6. The Status and Role of National and International NGOs
6.7 Norwegian NGOs and NGO Support
Segundo Kuhn (1991), as ciências se desenvolvem por meio dos paradigmas conceituados pelo pesquisador como “realizações científicas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes da uma ciência” (KUHN, 1991, p. 13). Logo, é através dos paradigmas que o pesquisador procura respostas para suas perguntas. Dessa forma, a atuação dos pesquisadores, ao desenvolverem leis, teorias e explicações, faz surgir modelos que promovem as tradições científicas.
Esse pesquisador esclarece que aquilo que move as ciências é a competição entre tais modelos, entre teorias e concepções de mundo, ou seja, a ciência se desenvolve por revoluções de paradigmas. Assim, a transição sucessiva de um paradigma a outro, através dessas revoluções, é o padrão usual do desenvolvimento da ciência amadurecida.
Dessas transições, os paradigmas quantitativo e qualitativo, segundo Santos Filho (2001), norteiam as pesquisas científicas da atualidade, como veremos a seguir.
Conforme Santos Filho (2001), o paradigma quantitativo tem origem na visão filosófica de mundo do positivismo do século XIX, como uma prática neutra em que se descartavam emoções e conjunto de valores no modo científico de se fazer ciência. O autor acrescenta que a filosofia positivista defende a unidade de todas as ciências, porém hierarquizadas, uma vez que cada área depende do desenvolvimento daquela que a precedeu. A partir desse pensamento, as áreas se ordenam assim: matemática, astronomia, física, química, biologia e sociologia. Dessa forma, as ciências sociais e humanas ficaram atreladas às ciências naturais e à epistemologia e aos métodos destas.
Santos Filho (2001, p. 23) afirma que, assim como nas ciências naturais, as pesquisas das ciências sociais caracterizavam-se nesse paradigma, principalmente pela independência dualista entre o objeto do conhecimento e o pesquisador, ou seja, “o pesquisador social não deveria avaliar ou fazer julgamento mas apenas o que era ou existia; como também ser objeto e evitar que seus vieses influenciassem o processo de pesquisa” (SANTOS FILHO, 2001, p. 17). No paradigma quantitativo, há neutralidade de valores e busca de regularidade e relações entre fenômenos
sociais; os objetos das ciências sociais recebem o mesmo tratamento que os objetos das ciências físicas.
A partir de críticas de pensadores à adoção da teoria positivista pelas ciências sociais, surgem novos paradigmas. Santos Filho (2001) denomina como reação ao positivismo, ao paradigma quantitativo, o paradigma interpretativista-idealista, Teoria Crítica da Escola de Frankfurt.
Dilthey (1989) afirma que o objeto das ciências sociais (para ele, “culturais”) está relacionado com a mente humana, sua subjetividade, sua emoção e valores. Afirma ainda que a sociedade nada mais é que o resultado da intenção humana e que objeto e pesquisador não se separam, ou seja, o ser humano é, ao mesmo tempo, sujeito e objeto de investigação. Não é possível, portanto, o distanciamento dos eventos da vida, para pesquisá-los. O objeto das ciências sociais e humanas são manifestações da mente, o que faz o pesquisador, nessa área de conhecimento, buscar uma compreensão interpretativa desta mente. Porém, essa compreensão envolve o que chamou de círculo hermenêutico6.
Rickert (1962), por sua vez, esclareceu o significado da abordagem
idiográfica, centrada em eventos individuais, em que a seleção das pesquisas feitas
é baseada nos valores de seus pesquisadores.
Husserl (1913/1962), nessa sequência de opositores ao positivismo, é o precursor da fenomenologia, corrente filosófica que visa descrever os fenômenos da experiência humana. Segundo o pesquisador, a compreensão de um fenômeno da experiência humana é possível, se nos aproximarmos de sua essência a partir da perspectiva de quem vive essa experiência.
O paradigma crítico, advindo da Teoria Crítica formulada pela Escola de Frankfurt, está fundamentada no materialismo dialético7 de Marx e Engels.
Vejamos como, historicamente, desenvolve-se a Teoria Crítica. Segundo Morgado (2003), a partir da crítica ao paradigma positivista, filósofos do fim do século XIX e início do século XX, principalmente os filósofos da Escola de Frankfurt, procuravam intervir com suas teorias sobre a prática social, buscando uma nova ordem.
6 A ilustração do círculo hermenêutico pode ser melhor compreendida em Silva Filho (2008, p. 51). 7 Segundo Konder (1984, p.8), “a dialética é a ciência das leis gerais do movimento, tanto do humano
externo, quanto do pensamento humano”. Para o pensador, na acepção atual, dialética é o modo como entendemos a realidade essencialmente contraditória e que está em constante processo de transformação.
Horkheimer e Adorno (1947) usam a metodologia crítica que consistia em reconhecer todas as formas de opressão potencializadas pela razão histórica (nos discursos e nas atividades), desenvolvida no pensamento ocidental, iluminista, para depois proceder a desmontagem das ideologias opressoras8.
Surge, assim, um novo método de análise social que faz crítica aos métodos e objetivos defendidos por uma sociedade que, em nome do desenvolvimento do progresso econômico, acaba por se caracterizar como uma sociedade formada por dominantes sobre dominados.
A partir das ideias desses pensadores, a Teoria Crítica se formula como transformação do contexto social em que o homem se torne emancipado das relações de poder que exploram suas forças e aptidões e reside na reflexão sobre os pressupostos necessários para a transformação da sociedade na iniciativa de submeter a teoria aos interesses da ordem prática (MORGADO, 2003).
Nos anos 1950, Habermas (1985) surge como integrante do grupo de pensadores que irá dar continuidade ao desenvolvimento da teoria crítica encaminhando suas investigações para o campo da comunicação linguística, contrapondo a linguagem monológica, coerciva e violentadora dos princípios da reciprocidade, utilizada em nome de interesses individuais à linguagem dialógica, como meio estratégico para a realização de um bem público.
Habermas (1987) apresenta um novo conceito de racionalidade sustentada pela comunicação: a racionalidade comunicativa, livre de objetivação e distanciamento de valores subjetivos característicos do paradigma tradicional. O autor (1987) propõe, assim, que a racionalidade instrumental não seja eliminada, mas que não seja predominante, cedendo espaço à razão que favoreça a interação entre os sujeitos, pelo diálogo; uma razão que considera, sobretudo, o outro digno de direito e deveres.
Assim, distingue dois âmbitos do agir humano: o trabalho – processo pelo qual o homem emancipa-se da natureza – e a interação social – esfera da sociedade em que normas sociais se constituem a partir da convivência dos sujeitos, capazes de comunicação e ação (HABERMAS, 1987). A partir dessa distinção, afirma que estão inscritas na interação, na fala cotidiana, as ideias de verdade, liberdade e
8 Essas forças opressoras, explica Morgado (2003), estão presentes na razão iluminista, que, ao invés de impulsionar o esclarecimento, a emancipação e o progresso do indivíduo e da sociedade, contribui para a falsa imagem que o homem tem de si como senhor da natureza, fazendo com que o autoritarismo, o dogmatismo e o positivismo se estendam por toda a atividade humana.
justiça, desenvolvendo, assim, o que denominou ação comunicativa. Segundo o pensador, é na ação comunicativa que o sujeito se constitui na e pelas suas ações através da linguagem, na interação com outro num espaço de reflexão.
Utilizando a linguagem, os sujeitos organizam-se socialmente, buscando um consenso livre de toda coação interna e externa. Ao organizarem-se, os sujeitos interagem em grupo, discutem e buscam seus interesses como iguais, pelo diálogo sincero em que todos são ouvidos.
Inscreve-se no paradigma crítico a abordagem metodológica Pesquisa
Crítica de Colaboração (MAGALHÃES, 2011; 2004; 2003), a qual passo a discutir a
seguir.