2. Seismic Modeling
3.3 Norsar 3D modelling
Uma das implicações sociais da Usina Bambuí é a geração de empregos que eleva fixação da população no município. De acordo com o responsável pela área de recursos humanos da usina, em abril de 2008, época em que se realizou a primeira contratação de funcionários para realização do corte da cana, a empresa contava com cerca de 760 funcionários nas diversas funções, totalizando uma folha de pagamento com valor aproximado de R$ 600 mil.
Em 2010, a empresa contava com uma mão-de-obra de cerca de 1300 empregos diretos e indiretos, sendo 620 nas atividades de plantio, tratos culturais e corte, envolvendo trabalhadores braçais do município e circunvizinhos. Os outros 680 estavam distribuídos nas áreas produtivas e na unidade fabril, com maior ênfase de empregabilidade para a população bambuiense, sendo a seleção realizada através da análise de currículo. A média mensal da folha de pagamento estava orçada em 2,3 milhões de reais. O meio de transporte coletivo era utilizado pelos funcionários, compreendendo os deslocamentos até as unidades produtivas e industriais (USINA BAMBUÍ, 2012).
Conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no município as admissões no trabalho formal são crescentes, conforme Tabela 13, mas também são crescentes os desligamentos.
Os dados de ocupação apresentados na Tabela 13 foram obtidos junto aos arquivos do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) do Governo Federal do Brasil, através do Programa de Disseminação de Estatística do Trabalho (PDET), que registram informações sobre ocupação formal prestada pelas próprias empresas empregadoras. As empresas enviam dois tipos de relatório ao MTE, um com dados de ocupação em 31 de dezembro de cada ano, chamado de Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). O outro registra, para cada mês do ano, a movimentação (admissão e demissão) das pessoas ocupadas, chamado de Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). A partir das informações da RAIS de um ano qualquer pode se obter uma estimativa do número de pessoas ocupadas em determinado mês do ano seguinte, agregando-se os números de admissões e demissões registrados até então pelo CAGED.
Tabela 13 - Evolução do emprego formal no município de Bambuí, MG, no período posterior a implantação da Usina Bambuí Bioenergia S.A.
Ano Cenário (admissões) Cenário (demissões) Variação no ano
2007 1372 1365 7 2008 1507 1384 123 2009 1700 1888 -188 2010 2333 1968 365 2011 2215 2528 -313 2012 2464 2189 275 2013 2753* 2650* 103* 2014 2988* 2868* 120*
Fonte: MTE, PDET, CAGED, RAIS (2013). Adaptado pelo autor. * Números projetados, utilizando-se do modelo de tendência linear.
As informações presentes na Tabela 13 permitiram fazer as seguintes considerações: 1) os dados confirmam a percepção dos segmentos da sociedade bambuiense envolvida nesta pesquisa e apresentada na Figura 12, quando expressa em entrevistas que a recente implantação da Usina Bambuí Bioenergia S.A influenciou na maior oferta de emprego e na fixação dos indivíduos no município; 2) para fazer as projeções apresentadas na Tabela 13 cenário (admissões), utilizou-se do modelo de tendência linear cuja equação é a seguinte y = 1.110,1 + 234,77x com coeficiente de determinação R² = 0,9557; 3) para fazer as projeções apresentadas na Tabela 13 cenário (demissões), utilizou-se do modelo de tendência linear cuja expressão y = 1.123,8 + 218,06x com coeficiente de determinação R² = 0,9081; 4) no cenário demissões a taxa de crescimento do emprego formal no município de Bambuí-MG na ordem de 12,03% a.a no período de 2007 a 2012, foi obtida utilizando-se do modelo de tendência exponencial cuja expressão y = 1.207,9e0,1203x e o coeficiente de determinação R² = 0,8261; 5) no cenário admissões a taxa de crescimento do emprego formal no município de Bambuí, MG, na ordem de 12,57% a.a, foi obtida utilizando-se do modelo de tendência exponencial cuja expressão y = 1.213,6e0,1257x e o coeficiente de determinação R² = 0,9069; 6) no cenário admissões a taxa de crescimento de oferta de emprego no município de Bambuí, MG, é na ordem de 12,57% a.a no período de 2007 a 2012, enquanto que no cenário (demissões) é da ordem de 12,03% a.a no período de 2007 a
2012; 7) a variação do emprego no município no período de 2007 a 2014 é positiva com um saldo de 492 empregados a mais no município de Bambuí, MG.
Outro ponto a ser observado, que explica o elevado índice de crescimento das contratações aliado ao alto índice de demissões ano a ano como mostra a Tabela 13, é a questão da sazonalidade do emprego na agroindústria sucroenergetica.
Em entrevistas, realizadas no segmento Usina Bambuí, foi possível verificar o fato (sazonalidade de empregos), no qual vem ocorrendo um elevado número de contratações no período de safra que vai de março a novembro de cada ano e um período de entressafra que vai de dezembro a fevereiro, período que ocorre às demissões em massa.
Na visão de Ferreira (2010), essas usinas dinamizam sócio e economicamente essas regiões movimentando a economia, gerando novos empregos e trazendo novas relações entre o empreendimento e os moradores, os comerciantes/prestadores de serviço e produtores rurais (proprietários de terras). Contudo, esse complexo empreendimento traz uma série de impactos negativos, como a sazonalidade na geração de empregos, devido ao período da entressafra.
No que tange a geração de empregos e renda, apesar do grande volume de empregos gerados, já que comparativamente o setor sucroenergético é um dos que mais empregam no agronegócio, estes são considerados extremamente degradantes e as relações trabalhistas, em geral, são frágeis.
Esse crescimento do emprego detectado no município pode estar influenciando na maior fixação dos indivíduos na região, tendo em vista que a oferta de emprego em uma região é um dos fatores que se destaca na fixação dos indivíduos nato e migrantes em uma determinada região.