A formação da equipa de trabalhadores do MSMT não foi fácil. Os trabalhos urgentes, a vigilância, o atendimento ao público e os trabalhos na cerca foram sendo feitos recorrendo inicialmente a trabalhadores tarefeiros, com recibos verdes, ou com contratos de trabalho temporários. A criação do MSMT trouxe inerentemente a possibilidade de formação de um quadro de pessoal, o qual tinha um total de 41 lugares. Esse número nunca chegou a ser atingido. Foram sendo abertos concursos com vista à ocupação de alguns dos lugares, tendo sido aproveitada essa oportunidade para tentar regularizar situações de trabalho precárias. Existem duas fases distintas de incorporação de trabalhadores no quadro de pessoal. A primeira vai desde 1991 a 1994. Nesta fase entraram trabalhadores para ocuparem os lugares de guarda de museu, de técnico de museografia e de técnico superior. A equipa de jardineiros foi sendo também reforçada, mas ainda através de vínculos laborais precários. Salienta-se no entanto a entrada de pessoal natural de Mire de Tibães e de freguesias vizinhas para os postos de trabalho de guardas de museu e de jardineiros, o que trouxe alguns aspetos positivos. Por um lado, a criação de emprego na região em áreas de atividade alternativas à indústria têxtil, que ocupava ainda uma posição dominante na indústria local. Por outro lado, a perceção das pessoas da região de que a Cultura era um setor que poderia levar à criação de emprego. Por fim, mas não menos importante, a criação de relações de confiança entre a população, os novos
84 A residência paroquial ocupava o antigo coristado, aposentos do Abade Geral, hospedaria dos peregrinos, cavalariças e jardim do Jericó,
espaços fundamentais para a implementação do circuito museológico. Com a assinatura do protocolo e a troca de espaços, o IPPAR ficou com a responsabilidade de construir uma nova residência paroquial e respetivos acessos no espaço do antigo capítulo das culpas. A Residência foi oficialmente entregue à Paróquia no dia 16 de novembro de 1996.
trabalhadores (seus conhecidos) e o MSMT. Na verdade, ao serem incorporados trabalhadores da região no quadro de pessoal, dá-se uma espécie de cooptação informal 86, não entendida neste caso como uma ação pejorativa, mas sim como um ato que trouxe implicações educativas e sociais positivas, fazendo emergir o sentido de corresponsabilização. Isto é, alguns dos novos trabalhadores, ao pertencerem à freguesia e à Paróquia, acabaram por ficar com uma dupla responsabilidade. Por um lado, como paroquianos, não queriam afetar as suas relações como o Pároco. Por outro, tinham que cumprir e fazer cumprir as normas emanadas pela sua entidade patronal (IPPC/Estado). Sendo conhecedores de aspetos relacionados com a vivência da comunidade local, aprendizes de uma nova profissão e conscientes das suas responsabilidades laborais, acabam por ser, de forma implícita, elementos fundamentais no equilíbrio das relações interinstitucionais presentes no espaço do MSMT. Esses aspetos foram mais evidentes junto de duas categorias de trabalhadores: dos jardineiros, porque foram explicando aos seus colegas de trabalho locais o seu conteúdo funcional, as tarefas que iam desempenhando e os novos ensinamentos que iam recebendo por parte de técnicos especializados em trabalhos relacionados com a agricultura, ambiente e geologia; e dos vigilantes, porque, sendo os responsáveis pela vigilância dos espaços, pelo atendimento ao público e pela realização de visitas guiadas, funcionaram como a primeira imagem do MSMT, sendo os elos de ligação entre o visitante e o monumento. Acabaram por se transformar, numa primeira fase, nos principais mediadores culturais da instituição.
Existiu uma segunda fase de incorporação de trabalhadores no quadro de pessoal, esta já em 1999, sendo feita com autorização governamental no sentido de regularizar todas as situações de contratos de trabalho precários que ainda existiam, permitindo assim a entrada efetiva de trabalhadores para cumprir necessidades permanentes do serviço. Digamos que nesta fase o MSMT acaba por ficar com a definição da equipa mínima de trabalho necessária à prossecução da sua missão podendo, a partir desse momento, redefinir tarefas e projetar melhor o trabalho a desenvolver no milénio seguinte.
2.3.2. Investigação
A investigação em torno do MSMT conhece neste período um desenvolvimento espantoso. O reforço da equipa de trabalho, tal como vimos anteriormente, trouxe também para
86 Philip Selznick (1978:93) define a cooptação «… como o processo de absorção de novos elementos na liderança ou estrutura de decisões
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o mosteiro, a título permanente, mais três técnicos superiores, que, em colaboração com a diretora e a arquiteta paisagista, contribuíram para a construção de um corpo de conhecimento único relativo ao conjunto monástico, mas de forma geral, em torno da Ordem Beneditina, dos Jardins e Sítios Históricos. De mãos dadas com a investigação histórica surge a investigação arqueológica, desenvolvida pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho. Segundo Fontes (2005:47) «entre os anos de 1992 e 2001, abrangendo praticamente todas as zonas do mosteiro, foram escavadas mais de setenta valas, numa área total superior a 2000 m2». Os registos fotográficos, epigráficos, fotogramétricos e os desenhos técnicos, ajudaram a conhecer melhor o MSMT e as suas caraterísticas físicas, tornando-se ferramentas essenciais para a construção de conhecimento, mas, acima de tudo para a preparação de uma operação integrada de restauro, recuperação e reabilitação, devidamente pensada, estruturada e fundamentada do ponto de vista técnico e científico. Ainda segundo Fontes (idem:15-16), de todos estes trabalhos
«… resultou um vasto acervo documental, que é também já património a conservar e que incorpora mais de cinco mil fotografias (diapositivos e negativos), cerca de seiscentos desenhos de pormenor com registo de vestígios de construções e de mais de dois mil contextos estratigráficos. Recolheu-se diverso espólio, em que se destacam algumas peças cerâmicas completas e mais de vinte mil fragmentos de cerâmica de diversas produções, desde o século XI ao século XX».
Tal quantidade de informação e de materiais produzidos justificaria a implementação do Centro de Estudos Históricos, projeto inserido no programa de reuso do mosteiro, mas que nunca chegou a ser colocado em prática.