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5. Den alminnelige handlefrihet 1 De aktuelle problemstillinger

5.1.3 Notere og registrere

O exame de seleção é a forma de ingresso no COLUNI desde a sua criação. De acordo com o primeiro Regimento:

96 Art. 16 – O exame de seleção será oferecido em fevereiro, de acordo com o calendário escolar.

Parágrafo Único: As inscrições para o exame de seleção serão aceitas até dois (2) dias antes de seu início.

Art. 17 – O exame de seleção constará de provas de Biologia, Química, Física, Matemática e Português.

Parágrafo Único – A matéria a ser exigida nas provas a que se refere êste artigo abrangerá todo o programa de ensino do ciclo secundário, exclusive o do 3.º ano colegial.

Art. 18 – Tôdas as provas de concurso de habilitação serão escritas, sendo formuladas e julgadas pelas bancas examinadoras designadas pela Coordenadoria.

§1.º - Não haverá mais de uma prova por dia.

§2.º - Às provas serão conferidos graus, por notas, que variarão de zero (0,0) a dez (10,0).

§3.º - A nota mínima de aprovação, por matéria, será quatro (4,0). Art. 19 – A inscrição será aberta somente aos candidatos que concluíram o 2.º ano do ciclo colegial ou equivalente.

Parágrafo Único – Não será aceita a inscrição de alunos que concluíram o 3.º ano colegial ou equivalente.

Art. 20 – A classificação será feita pelas bancas examinadoras, em função dos resultados obtidos pelos candidatos. (REGIMENTO, 1967)

Com a promulgação da Lei 5.692/71, o Estudo do Novo Regimento84

trouxe alterações insignificantes na redação, sem, contudo, modificar o conteúdo e a proposta, manteve inclusive a nomenclatura “colegial” quando a Lei já nomeava 2.º Grau.

Entre os documentos localizados nos arquivos, foram encontradas correspondências de candidatos e escolas solicitando informações sobre o Colégio e sobre a forma de ingresso desde 1966. Como era uma escola gratuita, a procura era grande. As escolas de ensino secundário (entre 1966 e 1971) e de ensino de segundo grau (a partir de 1971) eram, em sua maioria, vinculadas à rede privada. Além dessa condição complicadora para os alunos de baixa renda, essas escolas eram praticamente inexistentes nas cidades do interior do país. (FERNANDES, 1966). Isso provavelmente justifica o fato de que o COLUNI era procurado por candidatos de todo o país.85

Para os exames de seleção eram compostas comissões com professores das áreas que compunham o programa, conforme o edital. Além das comissões técnicas, havia as comissões de fiscalização (PORTARIAS 663/75 e 664/75).

84 Entre 1970 e 1981, foram feitas várias versões desse Estudo, sem, contudo, haver aprovação de nenhuma delas. Não havia diferença significativa entre essas versões. O novo regimento só foi aprovado em 1981, com a expansão de séries,

85 Foram encontrados documentos indicando o pagamento de taxas de declaração de matrícula. Entretanto não havia mensalidade.

97 A primeira turma não foi submetida a exame de seleção. Um dos alunos entrevistados, aluno da turma de 1966, disse que “a Universidae criou o COLUNI e comunicou com o Colégio de Viçosa86. E todos os que estavam fazendo o segundo ano

científico foram comunicados de que o terceiro ano poderia ser concluido na Universidade Federal de Viçosa, no Colégio Universitário”. (EX-ALUNO, TURMA DE 1966). E um outro, dessa mesma turma, disse que “não tinha vestibular, não tinha exame de seleção nem nada”. (EX-ALUNO,TURMA DE 1966)

Em 1968, o Reitor resolveu, através do Ato n.º 2.076, de 20 de fevereiro, “em virtude do pequeno número de candidatos ao exame de seleção para o Colégio Universitário, determinar a matrícula de todos os candidatos inscritos”. Alguns ex- alunos entrevistados confirmam essa situação em outros anos, como em 1970. Segundo dois ex-alunos entrevistados, ambos desse mesmo ano, “[...] tinha aquela seleção do COLUNI, que na verdade não chegava a ser uma seleção porque o número de candidatos era inferior ao número de vagas”. A seleção teria sido feita, segundo um deles, “pelo histórico”. De fato, a julgar pela recomendação do Reitor em 1968, foi feita pela inscrição.

Se nos primeiros anos a concorrência não justificava a realização do exame, com o passar dos anos, essa situação foi relativamente alterada. A relação candidato/vaga até 1975 não passava de 1,5. A partir de 1976, passou a ficar na casa dos 2 candidatos por vaga.

86 O Colégio de Viçosa era uma instituição particular, que oferecia o ensino secundário, ginasial e colegial, em regime de internato e externato, e recebia estudantes de todo o país, que vinham se preparar para o vestibular da UREMG e, posteriormente, da UFV.

98 Tabela 2 Relação candidato x vaga 1970-1981

Vagas Candidatos inscritos candidatos/vaga 1966 - - - 1967 - 62 - 1968 - - - 1969 - 98 - 1970 100 118 1,18 1971 140 177 1,26 1972 140 165 1,18 1973 140 194 1,39 1974 140 188 1,34 1975 200 258 1,29 1976 200 411 2,06 1977 200 511 2,56 1978 200 514 2,57 1979 280 568 2,03 1980 250 542 2,17 1981 250 600 2,40

Fonte: Organizada pela autora.

Apesar da baixa concorrência, o papel do exame de seleção era importante na constituição do COLUNI como ilha de excelência, em meio aos problemas vivenciados pela educação naquele momento. Muitas eram as reclamações sobre a qualidade do Ensino Médio, encontradas em documentos e relatórios, e já citados anteriormente. Assim, a seleção tinha um papel fundante na manutenção da qualidade e da excelência, especialmente à medida que o número de candidatos aumentava.

Assim, se para muitos a aprovação era a consequência natural dos estudos, sem nenhum esforço adicional, porque eram “bons alunos”, para outros a prova foi motivo de angústia e apreensão. Tinha que estudar muito, apesar de a concorrência não ser tão acirrada na época. É possível depreender das entrevistas que o grau de dificuldade da seleção era semelhante ao do vestibular.Uma das ex-alunas conta:

Estudei bastante, estudamos bastante. A gente era bem enturmado e quando nós terminamos o segundo ano, nós começamos a estudar, a gente não fez nem cursinho da época. Nós pegamos o material e tinha o M... também, que era amigo nosso, estava fazendo vestibular na época e ele sempre gostou de dar aula, inclusive ele deu até aula depois do Colégio de Viçosa e tudo, de Matemática. Ele falou com a gente assim: “Eu vou estudar com vocês, se vocês quiserem, vou fazer um cursinho com vocês”. Inclusive foi lá na casa

99 da minha mãe, tinha um quarto de estudo lá que tinha quadro, o quadro negro, aquela coisa toda... Então ele começou a matéria que ele estava estudando para o vestibular e que era mais ou menos a matéria nossa, pegou a matéria de segundo ano e o programa do COLUNI. Deu aula para a gente de Matemática, de Química, de Física, ele dava aula e ainda aplicava prova. E estudamos bastante. (EX-ALUNA, TURMA DE 1977, grifos nossos)

Era comum também, até 1976, a presença dos alunos ouvintes, aqueles que já tinham concluído o colegial e queriam prestar vestibular na UFV. O primeiro Regimento de 1967 não faz nenhuma concessão à matrícula de alunos ouvintes, o que somente ocorre no Estudo do Novo Regimento, de 1971 (que nunca foi aprovado, diga- se):

Art. 20

§1.º - À critério da Diretoria, poder-se-á admitir, a título de colaboração, os alunos ouvinte concluntes do 2.º ciclo (do Colegial), sem prejuízo para os regulares, desde que haja vagas e estes se destinam a vestibulares das Escolas da UFV.

§2.º - Os alunos ouvintes terão as mesmas obrigações quanto à frequência e aproveitamento, podendo ser dispensados quando estas não corresponderem bons niveis, à critério da Diretoria.

§3.º - As notas e frequencias destes alunos será computadas pela Diretoria do Colégio Universitário que acompanhará a evolução de cada aluno, e não terá validade para qualquer efeito a não ser pelo já exposto.

§4.º - O Colégio Universitário não expedirá nenhum certificado de aproveitamento ou conclusão para seus ouvintes.

Eram recorrentes os pedidos de matrícula para a condição de ouvinte. Vinham por carta de vários municípios e até de outros estados. Em alguns casos, os candidatos, não contemplados num ano, tentavam a chance no ano seguinte. Em 1975, uma mãe do interior da Bahia intercede junto ao Reitor:

Em 1974, pedi que um filho fosse inscrito como assistente do curso pré Universitário. Atenciosamente o Sr. me respondeu que não havia vaga no momento e que eu aguardasse um chamado. Sei que não foi possível. Entretanto, no momento, apelo para V.Sa. que neste ano o inscreva como assistente, pois, o rapaz quer estudar agronomia e só Viçosa é a meta dele. (CORRESPONDÊNCIA, 1975, grifos nossos)

Essa possibilidade existiu até 1976, quando as condições precárias não mais permitiram dividir os parcos recursos entre os alunos regulares e os ouvintes. Em relatório de 25 de fevereiro de 1977, encaminhado ao Reitor, o Diretor expõe um arrazoado sobre a presença de alunos ouvintes, advogando pela suspensão dessa modalidade. Entre os motivos expostos, afirma que há falta de espaço; pequeno número de vagas disponíveis em face da crescente demanda por essa modalidade de acesso ao

100 Colégio; aumento da indisciplina, que comprometia o trabalho dos alunos regulares; e baixo número de desistência, o que inviabilizava a manutenção dessa concessão.

Vencida a seleção, portanto, as portas se abriam a um novo mundo. Mas, se para alguns, nem tão novo assim, para outros nem tão abertas. Enquanto o COLUNI era o caminho natural de alguns, a trajetória de outros foi o retrato da resistência a um futuro negado.

Precisava-se de novos embriões para que a excelência continuasse a existir. Era preciso cuidar de manter vivo o espírito esaviano.