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As tecnologias apresentam-se hoje, cada vez mais, no quotidiano contribuindo, definitivamente, para o desenvolvimento das sociedades. No entanto, num mundo tecnológico cada vez mais global, tem vindo a surgir cada vez mais discursos nem sempre consensuais sobre as relações que se estabelecem entre a escola e as tecnologias. De um lado, existem opiniões que consideram que as tecnologias conduzem à perda de hábitos de leitura e de trabalho nas crianças, de outro lado, existem opiniões que consideram que é suficiente equipar todas as escolas com computadores e acesso à Internet para que as crianças obtenham melhores resultados no seu processo de ensino aprendizagem.

A união entre a leitura, a escrita e a novas tecnologias (televisão, telemóveis e Internet…), permite assistir-se hoje, como refere Ruiz (2005: 293), ao aparecimento de um novo paradigma comunicacional interactivo e ao surgimento de novos espaços:

“para a pluralidade, a diversidade, o intercâmbio multicultural e a participação dos cidadãos à escala global”.

Nesta sociedade, cada vez mais, novas formas de literacia desafiam os educadores a implementar estratégias diferenciadas que tornem os estudantes leitores bem-sucedidos, incentivando-os a alargarem a suas competências de leitura e escrita. Surgem assim novas prácticas de leitura na internet e outras formas de reconstrução do conceito de literacia.

Assim, como refere Melão (2010), o conceito de “comunicação de massa” está hoje a ser ultrapassado para dar lugar a uma nova conceptualização teórica apoiada na construção de uma “sociedade em rede”. Segundo Rodrigues e Oliveira (2005) o desenvolvimento e a expansão rápida das Tecnologias de Informação e Comunicação, com a passagem para a Sociedade da Informação, onde a comunicação, a criação digital ou as redes assumem grande importância, têm levantado diversas questões sobre a natureza e as funções atribuídas ao livro, como tradicionalmente o conhecemos, e até sobre o seu eventual desaparecimento. Pode afirmar-se que a relação com a escrita mudou, assistindo-se a alterações nas técnicas de reprodução dos textos, do seu próprio formato, que consequentemente implica mudanças também nas práticas de leitura.

De acordo com Furtado (2002), esta singularidade leva a que que tenha surgido uma crise nas categorias que têm permitido a ligação com o livro e com a sua cultura. Ou seja, se até então podia facilmente distinguir-se, um livro de um jornal, agora, com o formato digital, as diferenças tornam-se ténues. Estas edições electrónicas, com maior facilidade de produção e disseminação, de actualização e correcção e potencialidades interactivas, oferecem várias vantagens face à edição tradicional: disponibilidade do conteúdo (tempo e local), maior transparência e interactividade do conteúdo (possibilidade de construção conjunta, pesquisa, etc.) e formato do conteúdo (hipertexto e multimédia). Como frisam Ijuim e Tellaroli (2007:3), a sociedade mudou a dinâmica nas relações que envolvem troca de informações:

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“migrando do meio geográfico (físico) para o meio virtual oferecido pelas redes”.

Tal contingência tem, assim, contribuido para que, cada vez mais, em sociedade, surjam novas vias a serem aprofundadadas e exploradas, na auto-estrada do conhecimento. Kellner (2002), salienta por isso, o facto de as novas tecnologias exigirem o desenvolvimento de competências renovadas, lançando desafios educacionais que implicam uma expansão do próprio conceito de literacia. Neste sentido, Sylvester e Greenidge (2009) referem para a importância de novos modelos e práticas de acordo com as exigências da evolução da chamada “sociedade de conhecimento”. Pelo que como refere Melão (2010: 12) o sucesso em literacia passará pelo reequacionar de contextos e práticas desenvolvidas que acompanhem a evolução das novas tecnologia, devendo atribuir-se um papel de destaque não só à escola e aos seus profissionais, como também às próprias comunidades envolventes:

“O acto de ler, à luz das mudanças de um mundo cada vez mais global, pode agora ter lugar fora dos limites tradicionais da página escrita, com o auxílio da tecnologia, a qual permite desenvolver competências que extravasam as fronteiras da palavra, aliando-lhe sons e imagens em movimento que instalam universos imaginários de forma porventura mais profícua”.

Compreende-se, desta maneira, que nesta nova realidade não esteja ausente a mudança no(s) modo(s) como os alunos interagem com a língua Portuguesa e a própria escrita, recorrendo a abordagens pautadas por critérios ditados por uma sociedade cada vez mais globalizada. Assim, como sustenta Reis (2009), a disseminação da Internet e das comunicações em rede favoreceu o aparecimento de novas linguagens associadas a procedimentos de escrita e de leitura de textos electrónicos mediados pelo fomento das tecnologias de informação e comunicação.

Como sublinha Melão (2010: 82), por um lado, existe um investimento nas experiências de leitura com o livro enquanto objecto manuseado, onde os alunos têm a oportunidade de ver e ouvir o passar das páginas, podendo também antecipar o prazer da leitura pela descoberta de novos trilhos de exploração. Por outro lado, a leitura digital:

“abre a porta a um conjunto de novas linguagens, no qual aspectos de índole verbal e não verbal têm um papel preponderante”.

Esta interacção com o livro digital permite ao leitor realizar processos de descodificação da mensagem, que, ultrapassando as fronteiras da palavra, poderão favorecer a compreensão da estrutura narrativa. Apesar de reconhecer as potencialidades inerentes ao uso das novas tecnologias de informação e de comunicação, Sim-Sim (2009), o mesmo sublinha e refere os constrangimentos e desafios inerentes existentes a tais desenvolvimentos, quer no que diz respeito ao professor, quer no que diz respeito ao aluno. Pelo que, aponta, entre outros aspectos, no primeiro caso, para a dificuldade de integração plena da tecnologia nas práticas e para a formação dos docentes que a utilizam. Relativamente aos alunos, destaca-se o risco do não empenhamento dos alunos na leitura em profundidade, bem como o decréscimo no

54 consumo da cultura literária, que em seu entender, não promove a comunicação verdadeira nem o desenvolvimento aprofundado das ideias.

À luz das mudanças de um mundo cada vez mais global, reconhecidamente, o acto de ler, começou agora a ter lugar fora dos limites tradicionais da página escrita, com o auxílio das novas tecnologias, a qual permite desenvolver competências que extravasam as fronteiras da palavra, aliando-lhe imagens e sons em movimento que desenvolvem universos imaginários de forma possivelmente mais proveitosa. Se o livro continua a ser uma ferramenta essencial para a literacia, a oferta de leitura oferecida por sites na Internet, o próprio recurso às bibliotecas digitais, motiva também os leitores a partirem em busca de trilhos inesperados mas vantajosos. Pelo que, ler na era digital implica e continuará a implicar necessariamente o rever de práticas em contexto educativo, tendentes a uma colaboração e intervenção mais activa com a comunidade envolvente e um crescente empenhamento e motivação por parte de todos os que partilham a responsabilidade de educar para a literacia.

2.2 – Factores que influênciam as competências literácitas dos