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2 Literature review

2.4 Unmanned Aerial Vehicle (UAV)

2.4.4 Norwegian Aviation Law and Regulations

Foram convidadas a participar do estudo 15 mães de crianças portadoras de deficiência, que são atendidas em sessões individuais no setor de Estimulação Precoce da APAE de Itaúna e no Ambulatório das Clínicas Integradas da Universidade de Itaúna. Não houve nenhuma recusa, mas observou-se que a maioria das mães se sentiam constrangidas quando foi explicada a necessidade da visita domiciliar. As mães alegavam que suas casas não estavam adequadamente arrumadas e limpas para receber a pesquisadora, demonstrando sentimentos de inferioridade, acredito que proveniente da diferença de classe social, de nível de escolaridade e da posição ocupada pela pesquisadora em relação à mãe no que se refere ao tratamento da criança. No imaginário dessas mães, a pesquisadora, tida como socialmente mais valorizada, poderia julgá-las negativamente ao ter acesso ao seu domicílio, local simbólico de sua intimidade. Além disso, como autoridade no tratamento da criança, poderia julgá-las pela percepção no domicílio do não- seguimento adequado das suas prescrições.

Durante as visitas domiciliares observei certo constrangimento de algumas mães por não viverem de acordo com o padrão familiar convencional (modelo nuclear conjugal). De acordo com Afonso (1995), existe certa discriminação das famílias das classes populares e de todas as outras famílias que se afastam do modelo nuclear conjugal. Ainda segundo Afonso (1995), a preocupação com o desenvolvimento infantil, em determinados contextos, ampliou a vigilância ideológica sobre as famílias pobres, consideradas inadequadas para promover valores, visão de mundo e vínculos de afeto e autoridade. Usando de argumentação de que as famílias pobres (e, em especial, a mãe pobre) era moral e culturalmente inadequada, várias instituições públicas e filantrópicas pretenderam disciplinar essas famílias para evitar que seus filhos “se tornassem marginais”:

A discriminação das famílias das classes populares, e de todas as outras famílias que se afastassem do modelo nuclear conjugal, assumiu uma pretensa cientificidade ao invocar razões ligadas ao que se considerava o bom desenvolvimento da criança. (AFONSO, 1995, p. 23).

Apesar desse constrangimento, foi demonstrada uma grande satisfação das mães em receber a pesquisadora. Após o término da visita, cada mãe, a seu modo, nos serviu um lanche (café, suco, biscoitos, frutas).

Durante as visitas, as mães sentiram-se mais à vontade para falar de seus sentimentos, de suas dificuldades, dos problemas relacionados à sua criança, aos outros componentes da família e ao tratamento fisioterapêutico do que durante as entrevistas. Essas falas, embora não registradas, contribuíram para a compreensão dos significados das entrevistas.

Em muitas casas, os pais das crianças e as avós se fizeram presentes participando, questionando e atuando na demonstração dos cuidados relacionados à criança. Por meio desse contato, foi possível observar a relação entre o casal, a relação dele com a criança em tratamento e com os demais filhos, bem como perceber seus receios, frustrações e anseios, sua participação no tratamento e, principalmente, a forma de apoio dada à mãe.

Muitas das mães entrevistadas têm uma situação social bastante frágil, tendo como renda somente o benefício concedido pelo INSS.∗ Sobrevivem com a ajuda de doações de roupas, calçados, medicamentos e cestas básicas de alimentos. Outras, além do benefício recebido pelo filho portador de deficiência, acrescentam à renda familiar alguns serviços de “biscates”.

Entre as mães entrevistadas e visitadas, duas moram fora do município de Itaúna, em Itatiaiuçu e Pé da Serra (lugarejo pertencente ao município de Itatiaiuçu) e outras duas mães moram em zona rural pertencente ao município de Itaúna.

As crianças cujas mães foram entrevistadas possuem uma grande diversidade e graus variados de comprometimentos motores, sensoriais, cognitivos e comportamentais: déficits motores associados a déficits sensoriais e cognitivos,

“Benefício concedido às pessoas portadoras de deficiência que estejam definitivamente incapacitadas para o trabalho e que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção, nem tê-la provida por sua família” (Lei Orgânica da Assistência Social – Lei nº 8.742/93).

déficits motores associados a déficits cognitivos, déficits sensoriais associados a distúrbios de comportamento, déficits sensoriais com níveis de cognição e motricidade preservadas, déficits motores com níveis sensoriais e cognitivos preservados que interferem em suas funções.

O QUADRO 1, a seguir, mostra alguns elementos que caracterizam a amostra com relação à situação social e econômica das mães e, também, às doenças que motivaram o tratamento fisioterapêutico das crianças:

QUADRO 1

Caracterização da amostra estudada

0 a 2 anos 2

Idade da criança de 2 anos a 4 anos 7

de 4 anos a 5 anos 6

de 20 anos a 29 anos 7

Idade da mãe de 30 anos a 40 anos 8

Do lar 12

Profissão da mãe Secretária 1

Consultora de vendas 1

Vistoriadora de seguros 1

Não tem companheiro 1

Situação conjugal das mães Tem companheiro e 12

reside junto

Tem companheiro e não reside junto 2

Aluguel 5

Relação de propriedade com a moradia Cedida 1

Casa própria 9

1° grau incompleto 3

Escolaridade 1° grau completo 4

das mães 2° grau incompleto 2

2° grau completo 6

Feminino 9

Sexo dos filhos Masculino 6

Tipo de moradia Alvenaria com acabamento 10 Alvenaria sem acabamento 5

de 0 a 0,5 salários 10

Renda per capita de 0,5 a 1,0 salários 2 de 1,0 a 1,5 salários 1

de 1,5 a 2,0 salários 2

de 1 a 2 filhos 10

Número de filhos de 3 a 4 filhos 4

mais de 4 filhos 1

Paralisia cerebral 6 Síndromes não esclarecidas 4

Síndrome de Down 2

Diagnóstico da criança Artrogripose múltipla congênita 1 Síndrome de Russel-Silver 1 Malformação congênita 1

Diante desse quadro, pode-se caracterizar as mães da amostra como mulheres adultas, ainda jovens, do interior do Estado, que não trabalham fora do lar, com escolaridade média, baixa renda per capita familiar, que residem junto com o companheiro e têm poucos filhos.