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Numerical approach

7.2 Numeric results

No decorrer da democracia brasileira, as organizações partidárias, seus candidatos e os eleitores se adaptaram a um ambiente político mais competitivo, o que certamente resultou na aplicação de um comportamento estratégico em ambos os lados. Os partidos e políticos estabeleceram estratégias baseadas no marketing eleitoral, na constituição de alianças que antes eram tidas como impossíveis e em trocas de favores com os votantes – a famosa política do toma lá, dá cá. Já os eleitores, que passaram mais de uma década sem eleger um presidente, governador ou prefeito democraticamente, graças à emergência do sufrágio universal puderam dar voz às suas preferências e, com o passar do tempo, optar, tendo em vista a avaliação daquilo que fez (ou não fez) o governo, ou manifestar apoio nas urnas ao partido ou candidato que mais lhes agradavam ou presenteavam.

Com o aumento do número de partidos e com as transformações ocorridas no mercado eleitoral, veio à tona o voto estratégico, pautado pela simpatia ou pela rejeição em relação às alternativas ofertadas pelas elites políticas. A estratégia nesse caso consiste em abandonar o lado mais fraco, ou seja, não votar no candidato/partido visto como sem chances, a fim de não desperdiçar o voto, depositando-o na alternativa que se considera menos prejudicial entre aquelas que ainda estão no páreo (PASQUINO, 2005).

Diante das infinitas motivações e estratégias dos atores que protagonizam o período eleitoral, a conexão entre candidatos, partidos e eleitores é evidente e fundamental para entender a dependência entre eles. Portanto, os papéis dos sistemas eleitoral e partidário, por se acharem entrelaçados, devem ser ponderados para a compreensão do que ocorre antes da eleição e durante ela, sabendo que a etapa pré-eleitoral tem grande peso no resultado final da competição. Segundo Pasquino (2005), a formação de um governo se apresenta como o resultado das dinâmicas que envolvem ambos os sistemas e, evidentemente, o voto dos eleitores.

O que une o sistema partidário ao eleitoral não é somente a exigência de ser filiado para ser eleito ou a criação de identidades políticas, mas também, e principalmente, as normas eleitorais que hoje, no Brasil, por darem autonomia aos partidos políticos nos critérios de escolha e regime de coligações, incentivam a definição de alianças políticas

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fundamentadas no comportamento office-seeking das organizações partidárias, isto é, na procura pela ocupação de cargos.

Conforme apontou Max Weber, os partidos políticos podem se basear fundamentalmente na “patronagem de cargos”, visando ao arranjo de “cargos públicos para seu séquito, composto do aparato de funcionários e de propaganda do partido” (WEBER, 2014, p. 195). A inserção política dos partidos menores, menos visíveis na arena eleitoral, dá-se comumente pela aliança aos partidos maiores; aqueles esperam ser lembrados na repartição dos cargos e benesses, caso haja a vitória do aliado. Com isso, beneficiam-se também os partidos maiores, os quais buscam parceiros que os ajudem na formação de uma coligação que tenha chances reais de (re)conquistar o poder.

Há vários motivos para o aumento das alianças entre as organizações partidárias; entre eles está o de atenuar o impacto da crescente fragmentação do sistema partidário sobre a competição política, o que faz com que uma candidatura isolada tenha menos chances de vitória (CARREIRÃO, 2006). É certo que muitos partidos desistem ou nem cogitam encabeçar uma candidatura, para que possam propiciar apoio a outro partido que possua mais chances de se eleger, isto é, que tenha uma candidatura viável, de peso (LIMONGI; MESQUITA, 2011). Esse movimento interfere na composição do governo, pois em caso de vitória os cargos terão de ser repartidos entre os aliados.

Se a escolha dos aliados influencia o resultado eleitoral, pressupõe-se que essa escolha deva levar em consideração a distribuição das preferências eleitorais com relação aos partidos políticos ou, pelo menos, a capacidade que esses últimos e suas lideranças possuem para mobilizar tais preferências. É evidente que uma aliança com um partido que tenha maior inserção territorial e apoio popular é mais vantajosa que se aliar a um partido na situação contrária. O vínculo a um partido de peso é importante não só para se conquistar uma eleição majoritária como também para angariar aliados no Poder Legislativo, que, por formarem a base de sustentação do governo, serão fundamentais no decorrer do mandato mediante a negociação ou intermediação de demandas.

Assim, a estrutura da competição interfere no êxito eleitoral (LIMONGI; GUARNIERI, 2015) de uma candidatura. A construção de alianças, que integra o jogo político, é um dos pontos que iniciam a modelagem da disputa. Limongi e Mesquita (2011) apontam que o desenvolvimento da capacidade de mobilização do eleitorado depende da

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construção pelos partidos da sua estratégia eleitoral, que passa pelas alianças formadas na pré-campanha e pela distribuição de forças, caso haja um segundo turno.

A mobilização eleitoral não é feita somente via identidade e ideologia partidária, mas também, e talvez com mais efetividade, via atração de eleitores de partidos que pecam por não apresentar candidaturas viáveis e/ou por não serem flexíveis quanto à formação de alianças, visando preservar e manter pura a sua linha ideológica.

Nesse sentido, “na ausência de coligações eleitorais entre os partidos dos diferentes blocos, a coordenação fica a cargo dos eleitores” (LIMONGI; MESQUITA, 2011, 209), o que abre espaço para o voto estratégico citado anteriormente. Aderir a uma estratégia de mobilização menos ideológica e mais eleitoreira parece ser a escolha de parte significativa dos partidos. Carreirão aponta que “(...) a estratégia de lançar coligações com graus fraco ou médio de coerência ideológica, não apenas não é punida pelos eleitores, como tem um rendimento superior ao das coligações ideologicamente mais consistentes” (CARREIRÃO, 2006, p. 158).

2.8. A importância dos aliados para as vitórias tucanas em São Paulo

As eleições para o Executivo estadual paulista desde 1994 nunca tiveram menos de nove candidatos, coligados ou não, alcançando, em 2006, o maior número de concorrentes disputando o cargo: 17 candidatos. Certamente o elevado número de candidaturas representa a alta quantidade de partidos políticos registrados hoje no Brasil. No entanto, a competição político-eleitoral comumente ocorre centralizada em poucos partidos e candidatos, o que aponta para uma dinâmica eleitoral bipolar ou, no máximo, tripolar. Conforme ressalta Peres (2013), fazer parte de uma competição não significa ser competitivo.

Uma candidatura viável, isto é, aquela que é visível aos olhos dos eleitores e considerada por eles, depende de vários fatores e de circunstâncias que se colocam no meio político, não bastando para a vitória apenas estar na disputa. De 1980 até o início dos anos 90 a política paulista foi centrada no PMDB e no PDS, que mais tarde virou PPR, partido de Paulo Maluf. Em meados dos anos 90, a centralidade do PMDB passou para o PSDB, e a partir daí os tucanos tiveram, com raras exceções, o PT como principal adversário, especialmente a partir de 2002.