• No results found

Pollini (2007, p.16) destaca que a moda “Se desenvolve em decorrência de processos históricos que se instauram no final da Idade Média (século XIV) e continuam a se desenvolver [...] é a partir do século XIX que podemos falar de moda como a conhecemos hoje.”

Na visão de Pollini (2007, p.38), “O século XIX começou, como um novo Renascimento. O conceito de rapidez, de velocidade, se instalava, e as maneiras de pensar, de vestir e de se divertir se modificavam [...] os bens de consumo, principalmente o vestuário, passam a ter uma produção muito mais rápida.”

Segundo Nery (2003, p. 160), “O Romantismo (1820- 1850) foi um movimento intelectual e artístico ocidental que, a partir do início do século XIX, fez prevalecer à imaginação sobre o espírito crítico, tanto na música quanto na literatura, nas artes plásticas e também na moda.”

Braga (2004, p.60) afirma que “o Romantismo defendeu a liberação das emoções humanas em detrimento do racionalismo iluminista anterior [...] influenciou o processo criativo, da literatura às artes, da música à arquitetura e obviamente a moda.”

Paris preocupava-se com a vida citadina e Londres privilegiava a vida no campo, estas características foram fatores que influenciaram a moda da época. Na moda feminina houve a busca de referências no passado, em 1820 a cintura dos vestidos volta ao seu lugar, sendo valorizada pelo uso do corpete e decotes. O xale de cashemire fazia parte do vestuário, as mulheres usavam jóias como relicários, cruzes, broches e adornavam os cabelos com travessas ou chapéus tipo boneca com plumas, fitas, flores além de usarem leques. Os tecidos utilizados nos vestidos da época eram muito sofisticados, como o tafetá, seda, cetim, crepe, musseline e brocados (BRAGA, 2004). Foi nesta época que se começou a valorizar detalhes nas roupas masculinas, bem cortadas e confeccionadas com tecidos de qualidade, predominavam tons escuros para casacos e paletós em tecidos lisos, eram muito valorizados os alfaiates ingleses e modistas parisienses. Eram usadas bengalas, lenços de linho branco, alfinete com pérola para gravata. Para as

mulheres surgiu a forma ampulheta e voltou o corpete com barbatanas chamado corset, também imensas mangas bufantes e uma grande gola eram usadas nos vestidos (NERY, 2003).

Na década de 1850, surgiu o conceito de alta-costura na França, criado por Charles Frederick Worth, que vestia toda sociedade parisiense, inclusive a esposa de Napoleão III. Um aspecto relevante da época é que, com o advento da Revolução Industrial houve uma facilidade financeira favorecendo uma similaridade visual das roupas entre as classes sociais (BRAGA, 2004).

De acordo com Köhler (2001, p.546), “Por volta de 1850, os vestidos ficaram menos decotados e os adereços para o pescoço tornaram-se desnecessários [...] a única jóia usada era um broche simples preso na frente do vestido [...] Por outro lado, os grandes e largos braceletes, usados nos dois braços, permaneceram em moda por muitos anos.”

No ano de 1857 surgiu a crinolina, que era uma armação utilizada embaixo das saias para sustentação na época os vestidos eram elaborados com um volume grande de tecidos. No inverno as mulheres usavam estolas de pele (KÖHLER, 2001).

Neste período a moda masculina era mais austera, cuja mensagem a ser entendida era de que o usuário era um homem sério e racional, destinado ao trabalho. Por outro lado, as roupas tinham uma estética exuberante para as mulheres, mas a imagem feminina era similar a uma boneca, sem liberdade para movimentos, e serviam como um símbolo de ostentação para os maridos (POLLINI, 2007).

Souza (1987, p.21) enfatiza que “É no século XIX [...] que a moda se espalha por todas as camadas e a competição [...] na rua, no passeio, nas visitas, nas estações de água, acelera a variação dos estilos, que mudam em espaços de tempo cada vez mais curtos.”

Por volta de 1880, os vestidos estavam com volume atrás da cintura até a altura dos joelhos, que era obtido através do uso de anquinhas, esses vestidos eram chamados de devant droit ou arriere (BRAGA, 2004).

No século XIX muitos foram os autores que se dedicaram a analisar a relação da sociedade com a moda, entre eles, Honoré de Balzac em 1830 publicou o Tratado da Vida Elegante falando de aproximações da moda e arquitetura, Thomas Carlyle

em 1853 publicou Sartor Resartus, onde realiza uma reflexão sobre a importância da moda na vida social do século XIX e Thorstein Veblen em 1899 publicou a Teoria da Classe Ociosa, onde fala de desperdício ostensivo, falando da mulher como uma vitrine estética do sucesso do marido (POLLINI, 2007).

2.2.6 Início do século XX

Nery (2003, p. 194) afirma que “Nos primeiros anos do século XX, antes do começo da Primeira Guerra Mundial, em 1914, aconteceu um período conhecido, na França, como Belle Époque. Foram anos marcados por grande extravagância, festas e bailes, uma época que será lembrada como as últimas loucuras da alta sociedade.”

Prevaleceu no início do século o gosto pelo aspecto curvilíneo, orgânico e ornamental da Art Nouveau ou Modern Style, impactando na moda, onde a Figura feminina era repleta de linhas curvas, criando a silhueta ampulheta, onde o ideal de cintura da mulher passou para 40 cm de circunferência, com o uso constante do espartilho e em alguns casos as mulheres realizavam cirurgias para obterem as medidas ideais (BRAGA, 2004).

No início do século na indumentária feminina os vestidos acentuavam o busto devido aos espartilhos, as saias tinham formas de sino em tecidos como crepe de Chine, musselinas de seda, tule e chiffon em tons pastel. Por outro lado, as mulheres jovens de classe média usavam costumes de duas peças feitos de lã inglesa (NERY, 2003).

O vestuário masculino continuava com sobrecasaca e cartola, neste período os homens começaram a usar terno de calca estreita e o popular chapéu-panamá. As mulheres usavam chapéus enormes com plumas, laços e flores. Mais tarde, iniciou- se um movimento para liberar os corpos das mulheres dos corsets, na Inglaterra o tailleur ganhou muitas seguidoras, surgiram calças bufantes, as bloomers, para andar de bicicleta, roupas para banho de mar, camisas e blusas leves (NERY, 2003).

A prática de banho de mar como lazer e não apenas com fins terapêuticos surgiu neste período, a roupa de banho era de malha e cobria o tronco até os joelhos e usava-se também meias. Isso influenciou também o desenvolvimento de roupas próprias para crianças, como a roupa marinheiro, pois até então, as crianças usavam roupas idênticas aos adultos (BRAGA, 2004).

Com o passar dos anos, no século XX, ocorreram diversas mudanças, guerras, e as roupas, que seguiam o pensamento humano, também sofreram alterações. Neste século observou-se a quebra de barreiras na moda, que deixou de ser expressão e ocupação de um grupo privilegiado e passa a ser acessível a outras camadas sociais (POLLINI, 2007).

Desde o final do século XIX que o papel do costureiro assumiu relevante destaque traduzindo a estética do período e no século XX eles começaram a ser chamados de estilistas (POLLINI, 2007).

A percepção da sociedade sobre a arte e os artistas foi modificada devido a uma sequência de movimentos vanguardistas como o Cubismo e o Surrealismo, provocando uma transformação nos costumes e valores, onde a Figura do estilista Paul Poiret se sobressaiu, pois ele conseguiu traduzir nas suas criações de vestuário os desejos da época (POLLINI, 2007).

Em 1906, Paul Poiret se inspirou no Balé Russo e criou um vestido que libertou as mulheres dos espartilhos, marcando assim, para sempre, a história da moda (POLLINI, 2007).

Nesta época o destaque foi o Balé Sherazade que influenciou com o tema oriental em muitas criações do vestuário, um novo modelo de mangas surgiu em Paris imitando os quimonos. Poiret elaborou trajes com véus, calças turcas, turbantes e brocados, oriundos de histórias e contos das mil e uma noites.

Nery (2003, p.195) descreve também que “O costureiro Poiret, realizador conseqüente na mudança do estilo, junto com o pintor Dufy, revolucionaram os desenhos para a indústria têxtil.”

Com o passar do tempo e com o advento da Primeira Guerra Mundial, ocorreram mudanças relevantes na forma com que as pessoas se vestiam, acarretando numa preocupação com a funcionalidade.

Nery (2003, p.195) afirma que “A guerra produziu um profundo efeito sobre a moda. A emancipação da mulher, a tendência de igualdade entre os sexos e o amor livre surgiu após o cadastramento de mulheres para substituir a força de trabalho masculina nos serviços de saúde, transporte, indústria e agricultura, o que lhes trouxe também a independência econômica.”

Na visão de Braga (2004), a ocupação pelas mulheres dos cargos que eram masculinos, foi o começo da emancipação feminina, uma necessidade devido a Primeira Guerra Mundial que depois se tornou um hábito. “A necessidade de trabalhar fez com que a mulher não pudesse mais se apertar em rígidas formas [...] virou realmente moda o não uso do espartilho, uma vez que tolhia os movimentos.” (BRAGA, 2004, p.70).

Durante a guerra, a moda era repleta de roupas práticas, com bolsos e cintos de amarrar, a roupa feminina era o mais simples possível, composta por casacos soltos ou amarrados e cardigãs de tricô (POLLINI, 2007).

Nos anos de 1910, além da queda do espartilho, as saias também encurtaram até a altura das canelas, deixando parte das pernas, meias e sapatos a mostra e em 1916 Gabrielle Chanel inova a apresentar seu tailleur de jérsei, uma malha de toque macio e sedoso (BRAGA, 2004).

Chanel em 1916 começou a utilizar o jérsei que proporcionava um efeito fluído nas peças, até então, este tecido era utilizado apenas em lingeries. “Chanel desde suas primeiras criações, soube identificar na mulher uma nova postura, sendo ela mesma exemplo desta mudança, soube conquistar uma independência incomum para os padrões da época.” (POLLINI, 2007, p.56).

O trabalho, o esporte, a dança, a vida independente, contribuíram para que as roupas se adaptassem as novas necessidades das mulheres encurtando mais as saias e surgiu um estilo andrógino, de acordo com a emancipação feminina, aliados aos hábitos adquiridos de cabelos curtos, dirigir automóveis e de fumar em público (BRAGA, 2004).

2.2.7 As Décadas de 1920 e 1930

Após o final da Primeira Guerra, “ocorreu na Europa o fenômeno da leveza e da celebração da vida [...] este espírito foi tão forte durante os anos 20, que eles ficaram conhecidos como os Anos Loucos” (POLLINI, 2007, p.53).

Os anos de 1920 foram anos revolucionários, o funcionalismo tornou-se a palavra chave, a mulher continuou a trabalhar e consumir. A diversão era um fator muito relevante desta época e a dança com os ritmos do charleston e foxtrot, contribuíram para que em 1925 o comprimento das saias chegasse abaixo dos joelhos, foi um fato histórico, pois na história da indumentária somente na Pré-História as mulheres mostraram as pernas (BRAGA, 2004).

Passado o interesse pelas formas vegetais da Art Nouveau, surgiu um novo estilo em reação ao exagero das curvas chamado de Art Déco, que trabalhava com linhas geométricas, os dois estilos se uniram com o objetivo de criar elegância e beleza, a roupa feminina com saias retas e os cabelos curtos a la garçonne (a maneira dos meninos) e o excesso de funcionalismo, se traduziu em um culto a simplicidade (NERY, 2003).

A silhueta se alterou efetivamente, a altura das saias, os cabelos, os costumes, a liberdade de movimentos do novo vestuário tubular, onde os quadris e seios não eram mais evidenciados (POLLINI, 2007).

Nos anos 20 a aparência andrógina era a ideal, a silhueta era similar a um tubo, os vestidos encurtaram e a cintura baixou, as mulheres começaram a usar camisas, gravatas e blazers, chapéu cloche (sino), meia de seda artificial, sapatos bico fino, usavam xales com franjas para cobrir decotes nas costas dos vestidos de noite. Neste período surgiram as bijuterias como os colares de pérolas falsas e bolsas com alças longas, a alta costura se inspirou em artistas como Picasso (NERY, 2003).

As roupas de banho também encurtaram, os tecidos agora são mais grossos, com desenhos geométricos. O aspecto da praticidade também impactou nas roupas infantis que ficaram

mais leves e curtas, favorecendo a liberdade de movimentos para brincar (BRAGA, 2004).

Para os homens, segundo Nery (2003, p.211) era a “chegada dos pulôveres, camisas com golas e punhos costurados e paletós cintados [...] o terno clássico, porém, não se modificou, ao lado do fraque com calças de tecido listrado chegou o smoking para ocasiões festivas.”

Baudot (2008, p.65) afirma que o período entre-guerras foi dominado pelas mulheres, “Entre elas, destacam-se Madeleine Vionnet e Gabrielle Chanel [...] a primeira uma técnica engenhosa, inteiramente ligada à construção do vestido. A outra [...] é uma mulher livre [...] subversiva e preocupada em estabelecer um novo código de roupas que atenda a um novo tipo de mulher.”

Após a crise da Bolsa de Nova York, em tempos de recessão, a silhueta feminina se modificou em relação aos Anos 20, foram valorizados ombros e a cintura, traduzindo em mulheres mais maduras e capazes de enfrentar os desafios (POLLINI, 2007).

Baudot (2008, p.98) destaca que “Durante os anos 30, a forma do corpo volta ao lugar, remodelada segundo os cânones neoclássicos, a plástica feminina recorre a partir daí o sutiã e a um tipo de cinta.”

Paradoxalmente a crise econômica, ocasionada pela queda da bolsa de New York, a moda se traduz em sofisticação e luxo, devido ao sucesso das atrizes de cinema de Hollywood como Greta Garbo, Marlene Dietrich, Jean Harlow, que ditavam a moda feminina (BRAGA, 2004).

“Nos anos 30, a fábrica de sonhos hollywoodiana fornece alguns modelos de moda. Um traje de Travis Banton, Edith Head ou de Gilbert Adrian, visto nas telas por milhares de pessoas, tem mais impacto que a fotografia de um vestido apenas notado [...] em determinada revista.” (BAUDOT, 2008, p.104).

Os desenhistas do figurino do cinema americano não seguiam com rigor a moda de Paris, criavam estilos originais utilizando materiais luxuosos, decotes profundos, plumas e transparências (BAUDOT, 2008).

O cetim foi o tecido que representou a identidade de moda dos anos 1930, toques de seda, brilhos e silhueta marcada, o corte godê, evasê e viés dos vestidos, comprimentos

maiores que dos anos 20 no meio da panturrilha chegando a comprimento longo para vestidos de noite que valorizavam em decotes profundos as costas, fazem parte do guarda-roupa das mulheres da época (BRAGA, 2004).

Segundo Nery (2003, p.220), “Os anos 30 marcaram a consolidação dos costureiros, o contrário das criações aventureiras da década passada. O espírito mais típico da época encontra-se claramente expresso nas palavras de Gabrielle Chanel: uma moda que não pode ser facilmente usada por uma vasta camada da população não é moda alguma.”

Sobre Chanel, Baudot (2008, p.77) afirma que “Suas criações nascem em função de suas necessidades [...] se cria vestidos de noite é porque ela própria é convidada para eventos [...] quando recorre ao tweed, ao corte masculino ou a malha, é para montar a cavalo com o Duque de Westminster, bronzear-se na Rivieira com Serge Lifar.”

Monneyron (2007, p.34) afirma que “Através de sua moda, Chanel libera definitivamente a mulher da incapacidade física de participar plenamente da vida social a qual as roupas a submetiam, encorajando-a a ter uma vida fisicamente mais livre, aquela que ela desejava, aliás, para si mesma e para seus contemporâneos.”

Neste período, a estilista Madeleine Vionnet apresenta criações atemporais, considerada um gênio dos cortes em viés, cria vestidos de noite, com drapeados que se adaptam totalmente ao corpo da mulher com leveza e refinamento (BAUDOT, 2008).

Eram características do vestuário dos anos 30, o corte perfeito, os recortes assimétricos com o objetivo de afinar a silhueta das mulheres, vestidos com tecidos cortados no viés, os tailleurs eram feitos de tweed nas cores cinza, preto e azul- marinho, o chapéu e as luvas eram acessórios obrigatórios e a maquiagem acentuava a boca que emoldurava um rosto com cabelos curtos e levemente ondulados (NERY, 2003).

Para os homens modernos desta década, o terno escuro com listras finas era o mais apreciado, as calças tinham barras viradas, pregas e vincos, usavam capas impermeáveis, paletós de tweed e pulôver sem mangas (NERY, 2003).

A moda masculina também se tornou flexível pela prática do esporte, em 1933 surge a camisa Lacoste, proporcionando

mais movimento ao corpo. A descontração nas roupas masculinas começa a surgir e os atores de Hollywood a popularizaram com elegância (BAUDOT, 2008).

Neste período as estilistas de destaque além de Chanel, eram: Madeleine Vionnet, que usava a técnica da moulage e se inspirou nas esculturas da antiguidade grega; Madame Grès que ousava nos efeitos drapeados; Jeanne Lanvin e Nina Ricci. Mas o destaque em termos de inovação com irreverência foi a estilista Elsa Schiaparelli que introduziu na moda aspectos do surrealismo, se inspirando em Salvador Dali (BRAGA, 2004).

2.2.8 As Décadas de 1940 e 1950

Na década de 40 em toda Europa, com o advento da Segunda Guerra, vários produtos foram racionados e se tornaram caros como os alimentos, os tecidos, o couro, os botões e a mão-de-obra. Com este cenário a roupa prática veio substituir os modismos, eram usados o tailleur com saia mais curta e estreita. “A alta costura fechou suas portas, como fez Chanel, que só reabriria as suas portas após 15 anos. Enquanto durou a guerra, não houve grandes criações e o setor da moda não podia trazer novidades.” (NERY, 2003, p.232).

Segundo Pollini (2007, p.58), “Grande parte do fornecimento de matéria-prima era destinado às necessidades da guerra, gerando escassez que não poderia deixar de influenciar a moda: a lã era destinada à produção de uniformes, a seda e o nylon à produção de pára-quedas e o couro à produção de botas e acessórios para os soldados.”

Baudot (2008, p.109) descreve que na França “Normas imperativas regulam o vestuário, assim, a partir de 1940, está proibido mais de quatro metros de tecido para um mantô e um metro para chemisier. Nenhum cinto de couro deve ter mais de quatro centímetros de largura.”

Os ombros marcados eram uma identidade de moda da época, as roupas femininas se tornaram mais masculinas, a moda eram as duas peças para usar de dia ou de noite, saias e casacos em tecidos simples e racionados. A saia-calça também foi usada pela praticidade para andar de bicicleta, os sapatos

ficaram mais pesados com plataformas e Carmem Miranda ajudou a divulgar a plataforma no cinema nacional e em Hollywood. O uso dos turbantes e lenços ocorreu por uma necessidade de proteção no trabalho e também pela escassez de cabeleireiros na época da guerra (BRAGA, 2004).

“A Europa, logo depois de libertada, descobre os ritmos do jazz e as meias de náilon trazidas nas bagagens dos soldados americanos. Em contrapartida, muitos [...] levarão para os Estados Unidos para aquela que os espera [...] um frasco de Chanel N° 5” (BAUDOT, 2008, p.130).

Em 1945, com o término da guerra, foi lançada em Paris uma exposição chamada Théâtre de la Mode, que correu o mundo, um projeto de marketing que fez com que Paris voltasse a receber os clientes de alta-costura, através da exposição em bonecos de criações dos estilistas: Balenciaga, Balmain, Dior, Givenchy, entre outros (BRAGA, 2004).

Surgiu após a Segunda Guerra, nos Estados Unidos, o ready-to-wear, a produção de roupas em escala industrial, com qualidade e numeração variada de um mesmo modelo. Em 1946, os franceses após viagem aos Estados Unidos fazem uso da ideia e a chamam de Prêt-à-Porter. Neste mesmo ano o estilista francês Louis Réard inventou uma roupa de banho que era composta de duas partes e chamou de bikini, que foi um escândalo para época (BRAGA, 2004).

Nesta década, a moda começa a ser difundida associada a grupos musicais ou grupos específicos, conceito este que mais tarde se chamaria de tribos (BRAGA, 2004).

No pós-guerra, após o racionamento, a Europa se recuperava dos difíceis anos e foi neste período que o estilista Christian Dior lançou o New Look, traduzido em extravagância, feminilidade, elegância, com características totalmente opostas ao vestuário no período da guerra, mesmo sendo muito criticado, o estilo tornou-se uma febre entre as mulheres (POLLINI, 2007)

Foi no ano de 1947 que Dior lançou o New Look, as saias utilizavam no mínimo 15 metros de tecido e desta forma incentivou a indústria têxtil, marcando o fim de uma época e início de outra onde as mulheres queriam voltar a usar roupas femininas. Para estar na moda, muitas mulheres usaram lençóis e cortinas para confeccionar a saia. No pós-guerra junto com as saias amplas era valorizada a cintura de vespa, os babados e

detalhes nas roupas. Os homens usavam ternos clássicos com gravatas coloridas (NERY, 2003).

As mulheres usavam o tailleur, como o terninho Chanel, em qualquer ocasião, vestidos mais curtos, mantôs – espécie de casaco comprido. Os homens usavam calças e blusões esportivos, paletós com ombros largos e calças estreitas e o jeans era usado por jovens e adultos, sendo divulgados para todo mundo através dos filmes sobre juventude rebelde (NERY, 2003).

Nessa década, a moda foi de extrema sofisticação, luxo e glamour, onde a alta costura teve seu momento de grande