II. Omtale av de enkelte landskapene
3. Spildra, Skorpa og Nøklan / Spittá, Skárfu ja Lohkkalsuol / Pitansaari, Karfunsaari
A etapa de acompanhamento teve início com as observações da prática das professoras em sala de aula, logo após a formação. As sessões de observações participantes se estenderam do período de 03 de novembro de 2010 a 29 de março de 2011. As observações foram realizadas diariamente nas aulas de Português, de acordo com o horário das três turmas. Ainda durante o mês de novembro, uma das professoras participantes da pesquisa, Débora, precisou ser lotada em outra escola porque havia sido chamada para assumir a coordenação pedagógica por ocasião de um concurso interno que ela havia feito. Lamentamos o fato de essa docente não poder continuar, uma vez que era muito envolvida e comprometida com a pesquisa. Sua saída, muito bem justificada, contudo, não comprometeu o andamento da pesquisa, uma vez que havíamos escolhido três professoras pensando numa eventual possibilidade de desistência ou impedimento de participação. Dessa forma, continuamos o acompanhamento com as outras duas professoras, também envolvidas e comprometidas com a pesquisa.
As observações sucederam de forma participativa. Interagíamos com os alunos e com as professoras, intervindo ou não no curso das aulas, dependendo da atuação destas. Vale ressaltar que tanto alunos quanto docentes se sentiam à vontade com a nossa presença, o que não comprometeu o bom andamento das aulas. No início as professoras se mostraram um
pouco inseguras e solicitaram nossa intervenção nas atividades envolvendo um trabalho metacognitivo.
No primeiro momento, havíamos pensado em deixar as professoras livres para elas pensarem em como iriam desenvolver novas estratégias de atuação junto aos alunos. No transcorrer da etapa de acompanhamento das práticas, todavia, as professoras solicitavam constantemente nossa ajuda. Com efeito, planejamos e conduzimos algumas atividades para que elas observassem, com o intuito de que, uma vez distanciadas da dinâmica da turma, pudessem refletir acerca das intervenções realizadas e do feedback dos alunos. Em outros momentos, conduzíamos as atividades em parceria, planejando, fomentando ideias e partilhando materiais. Em outros, assistíamos às aulas e registrávamos no diário de campo ou intervínhamos no transcorrer da aula, auxiliando as professoras.
As atividades desenvolvidas no mês de novembro pelas professoras foram aquelas pensadas no plano mensal realizado na formação, com nosso auxílio. Do mês dezembro em diante, as atividades foram pensadas em função dos planejamentos mensais desenvolvidos pelas professoras, sem nosso auxílio, mas acompanhados por nós.
As atividades por nós dirigidas podem ser visualizadas nos Apêndices L, M, N e O. Elas surgiram em um momento de solicitação das professoras por atividades mais direcionadas a um trabalho metacognitivo.
Na sala da professora Elisabete, 2º ano, desenvolvemos duas atividades: uma de leitura e compreensão de texto e uma de autoavaliação de suas produções textuais.
Na primeira atividade, foi lido um livro que contava a história de Saci-Pererê, tema familiar e de interesse dos alunos e estabelecido um diálogo sobre as impressões destes, utilizando-se estratégias de ativação dos conhecimentos prévios, predição e com base no título, ilustrações e trechos do livro. Após leitura da história, foi entregue uma atividade xerografada para cada aluno (Apêndice L) de forma que eles lessem e preenchessem as lacunas de um texto com a mesma temática (Saci-Pererê), realizassem um desenho livre e escrevessem um final para a história. Uma vez realizada essa tarefa, os alunos eram convidados a pensar sobre a atividade, respondendo a algumas questões sobre o nível de facilidade/dificuldade das questões e o que eles poderiam fazer para melhorar seu desempenho na atividade.
A segunda atividade que desenvolvemos pela pesquisadora na sala da professora Elisabete foi uma autoavaliação das produções textuais pelos alunos. A professora havia feito um rascunho, reunindo alguns aspectos a serem considerados numa autoavaliação e solicitou nossa ajuda para confeccionar uma ficha. Foi criada uma ficha de autoavaliação sobre
atividade escrita (Apêndice M) com o objetivo de os alunos identificarem que aspectos relevantes num texto escrito estavam presentes em suas produções textuais e os que não estavam. Essa atividade consistia em orientar os alunos a preencher a ficha, tendo em mão a sua produção textual. O objetivo era fazer o aluno pensar sobre sua produção, analisando-a com base em critérios claros e essenciais para a escrita de qualquer texto, fazendo-o refletir não só sobre o que foi produzido, mas também no que concerne à sua atitude mediante a correção. Após entregar a ficha, cada item era lido coletivamente, explicado e os alunos respondiam segundo a autoavaliação. Ao final, eles somavam os pontos e obtinham um
feedback de sua produção, se estava ótima, regular, ou se precisaria melhorar.
As duas atividades desenvolvidas na sala da professora Lia foram de autoavaliação, uma sobre leitura e outra acerca de escrita. Como os alunos já estavam no 3º ano, os critérios exigiam um pouco mais de análise do que do 2º ano. A primeira consistia no preenchimento da ficha (Apêndice N), pelo aluno, após a leitura silenciosa de um texto proposto. A leitura da ficha era feita de forma coletiva e os alunos preenchiam individualmente sua ficha. Eles tomavam a própria leitura como objeto de estudo, analisando a sua capacidade leitora, de compreensão, e identificando o uso ou não de estratégias nessa compreensão. Eles também somavam os pontos para saber como tinha sido seu desempenho na atividade. A segunda, avaliação de atividade escrita, seguiu a mesma metodologia descrita no parágrafo anterior, referente à atividade de produção textual, com critérios voltados para o nível de 3º ano (apêndice O).
As atividades desenvolvidas em parceria com as duas professoras estão discriminadas a seguir.
1. Sondagem com os alunos sobre o que eles sabiam sobre a leitura e escrita. Essa atividade era realizada lançando-se perguntas para os alunos pensarem e responderem: o que é preciso para ler? Pra que ler? (ou por que é bom ler?). Os alunos iam falando conosco e íamos instigando e direcionando o debate. A professora registrava no quadro as respostas dos alunos e anotávamos nos nossos registros.
2. Elaboração de legendas de correção da produção textual. Antes da atividade de produção textual dos alunos, era solicitado que eles pensassem na estrutura e organização de um texto, ou seja, o que não poderia faltar em um texto escrito. Eles falavam dos aspectos e a professora registrava no quadro. No momento da escrita, os alunos teriam que levar em consideração os aspectos apontados como essenciais. Nas aulas seguintes, a professora confeccionava o cartaz com a legenda e os alunos faziam nova leitura de suas produções,
corrigindo seus erros com base nos aspectos elencados, com o apoio da legenda, realizando, assim, a autocorreção do texto.
Nessas atividades relacionadas mais diretamente ao trabalho metacognitivo, nos inserimos e participamos dos questionamentos porque as professoras ainda se sentiam um pouco inseguras em conduzir o debate. Estas se mostraram, porém, empenhadas e articularam bem as questões.
As demais atividades, baseadas no planejamento mensal, eram desenvolvidas pelas professoras e eventualmente fazíamos intervenções, visto que elas iam adquirindo confiança em si mesmas ao longo de um trabalho mais voltado para o desenvolvimento dos aspectos metacognitivos. Elas serão mais bem detalhadas quando estivermos analisando os dados de pesquisa.
Destacamos, no entanto, que as atividades realizadas durante esse período foram de grande valia na conquista e estabelecimento de parceria e de confiança das professoras. Ao passo que as intervenções em estratégias metacognitivas iam se tornando mais sistematizadas, se firmava a colaboração entre nós e as professoras, se fixava a confiança no nosso saber teórico e prático e a confiança em si mesmas e no trabalho pedagógico desenvolvido. No decorrer da etapa de acompanhamento, à medida que as professoras iam adquirindo mais segurança na condução das reflexões metacognitivas, nossa intervenção ia diminuindo.
As atividades implementadas durante o acompanhamento exigiu das professoras, além da sistematização do planejamento, que não era realizado de forma consistente na escola, a elaboração de estratégias e materiais, como legendas, cartazes, roteiro de autoavaliação, que não faziam parte de suas rotinas até aquele momento, pelo menos não no que dizia respeito ao desenvolvimento de competências metacognitivas. Como a rotina da escola não dispunha de tempo para a realização de trocas e reflexões, deparamos grande dificuldade para a realização dessa forma de acompanhamento. Recorremos, desse modo, às opções de aproveitarmos o tempo das aulas de recreação e dos intervalos das aulas, o que requeria das professoras um investimento a mais em relação às suas atividades habituais. Nesses momentos, acompanhávamos o planejamento, discutíamos sobre a prática pedagógica, questionávamos a melhor forma de desenvolver as atividades. Efetivou-se uma relação de confiança mútua, que facilitava a expressão de sentimentos e permitia às professoras a elaboração de hipóteses sobre as questões e dúvidas que surgiam.
O diário de campo foi instrumento primordial no registro das informações obtidas durante a observação para posterior na análise dos dados da pesquisa. Esse instrumento auxiliar da pesquisa continha os registros das atividades da professora, sua posição perante o
aluno (mediação), anotações a respeito dos aspectos abordados na escala de competências do professor metacognitivo e nossas primeiras impressões. Algumas aulas, além dos registros no diário de campo, eram gravadas em vídeo.