O sentido que esse curso trouxe à vida profissional das artesãs foi analisado através das narrativas delas, carregadas de reflexões que nos remetem ao currículo do curso, à prática docente, à gestão institucional, à definição de políticas para o artesanato no país.
Nessa perspectiva, ao trazer análises de outros atores nesse processo: os docentes, que descortina possibilidades de entender questões que estão presentes no curso e que não são, digamos assim, estejam tão visíveis. Trazer suas análises e reflexões nos possibilita compreender como a ação docente se efetivou no curso, as dificuldades enfrentadas, as implicações que se deram na caminhada da formação dessa turma, como também conhecer se houveram mudanças no curso com oferta de outras turmas, afinal são sete anos atuando com o curso de artesanato na instituição.
Compreender os sentidos que o curso trouxe à ação docente, assim como as reflexões que trazem sobre a experiência da primeira turma, considerando os embates de trabalhar com a modalidade de jovens e adultos, as experiências que teve início desde o pensar em trazer a
metodologia das bancas para o proeja, a dinâmica da disciplina de projetos, aos resultados que trazem desse trabalho, atualmente com turmas egressas.
A pesquisa com os docentes foi realizada em dois momentos, incialmente uma entrevista com dois docentes, da formação geral e outro da formação técnica, visando conhecer: a) o processo de criação e a relação com o mercado artesanal; b) as conquistas alcançadas na trajetória da primeira turma; c) os limites e avanços pedagógicos da prática pedagógica, da ação docente.
No segundo momento o grupo de discursão, como uma forma de obter as representações do grupo de docentes, através da roda de conversa possibilitando uma discussão coletiva, de pensar no que representou a ação pedagógica do curso, os desafios, se debruçar fazendo reflexões sobre o currículo, e, de certa forma, propiciar uma avalição desse processo.
Segundo Weller, 2013, mesmo guardando as semelhanças com grupos focais, os grupos de discussão tem procedimento distinto, no que se refere ao papel do pesquisador quanto aos objetivos que se deseja alcançar:
[...] Portanto, os grupos de discursão representam um instrumento através do qual o pesquisador estabelece uma via de acesso que permite a reconstrução dos diferentes meios sociais e do habitus coletivo do grupo. O objetivo principal é análise dos epifenômenos (subproduto ocasional de outro) relacionados ao meio social, ao contexto escolar e extraescolar, às experiências de discriminação e de exclusão social, entre outros. A análise do discurso dos sujeitos, tanto do ponto de vista organizacional como dramatúrgico, é fundamental e auxiliará na identificação da importância coletiva de um determinado tema (WELLER, 2013, p. 56).
Da primeira turma do curso aos dias atuais, existe uma linha de tempo, uma linha tênue, que nos permite tecer algumas análises para reflexão tempo/espaço da ação dos docentes, considerando a estrutura do curso enquanto programa; sua implantação nos Institutos Federais por força de Decreto-Lei trouxe implicações pela relação institucional com o curso.
Eu observei algumas dificuldades principalmente começando pela própria, vamos dizer assim, estrutura da instituição que não conseguiu fazer com que alguns profissionais / professores da própria instituição abraçasse o curso da educação de jovens e adultos. Começo a colocar isso pelas dificuldades que observei já na coordenação que fazia parte na época, eu cheguei da outra unidade, e quando cheguei aqui, o grupo de professores da matemática ninguém queria dar aula na educação de jovens e adultos, não digo nem só na questão de dá aula, nem sequer participar da construção dos planos de curso (DOCENTE 1, 2014)
As resistências que se deram inicialmente na implantação do PROEJA no IFAL, o sentimento do não-pertencimento ao PROEJA parte de alguns docentes, enquanto modalidade de ensino no Instituto Federal. É uma questão que perpassa pelo princípio da inclusão social como direito a educação dos trabalhadores. Destacamos a importância do Plano de Desenvolvimento Institucional - PDI/ IFAL (2014-2018), no qual destacamos a importância das metas e princípios de um Plano de Ação, considerando a dimensão que ocupa o IF com a política de expansão em nível nacional e em Alagoas.
Na gestão de qualquer instituição, o planejamento é uma poderosa ferramenta, pois oportuniza um momento de reflexão sobre o que vem sendo feito e sobre o que ainda deve ser realizado. Na gestão de uma Instituição de educação pública, estruturada em onze campus – como o IFAL – essa ferramenta é indispensável. Desta consciência nasceu este Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). Não se trata, pois, do cumprimento de uma formalidade demandada pelo Ministério da Educação. Este PDI representa um intenso movimento de reflexão e de auto avaliação de toda a comunidade do IFAL, em busca de respostas a duas questões essenciais: o que desejamos para a 16 nossa Instituição nos próximos cinco anos? De que maneira podemos a alcançar este futuro pretendido? (ALAGOAS, 2013, p. 15).
Dentre as ações do Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI: 2014 /2018 destacamos três finalidades da Educação Profissional e Tecnológica no item 2.2.3 que trata do papel do Instituto Federal no que concerne a inclusão social:
As ações que devem viabilizar os princípios norteadores da educação tecnológica e profissional que o IFAL almeja para todos os níveis de ensino, etapas e modalidades educativas são: 1. Melhorar os resultados da aprendizagem, reduzindo as desigualdades educacionais no interior da instituição. 2. Reduzir o índice de retenção e de evasão escolar. 3. Sanar as desigualdades nas condições de acesso dos discentes aos cursos do IFAL [...] (ALAGOAS, 2014, p. 57).
Portanto, as ações do Plano de Desenvolvimento Institucional se inserem dentre os objetivos da Lei nº 11.892 de 29 de dezembro de 2008 que institui a Rede Federal de Educação Profissional e cria os Institutos Federais de Educação, Ciências e Tecnologia, garantindo no Art. 7º, a educação profissional, nas formas de articulação, a Educação de Jovens e Adultos:
Art. 7o: Observadas as finalidades e características definidas no art. 6o desta
Lei, são objetivos dos Institutos Federais: I - ministrar educação profissional técnica de nível médio, prioritariamente na forma de cursos integrados, para os concluintes do ensino fundamental e para o público da educação de jovens e adultos; II - ministrar cursos de formação inicial e continuada de
trabalhadores, objetivando a capacitação, o aperfeiçoamento, a especialização e a atualização de profissionais, em todos os níveis de escolaridade, nas áreas da educação profissional e tecnológica. (BRASIL, 2008)
Como também, dentre os objetivos dos Institutos Federais, está à oferta da educação para adultos, que significa um passo significativo na restauração da educação tecnológica de nível médio, que ao diversificar as formas em integrada, concomitante e subsequente, consequentemente reafirma a necessidade da horizontalidade de ações entre os demais cursos ofertados pela instituição.