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DEL 2. KLASSIFISERING OG IDENTIFISERING AV SVART LEIRSKIFER, INKLUDERT ALUNSKIFER,

5. Klassifisering av svart leirskifer

5.2. Resultat av svartskiferklassifisering

5.2.2. Dagsone

5.2.2.2. Nordtangen

A Linguística Estrutural, conforme aponta Borba (1979), prevê diferentes manei- ras de formalização dos dados linguísticos. Alguns dos tipos mais comuns de representação gráĄca são os diagramas, os grafos, os parênteses ou colchetes, as caixas, os grafos sim- pliĄcados ou alterados, as árvores, dentre outras (BORBA, 1979). O modelo do Léxico- Gramática, para descrever formalmente a língua, utiliza a representação em tábuas, ou matrizes binárias de dupla análise6: (i) as linhas, que representam os verbos ou quaisquer outras entradas lexicais - no nosso caso, representam os nomes predicativos; e (ii) as colu- nas, que representam as propriedades sintáticas, semânticas, estruturais, distribucionais e transformacionais das construções.

6 O desenvolvimento dos estudos descritivos em tábuas iniciou-se por volta dos anos 1970, por Gross

(1975), no Laboratoire Automatique Documentaire et Linguistique (LADL) da Université Paris-Est (BOONS; GUILLET; LECLÈRE, 1976; GUILLET; LECLÈRE, 1992).

As tábuas são construídas no formato de matrizes binárias, ou seja, tabelas retan- gulares preenchidas por sinais de Ş+Ť e ŞŰŤ, de acordo com a aceitabilidade ou inacei- tabilidade de tal propriedade sintático-semântica. A Tabela 1 demonstra um exemplo de representação em matriz binária.

Npred N0=

:Hum

N0=

:N-Hum

DET=:E DET=:Def DET=:Indef Prep

PB Npred=V-n N1=Hum N1= :N-Hum N1= :Np c V erb o pleno corresp onden te Exemplo

açoite + - + - + em + + - - açoitar O Zé deu um açoite na Ana. agulhada + - - - + em + + + + agulhar O Zé deu uma agulhada no dedo. alĄnetada1 + - - - + em + + + + alĄnetar O Zé deu uma alĄnetada no dedo. alĄnetada2 + - - - + em + + - - alĄnetar O Zé deu uma alĄnetada na Ana. almofadada + - - - + em - + + + - O Zé deu uma almofadada na Ana. aperto + - - - + em + + + + apertar O Zé deu um aperto no parafuso.

balăo + - + + + em - + - - - O Zé deu um balăo no Neymar.

banho + + - - + em - + + + - O Zé deu um banho na Ana.

bastonada + - - - + em - + + + - O Zé deu uma bastonada na cabeça da Ana.

beijo + - + + + em + + - - beijar O Zé deu beijo na Ana.

bengalada + - - - + em - + + + - O Zé deu uma bengalada na cabeça da Ana. bicada + + - - + em + + + + bicar O pássaro deu uma bicada na perna da Ana.

bicuda + - + + + em - + + + - O Zé deu uma bicuda na bola.

bofetada + - - - + em + + + + bofetear O Zé deu uma bofetada na cara da Ana. bordoada + - + + + em + + + + bordoar O Zé deu uma bordoada no Ąlho.

bote + - + + + em - + - - - A cobra deu um bote em Rui.

botinada1 + - - - + em - + + + - O Zé deu uma botinada na perna da Ana.

botinada2 + - + - + em - + - - - O Zé deu botinada no Neymar.

breque + - + - + em + - + - brecar O Zé deu um breque no carro.

cabeçada + + + + + em - + + + - O Zé deu uma cabeçada no nariz da Ana. cacetada + + + + + em + + + + cacetear O Zé deu uma cacetada na cabeça da Ana.

Tabela 1 Ű Exemplo de matriz do Léxico-Gramática Fonte: Fragmento de tábua da classe DL (RASSI et al., 2015)

Na coluna mais à esquerda encontram-se as entradas lexicais, que, neste caso, são os nomes predicativos que selecionam o verbo-suporte dar e fazem a conversão com

levar, mas poderiam ser verbos, adjetivos, expressões cristalizadas ou outras. As duas

colunas subsequentes dizem respeito à natureza do sujeito (se humano ou não-humano), seguidas das especiĄcidades dos determinantes (sem determinante ou artigo deĄnido ou artigo indeĄnido), seguido ainda do tipo de preposição que introduz o complemento. Na oitava coluna (Npred=V-n), descreve-se a propriedade da nominalização, ou seja, se o nome predicativo é ou não uma nominalização (e.g. beijo é uma nominalização de

beijar, mas bote não é nominalização de *botar ou *botear). As colunas subsequentes

especiĄcam a natureza do complemento 𝑁1 (se nome humano, não-humano ou parte-do- corpo). A penúltima coluna traz a informação do verbo pleno correspondente, no caso de nominalizações, e a última coluna mostra um exemplo fabricado de cada construção.

Caso a construção admita a propriedade sintática que está representada na décima coluna, por exemplo, marca-se o sinal Ş+Ť na intersecção entre dada linha e dada coluna. Se não admite, marca-se ŞŰŤ. Além dos sinais de Ş+Ť e ŞŰŤ para indicar aceitabilidade ou não da propriedade, também é possível preencher células com valores lexicais, como por exemplo, no caso das preposições e dos verbos plenos correspondentes.

Esse é o formato geral das descrições do Léxico-Gramática, porém o tipo de pro- priedade a ser analisada nas colunas varia conforme o fenômeno estudado. Cada tábua corresponde a uma classe que reagrupa os elementos de uma categoria lexical ou grama- tical de acordo com suas propriedades sintático-semânticas, chamadas de propriedades deĄnitórias. Conforme atestam Tolone, Sagot e Clergerie (2012), as tábuas do L-G cons- tituem hoje um dos principais recursos de informação léxico-sintática para o Francês.

Além disso, ressalta-se também o número signiĄcativo de entradas lexicais nas matrizes. O Léxico-Gramática do Francês, por exemplo, possui cerca de 31.000 entradas verbais, além das entradas de nomes e adjetivos predicativos. Em relação ao Léxico- Gramática do Português Europeu, há descrições já formalizadas para cerca de 2.000 ad- jetivos (CASTELEIRO, 1981), cerca de 4.000 nomes predicativos (RANCHHOD, 1990; BAPTISTA, 2005b), e cerca de 3.500 expressões Ąxas (BAPTISTA; CORREIA; FER- NANDES, 2004). Cita-se também o ViPEr, que é o L-G das construções verbais do PE, que está em fase de desenvolvimento, mas já conta com cerca de 6.300 entradas verbais.

Também vêm sendo desenvolvidos Léxico-Gramáticas para outras línguas, como o Italiano, Espanhol, Grego moderno, Coreano, dentre outras. As representações das matri- zes contam com um número signiĄcativo de entradas, na casa dos milhares, no mínimo, para cada idioma. Eles são o resultado da aplicação de um conjunto de princípios linguís- ticos comuns:

∙ os signiĄcados dos predicados têm que ser rigorosamente determinados e distin- guidos, quando necessário; e eles são assim determinados pelas restrições de sele- ção dos seus argumentos. Nesse sentido, os tipos de argumentos também devem ser cuidadosamente deĄnidos (por exemplo, nomes do tipo humano, não-humano, parte-do-corpo, locativo etc.);

∙ a forma das frases tem que ser restrita a um conjunto característico de argumen- tos, ou seja, as frases-exemplo são constituídas apenas com argumentos essenciais (por exemplo, sujeito e complementos), excluindo-se os não essenciais (por exemplo, expressões adverbiais e circunstanciais);

∙ um conjunto de transformações tem de ser determinado experimentalmente e tes- tado sistematicamente para uma grande quantidade de dados. Essas transformações devem ser operativas e reprodutíveis para outros dados.

Esses princípios gerais foram adotados para as línguas já descritas nos moldes do L-G e a experiência, ao longo dos anos, tem mostrado que várias descrições chegaram a resultados muito semelhantes: (i) não existem dois itens lexicais que contenham exa- tamente as mesmas propriedades formais e distribucionais; (ii) o número de predicados semânticos é semelhante em todas as línguas; (iii) há elementos não-verbais, tais como

adjetivos e substantivos, que também podem predicar, assim como também pode haver verbos que não predicam, tais como os Vsup; (iv) as classes morfossintáticas e distribuci- onais mantêm proporções quantitativas semelhantes em línguas aparentadas, tais como o Espanhol, o Português e o Francês (isso pode ser dito para os verbos psicológicos e para várias classes de construções Ąxas, por exemplo); (v) o Léxico-Gramática pode ser um recurso léxico-sintático bastante útil para aplicações computacionais.