• No results found

Norge og Rådet

In document Lite land – stort hjerte (sider 42-46)

Selvrefleksjon

Del 1: Norge og Rådet

A experiencia visual é fundamental na aprendizagem para que possamos compreender e ao mesmo tempo reagir ao que nos rodeia. Desde as culturas primitivas até às tecnologias mais avançadas dos nossos dias, as necessidades essenciais do homem comportam poucas modificações, desde a alimentação, a proteção do corpo vulnerável às diferenças climatéricas e à necessidade de criar um habitat. A preferência cultural ou a localização geográfica exercem pouca influência sobre as nossas reais necessidades, somente a interpretação e a variação que especificam um produto em termos de expressividade criativa, sendo representantes de um lugar ou de um tempo, na área da arquitetura e das necessidades vitais do ser humano, o arquiteto dá uma expressão individual e única a sua obra. Mas a expressão que o arquiteto dá às suas obras é regida primeiro, pelo processo de aprendizagem e, em segundo, pela funcionalidade. O importante é contribuir de alguma forma para o bem-estar do ser humano e para as suas necessidades vitais.

Visualizar é ser capaz de formar imagens no nosso cérebro. Conseguimos facilmente definir uma rota que nos leve a um determinado destino, verificando e voltando atrás ou até mesmo iniciar outro caminho. Mas ainda mais misterioso e mágico é criarmos uma visão de algo que não existe. Construímos cenários virtuais com ajuda das nossas conexões cerebrais. Poderemos assim considerar todo o processo de criação na arquitetura como sendo um processo virtual, onde papel de um arquiteto é um papel virtual e conversor, pois este tem de ser dotado da capacidade de imaginar todo o processo virtualmente e de o recriar. Ou seja, cria um mundo virtual, assente no pensamento, na racionalização, na junção de fatores em que se baseia a sua perceção, construindo uma realidade que, à partida, é apenas feita de

93

ideias e que se vai concretizando, à medida que as vai passando para o papel, dando uma primeira vida ao seu mundo virtual, que poderá acabar ou não por se materializar132.

A nossa perceção envolve a memória, as vivências e a experiência anterior, sendo a soma de todas as memórias, as capacidades e competências que determinam a dimensão das nossas lembranças. Influenciada pela necessidade ou pela nossa motivação, algumas impressões podem ser captadas mais intensamente que outras, dependendo do nosso interesse afetivo, da nossa condição emocional ou emotiva.

A linguagem, seja ela visual ou plástica, ocupa uma posição única no ser humano, funcionando como um veículo de transmissão e de concretização de ideias. Logos, a palavra grega que designa linguagem, para Platão o logos é a palavra interior, o discurso da mente consigo mesma, passando daí a designar a inteligência e sobretudo a razão133. A linguagem é

vista como uma forma de se chegar a um pensamento superior, ao mundo visual e plástico. A teorização das nossas ideias é o registo do nosso pensamento virtual transposto para um processo, processo para o qual a arte e a ciência passaram a ter uma relação direta com o desenho “ O desenho é provavelmente a forma de expressão que sintetiza melhor a nossa relação com o mundo. Ele permite-nos, com a elaboração mental, o desenvolvimento de ideias (…)”134

A realidade é a experiência visual fundamental e predominante. Toda a informação é obtida através dos diferentes níveis de experiência. Funcionamos como uma máquina fotográfica para posterior utilização. A diferença entre o nosso cérebro e a máquina está na capacidade de filtrar o que é importante havendo uma fidelização na observação. A nossa realidade é essencialmente tecnológica, existe cada vez mais uma tendência para os meios tecnológicos, o que nos permite uma migração do real para o virtual, criando uma nova realidade sobre a arquitetura, sobre as nossas rotinas, sobre o dia-a-dia e sobre a perceção.

Segundo Bruno Zevi135, o processo de representação da arquitetura sempre enfrentou

limites impostos pelas ferramentas utilizadas. Sejam quais forem as ideias e conceções, mesmo com toda a técnica e todo o avanço tecnológico, a perceção estética de cada indivíduo é um fator que o distingue.

Não basta apenas sermos bons técnicos, bons desenhadores ou termos bons conhecimentos das novas tecnologias, embora isso seja importante para passarmos as nossas ideias à prática, esses atributos funcionam apenas como facilitadores dessa passagem, isto porque na sua base estará sempre associado o processo criativo, a nossa perceção e a estética que lhe está associada. Na génese vamos sempre encontrar a individualidade do arquiteto, a criatividade, a abstração, a ideia e a construção mental que lhe deu origem. Uma das ferramentas utilizadas pelo arquiteto Miguel Saraiva é a cor/ textura e a luz. E a melhor

132 Z

EVI, Bruno, Saber Ver a Arquitetura, tradução de Mª Isabel Gaspar e Martins de Oliveira, Dinalivros,

Lisboa, 1989

133E

NCICLOPÉDIA Verbo, volume 12, Editorial Verbo S.A. Lisboa, 2004, p. 5231

134CARNEIRO,Alberto, O Desenho, projeto da pessoa, in os Desenhos do Desenho, Faculdade de Psicologia

e de Ciências da Educação –2001, Universidade do Porto, p.34

135 Z

EVI, Bruno, Saber Ver a Arquitetura, tradução de Mª Isabel Gaspar e Martins de Oliveira, Dinalivros,

94

forma de podermos expressar a dimensão do mundo em que vivemos será através da cor, esta linguagem visual é superada pela referência horizontal e vertical enquanto pista visual do relacionamento que mantemos com a arquitetura e o meio envolvente. A arquitetura de Miguel é uma arquitetura de sentimentos, que serão despoletados pelo uso destas ferramentas.

O nosso universo é essencialmente colorido, cheio de luz e belo. À cor poderemos associar uma enormidade de emoções que esta poderá despoletar em nós. É possível imaginarmos a cor de um delicioso gelado, ou do glacê aprazível de um bolo e facilmente conseguimos criar uma imagem visual. A cor está incutida de informação, que é comum a todos universalmente, podemos referir que à cor está associada uma fonte preciosa e incalculável de experiências visuais.

Na conceção de um espaço arquitetónico está inerente o uso dos materiais que têm a função de dar corpo à ideia concebida que primeiro é materializada através do desenho. Os materiais usados como o betão, a madeira, o cimento, o tijolo, o vidro, o ferro, o aço … possuem cor, textura, e algum cheiro, características de cada um e que definem a estrutura numa linguagem plástica, sendo um veículo da expressão arquitetónica.

C

APÍTULO

3

95

2.

A

COR

In document Lite land – stort hjerte (sider 42-46)