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In document Alofa – Expressions of Love (sider 34-37)

Como já referido nos espaços físicos da farmácia, esta possui um laboratório onde são realizados os manipulados, apresentando as superfícies de trabalho lisas e em material adequado (1). Este espaço possui todos os materiais e matérias-primas indispensáveis e obrigatórios à preparação, acondicionamento e controlo de medicamentos manipulados, tendo em conta as formas farmacêuticas, a natureza dos produtos e à dimensão dos lotes preparados. Assim sendo, o equipamento mínimo obrigatório na farmácia é alcoómetro, almofarizes de vidro e de porcelana, balança de precisão sensível ao miligrama, banho de água termostatizado, cápsulas de porcelana, copos de várias capacidades, espátulas metálicas e não metálicas, funis de vidro, matrazes de várias capacidades, papel de filtro, papel indicador pH universal, pedra para a preparação de pomadas, pipetas graduadas de várias capacidades, provetas graduadas de várias capacidades, tamises com abertura de malha 180 lm e 355 lm (com fundo e tampa), termómetro (escala mínima até 100°C) e vidros de relógio (47). Por sua vez, no que diz respeito às matérias- primas a usar na preparação de medicamentos manipulados, estas são fornecidas pelos mesmos fornecedores/armazenistas que os citados no ponto 4.1, sujeitos aos mesmos critérios de seleção. Estas devem satisfazer as exigências da respetiva monografia inscrita na FP ou nas farmacopeias de outros Estados membros das Comunidades Europeias. Para comprovar que as matérias-primas satisfazem as exigências, estas devem vir acompanhadas do boletim de análises. Após isto, é aberta uma ficha onde devem constar obrigatoriamente o nome, data da encomenda, nome do fornecedor, quantidade total e número de contentores recebidos, número de lote e características analíticas. O armazenamento das matérias-primas deve ser feito ao abrigo da luz solar, com temperatura e humidade controladas (48). Para as matérias-primas não existe uma lista obrigatória, mas é conveniente ter sempre em armazém quantidades adequadas das mais comuns na composição deste tipo de medicamentos (ex.: vaselina, álcool etílico a 70° e a 95°, água purificada).

As embalagens são materiais que acondicionam o medicamento manipulado, assim sendo, estas devem ser selecionadas de modo a satisfazer as exigências do produto que vão envolver, nomeadamente quanto a estanquicidade e proteção da luz ou do ar. Devem também satisfazer as exigências da FP ou nas farmacopeias de outros Estados membros das Comunidades Europeias. Quando se trata de embalagens que contactam diretamente com o manipulado (embalagem primária), especialmente frascos, moldes de supositórios e cápsulas, não devem ser incompatíveis nem alterar os medicamentos manipulados (48).

Tendo em conta que uma fórmula magistral é preparada segundo uma receita médica e destinada a um doente determinado, esta pode vir prescrita quer em modelo de receita manual, quer em modelo de receita eletrónica. Este tipo de receitas não pode conter outros medicamentos/produtos, ou seja, têm que ser prescritos isoladamente. A abreviatura mais comum neste tipo de receitas é: Faça Segundo a Arte – FSA (22).

Para a preparação de manipulados, o farmacêutico deve basear-se na prescrição médica, formulários galénicos, farmacopeias e respetivas monografias, ou outra fonte bibliográfica apropriada. Assim, os métodos e procedimentos usados na manipulação devem ser planificados e inscritos na ficha de preparação, tendo em conta que devem obedecer às boas práticas de manipulação, com o máximo de higiene, de modo a que se produzam medicamentos, tanto quanto possível, isentos de microrganismos. Após a preparação do medicamento manipulado, deve ser feito o controlo de qualidade. Para tal, deve proceder-se às operações de verificação necessárias para garantir a boa qualidade final do medicamento manipulado, incluindo a verificação das características organoléticas e ensaios não destrutivos que sejam necessários. Os resultados destas verificações devem forçosamente constar na ficha de preparação (48). Depois da preparação do manipulado propriamente dito, é efetuado o cálculo do preço do medicamento preparado pelo Regimento Geral de Preços. O cálculo do PVP destes medicamentos é efetuado com base no valor dos honorários da preparação, no valor das matérias-primas e no valor dos materiais de embalagem. Assim, faz-se o somatório dos valores atrás descritos e de seguida, multiplica-se por 1,3, acrescentando, no fim, o valor do IVA à taxa em vigor (6%). Para o cálculo do valor dos honorários da preparação, tem-se por base um fator (F), atualizado, automática e anualmente, na proporção do crescimento do índice de preços ao consumidor divulgado pelo INE para o ano anterior àquele a que respeita. Os honorários são calculados consoante as formas farmacêuticas do produto acabado e as quantidades preparadas. Relativamente ao cálculo do valor das matérias-primas, este é determinado com base no seu valor da aquisição (após dedução do IVA respetivo), multiplicado por um dos fatores seguintes, consoante a maior das unidades em que forem utilizadas ou dispensadas:

 Quilograma: 1,3;  Hectograma: 1,6;  Decagrama: 1,9;  Grama: 2,2;  Decigrama: 2,5;  Centigramas: 2,8 (49).

Por fim, o cálculo do valor dos materiais de embalagem é determinado pelo seu valor da aquisição (após dedução do IVA respetivo), multiplicado de seguida por um fator que varia conforme a quantidade e forma farmacêutica preparada (49).

Um dos passos finais na preparação de medicamentos manipulados passa pela rotulagem do produto, bem como da atribuição do prazo de validade. Como tal, os rótulos das embalagens dos medicamentos manipulados devem fornecer toda a informação essencial ao utente, devendo explicitamente indicar:

 Nome do utente (caso se trate de uma fórmula magistral);

 Fórmula do medicamento manipulado prescrita pelo médico;

 Forma farmacêutica;

 Número do lote atribuído ao medicamento preparado;

 Condições de conservação;

 Prazo de validade;

 Instruções especiais, as quais podem ser indispensáveis à utilização do medicamento, como por exemplo, “agitar antes de usar”, “uso externo” (em fundo vermelho), etc.;

 Via de administração;

 Posologia;

 Identificação da farmácia;

 Identificação do DT (48).

Tendo em conta, que todos os medicamentos possuem um prazo de utilização, os medicamentos manipulados não são exceção. Para a atribuição de um prazo de validade, tem de se proceder previamente a uma pesquisa bibliográfica relativa à estabilidade e ter em consideração a natureza das diferentes matérias-primas e os mecanismos de degradação, a embalagem utilizada, as condições de conservação preconizadas e a duração prevista para o tratamento. No caso da utilização de formas farmacêuticas sólidas para a preparação de uma solução ou suspensão aquosa, tem que se ter em conta fatores como a hidrólise da substância ativa no produto final. Caso seja utilizado um medicamento industrializado como fonte da substância ativa para a preparação de um medicamento manipulado não estéril, o prazo de utilização do produto industrializado não poderá ser diretamente adotado para a atribuição do prazo de validade do medicamento manipulado, devendo-se ter em atenção os dados existentes na bibliografia e as informações disponibilizadas pelo fabricante. Se após a pesquisa bibliográfica, não se encontrar dados sobre a estabilidade de um determinado medicamento, é recomendado para os manipulados não estéreis, conservados em embalagens bem fechadas, ao abrigo da luz e à temperatura ambiente, exceto em caso de indicação contrária, os seguintes prazos de utilização:

 Preparações líquidas não aquosas e preparações sólidas – Quando a substância ativa é um produto industrializado, o prazo de validade do medicamento manipulado deve ser igual a 25% do tempo que resta para expirar o prazo de validade do produto industrializado. Caso o prazo calculado seja superior a seis meses, adota-se um prazo de utilização de seis meses. Se a substância ativa for uma matéria-prima individualizada, não sendo, um produto industrializado, o prazo de utilização do medicamento manipulado não deve exceder seis meses;

 Preparações líquidas que contêm água (preparadas com substâncias ativas no estado sólido) – O prazo de utilização do medicamento manipulado não deve ser superior a catorze dias, devendo este ser conservado no frigorífico;

 Restantes preparações – O prazo de utilização do medicamento manipulado deve corresponder à duração do tratamento, caso este se prolongue por mais de trinta dias, adota-se um prazo de utilização máximo de trinta dias (50).

Ao longo do meu estágio curricular não preparei nenhum manipulado propriamente dito, pois nesta farmácia, estes são raros. No entanto, por diversas vezes, tive oportunidade de realizar a reconstituição de antibióticos, suspensões orais, utilizando água purificada. A água purificada destina-se à preparação de diversas formas farmacêuticas, com exceção daquelas que têm de ser obrigatoriamente estéreis e isentas de pirogénios, salvo se justificado e autorizado (11). Não obstante, no dia 25 de fevereiro de 2015, tive a possibilidade de assistir à preparação de uma loção de enxofre a 6%, com o objetivo de tratar a sarna.

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