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In document Trevirkets kvalitet II (sider 99-109)

Quanto ao que se refere à temática Aulas Práticas, identificaram-se fotografias nas quais alunos realizavam atividades em local exterior às tradicionais salas de aula, ou seja, em espaços apropriados ao Ensino Técnico. Esse tema lembra que, durante os anos de 1950 e 1960 houve um grande investimento no País em uma educação voltada para o trabalho. Diversos cursos técnicos foram disponibilizados à população almejando a industrialização do Brasil. Ghiraldelli lembra que

o célebre Programa de Metas do Presidente JK foi, prioritariamente, um projeto de dotação de infra-estrutura básica para o país, ou seja, industrialização. A última meta do programa, que falava da educação, fazia o problema do ensino dependente das necessidades de institucionalização de uma educação para o desenvolvimento, ou seja, o incentivo ao ensino técnico-profissionalizante. Para JK, não só o ensino médio deveria cuidar da profissionalização, mas até mesmo o primário teria de se obrigar a educar para o trabalho.254

Tendo em vista que uma das escolas analisadas foi criada justamente no intuito de oferecer Ensino Técnico na região de Torres/RS, a temática sugerida obteve respaldo iconográfico no acervo de tal escola, que entre as demais destacou-se. No conjunto total de 23 fotografias, 20 registros correspondem à Escola Justino Alberto Tietboehl. As restantes fazem parte do acervo da Escola Governador Jorge Lacerda, a Escola Marcílio Dias não preservou nenhum registro dessa natureza.

As fotografias realizadas pela Escola Justino Alberto Tietboehl pertencem à década de 70. Nas imagens, alunos foram fotografados produzindo peças nas aulas de Marcenaria. As aulas de Marcenaria eram realizadas em um galpão anexo ao prédio principal da escola, onde estavam localizadas as salas de aula teóricas, o refeitório, banheiros e a biblioteca. Mas os maiores registros foram realizados na horta da instituição. No final da década de 70, na escola havia a disciplina de Técnicas Agrícolas ministrada, curiosamente, por alunos da primeira turma de 1962. Os alunos e alunas deveriam aprender as principais técnicas de cultivo e, para tanto, aproveitando que a escola tinha ainda, naquele período, um terreno extenso,255 vários canteiros com verduras foram plantados e cultivados pelos alunos. A produção proveniente dessa horta era utilizada na merenda escolar, que, por vezes, era ofertada também à Escola Marcílio Dias, que localiza-se ao lado. Assim, o trabalho desenvolvido e seu resultado foram captados. Nas imagens, os instantâneos procuraram

254 GHIRALDELLI JÚNIOR, Paulo. História da educação brasileira. São Paulo: Cortez, 2006. p.102-103. 255 Na década de 90, parte do terreno da escola foi cedido para a construção de APAE.

destacar o grupo de alunos trabalhando (Figura 49); observa-se que um grande número destes estava utilizando enxadas e pás e sendo supervisionados por um professor. Alguns canteiros estão com verduras prontas para serem colhidas, enquanto em outros, os alunos preparam a terra para o plantio. As fotografias, que registraram a distância os alunos trabalhando, forneceram inúmeras informações. Em primeiro plano, alunos trabalhavam na horta da escola; em segundo plano, a cidade de Torres/RS revelava-se timidamente, tendo em vista que estava no princípio de seu desenvolvimento urbano. É possível, por meio da imagem, constatar que, na região onde estava localizada a escola, a cidade ainda não havia sofrido por ação da construção civil, que ocorreu em fins da década de 70 e início dos anos 80; atualmente esta região da cidade está totalmente ocupada por casas e prédios.

Muitas destas fotografias ainda contribuíram com informações sobre o prédio antigo da Escola Marcílio Dias, pois inexiste nos arquivos fotográficos de 1960 a 1980, fotografias que retratem o prédio256 que a escola ocupou até meados de 1977. Na imagem, localizada à esquerda, encontra-se o prédio da escola. O enquadramento da cena ainda permitiu captar o Morro do Farol, com o seu respectivo farol,257 a subestação de energia elétrica e alguns prédios localizados mais ao norte da cidade. É preciso lembrar que, em direção ao Morro do Farol, existe a Lagoa do Violão e deve-se também a essa razão a inexistência de construções.

Figura 49 – Alunos trabalhando em horta / Data: Ano de 1979

Autor: Professor da escola. Medida: 9 x 14 cm

Fonte: Acervo da Escola Justino Alberto Tietboehl.

256 Conclui-se pela inexistência, pois apenas uma fotografia registrou em poucos detalhes a arquitetura do prédio. 257 O farol captado pela lente da câmera fotográfica é o terceiro Farol que a cidade de Torres/RS obtivera, este foi instalado em 1952 e desativado entre os anos de 1992/93. Assim como este, os faróis anteriores, o primeiro de 1912 e o segundo de 1928, foram desativados pelo efeito da maresia que os danificara. Sobre os faróis de Torres ver: VENTURELLA, Roberto. A história do Farol de Torres. Porto Alegre, RS: AGE, 2006.

As atividades desenvolvidas pelos alunos correspondiam também aos cuidados com a aparência do prédio. Alunos dos anos iniciais na Escola Governador Jorge Lacerda trabalharam na manutenção do gramado que estava em frente à entrada principal da escola. No entanto, conforme foi identificado, na escola também havia uma horta, com proporções menores, onde os alunos aprendiam a ter contato com o cultivo de pequenas hortaliças. Na figura 50, em 1978, alunos das Séries Iniciais, acompanhados de professoras trabalhavam na horta, que localizava-se nos fundos do prédio escolar. Dois alunos que estavam abaixados arrancavam as ervas daninhas, enquanto outros usavam enxadas. Nota-se que as meninas acompanham o trabalho mais ao fundo, mas não participavam da atividade.

Figura 50 – Trabalhando na horta / Data: Ano de 1978

Autor: Desconhecido. Dimensões: 9 x 14 cm

Fonte: Acervo da Escola Governador Jorge Lacerda.

A presença de fotografias que registraram as atividades de alunos em hortas tornou- se interessante, ao se constatar que estas hortas traziam melhorias na qualidade das refeições dos alunos. Pois, em fins dos anos 70, muitas vezes os recursos destinados à merenda não chegavam às escolas. Os depoimentos de ex-professores e diretores relataram que as escolas passavam longos períodos sem receber mantimentos; portanto, a produção, mesmo sendo pequena, possibilitava outros meios de ofertar alimento aos alunos.

In document Trevirkets kvalitet II (sider 99-109)