Refere‐se ao novo edifício/ construção Refereusuários‐se às necessidades de todos os clientes/ no desenvolvimento de componentes Uma fase definida num estágio inicial Umdiferentes processo contínuo com o foco mudando em fases Uma coleta de informações baseada em
especialistas
Um processo de aprendizagem guiada e diálogo Usuário envolvido principalmente como fonte de
dados
Usuário envolvido efetivamente como parte de um processo de mudança da corporação/ empresa O resultado é um resumo, isto é, uma
especificação de requisitos
O resultado é a aceitação de soluções baseadas num resumo
O coordenador de projeto precisa balancear os interesses dos dois grupos envolvidos no briefing: a demanda (usuários e clientes) e o suprimento (profissionais envolvidos no projeto), que possuem interesses e linguagens distintos, promovendo uma comunicação eficiente entre eles. A linguagem dos usuários foca o negócio, e dos profissionais de projeto foca a construção, com a linguagem técnica apropriada (BLYTH; WORTHINGTON, 2001).
A importância do briefing para o sucesso do projeto, em termos de qualidade, tempo, custo e funcionalidade, tem sido demonstrada em diversas pesquisas, considerando projetos de edifícios em diferentes contextos (CHANDRA; LOOSEMORE, 2011). No entanto, estes mesmos autores ressaltam uma série de problemas comuns, que podem prejudicar a efetividade do briefing, tais como uma abordagem desestruturada; dificuldade de os clientes compreenderem suas próprias necessidades; pressões sobre prazos para execução do briefing; dificuldades de comunicação, que dificulta a captura das necessidades dos usuários por parte dos projetistas; entre outros fatores.
A complexidade dos projetos de edifícios de assistência à saúde requer maior ênfase na fase inicial do processo de projeto do que outros tipos de edifícios, para entendimento de todo o empreendimento, incluindo os tipos de serviços prestados, atividades que serão realizadas, tipos de usuários e fluxos, entre outros (CAIXETA; FABRICIO, 2013). A natureza temporária das equipes de projeto de edifícios de assistência à saúde e a terceirização de projetistas ampliam a dificuldade de compreensão das reais necessidades, pois muitas vezes estes projetistas podem não ter experiência direta no setor de saúde, marcado pela singularidade em sua cultura, práticas e estruturas de poder (CHANDRA; LOOSEMORE, 2011).
Diversos autores defendem que as decisões tomadas no início do processo de projeto de um edifício influenciam definitivamente as etapas seguintes do ciclo de vida da edificação (WATCH, 2001; ANTUNES; CALMON, 2005). Segundo Watch (2001), as decisões tomadas no início do processo de projeto são as que mais impactam o processo, ao mesmo tempo em que, se tomadas neste momento, terão um custo menor (Gráfico 3). Antunes e Calmon (2005) afirmam que alguns fatores que irão impactar o desempenho de edifício de forma decisiva são: o partido arquitetônico adotado, os elementos e componentes especificados, as definições do sistema funcional e as considerações em relação ao uso, operação e manutenção. Esses fatores também influenciam no atendimento das necessidades dos seus futuros usuários e nas facilidades de operação e procedimento da manutenção.
Gráfico 3. Impacto e custo das decisões ao longo do processo de projeto de um edifício. Fonte: Watch (2001).
Na mesma linha, Tompkins et al. (2010) apresentam um gráfico ilustrando que, conforme o processo de projeto avança além das fases iniciais – planejamento e projeto – o custo de efetuar alterações aumenta exponencialmente (Gráfico 4).
Gráfico 4. Custo das alterações durante o processo de projeto. Fonte: Tompkins et al.(2010).
Carvalho (2012) apresenta um método para auxílio de projetos arquitetônicos de EASs, organizado nas seguintes etapas: conhecimento do programa, proposição e avaliações. Destaca‐se aqui a primeira etapa, que o autor também denomina ‘programação arquitetônica’ e define como “conjunto de procedimentos que precedem e preparam a síntese projetual, e coincide com o que Robert Hershberger (1999)27 denominou pesquisa pré‐projeto”
(CARVALHO, 2012, p.12). O autor descreve métodos para realização desta etapa, e a subdivide conforme o diagrama apresentado na figura 12. Esta etapa resulta numa listagem dos espaços e atividades, ou seja, o programa arquitetônico. Segundo Carvalho, naturalmente se associam atividades a espaços em projetos arquitetônicos. Entretanto, um único espaço pode abrigar atividades distintas ou repetidas, e também uma única atividade pode requerer vários espaços diferentes, de forma que a correspondência linear entre atividade e espaço nem sempre é adequada.
Figura 12. Etapa de conhecimento do programa. Fonte: Diagrama elaborado a partir do texto de Carvalho (2012).
3.3.2 Desenvolvimento
No desenvolvimento, ocorre o projeto propriamente dito da edificação e o acompanhamento da execução. Existem normas vigentes sobre a subdivisão desta macro‐fase, que são abordadas e descritas na seção 3.3.4.
O desenvolvimento do plano diretor do empreendimento, para embasamento do projeto, é destacado na literatura. A definição de ‘Plano Diretor’, em urbanismo, engloba as exigências que são fundamentais para ordenar a cidade e se constitui como a base instrumental da política de desenvolvimento e expansão urbana (BRASIL, 2001). Especificamente em projetos de edifícios de assistência à saúde, o Plano Diretor Hospitalar (PDH) tem a função de estabelecer diretrizes de expansão do EAS, em relação aos aspectos físicos, programáticos e de infraestrutura (TOLEDO, 2002).
A importância do acompanhamento da construção é garantir, segundo Caixeta e Fabricio (2013), que os requisitos que orientaram o projeto e o projeto sejam plenamente atingidos. Em intervenções, a execução pode trazer novas informações para o projeto, que não puderam ser levantados antes das obras. Isto pode demandar a retomada do projeto para
adequá‐lo aos novos dados. Dependendo da escala das alterações, podem ser necessárias novas aprovações junto aos órgãos competentes.
O projeto ‘as built’, que registra eventuais alterações de projeto durante a obra, é fundamental para orientar futuras intervenções e como base documental para o acompanhamento do uso.
3.3.3 Pós‐desenvolvimento
Após a entrega da obra, é importante realizar a Avaliação do Desempenho da Edificação e Acompanhamento da Manutenção, para prolongar a vida útil da edificação e retroalimentar o processo. Na Avaliação do Desempenho, o espaço físico é analisado em relação aos requisitos dos usuários, levantados no início do processo de projeto. Já o Acompanhamento da Manutenção tem como função garantir a qualidade da manutenção no espaço físico, por incluir na equipe profissionais de projeto que conhecem o projeto e a construção da edificação.
3.3.4 Regulamentações
A norma técnica NBR 13531 estabelece as atividades técnicas de projeto de engenharia e arquitetura para a construção de edifícios no Brasil. Nesta norma, são apresentadas as etapas de projeto, como “partes sucessivas em que pode ser dividido o processo de desenvolvimento das atividades técnicas do projeto de edificação e de seus elementos, instalações e componentes” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT, 1995a, p.4). Já a NBR 13532, específica para projetos de arquitetura, apresenta as informações a utilizar e a produzir e os documentos a produzir para cada uma destas etapas (ABNT, 1995b). O Quadro 9 resume as informações quanto às etapas do processo de projeto apresentadas nestas duas normas.
Quadro 9. Etapas dos projetos de edificações. Fonte: ABNT (1995a; 1995b).