No levantamento do acervo pertencente ao escritor José Condé, contabilizamos em sua biblioteca a presença de obras escritas por autores brasileiros ou portugueses, geralmente tidos como canônicos. Citamos, entre os brasileiros: Adolfo Caminha, Aluisio Azevedo, Antonio de Alcântara Machado, Ariano Suassuna, Augusto dos Anjos, Bernardo Guimarães, Carlos Drummond de Andrade, Cassiano Ricardo, Castro Alves, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Cruz e Souza, Dinah Silveira de Queiroz, Euclides da Cunha, Fernando Sabino, Franklin Távora, Gonçalves Dias, Graciliano Ramos, Guilherme de Almeida, João Cabral de Melo
Neto, Joaquim Manuel de Macedo, Jorge Amado, Jorge de Lima, José de Alencar, José Lins do Rego, Júlio Ribeiro, Lima Barreto, Machado de Assis, Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Mário Palmério, Martins Pena, Menotti del Picchia, Murilo Mendes, Nelson Rodrigues, Orígenes Lessa, Oswald de Andrade, Rachel de Queiroz, Rubem Braga, Santa Rita Durão, Vicente de Carvalho, Vinícius de Morais, Visconde de Taunay, e outros. Como podemos perceber, há uma predominância considerável de autores do século XX. Entre os autores lusitanos, Adolfo Casais Monteiro, Alexandre Herculano, Almeida Garrett, Bocage, Camilo Castelo Branco, Camões, Eça de Queiroz, Júlio Diniz.
O grupo de escritores que guardavam uma maior proximidade social, uma intimidade maior com o homem José Condé tem também suas obras contempladas na biblioteca deste. Selecionamos os seis autores cujas obras encontramos no acervo condeano, que, de acordo com depoimentos diversos, são os mais próximos do caruaruense, seja por relações profissionais, seja de amizade – que geralmente se imbricavam.
a) José Lins do Rego – amigo do irmão de José, João Condé, através do qual se
firmou uma amizade duradoura. João era uma espécie de datilógrafo de Lins do Rego, cujas garatujas eram incompreensíveis aos impressores; João passava a limpo e, em troca, ficava com os originais, para alimentar sua famosa coleção, denominada por Carlos Drummond de Andrade “Arquivos Implacáveis”. Encontramos na biblioteca de José Condé:
1) A versão para o clássico infantil Bota de sete léguas, com prefácio de Ledo Ivo, publicado pela Editora A Noite, sem registro de data;
2) Água-mãe, de 1942, editado pela José Olympio – o curioso é que este livro é oferecido unicamente a Maria Luiza, que, na página 7, escreveu o seguinte: “De um livro que se empresta / Eis o triste fado: / Às vezes não volta / E quando volta é estragado.”;
3) O romance Pedra bonita, de 1939, publicado em segunda edição pela José Olympio; também a sétima edição dessa obra, de 1968, mas com as folhas coladas.
b) Gilberto Freyre – ao que parece, havia um mútuo respeito e amizade entre o sociólogo e Condé, que iam além do fato de serem ambos pernambucanos. Há muitos livros de Freyre na biblioteca de Condé, nada menos que vinte e três, dos quais destacamos:
1) Brasis, Brasil e Brasília, publicado em 1968, pela Editora Record, trata de sugestões em torno de problemas brasileiros de unidade e diversidades das relações de alguns deles com problemas gerais de pluralismo étnico e cultural;
2) Quase política, editado pela José Olympio, em 1950, são nove discursos e uma conferência, que teria sido mandado publicar por amigos do sociólogo, talvez componentes de “certa igrejinha literária”, como insinua ironicamente o escritor caruaruense contemporâneo Claudino (1985, contracapa) – a maior parte das folhas está colada. Há também um exemplar da 2ª edição, de 1966;
3) A segunda edição de Problemas brasileiros de Antropologia, de 1959, editado também pela José Olympio;
4) Os dois volumes de Sobrados e Mocambos: a terceira edição do 1º tomo (1961), e, de 1951, o 2º volume (este está com as folhas coladas); além de mais um exemplar do 2º volume, em sua terceira edição, de 1961;
5) Os discursos proferidos em 24/02/1970, no Hotel São Domingos, em Recife, deram origem ao livro Pernambucanidade, nordestinidade, brasileiridade, que Freyre assina com Mauro Mota, publicado pelos autores nesse mesmo ano, e do qual encontramos dois exemplares na biblioteca de Condé.
6) O primeiro e o segundo tomo de Sociologia 1 – Introdução ao estudo dos seus princípios, prefaciado por Anísio Teixeira, e publicado em 1957 (2ª edição), pela José Olympio Editora. Em ambos os livros, as folhas encontram-se coladas.
Em contrapartida, localizamos, na biblioteca particular de Freyre, apenas quatro livros de Condé, dois dos quais autografados pelo romancista: Caminhos na Sombra (“Ao querido Gilberto Freyre, com a velha admiração do Condé, 945”); Como uma Tarde em Dezembro (“Para Madalena e Gilberto – com a admiração e a velha estima de Condé. Rio, 69”); Pensão Riso da Noite: Rua das Mágoas (Cerveja, Sanfona e Amor); e Vento do Amanhecer em Macambira – os dois últimos sem dedicatória.
c) Otto Maria Carpeaux – austríaco naturalizado brasileiro, Carpeaux se tornou um dos maiores críticos literários da segunda metade do século XX, a despeito das imensas dificuldades que teve que enfrentar ao fugir da Europa, em meio às hostilidades geradas pela Segunda Guerra, e chegar ao Brasil sem falar português nem conhecer a literatura brasileira.
Fez-se amigo de Álvaro Lins e, consequentemente, de José Condé, dos quais foi colega de trabalho no Correio da Manhã. Além dos próprios livros escritos por Carpeaux, encontramos, na biblioteca de Condé, vários outros, de diversos autores, oferecidos ao amigo por Carpeaux. Entre os livros de sua autoria, podemos citar:
1) A Pequena bibliografia crítica da Literatura Brasileira, de 1949, em terceira edição de 1964, publicada pela Letras e Artes, do Rio de Janeiro;
2) seis dos volumes da História da Literatura Ocidental, lançados entre 1959 e 1964, considerada monumental pelo seu editor, o escritor Herberto Sales (apud FERNANDES, 2011, p. XXII). “O instrumental teórico e analítico de Otto Maria Carpeaux estava comprometido com tudo o que de mais avançado havia de teoria e crítica da literatura”, atesta o romancista e ensaísta Ronaldo Couto Fernandes (op. cit., p. XXV), em prefácio à reedição recentemente lançada pelas Edições do Senado Federal, em quatro volumes.
3) Retratos e Leituras, lançado em 1953, pela Editora Simões, do Rio de Janeiro; 4) Uma nova história da música, lançado pela Editora Zahar, sem registro de data, provavelmente 1958, a julgar pelo autógrafo com que Carpeaux oferece o livro a Condé.
d) Mauro Mota – companheiro de Condé, na adolescência, é um dos poetas mais respeitados de sua geração. De sua autoria, encontramos, na biblioteca condeana:
1) A crônica de uma pensão de estudantes O Pátio Vermelho, publicado pela Editora carioca Orfeu, em 1968;
2) O livro de poemas Os epitáfios, lançado em 1959, pela Editora José Olympio; 3) Uma Antologia Poética de 1968, publicada pela Editora Leitura;
4) Outro livro de poemas, Canto ao Meio, de 1964, lançado pela Editora Civilização Brasileira, do Rio de Janeiro.
Na biblioteca particular do escritor Mauro Mota, preservada pela Fundação Joaquim Nabuco (Recife-PE), instituição da qual o poeta pernambucano foi diretor-executivo por uma década e meia (1956 a 1971), localizamos nove livros de José Condé: Tempo Vida Solidão, Como uma Tarde em Dezembro, As Chuvas, Terra de Caruaru, Um Ramo para Luisa, Vento do Amanhecer em Macambira, Histórias da Cidade Morta, Santa Rita e Pensão Riso
autografada por Condé, sempre ao casal Mauro Mota e Marly Arruda (a segunda esposa do poeta), com exceção de Um Ramo para Luisa, As Chuvas, Santa Rita, em edições publicadas depois da morte de Condé, além da segunda edição de Pensão Riso da Noite: Rua das Mágoas (Cerveja, Sanfona e Amor), de 1971.
e) Lygia Fagundes Telles – Bastante amiga do casal Condé, conforme reafirma a escritora, através de e-mail a nós enviado por sua secretária em 18/02/2011, utilizava, às vezes, os livros que oferecia a Condé, para recados, que denotavam essa intimidade, como veremos adiante. Não foram muitos os livros de Lygia que encontramos na biblioteca de Condé:
1) Histórias escolhidas, com prefácio de Paulo Rónai, lançado em 1961, pela Editora Boa Leitura, de São Paulo;
2) A segunda edição do romance Verão no aquário, publicado em 1969, pela Editora Martins, de São Paulo;
3) Histórias do desencontro, publicado pela José Olympio, em 1958;
4) Uma de suas obras mais conhecidas, principalmente por ter se tornado telenovela em 1981 e 2008, o romance Ciranda de Pedra, terceira edição, de 1964, pela Editora Martins, de São Paulo.
f) Álvaro Lins – Encontramos as seguintes obras do crítico literário na biblioteca de Condé:
1) A quinta edição de Jornal de Crítica, com prefácio de Antonio Candido, publicado em 1947, pela Editora José Olympio;
2) A segunda edição de A glória de César e o punhal de Brutus, um compêndio em que o crítico caruaruense enfoca ideias políticas, situações históricas e questões outras. Foi lançado em 1963, pela Editora Civilização Brasileira;
3) Também pela Civilização Brasileira, Lins lançou um livro de ensaios e estudos realizados entre 1940 e 1960, intitulado Os mortos de sobrecasaca – obras, autores e problemas da literatura brasileira. A publicação é de 1963;
4) No ano seguinte, ele publicaria O relógio e o quadrante – Obras, autores e problemas de literatura estrangeira, obra também encontrada no acervo condeano;
5) Em parceria com Aurélio Buarque de Hollanda, Lins publicou, em 1966, Roteiro Literário de Portugal e do Brasil (Antologia da língua portuguesa), em dois volumes, sendo o primeiro dedicado à literatura portuguesa e o segundo a autores brasileiros;
6) Um dos livros mais conhecidos de Álvaro Lins, Rio Branco, a biografia pessoal e a história política do Barão do Rio Branco, lançado em 1965, pela Companhia Editora Nacional, de São Paulo.