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A experiência da Escola integrada é um projeto da prefeitura municipal de Belo Horizonte iniciado em 2006 com a participação do Centro de Pesquisas para Educação e Cultura (CENPEC) e da associação cidade escola aprendiz, ambos de São Paulo. Essa experiência consiste em um programa intersetorial que tem por objetivo contribuir para a melhoria da qualidade da educação por meio da ampliação da jornada educativa diária para nove horas e da formação integral dos alunos de seis a catorze anos do ensino fundamental. O programa visa também realizar ações de formação nas diferentes áreas do conhecimento através da oferta de atividades diversificadas de forma articulada com o projeto político pedagógico (PPP) de cada instituição educativa.
A Escola integrada é coordenada pela Secretaria de Educação em articulação com os outros setores da prefeitura e conta com a parceria de várias instituições de ensino superior, além de organizações não governamentais (ONGs), de artistas, de comerciantes e de empresários locais. Todos envolvidos na construção de uma grande rede responsável pela educação integral de crianças e jovens da educação básica (BRASIL, 2009a, p. 19). Porém, é interessante ressaltar a importância da vontade política na concretização desse projeto de educação integral em tempo integral, assim, como assevera o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, “Se o governo local e sua equipe não comprarem a ideia, se não forem eles mesmos os advogados da causa, não tem como implantar esse programa” (ASSOCIAÇÃO CIDADE ESCOLA APRENDIZ, 2007, p. 44).
Ao se tornarem parceiras do programa Escola integrada, as instituições de ensino superior – dentre as quais a pioneira foi a Universidade de Minas Gerais (UFMG) – transferem os conhecimentos do meio acadêmico para a sociedade através dos universitários que são contratados para desenvolver seus projetos acadêmicos e de pesquisa junto às escolas vinculadas ao programa. A parceria entre as instituições de ensino superior e o programa
Escola integrada ocorre a partir dos seguintes passos: primeiramente, as universidades
enviam para as escolas as opções de atividades; logo depois o professor comunitário faz suas escolhas e envia sua demanda para a Secretaria de Educação; e por fim, os universitários são chamados até a escola para dar início ao trabalho, estes trabalhos não são necessariamente realizados na própria escola, ou seja, extrapolam o limite físico da escola. A partir dessa integração entre os setores, como exemplo as universidades, o programa tornou-se viável,
assim como assegura a ex-Secretária Municipal de Educação de Belo Horizonte (SMED), Maria do Pilar Lacerda Almeida e Silva, relembrando as discussões no início da implantação da Escola integrada, “Não era preciso construir outra escola. Bastava identificar lugares no bairro que pudessem atender as crianças” (ASSOCIAÇÃO CIDADE ESCOLA APRENDIZ, 2007, p. 45).
É interessante mencionar que o município de Belo Horizonte coordena a Rede territorial brasileira da Associação Internacional das Cidades Educadoras (AICE), na visão do ex-prefeito Fernando Pimentel: “Nesse projeto, a escola torna-se pólo coordenador de um conjunto de interações com a sociedade, com os espaços comunitários, com os fazeres culturais, esportivos e sociais” (ASSOCIAÇÃO CIDADE ESCOLA APRENDIZ, 2007, p. 44). Diante disso, o autor Moacir Gadotti (2009) relembra a importância que teve o projeto implantado durante o governo de Patrus Ananias (2001-2004) chamado – Escola plural com a participação do educador Miguel Arroyo. Esse projeto já integrava inúmeras ações e possibilitava aos alunos a visita a muitos pontos históricos e educativos da cidade e Gadotti (2009) informou que o projeto Escola plural permanece ativo atualmente, devido ao apoio da escola e da comunidade pela continuidade dessa iniciativa. Portanto, existe uma forte similaridade entre os dois projetos, ou seja, a Escola integrada corresponde à ampliação da
Escola plural, visto que em ambas constam o objetivo de oferecer às crianças de Belo
Horizonte uma educação com qualidade social. Isso pode ser verificado na afirmação de Gadotti (2009):
[...] A continuidade do programa Escola Plural, defendida pelo prefeito Fernando Pimentel, mostra como é importante não interromper o que está dando certo, mesmo mudando a administração municipal. A descontinuidade administrativa é uma das causas do nosso grande atraso educacional (GADOTTI, 2009, p. 81)
Em relação aos espaços físicos utilizados pelo programa Escola integrada, os principais são os seguintes: os espaços físicos das próprias escolas, da comunidade, além de outros espaços: parques, museus, igrejas e bibliotecas. Essa concepção coaduna com as propostas da Cidade escola aprendiz e do Bairro escola Nova Iguaçu, visto que a Escola
integrada também tem como perspectiva a transformação de diferentes espaços da cidade em
centros educativos no sentido de criar uma nova cultura do educar que tem na escola seu ponto catalisador, mas que a transcende para explorar e desenvolver os potenciais educativos da comunidade (BRASIL, 2009a).
Gadotti (2009) informa que dentre as atividades desenvolvidas no programa Escola
integrada estão as seguintes: acompanhamentos pedagógicos (reforço escolar), culturais
(dança, pintura, teatro), esporte, atividades físicas, lazer (brincadeiras, xadrez), línguas estrangeiras, oficinas de informática e formação cidadã (direitos humanos), sendo todas essas desenvolvidas no contraturno escolar. As atividades são realizadas, em cada escola, pela coordenação pedagógica, professores comunitários, monitores (estudantes universitários) e agentes culturais. Na rotina diária os alunos fazem duas oficinas com duração de uma hora e meia cada uma em grupos de vinte e cinco alunos: “Com isso, as crianças ganham novos locais e formas de aprendizagem, além de maior convivência com a comunidade” (GADOTTI, 2009, p. 81). Também vale mencionar um dos projetos do programa, citado por Gadotti (2009), o Colorindo meu caminho que é um trabalho comunitário de reforma de ruas, calçadas, pintura de paredes, muros, casas, realizado pelos moradores a partir da doação de materiais pela Escola integrada, tais como: cimento, areia, tinta, etc.
Em relação aos monitores, eles recebem bolsas de auxílio financiadas pela UFMG ou pela prefeitura e desenvolvem uma carga horária de:
[...] 20 horas de atividades semanais, sendo 12 horas para as atividades com os estudantes, quatro horas para planejamento e avaliação, sob coordenação do professor comunitário, e quatro horas para tutoria com docentes das universidades parceiras (ASSOCIAÇÃO CIDADE ESCOLA APRENDIZ, 2007, p. 46).
Por outro lado os professores comunitários, que são indicados pela escola, devem dedicar em média 40 horas semanais à função de se articular com as pessoas e instituições do entorno, descobrir como os espaços podem ser utilizados, coordenar o programa, organizar as oficinas em conjunto com a direção e outros professores e manter um estreito diálogo com todos os envolvidos no programa.
Após a breve exposição das três experiências bem sucedidas de educação integral em tempo integral que apresentam similaridades por terem incorporado a concepção de bairro escola no modelo de educação, os próximos capítulos destinam-se a expor a segunda parte do referencial teórico sobre algumas concepções teóricas referentes ao ensino das artes no Brasil a partir da década de 70 e a abordagem triangular para o ensino das artes.