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november 2008 av helse- og omsorgsminister Bjarne Håkon Hanssen

A sexualidade humana é uma realidade complexa e pessoal que tem sido sujeita a muitas interpretações que ocasionaram clarificações e conflitos para o ser humano individual e para a sociedade em geral. O matrimónio tem sido reconhecido como a forma mais natural e harmónica, como a que permite a plenitude.

Ao analisarmos as dimensões da sexualidade, relativamente ao matrimónio, iremos abordar algumas das suas perspectivas.

A sexualidade é algo muito valioso pelo facto de pertencer à intimidade do ser humano. Para melhor entendermos a recíproca complementaridade e, consequente união iremos integrar algumas características do ser humano.

Um dos gestos que melhor expressa e realiza os primeiros sentimentos e alguns actos de amor é o sorriso que desperta alegria, acolhimento e amizade para com alguém.

A sexualidade da pessoa é a dimensão humana interpessoal capaz de doação de um «eu» para com um «tu». A capacidade física e psíquica do ser humano, condição inerente ao homem e à mulher, permite criar uma relação de duas pessoas que se unem e se dão uma à outra, distinguindo-se reciprocamente. Assim, a entrega amorosa do homem e da mulher é expressão e realização inter-pessoal.

A doação é uma especificidade da pessoa humana. A relação amorosa entre o homem e a mulher caracteriza-se por actos de amor belo e bom que inclui a entrega corporal.

O tipo de amor especial entre o homem e a mulher que desperta a relação amorosa é para Lewis aquilo que chamamos de «eros», isto é, o estado de enamoramento. Enamorar-se para o ser humano é encontrar de repente uma pessoa que se considera a mais bela e amável de entre todas as outras.

“A direcção do eros é para a pessoa concreta, (para o «tu») e não para os sentimentos que surgem como causa na sua presença.

Isto ajuda-nos a perceber que «haverá quem num começo tenha sentido uma atracão simplesmente física por uma mulher ou um homem, e mais tarde chegaram a enamorar-se dela ou dele”253. Na realidade do dia a dia o que acontece com maior frequência é uma intensa preocupação pela pessoa amada na sua totalidade.

O pensamento vive ocupado pela pessoa amada. A este amor contemplativo segue-se a etapa do despertar sexual. O eros “é a forma de relação interpessoal na qual

a sexualidade adquire o seu sentido. Se esse amor não está presente, a sexualidade não

alcança a sua plenitude, e degrada-se. Contudo, a peculiaridade do eros vem-lhe de ser

um amor-dádiva que, sem deixar de sê-lo, se transforma em amor-necessidade. Estar

enamorado é (…) um amor-dádiva-necessário, algo paradoxal, mas fonte de encanto”254.

O eros transforma o prazer-necessidade num prazer de apreciação em que o outro é visto de modo mais intenso, como algo admirável em si mesmo, algo muito importante que transcende a mera relação com a necessidade do enamorado. Desta forma, um e outro necessitam do enamorado para quem tendem ao mesmo tempo que desenvolvem o amor benevolente, como sendo este o ser humano mais importante de todos.

No enamoramento há um encontro de uma pessoa com outra pessoa concreta, única e irrepetível. Essa outra pessoa converte-se no seu próprio projecto de vida.

A pessoa enamora-se sem aviso prévio, é algo gratuito, em que a pessoa amada é vista como presente, daí que ambos passem a considerar-se um presente, um dom de um ao outro. No enamoramento a gratuidade é a doação do «eu» ao «tu» e vice-versa.

Ao enamorarem-se surgem os sentimentos de comoção, alegria e amor. A pessoa enamorada só tem olhos para o ser amado, para se sentir alegre e feliz por estar em plenitude. “A felicidade provem da descoberta que o sentimento da nossa existência é a

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HORTELANO, António, op. cit., p. 204. 254

afirmação do outro e da nossa união com ele: «não posso viver sem ti», «estamos feitos

um para o outro». Isto faz-nos ver o mundo de outra maneira: tudo tem um sentido novo”255.

O amor surge no encontro amoroso, onde é necessário aproximação e conhecimento mútuo. Quando a aproximação e o conhecimento se consolidam e reconhecem, sentem a necessidade de viver um projecto comum. A partir deste momento, os enamorados começam a realizar o seu ideal de viver um para o outro, renunciando, por vezes, a gostos pessoais. É, pois no tempo de noivado que os dois procuram descobrir as possibilidades reais de se unirem num só, através do conhecimento e do querer-se. Assim, nasce a fundação da união conjugal.

Durante o enamoramento está em botão o essencial do amor específico do homem e da mulher que se sentem chamados a amar-se. Esse amor realiza-se e expressa-se na sua plenitude, no amor conjugal, como já referimos. Desta forma, nasce um projecto que há-de ser desenvolvido ao longo da vida, por vontade dos próprios enamorados. O fundamento da vida comum dos amantes é o amor conjugal, criado numa comunidade conjugal.

O matrimónio é a comunidade conjugal e familiar da condição dialógica e social da pessoa, através da sexualidade. Essa vida em comum nasce da união conjugal voluntária e livre, isto é, de pessoas unidas através da sua feminilidade e masculinidade, exclusiva e perpétua que fizeram o compromisso conjugal de reciprocamente entregarem todo o seu «ser». Este compromisso começa a sua realização no dia da celebração do sacramento do matrimónio.

Actualmente tende a confundir-se o casamento com o sacramento do matrimónio. Não são a mesma realidade, apesar de serem considerados sinónimos. O casamento converte-se numa inscrição do registo civil e de uma festa acompanhada por um acto formal que, por vezes, inclui algo de religioso. “O matrimónio natural é um compromisso voluntário e livre dos contraentes, mediante o qual decidem querer-se e entregar-se um ao outro no amor conjugal, um com uma e para sempre”256.

O amor entre os enamorados é gratuito, isto é, nada, nem ninguém os pode obrigar a contrair matrimónio. Esta etapa da vida é o culminar duma descoberta do sentido vocacional do amor entre eles, que os conduziu a reorganizar a vida e a

255

HORTELANO, António, op. cit., p. 205. 256

considerar o outro num projecto radical, consciente e livre que funda a vida em comum – a aliança matrimonial.

O amor conjugal é um amor dentro do qual está contida a sexualidade. Este amor apresenta como principal característica, relativamente, a outro tipo de amor entre as pessoas, a complementaridade sexual. No amor, o outro também se ama através da masculinidade ou da feminilidade do outro, pois são seres distintos sexualmente. “A virilidade e a feminilidade é o bem através do qual se ama a pessoa do outro. O amor conjugal é o amor entre varão (…) e mulher (…), por ser precisamente isso: varão e mulher. É um amor que ama a outra pessoa (…) através da sua sexualidade; e se dá (…) com a doação da própria pessoa e da complementaridade sexual”257.

O amor conjugal deve ser em si mesmo exclusivo e para sempre. Exclusivo, porque na estrutura bipolar e complementar da condição pessoal do ser humano, ama com amor de entrega e de dom. Esta estrutura bipolar implica a relação homem-mulher, com doação mútua das duas pessoas e da sua própria sexualidade. Quando se ama o outro, seja ele homem ou mulher, significa dar-se a esse outro por inteiro, em exclusivo, pois a pessoa é um todo para amar e não um conjunto de partes.

“A única maneira de amar com amor exclusivo a alguém é não amar a anda mais com esse amor exclusivo. Entregar-se de todo significa entregar-se uma só vez, a uma só pessoa e guardar tudo para ela”258.

O amor verdadeiro não se realiza com cláusulas temporais, restrições ou reservas. Ao amarmos uma pessoa e a sua masculinidade ou feminilidade incluímos nas etapas da vida a sua potencial paternidade ou maternidade, continuando o amor a ser exclusivo e perpétuo. Este amor exclusivo e perpétuo é total, permitindo chegar à verdade da pessoa. Esta exclusividade e perpetualidade são-nos dadas pelos filhos, fruto da união conjugal, integrados numa família. Para realizar estas duas características do amor do homem e da mulher é preciso edificar o amor conjugal com base na vontade e não só no sexo e nos sentimentos afectivos.

“A vida sexual é só uma parte do amor conjugal. Quando se quer basear este exclusivamente no sexo, identifica-se sobretudo com uma vida sexual satisfatória”259. Se a vida sexual se torna algo muito importante numa relação a dois, facilmente, se cai na decepção.

257

HORTELANO, António, op. cit., p. 206. 258

HORTELANO, António, op. cit., p. 207. 259

O enamoramento nunca perde a atitude contemplativa para com a pessoa amada, pois admira-a mesmo nos momentos da maior debilidade. O amor converte-se numa tarefa em que se aprende a conviver ao longo dos diversos ciclos da vida e do tempo.

Considerando que a relação de amor significa doação, todos os outros actos de amor têm presente este dom de si. Se esta perspectiva falta, a vida sexual torna-se uma satisfação, um interesse. Com esta atitude dilui-se a comunicação e o diálogo e crescem os muros entre os amados; desmoronam-se os afectos e o enamoramento e a crise instala-se no casal. Contudo, salienta Ricardo Yepes Stork e Javier Echevarría que é nestes “momentos de crise quando se comprova que o sexo é para o amor conjugal, e não ao contrário. Este perde o rosto tirânico quando se incrusta nele a inclinação amável do amor conjugal, dentro do qual se dignifica, porque (…) produz (…) entre os amantes a doação, o diálogo e o perdão, sem os quais o eros existe”260.