuais e a cultura surda, e o potencial dos museus de arte para o desenvolvimento de atividades educativas que fortaleçam o desenvolvimento da identidade surda. Essa evidência foi clara no modo como o mediador abordou temas relativos à herança sócio-antropo- lógica da cultura surda, e as foi relacionando com as obras em exposição durante o desenvolvimento da vi- sita. Neste sentido, o facto de o mediador pertencer à comunidade surda facilitou essa abordagem, tor- nando evidente o orgulho que as pessoas surdas têm na sua identidade. Também, as respostas de António ao questionário final reforçaram essa perspetiva: “É necessário quebrar as barreiras de comunicação e infor- mação”; “É necessário evolução e construção do conhecimento histórico da arte moderna e antiga. Para co-

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