4 Implementation
5.5 Should nudges be uses by both business and the government and why do some
As pesquisas processuais de cunho experimental têm se pautado, entre outros aspectos, na análise das pausas, da recursividade, da durabilidade textual, da segmentação e do tempo despendido
durante as tarefas. Contudo, no escopo do presente capítulo, serão verificados os dados relacionados às variáveis tempo, pausas, segmentação e recursividade. Instâncias de metarreflexão e conhecimento bilíngue serão tratados no Capítulo 2.
Com relação ao tempo dedicado às tarefas, diversos trabalhos têm apontado que a tradução para a L2 exige mais tempo por parte dos tradutores (FERREIRA, 2010; BUCHWEITZ; ALVES, 2006; KROLL; STEWART, 1994). Essa variável pode ser mensurada a partir do software Translog© e está diretamente relacionada à dificuldade ou facilidade que o tradutor encontra durante a realização de determinada tarefa, ou seja, quanto maior a dificuldade de um texto, mais tempo de dedicação é exigido. Ainda, a partir do tempo total gasto na execução de uma tradução, as pesquisas de cunho empírico-experimental vêm analisando os estágios pelos quais o tradutor passa durante as tarefas, apontadas por Jakobsen (2002) como as três fases do processo tradutório, a saber, orientação, redação e revisão. A primeira fase é iniciada quando o tradutor tem acesso ao texto de partida e é finalizada quando o tradutor digita a primeira letra do texto de chegada, dando início à fase de redação. Esta fase termina quando o sujeito digita o último caractere do TC. Por fim, inicia-se a fase de revisão final do TC, quando o tradutor revisa toda a sua produção. A revisão final, por sua vez, termina quando é gravado o arquivo .log do texto traduzido, ou seja, a entrega do produto tradutório final. Contudo, pode-se verificar a existência de orientação e revisão ao longo da fase de redação, sendo denominados, respectivamente, de orientação em tempo real e de revisão em tempo real.
Será feita uma correlação entre a ocorrência de pausas e a produção textual compreendida entre essas pausas, ou seja, a produção de material traduzido entre pausas de pelo menos 2,4 segundos. Para a verificação de tais variáveis, os projetos de pesquisas desenvolvidos no âmbito do LETRA têm usado diversos programas (e.g., Camtasia, Tobii T60, entre outros), principalmente o software Translog©, desenvolvido por pesquisadores da Copenhagen Business School, na Dinamarca, (JAKOBSEN; SCHOU, 1999), que permite o monitoramento de todo o processo tradutório a partir da gravação dos
acionamentos e do mouse durante a tarefa, incluindo as pausas entre esses movimentos. Após realizadas as tarefas, o tradutor deverá verbalizar, ao rever a tradução, todas as tomadas de decisão executadas quando da realização do experimento, verificadas a partir dos registros de pausas mais longas. Tal análise é feita no intuito de verificar instâncias de processamento cognitivo bem localizadas e, consoante Alves:
(...) pode-se atribuir às pausas e aos ritmos cognitivos delas decorrentes uma sinalização de processos cognitivos subjacentes que permitem mapear e delimitar em um determinado grupo de sujeitos, e dentro de condições controladas, quais padrões teriam uma natureza idiossincrática e quais outros poderiam ser considerados como padrões mais gerais encontrados significativamente em uma amostra de sujeitos. (2005, p. 115).
Na análise da segmentação, considerar-se-á um segmento, ou unidade de tradução, como unidade que é traduzida, independente do tamanho e forma, para a qual o tradutor dirige o foco da sua atenção (ALVES, 2000), sendo limitado a partir da capacidade de memória de trabalho do indivíduo (GILE, 1995). No contexto da presente pesquisa, a segmentação é entendida como um fenômeno cognitivo que faz parte do processo tradutório (DRAGSTED, 2005), o que pode ser verificado quando os tradutores profissionais diminuem o nível de segmentação e processam segmentos menores, ao depararem-se com textos mais complexos (DRAGSTED, 2005; ENGLUND-DIMITROVA, 2005; JAKOBSEN, 2005).
Dragsted (2004; 2005) estuda a segmentação de tradutores dinamarqueses novatos e profissionais a partir do uso de textos de partida com diferentes graus de dificuldade. A pesquisadora conclui que as segmentações em ordens mais elevadas indicam, dentre outros aspectos, maior capacidade de gerenciamento da tarefa tradutória. Em sua análise, Dragsted (2004) apresenta uma proposta de classificação dos segmentos com base nas seguintes categorias: palavra (P), grupo (G), oração (O), sentença (S) e segmentos transentenciais (TS). Entretanto, o grupo SEGTRAD11 observou
11 O SEGTRAD (Segmentação em Tradução - CNPq 301270/2005-8) foi um projeto de pesquisas desenvolvido no âmbito do LETRA/UFMG e apresentou sólidas contribuições para as pesquisas sobre tradução humana assistida por computador. Como resultado, foi gerada a tese de doutoramento de Liparini Campos (2010), quatro dissertações de mestrado (Batista, 2007; Machado, 2007; Matias, 2007 e Rodrigues, 2009), relatórios de iniciação científica de Nascimento (2008, 2009) e a monografia de Silva (2009).
que a categoria sentença - definida como uma sequência de texto entre dois pontos finais, pode referir- se tanto a uma oração simples quanto a um complexo oracional. Assim, o grupo optou por descartar a categoria sentença e incorporar uma nova categoria: o complexo oracional (CO). Na presente pesquisa, assim como em outros trabalhos desenvolvidos no âmbito do LETRA (LIPARINI CAMPOS, 2010; FERREIRA, 2010) os segmentos serão classificados de acordo com Rodrigues (2009):
a) Oração (O): definida como constituintes que incluem pelo menos um elemento verbal (uma predicação) e um sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento ou elemento indicando o início de uma oração subordinada. A definição de oração refere-se, necessariamente, a todos os segmentos com uma predicação e mais algum outro elemento.
b) Grupo/Sintagma (G): definido como constituintes que incluem pelo menos duas palavras, sendo que uma delas pode ser apontada como o elemento central, identificado como o núcleo.
c) Palavras (P): são amplamente definidas como qualquer sequência de caracteres entre dois espaçamentos.
d) Segmentos Não Sintáticos (NS): são segmentos não motivados sintaticamente.
e) Segmentos Transentenciais (TS): são tipos especiais de segmentos Não Sintáticos que incluem elementos de mais de uma sentença; ou seja, são segmentos que extrapolam os limites da sentença. f) Complexos Oracionais (CO): segmentos que envolvem mais de uma oração.
Por fim, a análise da variável recursividade pode apontar para instâncias de esforço cognitivo, sendo diretamente relacionada à capacidade que um tradutor possui para gerenciar sua tarefa. Os movimentos recursivos são registrados no Translog© a partir de movimentos de mouse e acionamento de algumas teclas específicas, como teclas de navegação, delete e backspace, por exemplo, que ocorrem durante a produção textual. Esses movimentos permitem que o tradutor retome segmentos já
traduzidos – ou pelo menos já previamente analisados – para realização de aperfeiçoamento do texto ou para uma simples revisão, o que permite a produção de um texto mais adequado à tarefa proposta. A recursividade será analisada durante as fases de redação e revisão final separadamente, visto que a fase de revisão final tende a apresentar mais movimentos recursivos durante as duas tarefas (FERREIRA, 2010).
Neste capítulo, dar-se-á continuidade à pesquisa de Ferreira (2010), complementando as pesquisas desenvolvidas pelo projeto EXPLICITRAD, no âmbito do LETRA, ao investigar o impacto da variável direcionalidade linguística no desempenho de tradutores experientes, a partir da análise das variáveis supracitadas.
Na sequência, é apresentada a metodologia de coleta de dados para a realização da presente pesquisa e também a metodologia de análise adotada neste capítulo da tese.