• No results found

1. Exploratory factor analysis on the IL test items – Pilot sample (17 items) Raw data and correlation matrices used in these analyses are available Nierenberg, Låg, and

1.3 Number of factors

Ao discutir sobre a educação na China e suas modificações no período revolucionário, um ponto que ressalta é a aliança entre trabalho produtivo e ensino, que também significa a ligação entre trabalho manual e intelectual. O significado dessa formação científica segundo a concepção apresentada é a elevação cientifica e intelectual que permita conhecer o processo produtivo como um todo e também ressalta o caráter classista e de defesa da política do proletariado. Esse modelo cercou todas as instâncias, inclusive no interior do Partido, pois existia como diretiva que os quadros do Partido deveriam participar do trabalho coletivo de produção, pois a ligação com as massas se dava por meio do trabalho. Todos devem trabalhar, e o significado dessa afirmativa para os membros do Partido é que estes não deveriam

tornar-se burocratas distanciados do povo, além de evitar o revisionismo o dogmatismo.

No processo revolucionário chinês que implicou na estruturação da pedagogia desenvolvida no país, buscou-se uma formação teórica que servisse aos trabalhadores para que estes pensassem a sua condição e que a escola fosse um espaço aberto para discussões das contradições políticas existentes na China e no mundo. As contradições em geral expressavam pelo embate da política revolucionária versus a política revisionista, sendo que a segunda, servia a interesses capitalistas. Assim pode-se dizer que existia a preocupação de colocar a ideologia do proletariado no comando de todas as ações.

Ao discutir sobre o papel do trabalho como instrumento de ensino têm-se duas formas deste se apresentar, um nos diversos espaços sociais e outro na escola. Nesse sentido, qual é o princípio que está por traz dessa ação? É a compreensão da necessidade na formação de trabalhadores, camponeses e estudantes aliada a teoria à prática. O significado dessa aliança para trabalhadores e camponeses e intelectuais é formar trabalhadores cultos com uma consciência socialista, e que estes tivessem acesso ao conhecimento teórico que deveria estar aliado à atividade prática destes. Também era necessário, que os intelectuais da antiga sociedade aliassem seu trabalho teórico às atividades que se desenvolvidas pelos trabalhadores. Existe a busca em popularizar a teoria e a prática de forma que estudantes e teóricos estivessem em contato com o trabalho produtivo, tanto no campo como na cidade.

A discussão sobre a relação teoria e prática assim se relaciona diretamente com ensino e trabalho produtivo e consequentemente com a tarefa de construção de uma nova educação, um novo ensino para uma nova sociedade. Nesse aspecto existe a ideia e prática da destruição do velho modelo para criar o novo, com novas ideias e práticas. Nesse sentido, que se coloca a questão da direção, pois como apontado nos textos da época escritos por Mao ou membros do Partido era tarefa da classe operária a criação de um sistema de ensino proletário, em que os valores, comportamentos e a própria direção fossem os trabalhadores, quebrando a lógica burguesa onde os intelectuais fixados na teoria dirigissem as escolas, pois essa organização permitia que valores e princípios ideológicos burgueses se apropriassem das práticas e ações escolares.

Nas escolas colocava-se a necessidade de elaboração de cursos cujo conteúdo deveria ser simplificado. Porém, este deveria ser melhorado e estreitamente ligado ao trabalho produtivo. Esse fato é compreendido a partir da seguinte citação:

A característica da reforma da educação nesta escola é o seguinte: sair da sala de aula, ter como professores os operários e camponeses, fazer unidades produtivas, aulas de estudo, ligar teoria à prática, é instruir-se seja com o olhar na produção agrícola de campo. Mantendo o ensino teórico intimamente ligado à prática de produção dos educados a assimilação é rápida, lembrando-se bem e como aplicá-la. 13 (SENENT-JOSA, 1977. p. 109)

Essa noção de aliança de trabalho produtivo e teoria como forma de desenvolver cada vez mais as técnicas para aperfeiçoar a produção humana na China é o que vai mais se colocar como princípio de formação e reflete:

A defesa feita por Mao da importância dessa união se baseava na compreensão de que enquanto o trabalho intelectual for muito mais valorizado que o trabalho manual, estarão em vigência os valores da sociedade burguesa, e por isso nenhum esforço para mudar completamente essa noção é em vão. (REZZAGHI, 2009, p. 70)

Assim compreende-se o motivo de aliar a prática de produção e estudar trabalhando e este fato se dá em acordo com a compreensão de que a educação deve estar a serviço do proletariado e associada ao trabalho produtivo. Essa visão se refere a uma compreensão como aponta Mao Tse Tung que:

Os trabalhadores devem aprofundar suas conquistas intelectuais, e os intelectuais devem unir-se aos trabalhadores, seguindo: Ao tomar parte no trabalho produtivo, os quadros mantém de modo mais amplo vínculos constantes e estreitos com o povo trabalhador. Trata-se de uma medida de importância fundamental, no regime socialista, que contribui para se vencer o burocratismo e a impedir o revisionismo e o dogmatismo. (SENENT- JOSA, 1977, p. 113)

Percebe-se que existe a valorização da prática, porém a teoria não é desvalorizada, inclusive porque existe a preocupação de aliar o ensino ao trabalho

13 Traduzido La característica de la reforma de la enseñanza em esta escuela es la seguiente: salir de

las aulas, tomar como maestros a los obreros y a los campesinos, hacer de las unidades produtivas aulas de estúdio, ligar a teoria a la prática, instruirse sea com la mirada em la producción agrícola del campo. Manteniendo las enseñanzas teóricas estrechamente ligadas a la practica de la producción los alumnos las asimilan rápidamente, las recuerdan bien y las pueden aplicar. (SENENT-JOSA, 1977, p. 109)

produtivo, como se pode perceber na citação de Rios (1973) ao citar Mao Tse Tung, que segundo a opinião desse:

Nossos camaradas, ocupados no trabalho prático frequentemente possuem grande experiência, o que é muito valioso. Entretanto, será muito perigoso se ficarem satisfeitos somente com sua experiência. Estes camaradas devem compreender que seu saber é resultado do conhecimento sensível. São por isso, conhecimentos parciais, lhes faltam conhecimentos racionais, conhecimentos gerais. Dito de outra maneira: faltam-lhe teoria e, em consequência, seus conhecimentos são também relativamente incompletos. (MAO, s/d apud RIOS, 1973, p. 45).

Essa discussão coloca assim a necessidade de compreender o papel da relação Teoria/ prática com o Ensino/ Produção e entender que desde os tempos iniciais da presença do homem na sociedade um processo de ensino e aprendizagem relacionado ao trabalho produtivo acontece, mas a partir de um processo revolucionário em questão tem-se a necessidade e a preocupação de levar para a formação de trabalhadores essa dimensão constitutiva do homem pelo trabalho. A combinação entre teoria e prática e o respeito pelo trabalho produtivo na China no período analisado eram desenvolvidos desde o jardim de infância, as crianças aprendiam a partir de experiências reais a valorizar o trabalho manual, seja arrumando a mesa, regando plantas, fazendo pequenas plantações. A finalidade buscada era conscientizar que o trabalho produtivo que elas exerciam tinha uma finalidade social, e assim tem-se como aprendizado o respeito ao trabalho manual, não importando qual seja.

Os trabalhos manuais neste período são obrigatórios em todos os níveis escolares, desde a educação infantil à universidade. E a partir da educação primária este se alia ao programa de estudos, ou seja, é um elemento curricular que se liga também ao pensamento Mao Tse Tung e a educação militar e física e principalmente ideológica. O trabalho produtivo como elemento curricular em todos os níveis educacionais passou a ser visto como prática de humildade, escola de unidade nacional e método de reeducação. Inclusive nas universidades existia a preocupação que todos os trabalhos teóricos fossem acompanhados pela participação no trabalho produtivo. Rios (1973) ao observar a dinâmica escolar na China diz que:

O trabalho manual na China equivale, em importância, ao trabalho acadêmico no ocidente. Ser filho de trabalhador ou camponês na China é

como ser filho de doutor no ocidente. E aqui talvez está a diferença maior entre China e o resto do mundo. O prestígio social que dão ao dinheiro e ao título acadêmico em Paris, Nova Délhi, Cairo ou Lima é exatamente igual ao prestígio que na China tem quem cultiva a terra ou trabalham nas fábricas. (RIOS, 1973, p. 76)

Percebe-se que existe uma valorização na cultura como um todo da forma de vida e organização do trabalhador. Esse fato aliado à política do proletariado permite uma modificação estrutural no ensino. O mesmo autor analisa que essa postura social permitiu que jovens se incorporassem ao trabalho do exército, fábricas e comunas com alegria, além de promover uma aliança harmônica entre teoria e prática. A relação do trabalho manual com o ensino é apresentada por Rios de forma a entender o seu papel no desenvolvimento social e tecnológico, pois:

O trabalho manual é motivo de honra que todos compartilham e de nenhuma maneira isola o homem de conhecimento ou experiência científica. Pelo contrário, está sentado no princípio de que a melhoria pessoal é alcançada no trabalho, as inovações tecnológicas têm aumentado graças a educação permanente e ao estímulo que o Estado dá ao desenvolvimento técnico e científico, que nasce nos mesmo centros de trabalho. Na China de hoje, a sociedade é a sala de aula. As escolas no campo são ao mesmo tempo granjas ou hortas agrícolas. As da cidade estão estreitamente ligadas e financiadas por fábricas vizinhas. O Comitê Revolucionário que dirige os centros educativos está integrado em 36% de professores, 34% por trabalhadores, soldados e camponeses, 15% por representantes dos estudantes e 15% administradores. Este comitê que tem tornado possível o predomínio do trabalho manual e a participação plena do alunado no trabalho produtivo. (RIOS, 1973, p. 77)

Essa organização não existe hoje na China, uma vez que essa restaurou o capitalismo, mas ela nos traz elementos de uma perspectiva proletária revolucionária, do papel que o trabalho produtivo tem na educação. A finalidade de uma educação socialista que alia trabalho ao ensino é aumentar o espírito coletivo e participação do povo na construção e entendimento de tudo que é produzido pela e para a sociedade, ou seja, é um processo de reconhecimento do trabalhador enquanto produtor em conjunto com o produto de seu trabalho, contrapondo ao que Marx designa como estranhamento. Além disso, percebe-se politicamente como a relação entre trabalho e ensino proporciona a destruição de hierarquia no trabalho, assim como divisões do trabalho, permitindo o rompimento com a lógica fordista de organização.

No que se refere a organização geral, Rios identifica alguns elementos, que são:

Prevenir o aburguesamento dos que realizem atividades não- manuais, que por isso tem tendência a separa-se das massas; Manter os dirigentes em estreito contato com o dirigidos, ambos unidos no trabalho de campo e frente a problemas concretos. [...]; Crer ao povo uma atitude positiva em relação ao trabalho de base e destruir o atrativo frívolo das posições dirigentes cômodas e pouco revolucionárias. (RÍOS, 1973, p. 48)

Essas tarefas demonstram o papel geral da relação trabalho versus ensino como um todo na sociedade socialista na compreensão chinesa Assim, concluímos que a aliança entre trabalho produtivo e ensino permite que se concretize dois instrumentos centrais na produção de conhecimento baseado no que Mao Tse Tung orienta no seu texto “Sobre a prática” que são a experimentação científica e a luta pela produção, elementos inter-relacionados e conquistados se for realizado uma boa organização nos espaços de ensino com a produção.

CAPÍTULO 4

CONSCIÊNCIA E ORGANIZAÇÃO: INSTRUMENTOS NA FORMAÇÃO POLÍTICA DO TRABALHADOR

Após se fazer uma análise sobre a educação, seus princípios e fundamentos principalmente no que se refere a uma perspectiva socialista, alguns elementos relacionados à formação da classe trabalhadora devem ser ressaltados. Apontamos o papel que a política tem na formação, mas o aprofundamento desta se concretiza no desenvolvimento da consciência. Para o desenvolvimento desse processo neste capítulo, será analisada a questão da formação política, a consciência e a organização da classe trabalhadora.