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Kapittel 4. Strategier for innovasjon

4.1 Norsk Hydro

Se nos itens anteriores apresentamos quem são os/as nossos/as participantes, neste momento mostraremos, brevemente, como se construíram os contatos entre nós e os/as integrantes da pesquisa, bem como as redes de relações existentes entre eles/as, com o intuito de proporcionar uma melhor compreensão acerca das construções e (re)articulações dos relacionamentos que conformaram o presente estudo.

Acreditamos que essa explanação possibilitará um entendimento mais claro sobre como fomos delineando em nossa pesquisa o seu desenho operacional no que diz respeito aos/às participantes que constituíram o mosaico pertinente aos múltiplos letramentos de pessoas com deficiência visual que nos propomos a montar.

4.5.1 O estabelecimento dos contatos com os/as participantes

Conforme já mencionamos anteriormente, Tito foi a primeira pessoa com quem travamos contato, através de sugestão da professora Karina, para a realização de nosso projeto inicial de pesquisa. Levando em conta a questão sobre o uso do sistema operacional Dosvox – que à época era o que pretendíamos investigar de maneira mais detida –, Tito sugeriu-nos os nomes das professoras Angélica, Leda e Neide, além do nome de Ricardo. Tito conheceu as duas primeiras professoras quando lhes ministrou aulas sobre o uso de Dosvox. Por conta da forte relação existente entre as três, conheceu igualmente Angélica. No entanto, para esta última, não chegou a ministrar aulas, apenas tirou algumas dúvidas e forneceu algumas dicas, mas de maneira mais informal.

Dessa forma, entramos em contato, inicialmente, com as três docentes e com Ricardo. O primeiro encontro que tivemos com elas aconteceu na Associação A; com Ricardo, na Biblioteca Sol Nascente. Do encontro com Ricardo, tivemos a sugestão de conversarmos um pouco, também, com os funcionários Luzia e Jorge. Decidimos, então,

trabalhar, para o projeto-piloto, com os três funcionários da biblioteca, quais sejam: Jorge, Luzia e Ricardo. A respeito das professoras Angélica, Leda e Neide, resolvemos seguir o trabalho com elas após o término do projeto-piloto. É importante dizer que, depois desse projeto inicial, um dos participantes, Jorge, transferiu-se de emprego e optou por não mais participar da pesquisa.

Seguindo com o processo de contato junto aos/as participantes, explicaremos como aconteceram as escolhas dos/as demais que passaram a integrar o mosaico final do quadro daqueles/as que fariam parte da pesquisa, com os/as quais apresentamos as multifacetadas perspectivas que constituem os letramentos das pessoas com deficiência visual.

Após o projeto-piloto, retomamos os contatos com Angélica, Leda e Neide, passando agora a frequentar, além da Biblioteca Sol Nascente, os locais em que elas trabalhavam – a Associação A92 e o Centro Educacional de Referência. Sobre a segunda

instituição, frequentávamos, de maneira mais específica, o setor do Tempo de Inclusão, local onde as três atuavam.

Prosseguindo, a ideia em trabalhar com Bruno surgiu por meio da sugestão de Luzia. Devido ao tema da pesquisa e aos assuntos que conversávamos, ela comentou que conhecia um colega que poderia nos interessar em travar um contato, por conta de sua trajetória com a cegueira, dos trabalhos que desenvolvia e de sua relação com a leitura e com a escrita. A ideia ficou no ar e, em uma de nossas visitas à biblioteca, chegamos a encontrar Bruno, no setor Braille, ajudando Luzia com o manuseio de uma impressora Braille. Antes de seu emprego atual, ele havia trabalhado no mesmo local em que Luzia atualmente atuava, ou seja, no setor Braille da Biblioteca Sol Nascente93. Aceitamos a

sugestão, conseguimos o telefone de Bruno com Luzia e fizemos o primeiro contato, tratando de lhe explicar sobre o que investigávamos na pesquisa e o motivo que nos impeliu a convidá-lo para participar do estudo.

Sobre Liana, conforme já explicamos, foi com ela que iniciamos nosso trajeto de reflexão quanto à cegueira. Ao lhe explicarmos sobre a pesquisa e sobre o motivo de nossa intenção de tê-la conosco no trajeto, ela aceitou o convite. Em uma de nossas

92 É importante mencionar que Neide não trabalhava na Associação A, assim como Angélica e Neide. Ela

apenas frequentava a instituição.

93 Comentário de Bruno, em entrevista, sobre o seu trabalho no setor Braille da Biblioteca Sol Nascente:

“Então, foi aí que eu comecei a desenvolver mais o meu conhecimento em informática e, também, dentro do Braille. Lá, eu comecei a ministrar oficinas de Braille também e fui aprendendo a informática também, não só para trabalhar com a impressão de material em Braille, como também para uso próprio. Comecei a utilizar MSN, e-mail e tudo, depois veio a febre de Orkut”.

conversas com Liana, ela comentou sobre uma amiga, também deficiente visual, que havia ingressado no curso de Letras Português/Italiano; tratava-se de Nina. Nosso primeiro encontro aconteceu na IES A, quando lhe explicamos acerca do que estavámos pesquisando e o motivo de convidá-la para integrar o estudo. Sentimos um grande interesse de sua parte em participar do projeto.

Por último, mas não menos importante, trazemos à cena o derradeiro participante com quem entramos em contato para completar nosso mosaico: Diego. Tivemos a oportunidade de entrar em contato com ele por meio de Cléo (Clemilda dos Santos Sousa), bibliotecária da Biblioteca de Ciências Humanas da IES A. O contato com Cléo deu-se por conta do trabalho que ela desenvolve na Acessibilidade para tod@s. Começamos a frequentar esse local com o fito de conhecer mais sobre o assunto da acessibilidade e da inclusão, além de nos inteirar quanto ao que estava sendo realizado na IES A no tocante a essas questões.

Nesse percurso de conhecimento, travamos contato com pessoas incríveis, sendo Cléo uma delas, quem, várias vezes, disponibilizou-nos seu tempo para conversar sobre pontos que nos despertavam dúvidas, sobre questões que nos inquietavam ou sobre assuntos a respeito dos quais não tínhamos ainda muita clareza. O contato com Cléo iniciou-se oito meses antes de nosso ingresso no doutorado e perdurou após a nossa admissão. Em uma das vezes em que fomos conversar com ela sobre a procura que estávamos fazendo por pessoas deficientes visuais para participarem da pesquisa, Cléo falou-nos a respeito de um aluno que ela acreditava que tinha o perfil das pessoas que procurávamos: Diego. Obtivemos, assim, o contato dele. Tão logo nos foi possível, conversamos por telefone, explicando-lhe um pouco sobre o projeto. Desde o primeiro momento, Diego mostrou-se muito receptivo e interessado no que havíamos lhe explicado acerca da pesquisa.

4.5.2 As redes de relações entre os/as participantes

No que concerne às relações existentes entre os/as participantes da pesquisa, a exposição do item anterior já aponta para alguns dos contatos que há entre eles/as. Nesse momento, trataremos de explicitar e deixar mais claras essas redes de relações. Tendo em vista os locais onde aconteceu o trabalho de campo, quais sejam, a IES A (Centro de Humanidades)94, o setor Braille da Biblioteca Sol Nascente, a Associação A e o Centro

94 No âmbito da IES A, trabalhamos, especificamente, com alunos e alunas dos cursos de Letras

Educacional de Referência95, os quais funcionam como pontos aglutinadores, ou seja, como

espaços de convivência em comum entre a maioria dos/as participantes. Locais em que presenciamos e conversamos sobre as práticas de leitura e de escrita que fazem parte da realidade que os conformam.

Comecemos pelo espaço da Biblioteca Sol Nascente. Nesse local, trabalham Luzia e Ricardo. Bruno trabalhou no setor Braille dessa biblioteca96 e, mesmo não mais

atuando por lá, frequentava o recinto, inclusive ajudando alguns de seus funcionários com a utilização da impressora Braille. Conhecia e convivia tanto com Ricardo como com Luzia. Liana, também, tanto frequentava o espaço do setor Braille como fazia parte das redes de relações dos participantes e da participante citados/a. Ricardo e Liana trabalhavam juntos em espaço contíguo ao da Biblioteca Sol Nascente, no Espaço de

Cultura Ceará, conforme já mencionamos.

Sobre o Centro Educacional de Referência, nesse local, trabalhavam como professoras Angélica, Leda e Neide, mais especificamente no Tempo de Inclusão. Bruno também trabalhou aí, por volta de um ano, no Núcleo de Produção Braille.

No espaço da Associação A, Angélica e Leda eram professoras de EJA e Bruno, funcionário da guarda municipal cedido a essa associação, onde desenvolvia trabalhos com o Braille e com a informática. Também frequentavam o espaço Neide (associada da

Associação A), Luzia e Ricardo, que, além de associado, desenvolvia um trabalho

voluntário na Rádio Ondas do Mar.

A IES A congregava os estudantes Tito, da Faculdade de Educação (Faced), e Diego, do curso de Biblioteconomia, e as estudantes Liana, do curso de Letras Português/Espanhol, e Nina, do curso de Letras Português/Italiano. Tito, Liana e Nina eram bolsistas da Acessibilidade para tod@s, e Diego frequentava o espaço para a realização de cursos e para receber o apoio necessário como educando com DV. Tivemos a oportunidade também de acompanhar uma aula que fazia parte de um treinamento de bolsistas da

Acessibilidade para tod@s, a qual Liana e Luzia ministraram juntas (essa última esteve

presente em quatro encontros). Acompanhamos também algumas aulas de um curso de Braille o qual Angélica ministrou pela Acessibilidade para tod@s.

deixar de mencionar que todos/as eles/as mantinham, de alguma forma, um contato com a Acessibilidade

para tod@s.

95 A pesquisa no Centro Educacional de Referência aconteceu no setor do Tempo de Inclusão.

96 Por conta de um projeto do Instituto Telemar, durante o ano de 2004, Bruno trabalhou no setor Braille;

em 2005, é em função de um projeto da Sociedade de Amigos da Biblioteca que ele segue no setor e, em 2006, é contratado pelo Espaço Arte e Resistência e cedido para trabalhar também na Biblioteca Sol

Figura 6 – Locais da interação em campo e rede de relações entre os/as participantes

Fonte: Elaboração própria (2015).