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Qual o problema abordado por Adorno14 e Horkheimer? 15Para esses autores a racionalidade instrumental levou a humanidade à barbárie, frustrando o que o iluminismo16 prometeu. Ao se colocar sobre o abrigo da razão, a modernidade desmantelou a natureza e colocou o homem a mercê da tecnologia, do desenvolvimento ilimitado, do consumismo e das regras do mercado. Ao privilegiar a dimensão instrumental da razão, a humanidade passou a crer ser este o caminho de libertação das “escolas” que se fundamentavam na mitologia e na teologia para apresentarem suas explicações a respeito da natureza. Para Silva (2009, p. 12) o iluminismo

equivalia à pretensão de desenvolver a emancipação do sujeito do jugo da autoridade, libertar os seres humanos do “mito” a partir da capacidade humana de criação e da descoberta científica, ou seja, ampliar o grande ideal de esclarecimento no próprio progresso humano, no seu desenvolvimento dentro da sociedade moderna.

Adorno e Horkheimer colocam “sob suspeita” a crença exacerbada na capacidade de a ciência e a tecnologia de libertarem a

14 Theodor Wisengrund Adorno nasceu em 1903 em Frankfurt. Foi um dos expoentes da escola de Frankfurt e contribuiu para o crescimento intelectual da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial. FREITAG, Bárbara. A Teoria crítica: ontem e hoje. P. 37. São Paulo: Editora brasiliense, 2004.

15 Max Horkheimer nasceu em 1885, Stuttgard e faleceu em 1973. Em 1923 associou-se a criação do Instituto de Pesquisa Social, do qual foi diretor, em 1931, sucedendo o historiado austríaco Carl Grunberg. FREITAG, Bárbara. A Teoria crítica: ontem e hoje. P. 38. São Paulo: Editora brasiliense, 2004. 16 O iluminismo foi um movimento intelectual europeu que se constituiu de forma plena no século XVIII com os enciclopedistas franceses Voltaire, Diderot, Helvétius, Rousseaus e outros. Na Inglaterra, é Locke seu representante mais expressivo. Na Alemanhã, Kant. O iluminismo nasceu e se desenvolveu a partir da valorização da luz natural ou razão [...] onde nada pode permanecer velado ou coberto”. Matos, Olgária C. F. A escola de Frankfurt – luzes e sombras do iluminismo. P. 33 Editora Moderna. Coleção Logos. 2002.

humanidade. Ambos postulam que as pessoas devem compreender melhor os caminhos da racionalidade e que as instituições de ensino deveriam desenvolver um pensamento crítico em relação às promessas da ciência, que conseguiu destronar a religião de sua posição de guardiã da verdade, mas não foi capaz de construir uma sociedade liberta da escravidão, da exploração do trabalho humano e da exclusão social. Os autores argumentam que os avanços tecnológicos nos “tempos modernos” configuram uma problemática que não se reduz somente à atividade científica em si, mas aos seus desdobramentos, o que significa dizer que nesse processo os sujeitos são transformados em “mercadoria” e/ou em máquinas de consumo.

Adorno e Horkheimer fazem referência à cultura e as modernas sociedades de massa. De acordo com Freitag (2004, p. 11) a análise crítica do capitalismo moderno se tornara necessária, pois,

A onipotência do sistema capitalista (...) estaria segundo essa nova análise, deturpando as consciências individuais, narcotizando a sua racionalidade e assimilando os indivíduos ao sistema estabelecido.

É importante salientar que as reflexões desenvolvidas pelos autores se aprofundaram na Escola de Frankfurt17, principalmente após assumirem a direção do Instituto de Pesquisa Social em 1930.

A Escola de Frankfurt foi uma escola de teoria social, interessada em analisar a sociedade da época, inclusive as comunistas, que se organizaram em torno dos ideais do partido comunista. A escola de Frankfurt atuou como um centro de pesquisa. Seus seguidores não se contentavam com as explicações marxistas sobre as questões complexas

17 A Escola de Frankfurt consistia em um grupo de intelectuais que na primeira metade do século passado produzia um pensamento conhecido como Teoria Crítica. Os principais representantes dessa escola são Theodor Adorno, Max Horkheimer, Hebert Marcuse e Walter Benjamim. “Entre 1930 e 1950 trataram de tudo: de filosofia, de economia, de sociologia, da cultura de massas, da psicologia autoritária, da estética, de cinema, da música, da tecnologia, da ideologia, da acumulação do capitalismo, do desemprego, da literatura, do autoritarismo, do fascismo, da psicanálise e dos efeitos da repressão sexual”. NOBRE, Marcos. A Teoria Crítica. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2004.

que envolviam a condição humana na sociedade moderna. O contexto político e social tocou profundamente seus integrantes, principalmente os relacionados às atrocidades provocadas pela Segunda Guerra Mundial, notadamente as invasões nazistas.

Apesar da proclamação do fim do genocídio com a “derrota” dos ideais de Adolf Hitler, para esses autores, segundo Nobre (2004, p. 50)

a vitória das tropas aliadas não significou a restauração das possibilidades revolucionárias. (...) Ao contrário, o capitalismo bloqueia estruturalmente qualquer possibilidade de superação virtuosa da injustiça vigente e paralisa, portanto, a ação genuinamente transformadora. Nessa perspectiva, Adorno e Horkheimer são enfáticos ante a insensibilidade dos homens no mundo moderno – especialmente a apatia burguesa, a respeito da dominação da natureza. Tornamo-nos insensíveis e apáticos frente ao progresso da ciência e dos benefícios por ela produzidos, em forma bens de consumo. Acomodam-nos e nos silenciamos frente ao desenvolvimento desenfreado, este que nos serve de bens e de muitas futilidades, escravizando-nos diante de um processo praticamente interminável de comercialização e de exploração dos recursos naturais.

A literatura pode recorrer às análises desses autores quando se propõe à conscientização dos alunos para uma formação na cidadania, uma vez que a atualidade da Teoria Crítica reside em compreender a sociedade moderna e os seus problemas, e ao fazer isso, reitera, nas palavras de Gallo, apud Ghedin (2002, p. 231) as “potencialidades” nos estudantes, na perspectiva da transformação da estrutura social. Para Adorno e Horkheimer a ciência e a tecnologia não poderiam ter um fim em si mesmo. Os autores recordam que o projeto iluminista buscava esclarecer o significado da existência numa tentativa de revelar que a humanidade poderia conquistar o progresso de forma autônoma em relação aos desígnios da religião e beneficiar-se individual e coletivamente das conquistas que a sapiência humana produzira. As proposições defendidas por esses autores representam uma significativa contribuição da filosofia à educação.