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NRK SAMMENLIGNET MED MEDIER MED ULIK DISTRIBUSJON

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9. FUNN: LDA-ANALYSE

8.3 NRK SAMMENLIGNET MED MEDIER MED ULIK DISTRIBUSJON

Os vários segmentos sociais, trabalhadores, empresários e poder público, ao mesmo tempo em que de diversas formas consagram a importância do saber no processo de trabalho, reclamam também por estudos que o esclareçam melhor.

No sentido de avançar na problematização do saber no trabalho, torna-se necessário conhecer como a literatura vem abordando a temática. Seguindo por esta trilha, o debate aber-

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ASSIS, Ricardo.Wagner. Os impactos das novas tecnologias nas formas de sociabilidade e no savoir-faire dos operadores: um estudo de caso do setor siderúrgico. Belo Horizonte: Dissertação de mestrado apresentada à Faculdade de Psicologia da UFMG, 2000.

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SOUZA, P. R. Autonomia dos operadores e trabalho de convencimento na produção contínua. Belo Hori- zonte (Dissertação de mestrado apresentada à Escola de Engenharia da UFMG), 2002.

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MACHADO, M. L. M. Sujeito e trabalho: impasses e possibilidades frente as novas tecnologias de gestão no trabalho – o caso Gessy Lever. Belo Horizonte: Dissertação apresentada à Faculdade de Filosofia Ciências e Letras/UFMG, como requisito parcial à obtenção do título de mestre em psicologia: Belo Horizonte, 1999.

to sobre a presença do saber no trabalho perpassa reflexões teóricas e investigações de casos concretos, que apontam o tratamento dado à concepção e à execução no processo de trabalho.

Em relação ao atual debate sobre o saber no processo de trabalho, destaca-se a gestão participativa capitaneada pelo modelo toyotista, que aparentemente elimina a separação entre execução e concepção no processo de trabalho. Segundo Aranha (1997): “As chamadas ‘ges- tões participativas’ buscam a integração do trabalhador no processo produtivo, alargando a margem de sua interferência e concretamente colocando em suas mãos um conjunto de deci- sões antes apenas restrito à gerência” (p. 22). Entretanto, essa autora faz uma advertência: “Essas alterações não foram colocadas por qualquer atitude de benevolência do empresariado para com a força de trabalho”. Antunes (2000) também aponta a participação do operário em algumas decisões na linha produtiva como uma das inovações do toyotismo: “Os círculos de controle de qualidade (CCQs), construindo grupos de trabalhadores que são instigados pelo capital a discutir seu trabalho e desempenho, com vistas a melhorar a produtividade das em- presas...” (p. 55).

Por outro lado, Evangelista (2002) afirma que as pesquisas indicam a existência de uma separação entre execução e concepção em empresas que adotaram o padrão flexível e integrado, como, por exemplo, a Fiat Automóveis:

A partir mesmo das relações estabelecidas entre a unidade fabril de Betim e a fá- brica da matriz, vários dos projetos dos carros produzidos no Brasil são importados da Itália, mostrando que a autonomia local é apenas relativa. Alguns desses proje- tos são definidos no Brasil, mas as diretrizes vêm da empresa mãe. (p. 84)

Evangelista (2002) afirma ainda que: “Esse processo se reproduz na relação que a uni- dade de Betim estabelece com o coletivo dos trabalhadores locais, proporcionando-lhes uma certa autonomia, mas não sem abrir mão, naturalmente, da coordenação e do controle” (p. 85). É necessário considerar que, mesmo estando as grandes decisões sob as ordens do ca- pital, há uma forte evidência de que a reconfiguração do saber dentro do processo de trabalho

por parte dos trabalhadores esteja inscrita não somente como importante, mas como uma ne- cessidade fundamental para o capital.

Avançando nessa discussão, Santos (1997) contesta o fim da prescrição anunciado pe- los processos flexíveis e integrados, ao trabalhar com a idéia de que a separação entre execu- ção e concepção nos processos integrados e flexíveis possa estar inserida em uma outra pers- pectiva de organização e gestão do trabalho, onde a prescrição de objetivos toma o lugar da prescrição das atividades de trabalho. Segundo essa pesquisadora: “A prescrição passa, desse modo, a se referir aos objetivos amplos do processo produtivo, direcionados ao sistema como um todo. Há um deslocamento das exigências em relação às técnicas operatórias especializa- das para uma regulação tecnológica do conjunto” (p. 18).

Essa reflexão é corroborada por várias pesquisas que verificam que a integração do saber do trabalhador no processo de trabalho não eliminou a existência de uma gerência que centraliza e controla os objetivos da empresa. Assis (2000), por exemplo, verificou em sua dissertação que o trabalho dos operadores da aciaria em uma siderúrgica mineira, que optou pelo padrão integrado e flexível, é marcado por procedimentos prescritos pela gerência. A chance de os operadores burlarem esses procedimentos é travada por um sistema de comuni- cação informatizado, que só admite o uso de alternativas quando se faz uma justificativa re- gistrada junto à gerência. Esse processo é percebido pelos próprios operadores, como cita As- sis (2000): “Se você mudar alguma coisa tem que explicar na tela” (p. 46). Dessa forma, o trabalho da gerência pode ficar facilitado com o acesso a um maior número de informações. De acordo com Assis (2000):

(...) as gerências têm hoje um volume de informações sobre o que ocorre muito maior que antes, já que no caso dos operadores, suas intervenções são registradas eletronicamente; ou seja, grande parte do que afeta o processo é introduzido no sis- tema informatizado, passando muito pouca coisa despercebida. (p. 46)

Uma outra observação feita por Assis (2000) indica que, ao mesmo tempo em que a empresa aperfeiçoa seus mecanismos de controle e de prescrição, contraditoriamente, ela con- voca o saber dos trabalhadores e depende da integração para que funcione o seu sistema de controle e prescrição. Nas palavras de Assis (2000):

O que pode parecer paradoxal é que quanto mais a organização exige um acompa- nhamento das prescrições por parte dos operadores mais ela busca neles autonomia e flexibilidade para que possam dar soluções criativas frente às mudanças, lidar com as variabilidades do processo, superar a falta de confiabilidade de algumas in- formações e as falhas dos sistemas automatizados, que não param de se complexi- ficar e insistem em não funcionar exatamente como desejam os manuais e os enge- nheiros. (p. 41)

Ainda sobre a possibilidade de existir dentro do padrão flexível e integrado uma pers- pectiva de hierarquia que separa a execução da concepção no processo de trabalho, Evangelis- ta (2002) afirma que:

Os trabalhadores não teriam qualquer possibilidade de decidir sobre os cursos a se- rem oferecidos pela empresa e, conseqüentemente, sobre os conteúdos que com- preendem esses cursos. Estes têm sido definidos pelo Desenvolvimento Organiza- cional – DO – setor que, junto com o de treinamento e outros, determina as neces- sidades e os alvos das atividades de formação. (p. 86)

Dentre os autores que discutem a implantação do padrão flexível e integrado, alguns chegam a projetar uma certa vantagem deste modelo de organização do trabalho para os traba- lhadores. Coriat (1994), por exemplo, vai vislumbrar a possibilidade de haver uma intelectua- lização do trabalhador, em função de o padrão flexível valorizar um saber amplo e versátil. Araújo (2002), cuja dissertação aborda a reestruturação produtiva em duas indústrias siderúr- gicas mineiras no contexto da privatização, salienta que: “A privatização gerou uma transição do autoritarismo para um estilo gerencial menos autoritário” (p. 113). A autora também en- tende que: “O novo perfil do trabalhador abrange uma área muito maior, bem como o relacio-

namento interpessoal e a comunicação, aliados ao conhecimento e à habilidade técnica” (p. 114).

Embora o trabalho no padrão flexível e integrado possa conservar práticas tayloristas, as pesquisas não hesitam em indicar que, de fato, vem ocorrendo uma nova interação do ho- mem com o processo de trabalho, e que a implantação das novas tecnologias estimulou o de- sencadeamento de novos saberes, que Assis (2000) classificou como saberes complexos, dada a combinação de domínio do processo produtivo com o uso da linguagem informatizada.

Se as pesquisas confirmam a importância da presença de saberes dos trabalhadores no trabalho, surgem também algumas indagações: a convocação destes saberes, por parte do ca- pital, seria suficiente para mobilizar os trabalhadores a produzi-los? E, neste caso, como isto se daria? E ainda, quais saberes dos trabalhadores interessam ao capital?

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