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Os métodos de recolha de dados, são estratégias que possibilitam aos pesquisadores obter dados empíricos que lhes permita responder às suas questões investigativas iniciais, cujos dados resultantes devem ser analisados, interpretados de forma a poderem ser transformados em resultados e conclusões. A forma como se recolhe dados é muito importante e, como referem Graue e Walsh (2003), devemos utilizar instrumentos adequados à natureza da informação pretendida e como defende Ponte (2002) num trabalho investigativo “o mais importante não é recolher muitos dados, mas recolher dados adequados ao fim que se tem em vista e que sejam merecedores de confiança” (p.15). Na realização deste estudo, a recolha de dados

centra-se principalmente no recurso à observação participante, com registo dos mesmos através de notas de campo e fotografia.

Recorremos, ainda à análise dos documentos orientadores da prática educativa e das produções das crianças, bem como à inquirição das crianças por entrevista, no sentido de conhecer as suas perceções sobre processo de aprendizagem.

2.2.1. Observação

A observação participante é considerada uma boa opção para o investigador que visa compreender as pessoas e as suas atividades em contexto de ação, pois, a observação participante é realizada em contacto direto, frequente e prolongado do investigador, com os atores sociais, nos seus contextos, considerando o próprio investigador instrumento de pesquisa. Bogdan e Biklen (1994) referem que a observação participante é a melhor técnica de recolha de dados neste tipo de estudos (p.90). Segundo os autores (idem) as observações constantes do educador/investigador no ambiente natural das crianças, como podemos entender o ambiente em contexto de educação de infância, contribuem muito para a compreensão das ações sendo quase

sempre feitas de forma espontânea e, por eles, levadas a cabo aquando da realização das atividades propostas.Bogdan e Biklen (1994) definiram a observação participante como uma investigação caracterizada por interacções sociais intensas, entre investigador e os sujeitos, recolhendo dados de forma sistematizada.

Como refere Spradley (1980), “a observação participante permite-nos observar as actividades das pessoas, as características físicas da situação do ponto de vista social e o que nos faz sentir o facto de fazermos parte integrante daquela realidade” (p.33).

Algumas das vantagens desta técnica incidem no facto de o investigador poder selecionar, registar e analisar criteriosamente a informação mais relevante, relacionadas com a problemática em estudo, e também desenvolver uma relação próxima com os sujeitos.

2.2.2. Notas de campo

Os autores Bogdan e Biklen (1994) sublinham ainda a importância do recurso às notas de campo ao nível da observação participante, e que “as fotografias dão-nos fortes dados descritivos”, referindo que “são muitas vezes utilizadas para compreender o subjectivo e são frequentemente analisadas indutivamente” (p. 18).

Foi através da observação participante que nos foi permitido recolher dados sobre o contexto onde decorreu a ação, processo que consistiu em observar e registar através de notas de campo que possibilitaram descrever situações acerca dos intervenientes e de acontecimentos ocorridos. O objetivo destas era registar como refere Máximo-esteves (2008) “um pedaço de vida que ali ocorria, procurando estabelecer as ligações entre os elementos que interagem nesse contexto” (p. 88).

As notas de campo são fundamentais na recolha de dados qualitativos. Como afirmam Bogdan e Biklen (1994) são “o relato escrito daquilo que o investigador ouve, vê, experiencia e pensa no decurso da recolha e reflectindo sobre os dados de um estudo qualitativo”(p. 150). Para além disso, esses dados também ajudam na observação participante. Desta forma as notas de campo podem ser caracterizadas segundo Sousa (2005) “uma descrição das pessoas, objectos, lugares, acontecimentos, actividades e conversas. Em adição e como parte dessas notas, o investigador registará ideias, estratégias, reflexões e palpites” (p. 150).Esta técnica de recolha, permite ao educador tirar notas do que ouve, o que vê e experiencia naquele momento, sendo um ótimo suporte para a compreensão e reflexão de determinadas situações, bem como, um auxílio da memória para mais tarde recordar. De acordo com (Bogdan, & Biklen, 1994)

“as notas de campo consistem em dois tipos de materiais. O primeiro é descritivo, em que a preocupação é a de captar uma imagem por palavras do local, pessoas, acções e conversas observadas. O outro é reflexivo a parte que apreende mais o ponto de vista do observador, as suas ideias e preocupações” (p. 152). As notas de campo que foram escritas possibilitaram desta forma registar as descrições ditas pelas crianças, descrição dos objetos, dos espaços, dos acontecimentos, das atividades, das conversas, bem como registar as nossas ideias que, posteriormente, nos ajudaram a refletir acerca das crianças. Tendo em conta estas ideias, no decorrer da ação educativa houve a necessidade de recorrer, constantemente, aos registos de notas de campo devidamente datadas e procurando respeitar a linguagem das crianças com as quais se desenvolveu a ação e investigação.

2.2.3.Registo Fotográfico

Segundo Bogdan e Biklen (1994) outro método de recolha de dados que está intimamente ligado à investigação qualitativa são os registos fotográficos, já que concedem “fortes dados descritivos” que “são muitas vezes utilizados para compreender o sujeito e são frequentemente analisados indutivamente” (p. 183). Estes são considerados uma boa técnica a utilizar na metodologia qualitativa uma vez que a imagem torna as ideias mais claras, sendo que através delas que os pormenores são evidenciados. Ao longo da acção educativa recorremos regularmente à máquina fotográfica, permitindo-nos registar um conjunto de experiências de aprendizagem vivenciadas pelas crianças, as expressões e atitudes no decorrer das suas ações, a sequência da execução de trabalhos até ao seu produto final e, ainda, o envolvimento que demonstravam ao longo dos mesmos (Bogdan, & Biklen, 1994).

Nas diversas experiências de aprendizagem proporcionadas ao grupo de crianças, houve a necessidade de registar alguns momentos considerados mais importantes através da fotografia para, deste modo, complementar com outros instrumentos de recolha de dados, tornando assim uma maior amplitude e demonstração do trabalho realizado ao longo da prática de ensino supervisionada.Com esta técnica de recolha de dados foi possível obter dados descritivos, para posteriormente prosseguir à sua análise e interpretação da informação. As fotografias foram sem dúvida uma mais- valia para documentar as expressões das crianças, os seus movimentos, as reações, e também para engrandecer os seus comportamentos nas atividades. Corroborando (Bogdan, & Biklen, 1994) “as fotografias que podem ser utilizadas em investigação

educacional qualitativa podem ser separadas em duas categorias: as que foram feitas por outras pessoas e aquelas que o investigador produziu” (p. 184). É de frisar que durante a prática pedagógica foi pedida autorização aos pais para fotografar as crianças.

2.2.3.Entrevista

Optámos também por técnicas baseadas na perspetiva dos participantes, considerámos então pertinente recorrer à entrevista, de forma a recolher dados que nos ajudassem a compreender melhor como a criança faz para aprender e quais as estratégias utilizadas. Bogdan e Biklen (1994) referem que “a entrevista é utilizada para recolher dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspectos do mundo” (p.134), consistindo numa conversa propositada e orientada, entre duas pessoas neste caso entre criança e adulto. Neste tipo de investigações, ou seja, nas investigações de natureza qualitativa, as entrevistas mais comuns são as entrevistas semiestruturadas onde existe uma maior flexibilidade, em que o investigador através de um guião previamente estruturado, coloca ao entrevistado um conjunto de questões claras e diretas, podendo repetir a pergunta e de formular de forma diferente de maneira a garantir que seja compreendido, dando a liberdade aos entrevistados de responderem abertamente e, caso sintam necessidade, pode-se ainda acrescentar outras questões, o que de facto aconteceu, foram colocadas outras perguntas ao longo da conversa que não estavam previstas no guião, de forma a esclarecer algumas respostas da parte da criança entrevistada. As entrevistas foram realizadas em contexto de jardim de infância onde ouvimos e dialogámos com as crianças sobre o assunto em estudo. Entendemos que este instrumento de análise foi o mais adequado para dar expressão à voz da criança, como refere (Oliveira-Formosinho & Araújo, 2007, citado por Máximo-Esteves, 2008) “um requisito indispensável para que esta se torne participante activa na (re) construção do conhecimento científico sobre si própria” p.100).